Acharam o seu último texto, um pedaço de papel amassado próximo a cama onde deu o seu último suspiro. Foi uma subjeção. Na verdade, quem lera quisera sentir algo com que pudesse transformar aquelas palavras em algo a mais. Estava escrito.
Em 58 dias depois do diagnóstico, eu finalmente chorei. Me levantei da cama com o pesadelo de minha própria sepultura, noite estrelada e lua brilhante. Da minha janela, as cortinas dançando ao vento, empurrei parte do vidro. As lágrimas dos meus olhos criaram um reflexo prismático em torno da lua, em formato de uma flor. Uma flor transparente que acoplava a lua. Dois brilhos em simbiose. Contemplei por algum tempo, até a raridade prismática de minhas lágrimas desfazerem a flor, lentamente. Era só lua.
Então desejei chorar novamente.
- Não sei bem o que significa.









