[inspired]
AnasAbdin
he wasn't even looking at me and he found me
Monterey Bay Aquarium
NASA
dirt enthusiast

Andulka
almost home
Peter Solarz

izzy's playlists!

Kiana Khansmith
Keni
Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ
Xuebing Du
trying on a metaphor
will byers stan first human second
Sweet Seals For You, Always

Product Placement
sheepfilms
Mike Driver
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
seen from United States
seen from Uganda

seen from Singapore

seen from Netherlands
seen from United Arab Emirates
seen from Bangladesh
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from United States

seen from Singapore
seen from Malaysia
seen from Chile

seen from Germany

seen from Singapore
seen from United States
seen from United States

seen from United States
@icesxlation-blog
[inspired]
O sol batia contra a face de Maegor logo pela manhã. Decidira sair cedo do quarto naquele dia, pronto para, se aventurar pelos jardins do castelo, coisa que há muito tempo não fazia. Não usou de roupas formais, como geralmente fazia. Bastava uma calça de cor escura, não muito justa ao corpo, uma camisa branca comum, essa, sim, justa ao corpo, e os pés descalços. Era muito cedo, afinal, e duvidava que alguém estivesse acordado naquele lugar além dos criados, sempre prontos para qualquer emergência. Saiu a passos calmos do quarto, a fim de não acordar ninguém dos quartos ao lado. Fez um breve aceno de cabeça à alguns criados, deu beijos nas bochechas dos mais próximos à ele, gesto simples de bom dia. Nos momentos em que seus pais não olhavam, Maegor gostava de ser amigo da maioria daqueles que deviam servi-lo. Por fim, chegou aos jardins. O sol ainda nascia, mas alguém já estava acordado. Foi surpreendido por um relinchar e, imediatamente, um sorriso tão grande apareceu em sua face que parecia prestes a cortar suas bochechas. “Ei, Crowley.” O cavalo de pelos negros trotava até ele e, quando estava próximo o bastante, Maegor esticou o braço e tocou a crina macia. Protestou ao cavalo novamente relinchar, pedindo para que o animal ficasse quieto, mas acabou por rir. A verdade era que o príncipe gostava mais de Crowley do que de boa parte da realeza que dormia nos quartos quentes do castelo no momento.
A traça desgrenhada, o rosto puro como neve reluzindo ao sol, o estresse dando espaço para um semblante contente. Acordar feliz era um evento cósmico que acontecia a cada ano, devido a certo alinhamento de planetas e estrelas, que influenciavam no humor da dama de gelo. Na verdade, a felicidade havia se tornado algo folclórico quando sua inocência escorrera pelo ralo na tentativa de salvar sua mãe. Aquela era uma memória triste, algo que não combinava com o estado de espírito da morena. Não usava roupas apropriadas, pelo contrário: o pijama azul claro seria perfeito para uma escapada até a cozinha, quiçá, o jardim. Estava cedo demais para encontrar alguma das selecionadas no corredor, e suas roupas eram respeitosas o suficiente para não ser incomodada durante seu percurso. Apesar de sua estadia resumir-se a poucos dias, já preferia o ambiente da cozinha do que do salão de jantar, como em sua própria casa. Desde pequena assistia as poucas criadas que tinha mexerem em grandes panelas, por mais que seus pais odiassem que ela o fizesse. A cozinha do castelo era ainda mais mágica, por apresentar mais trabalhadoras e mais panelas, já cedo. Conseguira uma maçã e uma promessa de pãezinhos frescos, e, assim que acabou com a fruta, partiu para os jardins antes de voltar para seus aposentos. Apesar da grande extensão de terra e flores, os caminhos feitos por Ellara direcionaram-na para a última pessoa que esperava ver acordada, e, com alguma sorte, não foi notada de imediato. Observar o príncipe sem falar alguma palavra parecia errado, pois, aparentemente, estava ali para ganhar a simpatia do mesmo. Como iria fazê-lo se ficasse na sua? Porém, o momento era frágil demais para a lady interromper. Com roupas casuais e um sorriso verdadeiro no rosto, o príncipe não passava de um comum jovem. Lembrou-se de imediato de uma de suas frases favoritas, “heavy is the head that wears the crown”. O príncipe Maegor nunca mostraria o verdadeiro enquanto tivesse o peso da coroa pairando sobre ele. Ellara se perguntou se teria paciência suficiente para ganhar a confiança do mesmo, talvez ser destinatária de um semblante feliz. A ideia soava tão absurda que a menina riu, chamando a atenção para si, finalmente. Provavelmente daria novas rugas ao rosto novo de Maegor ou causasse um problema de voz de tanto gritar com ela, e não momentos felizes para sorrir. — Oh, what a lovely way to start a day. Bom dia, alteza, já peço desculpas por interromper o momento.
