Eu estou despedaçada. Talvez nem seja de ontem, talvez seja desses 34 anos de vida que eu tenho. Muitas coisas não fazem sentido na minha cabeça, a vida em si, a razão da minha existência, o porque de nascer, o pra que de nascer. Ser rejeitada desde de sempre cobra um preço, e além desse preço, a vida vem carregada de rejeições em diversos níveis e esferas diferentes. Como se eu não fosse boa o bastante para estar aqui, aqui no mundo. Eu já fui machucada, já fui magoada, por outras pessoas, mas você e eles sempre serão as que dói de verdade. Eu queria deixar de ser, de ser eu, de ser um estorvo, de ser um problema. Eu quero deixar de ser, deixar de estar, quero deixar, quero ir. Eu não deveria esperar nada deles, mas é humanamente impossível, por mais merda que sejam, me geraram, mesmo que sem me querer. E eu passei a vida esperando por uma fagulha de amor, pelo mínimo, e quando se cria expectativas mesmo que mínimas, o tombo é sempre uma merda enorme. Mas em que deveria me surpreender, eu nunca sou aceita, amada, bem vinda em lugar nenhum, seja com meus pais, seja com seus pais, em círculos de amigos, em amigos que eu acha ser meus amigos e por ai vai a longa lista. Eu gerei sozinha, eu nasci sozinha, e acho que deveria viver sozinha, de certo é isso. Vocês não deveriam ter me gerado. Não deveriam ter me tratado tão diferente do meu irmão quando éramos crianças. Vocês não deveriam ter sempre me largado na minha vó e depois agir como se eu fosse apenas uma adolescente rebelde. Eu nunca fui quista por vocês. Eu ouvi uma centena de vez o quanto não queriam ter dito eu, mas eu nunca pedi, eu nunca pedi pela porra da vida, deveria ter usado a merda de uma camisinha ou a pílula do dia seguinte, ou poderiam ter me dado. Faltou muito, faltou amor, faltou diálogo, faltou carinho, faltou proteção, faltou colo. Eu vejo hoje e vi todos os dias a diferença entre eu e meu irmão. Eu não sei o que eu fiz, mas pouco me importa, porque hoje não faz diferença mais. Se um dia eu esperei alguma coisa de vocês esse dia morreu ontem, com a meia noite e com um pedaço de alguma coisa que eu ainda tinha que esperava algo de vocês. Agora eu não quero nada! Agora eu não espero nada! Agora não tenho nada em vocês! Agora eu não estou mais aqui! Eu quero gritar com vocês, dizer o quanto eu odeio vocês e a maneira como me tratam e como fazem eu me sentir. Mas eu não quero ver vocês, eu quero esquecer vocês. Se eu não fui boa o bastante, foi porque vocês erram comigo e não ao contrario! Tudo que sobrou aqui de vocês foi vazio e DNA (porque não posso mudar).