Um barulho terrível. Destruição. Tudo pelos ares e ao mesmo tempo uma calmaria. Um vazio. Um silêncio.
Será que caos do olho do furacão é ver a destruição a sua volta e não ser atingida por tal? Será a sensação de impotência que perambula a sua volta e a falta de controle sobre o entorno? Todos que estão lá e todas as coisas destruídas e apagadas?
Antes do furacão, a sensação de que tudo está certo. Tudo está no seu lugar, no seu caminho. As coisas seguem como devem seguir, como foi programado, como foi desejado! No seu caminho natural.
Derrepente um aperto no peito. Na cabeça? Um turbilhão de cenários, possibilidades, vontades e dúvidas. O que eu estou fazendo? O que eu estou sentindo? Quem sou eu? O que eu quero? Como eu imagino o futuro? Onde minhas ações vão me levar? Nenhuma dessas respostas vêem. Com as dúvidas, mais e mais perguntas.
Quando me dou conta, estou perdida em meus próprios pensamentos e vejo que o que está em minha volta mudou completamente.
Tudo está agitado, tudo está mudado, tudo seguiu em frente. Onde eu estava? O que aconteceu? Por que o agito não me pegou? Mais perguntas, nenhuma resposta.
Dessa vez, é diferente. Sinto que não faço parte de onde estou. Sinto que tudo está a 10 passos do tabuleiro da minha posição. Percebo que a calmaria me trouxe para o início da partida. Nada aconteceu, não para mim.
Mas como pode nada ter acontecido, se me lembro de tudo? Se me lembro dos sentimentos, das sensações.
Como saber se é real? Como saber o que é real?
Mais uma vez, trago perguntas e nenhuma resposta.
Observo meu entorno para entender, mas não vejo nada. Tudo que vejo é a poeira que me cerca. Ela vem carregada com angústias, dúvidas e preocupações.
Será que essa poeira que me trouxe para a casa 1 do tabuleiro?
Dentro de mim a vontade de entender o que está acontecendo. Mas estou sozinha, como saber o que aconteceu se eu não estava aqui?
Balanço a poeira em minha volta, abro buracos no chão. Na esperança de encontrar fragmentos que me guiem para respostas. Não sei o que procuro, mas espero encontrar.
Minha cabeça não está junto do meu corpo, meu corpo age com a razão, minhas ações procuram soluções. Mas segundos depois me deixo levar no devaneio de cada grão de areia que paira no ar.
Quando percebo, tudo mudou novamente. As ações que meu corpo realizou, me levaram para outro lugar.
Que lugar é esse? Por que eu vim parar aqui? Eu acho que lá era melhor.
Aqui eu não vejo o céu. Aqui meu corpo dói. Meu corpo adoece.
Sinto a necessidade de sair daqui. Preciso resolver. Não vou chegar a lugar nenhum onde estou. Não consigo me mover se eu não me alinhar, pois não sei onde ir.
E se eu agir e tudo piorar?
A cada pensamento, a cada ação, e a cada falta de ação sinto que tudo em minha volta é afetado. Preciso ter calma, não posso regredir mais. Tenho medo de onde isso pode me transportar.
Me dou conta que a minha frente existem pessoas que conheço. Elas estão muito longe, mas consigo vê-las. Elas acenam pra mim e sorriem. Parece haver paz onde elas estão.
Penso em me unir a elas, mas meu corpo não se move. Parece tão simples. Por que ele não sai do lugar?
Eu preciso ir a esse lugar de paz.
Então minha mente ordena meu corpo. Com dificuldade eu me movo. A cada passo, o peso aumenta e se torna mais difícil, mais distante.
Percebo que a poeira me acompanha. Será que levarei a destruição comigo? Será que deixarei todos sem o vislumbre do céu?
Decido ficar longe. Preciso resolver essa questão.
Dias se passam, as pessoas continuam acenando para mim, reconstruindo suas casas e suas vidas. Gosto de ver esse movimento.
Sorrio de volta sempre. Só não sei por que eu faço isso.
Me pergunto qual a motivação para reconstruir as casas com a destruição tão próxima. Será que eles não vêem o que eu vejo? Talvez eu deva avisar, ajudar, tirar todos daqui.
Mas em mais um passo a poeira se move. Me acompanha.
Questiono mais uma vez, essa poeira pertence a mim?
As respostas nunca existirão. Em um segundo tenho a resposta, no próximo segundo ela mudou, assim como eu.
Os ventos ainda sopram, tornando tudo mais mutável do que eu mesma sou capaz de mudar.
Procuro um abrigo, caminho dessa vez sem enxergar a minha frente. Não sei onde estou indo, mas com tantas dúvidas, nunca sairia do lugar.
Meus passos são lerdos, me questiono se adianta caminhar. Eu queria correr. Mas não consigo.
Me encontro assim, caminhando não sei para onde e não sei por que. Não sei se deveria andar nessa direção.
A cada respiração quero acordar e torço para que quando acordar às respostas venham.





