A vida de Liriel naqueles últimos dias havia sido conturbada. Com a chegada das selecionadas do Queenstrial, havia muito mais trabalho a ser feito nos dois palácios. Conciliar isso com a doença da mãe estava sendo difícil para a jovem, que cada vez menos conseguia tempo para acompanhar o procedimentos que um curandeiro realizava na mulher. Por isso, quando era a hora de fazê-los sozinha, a morena não sabia a maneira certa. Essa era uma dessas situações. Precisara chamar o homem novamente, por não saber aplicar o remédio na enferma, e então tudo aquilo começara. Ouvira coisas horríveis, estava prestes a desabar em lágrimas quando foi salva por uma moça que reconhecia vagamente da celebração do dia anterior. Conforme seguia a selecionada pelos corredores, conseguia se acalmar e fingir que nada acontecia. Liriel surpreendeu-se ao ser tratada com tanto respeito. Achava que as possíveis esposas de Maegor possuíam pensamentos conservadores e a ignorariam. Ver que estava errada era bom. Mais do que tudo, era bom perceber que o príncipe se casaria com uma boa pessoa. A criada balançou a cabeça em negação. “Não era um prateado, senhorita Gliacon.” Arriscou o nome da mulher, logo oferecendo-lhe um sorriso. “Também não é nada disso, só um assunto de… De família. Não atendo por esses pronomes, senhorita. Só Liriel está ótimo.”
Muitas coisas faziam o sangue da jovem fervilhar, contudo, ver mulheres sendo subjugadas era um dos fatores que a fazia descer do salto. Por sorte, havia se lembrado das palavras da rainha Rhaenyra, que, por mais que não tivesse a confiança de Ellara, era esperta o suficiente para lembrá-la que estava em ambiente hostil. Arriscou um sorriso por ver que a jovem já sabia o seu nome, mas recolheu-o, envergonhada por não saber o dela de primeira. — Não era? Não conheço todos da corte, achei que ele estava irritado por alguma bobagem. — Ela estreitou os olhos. Agora até mesmo os vermelhos da corte se tratavam com tamanho desrespeito? Bem, a sociedade estava realmente precisando de uma reforma. — Tudo bem, então, não irei fazer mais perguntas. Liriel. Gostei do seu nome, assemelha-se com lírico. Você já sabe o meu, mas irei me apresentar de qualquer maneira: Ellara Gliacon. O que acha de darmos uma volta? Não acho que valha a pena lhe jogar numa situação de estresse de novo, e, bem, se eu vir mais um homem gritando, é capaz de eu jogar esses saltos ridículos na figura.
queenxrhaenyra:
[ f l a s h b a c k ]
Rhaenyra desconfiava que a maior parte daquelas garotas não estava pronta para se tornar princesa, a julgar pelo pouco tato com que abordavam assuntos políticos. Desconfiava, também, que seu irmão estava em busca de uma garota que pouco esboçasse suas opiniões; que fosse um mero adendo nas apresentações públicas, alguém educado e bonito para figurar ao seu lado. Mas não lamentava por aquelas que se mostravam mais partidárias. Esperava que houvesse algumas meninas com capacidade crítica ali. Seria interessante ver os embates com Maegor, e talvez com o próprio rei. “Encare mais como um conselho, senhorita. Meu irmão não gostaria de ouvir críticas à monarquia, se for seu objetivo vencer esta competição”, disse, dispensando o pensamento com um gesto de mãos. “Concordo com a senhorita, no entanto. Vermelhos sempre serão os mais reprimidos, enquanto a ordem dos prateados permanecer. Somos privilegiados demais, e não abrimos mão de nossos privilégios”. Queria mostrar que a crítica, quando feita, não deveria se estender apenas aos que as cercavam, mas a elas mesmas, inclusive. “Acha que não sou capaz de enxergar tais apontamentos? Dia a dia me vejo tendo de combater minha própria família, enquanto a maioria das pessoas pensa que sou uma princesinha fútil e nada empática. Contudo, ainda há muito caminho a ser percorrido para que possamos cogitar a ideia de igualdade”. Aquele era um assunto pouco leve para ser tratado em um chá da tarde, mas Rhae sentia-se um tanto aliviada por não ser a única a se preocupar com aquela questão. Às vezes sentia-se imensamente solitária naquele mar de prateados preocupados com o próprio bem estar. “É o que todos como nós querem: um melhor sistema instaurado, e é justamente isso que não deve chegar aos ouvidos de meu adorado pai. Ele podará qualquer movimento rebelde antes mesmo que ele comece”.
