para o bem e para o mal, você foi a minha decisão mais difícil de ser tomada. página 69 do livro “todas as coisas que eu te escreveria se pudesse” 🌹

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para o bem e para o mal, você foi a minha decisão mais difícil de ser tomada. página 69 do livro “todas as coisas que eu te escreveria se pudesse” 🌹
cacos.
uma paz me invadiu nos últimos dias.
não sei explicar como ela entrou em minha casa, deitou-se em minha cama, me fez sorrir.
só a percebi porque estava lavando louça quando pensei em você e nada esmoreceu. eu estava firme, convicto de todo o caminho que fiz até aqui, orgulhoso dos meses que se passaram e me mostraram uma versão de mim completamente segura, honesta e independente.
por um instante, pensei que não conseguiria sem você. por meses antes da separação, pensei que não conseguiria terminar contigo e depois aproveitar a cidade, ir à praia, às festas, conhecer pessoas novas, me deitar, novamente, com o amor, com alguém. eu achei que teu nome seria a mão que me puxaria para trás, me impediria de viver a vida. e como eu estava errado: o universo me presenteou com a pulsação de uma existência ainda mais farta e livre.
é irônico pensar que a gente nunca acha que passaremos pelo fim, mas quando nos damos conta, estamos com os olhos bem abertos, braços no alto e o peito cheio de vontade de viver e se jogar. de novo e de novo e de novo. porque viver é obrigatório e urgente, e voltar para si é imprescindível e bonito demais. além disso, quando descobrimos que ninguém morre de amor, o caminho de volta para si mesmo fica ainda mais delicioso de percorrer.
descobri, por exemplo, que tenho amigos incríveis, pessoas que verdadeiramente me amam e querem bem. descobri que o mundo esteve ansioso por me ver florescer novamente: me disseram, dias atrás, que eu voltei a sorrir bonito. e eu sorria de graça, sem motivo: sua ausência provoca eco na minha felicidade.
a gente sempre acha que é o fim do mundo, mas no dia seguinte estamos, uma vez mais, andando pelas ruas da cidade e se encantando com ela. estamos beijando de novo e fazendo amor e construindo laços e vivendo a vida como se não tivéssemos sido arrancados das próprias projeções. como se um dia não tivéssemos acreditado que viveríamos à mercê do amor para sempre.
uma paz me invade agora.
longe de você.
eu não sei mais e eu sabia tanto
Dezoito.
Sete meses.
Dois meses.
a saudade me invade para lembrar que nem tudo dura pra sempre
céu de júpiter
a ideia que criamos sobre as coisas é o que nos mantém vivos;
descobrir a verdade é o que nos mata.
ta doendo
ta sufocando
ta tirando meu sono
e se perguntarem por onde ando, diga-lhes que estou me curando.
ou tentando.
é que não dá mais tempo agora, estamos pessoas diferentes.
você chegou tarde pro pulo. eu já estava no ar com o coração entregue e a guarda baixa quando você pensou em se jogar também. eu já estava quase na linha de chegada nesta corrida que é tentar de novo e de novo enquanto você permanecia lá atrás, vendo as tentativas acontecerem sem se mexer.
eu já queria faz tempo tentar de novo enquanto você ainda se questionava se fazia sentido continuar. eu conversei, expus as minhas questões, disse várias e várias vezes o que me doía, os movimentos que nos afastava, as lacunas que serviam para escancarar que estávamos distantes em vida e objetivos.
e eu entendo o tempo diferente, mas é que agora eu preciso ir também. e já não dá mais pra gente. já não dá mais pra ficar te esperando pular neste relacionamento, na escolha de continuar comigo, na escolha de reconstruir o que se quebrou. o pulo, a queda, nós… era pra ter sido pra ontem.
era pra ter sido pra ontem o seu pedido de desculpas, a maturidade em assumir os próprios erros, o coração pedindo perdão. era pra ter sido pra ontem você se abrindo e sendo vulnerável, aberto, humano, de verdade.
mas você chegou tarde para querer resolver as discussões e os desentendimentos, as faltas e as ausências, os relógios quebrados e as conversas que salvariam a nossa relação da morte cotidiana do amor e do querer.
era pra ter sido pra ontem as desculpas colocadas na mesa, as culpas derrotadas pelo nosso orgulho, a vontade de continuar.
