dessa vez eu tive duas convulsões seguidas e a médica da emergência resolveu me internar, pra observação. a minha mãe te encontrou na rua em algum vai e volta do hospital e alguns minutos depois seu olhar cruzou com o meu no quarto do cti. cê tava com os olhos inchados de chorar e segurou minha mão como se tivesse sentido muito medo de me perder.
eu te disse "foi só um daqueles piripaques de sempre" e tu não riu do meu fiapo de humor inoportuno, tu pressionou meu rosto e disse "não faz isso. não faz assim"
existiram outras vezes, mas essa foi a mais recente chance que tive de saber que você me ama. não de forma convencional, como amigos amam amigos. não só de forma romântica como apaixonados amam uns aos outros. não de forma fraternal, não com as lembranças e desejos que já tivemos,
você me ama da forma como um jorge ama uma yasmin e eu te amo da forma que uma yasmin ama um jorge. definida pelos nossos nomes, com contexto única e exclusivamente por causa da nossa história. suas mãos nas minhas.
você disse que não iria voltar, então que me cabia estar bem e ficar bem e não passar mal nunca mais. eu ri. não podia prometer. te confortaria se eu mentisse? eu não quero te confortar, então te olhei em silêncio. "como você pode continuar assim?" sem você? sem te pedir pra ficar?
eu acho que qualquer ex amor faz sentido quando estamos frágeis, mas nós dois nunca fizemos sentido pela terceira vez dentro de mim. eu te dei uma segunda chance e você disse que tinha medo de falhar por outros motivos então falharia pelo que poderia controlar: sua covardia. eu te exclui porque não aceitaria não ser o amor do resto da sua vida. e você não aceitaria também. não tinha como.
tô escrevendo essas coisas todas porque você podia ter só estimado minhas melhoras sem aparecer por lá e quebrar nosso acordo de não-existência física, mas não conseguiu. teve que ir, segurar minha mão, olhar nos meus olhos, acariciar meu rosto, chorar por mim e comigo, dizer que as pessoas estavam se dando conta do que você sempre soube: eu sou facilmente quebrável.
"eles vão ter o medo que eu sempre tive"
mas quantas vezes você me deixou ir por medo de me perder?
e quantas vezes de fato perdeu?
quando você foi embora, quando disse que esperava não ter que fazer isso de novo, enquanto tudo parecia ser seco e insensível, eu pude compreender o carinho porque eu, mais uma vez, entendo o que não faz sentido em você.
era pra ter acabado, não é? o amor.
era pra ter estragado por falta de uso.
mas você segurou minha mão. eu percebi pela milésima vez. eu uso esse amor pra respirar, pra escrever, pra andar pela tijuca sem temer cruzar esquinas não porque posso te ver, mas porque você faz o mesmo
você gosta de competir quem segue melhor
e eu, como a mulher frágil que sempre fui, sou orgulhosa demais pra perder