A tensão contida nos ombros da jovem dissipava-se enquanto a princesa — ou seria rainha? — Rhaenyra mostrava partilhar de uma opinião crítica perante à forma governamental de Norta. Uma parcela de dúvida permanecia, porém: estaria ela apenas manipulando-a com suas palavras? Não havia porquê, entretanto, para a mesma fazê-lo. Era uma Calore, poderia ter quaisquer alianças que quisesse com um estalar de dedos, e Ella não fornecia uma aliança política tão forte. Por fim, decidiu acreditar na rainha. Antes de proferir a próxima sentença, olhou em volta, certificando que ninguém importante demais escutasse. — Se o seu irmão possuir preocupação alguma pelo povo deste país ou abertura para novas ideologias, não há motivos para lhe darem o trono. Do que adiantaria, majestade, permanecer sorrindo até o final da competição para ficar ligada à um homem que não irá me respeitar ou meus iguais? Espero estar errada, seria um desperdício feições tão bonitas ligadas à uma alma egoísta. — Ellara piscou algumas vezes, olhando em direção ao príncipe, que socializava distante dali. Voltando sua atenção para a bela rainha, digerindo seus dizeres. A crítica estava completamente certa, pois a crítica deveria abranger todos aqueles que vivem sobre os privilégios da corte. — Não é eficaz, também, uma ou duas pessoas desistirem de seus privilégios pela causa, a reforma deveria ser geral. É delicado demais pensar nisso, a grande maioria de prateados não apoiaria. — Era um verdadeiro dilema a ser resolvido, afinal, estavam conversando sobre o destino de milhares de pessoas. — É uma generalização, majestade, ao lhe pintar como uma mulher fútil estão apenas continuando o paradigma de que mulheres não são aptas para discutir política. Estou aliviada pela senhora ter atestado o contrário. — Esperava deparar com um jardim de cobras hipócritas, mas, até agora, as criaturas perigosas souberam disfarçar-se bem. Não possuía certeza se Rhaenyra tinha uma natureza viperina, todavia, as faíscas que ela liberava em seu discurso eram encantadoras aos olhos de Ellara. — Não costumo dizer isto, mas... escutarei o seu conselho. Irei me esforçar ao máximo para não ser acusada de traição por causa do meu senso crítico, alteza. Tinha conhecimento que o rei poderia ser um pouco... rigoroso, todavia, não achava que chegava a este ponto.
Você me pegou, eu estava querendo ir sozinha para os jardins… Mas já que está aqui, desejaria me acompanhar nesse passeio?
Apenas se você contar para ninguém que fui até a cozinha procurar por brioches. Quer um? As vermelhas que ficam por lá são muito adoráveis, inclusive me alertaram para não comer demais.
“Peço perdão por qualquer coisa que posso ter feito, realmente não prestei atenção e tenho consciência de que isso é errado. Novamente, peço desculpas, embora eu ainda não saiba o que fiz de errado.”