você disse chorando que o nosso amor não era para essa vida
estancou o sangramento que se fazia em meu peito saber que para ao menos uma delas ele seria
Uma vez eu ouvi que não fomos feitos para divórcios (não se limita ao literal da palavra, é muito mais), e isso nunca mais saiu da minha cabeça. Ela dizia que não nascemos para divórcios emocionais, porque não sabemos lidar com fins de ciclos, por melhor consciência que tenhamos. Por mais necessário que seja o fim de um ciclo, ele dói, seja na gente, seja no outro. Eu acredito profundamente que o ser humano não sabe lidar com o fim, porque não foi criado pra isso. Fomos criados para nos relacionar, em todas as esferas. Divórcio emocional é tudo que se rompe. É aquela pessoa que a vida levou pra sempre, na noite de uma terça-feira, e te reafirma que a morte não é aceitável, mas as lembranças e a saudades também não são. É aquela amizade que te feriu e acabou como num passe de mágica. É aquela ferida que se formou com um parente, e causou o afastamento velado. É aquele relacionamento que chegou ao fim e um ou ambos saíram com dores profundas. É aquela pessoa que prometeu o mundo inteiro, e foi embora na primeira oportunidade, sem olhar pra trás, e sem avisos prévios. É quem sabia que a gente não deixava ninguém entrar, calculou tudo, entrou, só pra intencionalmente ir embora e nos fazer lembrar o porquê sempre estivemos com o muro levantado e coração a sete chaves. É todo e qualquer fim de ciclo. A gente se adapta a eles, eu sei, ninguém está dizendo que não é possível. Mas não deveria. A gente se cura, graças a Deus por isso, por quem consegue não sentir doer mais. Existe a cura, ninguém disse que não. Mas até lá? Dói. Conhecer a dor da despedida dói. Seja ela sincera numa conversa, ou covarde num sumiço. Divorciar dói. E eu nem tô falando do divórcio civil.
você se lembrará de mim
ao meio dia
e ficará triste
por saber que
eu não volto mais
a pior guerra é vencer você mesmo.
is.
Essa foi a última vez que eu vi o pôr do sol da minha casa. Da minha janela. No meu canto. Com meus cachorros e recém operada. Agosto de 2021.
Se me falassem que 60 dias depois dessa foto eu estaria morando com alguém, chamando-o de marido e vivendo o sonho que eu sempre tive, eu não acreditaria.
Estive por muito tempo completamente fechada pro mundo, fechada para as pessoas, fechada para sonhar… Houve dias em que a minha maior conquista era dormir 17 horas sem que ninguém me acordasse, sem ter ninguém interrompendo aquele momento que eu jurava ser bom. Eu almejei tanto um relacionamento e conforme os dias foram passando eu entendi que aquilo não era pra mim. Tava tudo certo em ser a “titia”. Eu tinha aceitado.
E aí você veio e estraçalhou tudo o que eu havia planejado. Tudo o que eu havia aceitado. Tudo o que eu achei que fosse ser pra mim. Como que você chega assim, chutando a porta e arrebentando tudo? Como? Eu não tive nem tempo pra entender o que estava acontecendo. Eu fui. Eu fui viver o que eu tanto desejei. Eu fui viver meu sonho.
Diferente de tudo o que eu imaginei, você era a pessoa mais interessante e entediante do mundo. Como pode alguém que sabe tantas coisas sobre tantos assuntos ser completamente chato? A sensação de estar de novo no colégio era eterna. Não passava nunca os testes, as provas, as questões. Como pode alguém não aceitar o jeito do outro ao ponto de criticar até a forma que o chinelo encosta no pé e depois no chão? Qual sentido de tantas regras, tantas manias, tantos jeitos?
E não era só você que era entediante não, eu também era. Essa preguiça/fadiga da vida, de não achar nada interessante ao ponto de me fazer querer me aprofundar em nada. O sono dominante e a ansiedade em não fazer nada, deixa qualquer um entediado. Eu mesma fico comigo.
Opostos. Nós éramos completamente opostos. Atraídos pela vontade de “mudar” o outro. Acreditando que “daqui a pouco isso passa…”
Seis meses depois e o que passou foi a gente. Seis meses depois eu mudei novamente de endereço e cidade.
Não tinha como mudar nada depois do primeiro xingo, depois da primeira falta de respeito, depois da primeira vez sendo colocada pra fora, depois do primeiro surto, depois da primeira agressão. Não tinha como mudar mais nada depois que a gente se desencontrou sob o mesmo teto. Sob a mesma vida.
Hoje eu consigo entender que não faltou amor, mas faltou compreensão. Não faltou carinho, mas faltou paciência. Não faltou cuidado, mas faltou respeito. E só o amor, carinho e cuidado é pouco para manter toda a estrutura que um casamento exige.
Ainda é difícil dizer que estou solteira, seguir de volta o cara gatinho que me seguiu há tempos atrás, agradecer um elogio de outro homem, sair com outras pessoas. Ainda é bem estranho ter a aliança como pingente e não no meu dedo. Ainda é estanho não ter contas juntos, despesas juntos, ir ao mercado juntos, brincar com os cachorros juntos… nem vou citar que não dormir juntos é a pior coisa que tem.
Depois do término eu nunca mais vi o pôr do sol e esse era meu momento preferido do dia. Acho que você ainda se lembra disso né? Eu ainda não consigo admirar o céu pintado de amarelo/laranja/rosa e azul e não lembrar da pessoa que eu amo.
Eu quase consegui passar meu primeiro dia sem chorar de saudade, mas confesso que nesse exato momento eu tô chorando e a única coisa que me acalmaria seria seu abraço, me puxando pra você e ouvindo sua voz dizendo que me ama.
Não existe mais espaço pra “nós” na minha vida. Hoje ou daqui 10 anos. E eu não sei o que é pior: saber que assim é o melhor ou viver esperando o dia em que eu vou olhar nos seus olhos de novo e te contar a falta que você me fez.
Não te espero, e ainda assim, é com você que eu me vejo no futuro.
“I know”