minho genuinamente não odiava ninguém. sabia das consequências do ódio e da intolerância num geral, mas a antipatia que nutria abastante tempo por jung haneul fazia seu lado racional ir pelas alturas e as mil e umas maneiras de tirar alguém do sério que ele sabia começavam a servir de algo, e naquele momento, ele não perderia mais uma ótima oportunidade.
ele não gostava nem um pouco da ideia de ter um toque de recolher, entendia o perigo de andar sozinho e a noite num lugar como aquele, mas ele já havia vivido demais sob ameaças de mortes e armas rondando sua cabeça para ter medo logo agora. havia saído alguns minutos antes do toque de recolher em sua forma animal, passando surpreendentemente por todos sem que ninguém notasse e mesmo se notassem, ele é arisco em qualquer forma que seja. o sentimento que o fez sair de sua confortável cama e ir até as ruínas do vilarejo foi justamente o que o atormentou durante o dia todo. não aceitava ficar preso naquela escola de forma alguma, como nunca aceitou ficar preso em local nenhum. suas patas correram entre as plantas e entre os torii a procura de algo que fizesse seu lado felino se distrair. sentou-se sob a janela de uma casa, silenciosamente. ao perceber o movimento, de inicio se assustou, achando que era a pessoa que cometeu assassinato e torceu por um minuto para que ela gostasse de gatinhos fofinhos, mas ao perceber que não se passava de simplesmente jung haneul, decidiu observá-lo e ao local ao seu redor. sua mente não pensou direito quando ele sibilou altamente, pulando para dentro do local e fazendo um estrondo ao derrubar uma cadeira do local. começou a correr entre os móveis destruídos e empoeirados antes de parar sob uma mesa com um celular em cima. do aparelho vinha a música baixinha e que ele nem havia percebido antes e que embalava os movimentos de outrem. colocou a pata sob ele, levando-o lentamente até a borda e fazendo ele cair no chão. sorriu ao perceber que este havia trincado e logo voltou a forma humana, permanecendo sentado enquanto olhava com desdem para haneul. “você dança muito mal, ainda bem que faz isso escondido.” o sorriso vitorioso no rosto poderia irritar qualquer um.
⌠ — · Haneul tivera um dia imensamente cansativo, sua mente estava praticamente implorando por algum tipo de distração então decidiu ser um pouco irracional e ir até as ruínas. Por mais contraditório que fosse, era o único local onde o mestiço conseguia se sentir relaxado visto que poucas pessoas iam até lá ainda mais quando o Sol já estava se pondo.
Anos atrás, quando esteve ali pela primeira vez, levou um tempo para encontrar a casa "perfeita" para suas atividades: uma que tivesse paredes o suficiente e o chão não rangesse tanto - embora após aprender o feitiço abaffiato não teve mais de se preocupar com este problema em especial. Dançar sempre foi algo libertador e terapêutico para o Jung, sua forma favorita de relaxar quando se sentia sobrecarregado e definitivamente, ficar preso no castelo depois do que ocorreu não ajudava nenhum pouco. Sabia que estava sendo inconsequente dada a situação do mundo magico, mas voltaria antes do toque de recolher porque não tinha intenção de precisar usar de artimanhas para entrar no dormitório.
Vivaldi, um de seus músicos trouxas favoritos, já estava na terceira das quatro estações quando Haneul ouviu o sibilo do gato seguido da correria quase rápida demais para seus olhos, fazendo com que se assustasse e automaticamente parasse com os movimentos graciosos. Claro, em primeiro momento imaginou ser realmente apenas um gato, mas ao notar a pata por cima de seu celular e o olhar felino teve certeza que era um animago, infelizmente não a tempo de impedir que o aparelho que ainda tocava a música clássica se espatifasse no chão. A voz que ecoou no cômodo fez o mestiço se amaldiçoar mentalmente por ter esquecido de usar o feitiço silenciador ao redor da casa. Não entendeu porque de todas as pessoas do mundo tinha de ser Ha Minho ali, o garoto fazia questão de ser desagradável de propósito, não poderia simplesmente ignorar sua existência como ele próprio fazia, ele parecia saber que para Haneul silencio e descaso não eram pior do que lhe ofender diretamente. A pele clara se tornou rosada por conta da raiva em poucos segundos, e estava pronto para esbravejar, mas havia se prometido a si mesmo que tentaria controlar esse tipo de raiva, que era melhor do que isso. Obviamente foi preciso muito auto controle para simplesmente não dar um murro no outro rapaz, mas ter a certeza de que poderia ser ruim em qualquer coisa menos dança – qual é, estava fincado em seus genes, a confiança dele nesse quesito era alta demais – lhe foi um grande ponto de equilíbrio. "Você se deu ao trabalho de armar toda essa ceninha para me ofender justo sobre algo que sou inegavelmente bom? Se você queria minha atenção tanto assim, poderia ter conseguido de outras formas." , respondeu após pegar seu celular do chão e executar o feitiço simples de reparo.