Enclausurar-se em um castelo por questões sociológicas parecia uma boa ideia em seus primórdios, todavia, os dias revelavam-se estressantes para a jovem que não sabia controlar suas palavras. Com seus pais, era instigada a questionar a ordem das coisas, e se deparar com um ambiente onde tal ação não era bem vista era, de fato, um choque para a Gliacon. Tentava permanecer quieta, mas domar seu espírito selvagem assemelhava-se a tentar selar um equino raivoso. Resumia sua nova vida em tentar não causar muito alvoroço, contrariando seus verdadeiros desejos. Cansada de repousar no quarto, decidiu aventurar-se pelos corredores, deixando o destino escolher o seu caminho. Por sorte, virara os corredores certos e deparou-se com uma criada de cabeça baixa, pronta para escutar um baita de um sermão. Teve a chance de escutar o final da conversa, interferindo no mesmo momento. — Aposto que terá muito o que falar, mas eu preciso da senhorita. — A voz era firme, autoritária, um tom que não combinava com as feições delicadas e arredias de Ellara. Com delicadeza, puxou a mesma pela mão, tirando-lhe de lá o mais rápido que podia. Assim que dobrou dois corredores, assumindo que já era uma distância segura o suficiente, parou e removeu o semblante sério. — Você está bem? Elx parecia estressadx, e simplesmente não confio em prateados raivosos. Sei como podem ser perigosos se contrariados. A senhorita foi machucada de alguma forma?
“Eu teria mais cuidado com as palavras se fosse você, queridx. Algumas pessoas por aqui entendem que menos que isso é suficiente para a pena de morte. Já deu uma olhada no último decreto de meu adorado pai?”
Apesar de ainda estar viva, eventos sociais consumiam toda a pouca paciência disponível de Ellara num piscar de olhos, desta forma, não demorou muito para que se envolvesse em uma situação. “Majestade, apesar de poder ter soado como uma ofensa, não posso me desculpar por uma verdade. A lei pode se mostrar mais dura para aqueles sem privilégios perante à corte, como o contrário.” Assumia uma expressão pacífica, apesar da faísca escondida em suas íris. “Os decretos são falhos, a srta. mesmo está ciente disto. Privilegiar prateados, culpabilizar vermelhos, terminar com um processo devido à um acordo político, proteger escolhidos, exemplos claros de tal afirmação. Calar-me por abordar um assunto que deveria ser mais discutido é colocar mais uma gota num copo quase cheio por indignação, um ato de intolerância perante o direito de questionar humano. Apenas desejo ver um melhor sistema instaurado, e não afrontar a autoridade de seu adorado pai.”
Entre todas as coisas insuportáveis naquele pequeno evento, talvez o maior deles não fossem as selecionadas e os nobres que insistiam em lhe atacar, principalmente com as palavras ácidas, mas sim as selecionadas e os patrocinadores que permaneciam ao seu lado o tempo todo, bajulando-o como se com aquilo o príncipe, que não era vazio como pensavam, fosse conseguir uma selecionada preferida de início. Não era assim que as coisas funcionavam com o Calore mais novo. Queria conhecer cada uma delas e, só então, selecionar, aos poucos, sua futura esposa. Seria um processo lento, tinha certeza, porque não queria passar o resto de sua vida com uma garota que fosse incapaz de suportar e, talvez, amar. Estava perdido em seus pensamentos enquanto escutava uma voz fininha se aproximando, desesperada pela atenção do príncipe. Quando esta estava realmente próxima, porém, prestou atenção bem a tempo de ver a moça que lhe chamava se desequilibrar do salto com uma taça e vinho nas mãos. Se fosse para perto para não deixá-la cair, certamente acabaria com uma mancha de vinho na roupa toda, mas se não fosse, a mulher cairia. Decidiu que não valia a pena continuar limpo naquele caso e, rapidamente, deu poucos passos para a frente, bem a tempo de pegá-la. Como previsto, o vinho sujou o terno branco do rapaz, que não se importou nem um pouco com a mancha. Pelo menos a moça estava segura, sem passar tanta vergonha. Vermelha como ninguém jamais ficara perto do príncipe, o mesmo tentava de todas as maneiras fazer a menina se acalmar. Isso bem a tempo de outra se aproximar e dizer que estavam chamando pela selecionada. Lançou um sorriso aberto para a mesma enquanto ela se afastava. Quando já estava longe, voltou sua atenção para a mulher à sua frente. Quando ela o reverenciou, fez uma careta. “Não precisa disso. Vamos nos ver com frequência a partir de agora e não quero vê-la sendo obrigada a fazer uma reverência toda a vez que formos conversar.” Explicou com a voz mais calma do que o normal, sendo totalmente franco. Estava acostumado a ver as criadas reverenciando-o, esmo que pedisse sempre para que não o fizessem. Entendia-as, por outro lado, já que a rainha exigia que o fizessem. Com suas selecionadas seria diferente, porém, já que era ele e a devida moça quem estabeleceriam suas relações, não a rainha. “Não se preocupe, tentei ser o mais gentil possível com a moça. Ela parecia extremamente envergonhada, porém. Está certa, mas acredito que pelos motivos errados. Não lembrarei da moça porque ela sujou meu terno, lembrarei dela simplesmente porque me lembrarei de todas as com quem conversei hoje. Inclusive a senhorita.” Tentou soar o mais agradável possível, vendo que a selecionada certamente encontrava-se um tanto desconfiada das boas intenções do rapaz. Talvez nem tão boas quando se tratava do casamento em si, mas ele não se achava um monstro como as moças pareciam achar. “Deixe-me apresentar da maneira certa, sim?” Curvou-se minimamente, afim de aproximar-se da garota e olhá-la nos olhos. “Maegor Gaemon Samos Calore ao seu dispor, meu amor.”
