Que tristeza me traz o Carnaval
Fui eu quem entoou Noite dos Mascarados ao teu lado
Fui eu quem comprou e compartilhou dos teus sonhos, dos teus olhos
Sempre estive lá
E, talvez, por isso você me tenha como um talher na gaveta
Tentei te punir, privando-te de mim,
pelo menos de uma parcela minha
E, nisso, me perdi
Parte de mim morreu, se calou
E por mais que eu vasculhe com lampiões e lágrimas
Não a encontro
Fui eu quem entoou Noite dos Mascarados ao teu lado
Para que estivesse vivo nesses quatro dias cinzentos
Enquanto me deixas na gaveta, implorando por função
Continuas a me fornecer migalhas, mas agora não me refestelo
Percebo-as como tal
E de raiva, sorrio
Sem saber por que mantenho-te aqui
Quando, no fundo, nada mudou
Ainda não sou digna te ti por inteiro
As escassas noites ao teu lado não mais aninham
Durmo com um estranho de anos
Cujas retinas nunca compartilharam a vista dos alvos fogos de artifício,
do pinheiro enfeitado de bolotas coloridas
ou da inerente folia de uma manhã de carnaval
----- Iara Candombá
















