eu tenho urgências de recuperar os meus infinitos
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@inadecer
eu tenho urgências de recuperar os meus infinitos
o que a gente conta pras estrelas é segredo bem guardado no infinito.
eu não te sinto. / por que ainda te espero?
ventos do norte (terral)
minha casa ainda é morada pra ti?
eu não te sinto, por que ainda te espero?
eu já não sei o teu nome. nem o teu endereço. às vezes, esqueço o teu rosto.
passo pelas ruas e me pego encarando fantasmas.
a lua tem testemunhado a minha busca por uma parte importante de mim que se perdeu por aí.
não estava com você. nem com ela.
achei que voltaria se fechasse o portão.
mas o teu amor não é mais pra ser meu.
abra-se outra vez.
troque a equivalência: ela fica. eu vou.
eu já não vejo dias lunares; depois de você, a poesia cósmica não me agrada mais.
porém, se o Cosmos, o amor e a fúria te atravessam,
que dedicatórias lhes deixarias?
eu vejo ecos de você o tempo todo.
2019
as estações se calam, e já não para mais de chover em julho. o frio que quebra os meus ossos um dia foi agasalhado pela tua presença.
sem quadros, sem pinturas, sem flores.
nada fica. nada volta. tenho pensado muito em você.
sempre que volto a dois mil e dezenove, eu te vejo. e me engano.
pela última vez: abra-se, portão do lado esquerdo do peito.
mostra-me Netuno e nos traz de volta ao centro da espiral.
me desculpa. te amo. adeus. pela última vez.
promessas são ruínas e a gente já não finge não ver.
em bares repetidos; só amor não basta. saudade entorpece.
o tempo passou; só a espera não soube como partir.
além de você, nunca fui de verdade em lugar nenhum.
meu bem, eu já amei tanto que já amei tudo. você não entenderia.
nota 37
há dias em que eu me sinto uma pessoa ruim; nesses dias, sinto como se o peso e as dores do mundo tentassem, ferozmente, rasgar a minha garganta e dissolver o que sou.
ultimamente, as palavras não andam conseguindo traduzir bem o que sinto. se emudecem, tímidas, e caem antes mesmo da ascensão até a forma que deveriam tomar ao serem envoltas pelo grave ou agudo da minha voz. o mundo se cala e grita ao meu redor. eu não entendo e nem sempre tenho o conforto de poder perguntar.
às vezes, eu não percebo a crueldade no riso dos homens; mas, num ato ferino, as palavras voltam e reverberam pontiagudas, me ofendendo em pensamento, empurrando mais fundo o peso da ruína do mundo.
há dias em que me sinto uma pessoa ruim (e me pergunto se de fato sou); a gentileza, por vezes, me envolve em uma fina camada de ingenuidade, que acho que ninguém vivente entenderia. e, ainda assim, por vezes, queria poder ficar alheio e desconexo do mundo; queria não saber; não ter a certeza de que, mesmo na minha pequenez, há dias em que me sinto uma pessoa ruim e que, apesar da falta de ação, meu pensamento também carrega as dores, os delitos e a ruína do mundo.
há dias em que me sinto uma pessoa ruim; e falho em lembrar que sentir não é ser. que não são só minhas as dores que arrastam o mundo.
escrevo sem promessa. não peço sinal. não aguardo resposta.
o que pulsa, fica. o que dói, nomeio.
e sigo...
sem céu, mas inteiro.
para todos os que perderam o sentido e estão tentando recuperar: eu sinto muito.
em noites como essa; minhas explosões internas são silenciosas.
cr.
The earth and Saturn. More worlds than one. 1854.
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