Contida em uma forma condensada, Ellara começava a tirar certas conclusões sobre o príncipe: certamente não estava falando com um monstro de sete cabeças, e sim, com uma girafa. Se focasse o seu olhar para frente, encararia a roxa marca de origens desastrosas, e não uma forma corporal de altura aceitável. Mesmo com a média estatura, o príncipe Maegor era muito alto. Não era incômodo para ela, apesar de tudo, portar o queixo erguido — uma atitude natural — os outros prateados, principalmente homens, odiavam quando a mesma trazia um desdém explícito nas íris e cabeça erguida, uma atitude afrontosa intrínseca à natureza gelada da moça. Não acanhou-se, portanto, quando precisou assumir tal postura para encará-lo. — Pensei que fosse de seu gosto, afinal, a grande maioria age desta forma. Se este for seu desejo, irei atendê-lo, é conveniente para ambos. Não gosto de me curvar, contudo, é o que a etiqueta manda. — Aliviada estava por excluir uma formalidade para com uma das principais figuras do palácio. Só precisaria se preocupar agora com os demais aspectos, como discurso e comportamento, algo complicado para a lady. Um princípio de sorriso irônico tentou florescer, contudo, Ellara cortou-o antes que fosse considerado uma ofensa. — Iremos conviver durante certo tempo, majestade, ficaria decepcionada comigo mesma se não fosse marcante de alguma maneira. — Apesar da frase ter diversos sentidos diferentes, Ellara referia-se à sua personalidade... forte. Iria indubitavelmente chamar alguma atenção para si, sem saber se seria boa ou ruim. Apesar de não precisar, assentiu positivamente, incitando-o a prosseguir. — Não é precipitado me chamar de seu amor? Vossa Majestade ainda não é familiarizado com a minha natureza. — As íris castanhas permaneceram firmes enquanto proferia suas palavras, repletas de curiosidade. Escutava inúmeros boatos sobre a família Calore, contudo, Maegor era o que menos se destacava entre todos. Qual era a sua verdadeira cerne? O que ele escondia em tamanhas camadas de charme e educação? Acreditava que todos os prateados possuíam algum tipo de comportamento que não mostravam para alheios, e pensava se poderia descobrir o do príncipe. — É um prazer lhe conhecer, príncipe Maegor, espero que seja intrigante como todas dizem. — Pausou sua fala, ainda encarando-o, de forma pacífica. — Por sinal, sua alteza está à disposição de Ellara Claire Gliacon.
E não somos apenas objetos? Não vejo diferença alguma, na verdade, é quase como se já estivéssemos em uma bolha de observação. E você está aqui por mera curiosidade? Tem certeza de que vale a pena se envolver aqui em busca de alianças com essas pessoas?
Qualquer mulher é um mero objeto num patriarcado, minha cara, podemos nos curvar a esta situação ou resistir. Não só a família Calore está nos observando, consigo sentir cada par de olhos de embaixadores grudados em nós. Cá entre nós, estou tendo que me segurar bastante para não xingar todos. Não é mera curiosidade, meus motivos são mais profundos do que isso. Por que está aqui, afinal, se detesta todos? Aliança é a premissa básica de um Queenstrial, veja, o príncipe escolhe a esposa baseado em seu poder e no que ela pode oferecer, logo, é mais um evento político. Não as procuro, porém, mal tenho certeza que sobreviverei a primeira semana neste hospício.
“Eu não tenho para lá a maior paciência do mundo, mas sobe muita satisfação depois.” cruzou as mãos por cima do ventre, ainda encarando a morena. Tinha algo sobre ela que não poderia arriscar dizer o que seria, mas que a deixava confortável. “É mesmo? Como o que?” curiou um pouco, tinha de prestar atenção nisso. “Se fosse comum não seria uma maravilha, right?”
— Então temos algo em comum, Sibéria. Nunca vi tantas jovens sem paciência reunidas no mesmo lugar. Aposta quanto que no meio da seleção estaremos puxando o cabelo uma das outras? Será deplorável, com certeza. — A Gliacon ponderou, pensando na disputa. Precisava se manter ali se quisesse inserir no habitat natural da corte, afim de sanar suas dúvidas sobre a parte rica da sociedade. — Será clichê se falar que só tenho paciência para ler? Os jogos da nobreza me parecem desnecessários, ainda mais depois de passar boa parte de minha vida lendo escritos sobre Norta. Gosto muito também de construir bonecos de neve. É bobo, não é? — Pela primeira vez no dia, Ella sorriu de verdade, atitude esta que não durou mais do que um segundo. — Com toda a certeza, não. É marcante, combina com a senhorita.
AESTHETIC SERIES ✵✵ ELLARA CLAIRE GLIACON aka LADY ELLA
I’m headed s t r a i g h t for the CASTLE
they’ve got this kingdom locked up
and there’s an old man sitting on the throne
that’s saying I should probably keep my pretty mouth shut
things i am
a wanderess
a one-night stand
things i don’t belong to
no city
no man
things i also am
the violence in the pouring rain
a hurricane
Temawgor:
“Oh, não, não se preocupe.” Pegou um pequeno lenço que haviam deixado em cima da mesa anteriormente, começando a limpar o líquido escuro que sujava seu terno branco. Aquilo certamente deixaria uma mancha na roupa, que não poderia ser usada novamente. Não se importou, porém, já que a pessoa que derrubara a taça sobre sua roupa já parecia bem culpada. “É só uma mancha, está bem? Nada que vá estragar a nossa tarde.”
Atos diplomáticos não eram mais características da Gliacon, pois fazer esforço para ser agradável com sujos nobres cuja a habilidade de pensamento era tão rudimentar não estava na lista de coisas que estava disposta a fazer. Exibia um tímido sorriso, sem mostrar os dentes, o máximo que conseguia fazer perante à falsidade das relações entre a realeza. Tentava restringir seus comentários e quem os ouvia, contudo, cuidado não era exatamente um conceito internalizado em Ella. Tentava se abster de falar besteira no primeiro dia da seleção, assim, concentrava-se nos convidados e em sua movimentação. Um dos que lhe chamara atenção, de forma óbvia, era o príncipe Maegor, um dos alvos da curiosidade da jovem. Seria ele tão desprezível como os outros homens da corte? Só haveria um jeito de descobrir. Decidida a começar uma conversa, a mesma encaminhou-se onde o rapaz estava, apenas para vê-lo ganhar uma terrível mancha em seu terno, que parecia caríssimo. Virando o rosto para não ser notada, a garota soltou uma risadinha. De todos os acontecimentos da festa, apenas a desgraça alheia tinha sido engraçada o suficiente para arrancar-lhe uma gargalhada. Esperou, discretamente encostada numa mesa como se avaliasse os seus doces, para ver a vergonha crescendo no rosto da pessoa. A cena, apesar de deleitosa, não podia continuar, afinal, a moça estava mais vermelha que um pimentão. Interveio, enfim, pelo bem da mesma. — Com sua licença, senhorita, parece que estão te chamando lá dentro. Aposto que não é nada grave. Deseja minha companhia para ir até lá? — A envergonhada moça negou, e Lara lhe cedeu uma piscadinha rápida e quase imperceptível. A menina deveria estar nervosa demais para falar algo, e logo se dirigiu para o falso encontro. — Alteza. — À contragosto e não deixando transparecer sua insatisfação, fez uma curta reverência. — Tendo problemas no paraíso? Espero que não tenha soado inquisidor com aquela moça, ela parecia bem acuada. Tenho a impressão que ela ficará marcada em sua memória depois disto, estou certa?
O espumante translucido assentava acima do prateado da bandeja tilintava de forma dissonante, e a figura, justo aquela tão subalterna quanto Akemi, os olhos rasgados de tom acastanhado cederam à necessidade de dispor acalento, até mesmo sorriso fora inserto ao contexto, tornando do semblante acolhedor àquela criatura; ao aceitar a inexorável conseguinte oferta, um aceno com a parte frontal do crânio, em reverência. Gostaria de partilhar o brinde de sabor aguardente com aquela estranha, que de fato era mais familiar que quaisquer uma das demais entidades, mesmo que jamais tivessem obtido contato prévio. A sensação de empatia ao congênere não foi diferente quando este ruiu, a menina, não muito mais nova que ela, tiritou a musculatura braçal frente a quem diz transluzir ouro puro, mas não passa de puro azedume. ——— E uma vez que é feito o que lhe é exigido, definha a liberdade de exercer o que deseja. ——— Murmurou, referindo-se a postura infeliz que a menina deveria tomar de acordo com o decoro exigido, ela entretanto, interveio. ——— Come here kid I’ll help you.
Os palmos direcionaram-se aos cacos e com um punhado de concentração e o movimentar dos dígitos, fez-se amontoado de vidro, sem sequer um toque. Se lhe era válida certa dose de dignidade, que partilhasse. Trocou rápido olhar com sua semelhante, piscando à ela para atenuar a tensão dos olharem nelas sobrepostos, ao finalizar ergueu-se de supetão, agora ela criando seguimento a cadeia de deslizes, em seu caso, todavia, não era algo que consternasse. ——— Precisa de algo? ——— Olhar severo fora posto a figura a frente.
Castanhas íris mantinham foco em nada específico, caracterizando o quanto distraída estava a jovem Gliacon. O tédio era tamanho, a ponto de calá-la: não tinha forças para fazer sequer um comentário sarcástico, seja pelo exagero da vestimenta de certos nobres — pelos Deuses, havia visto tantos chapéus horrorosos que queria cometer suicídio — ou pela hipocrisia, tão pesada que lhe dificultava a respiração. Absorta estava por seus pensamentos, tão aérea que mal viu a cena de injustiça desenrolar em fronte sua presença. A mesa que estava não era a de origem por estar seguindo uma recomendação da mãe. Socializar antes era tão natural como andar, contudo, após sua natureza crítica ter crescido exponencialmente a atividade havia se tornado quase uma tortura para a morena. Ao ouvir um leve levantar de voz, voltou à Terra, pegando os últimos segundos do destratar de uma criada. Com o sangue fervendo, Ellara educadamente inclinou-se para o responsável, destilando o seu veneno da forma mais polida possível, a ponto de o calar diante tal situação. Assim que levantou da mesa, saturada por tanta farsa palaciana, encontrou rapidamente a menina antes subjugada, e aliviou-se por ver que estava sendo auxiliada por sua guarda. Contratar a srta. Takahiro havia se mostrado uma das decisões mais acertadas que tomara nos últimos meses, tanto por seu talento no ramo como o acordo entre as personalidades de ambas as morenas. Aproximou-se, enfim, no mesmo momento em que a guarda levantava-se. — Autocontrole, srta. Akemi. — Disse, simplesmente, rolando os olhos. — Estou tentada a sair o mais rápido possível, entretanto, isto vai de fronte à minha pesquisa. Também desejo cometer diversos assassinatos, apesar de minha mãe abominar tal ato, não que eu me incomode. A moça está bem, srta.? Diga que não, assim poderei quebrar uma taça na cabeça do responsável.
Que interessante, seria mais fácil se colocassem todas nós em uma vitrine para que o rei e a rainha observassem melhor, enfim, quero dizer… Que decoração adorável, não é mesmo?
E atestar oficialmente que somos semelhantes à objetos para eles? Pouparia um grande tempo, nosso e deles, contudo, é mais que isso: fomos arrastadas para o jogo de tronos pessoal da corte. A cada segundo, pergunto-me se vale a pena estar no meio da picuinha causada pela realeza. Não vale, é certo, porém, minha curiosidade é maior. A decoração está maravilhosa, certamente, só não mais linda que as alianças políticas que podem ser formadas com esta Seleção.