“Você tem certeza quer quer fazer isso, agora?” Nic pergunta olhando para o semideus que andava com pressa na sua frente, sem ter uma resposta ele rola os olhos, odiava quando pessoas o ignorava sem motivos concretos, com as suas mãos dentro dos seus bolsos Nicolai chega perto dx moçx e rola os olhos com certa irritação.
Ísis observava a cena de longe até então ão havia visto dois semi-deuses disputando sobre quem possuía o melhor genitor. Aquilo fez a garota rir, ela sequer era uma semi-deusa. Foi então que um dos rapazes caminhou em sua direção a revirou os olhos, a loira tentou conter o riso, mas não obteve muito sucesso. - Tudo bem ser ignorado, isso faz com que você ganhe o “debate”, tecnicamente... - brincou visto que era incapaz de levar aquilo à serio.
“Não a julgo por isso, a maioria não dá.” Estreitou os ombros, deitando-se na grama. Seus olhos não poderiam ver, mas seu corpo ainda sentia, e todos os sentidos juntos tentavam montar a melhor imagem do mundo que conseguiam para a rasa visão do Korolenko. Suspirou e fechou os olhos, um sorriso pairando no rosto. “Meu nome é Oleg, prazer. Você é nova no Acampamento? Não lembro de já ter ouvido sua voz.”
A frase soava triste ainda que o semi-deus não parecesse se importar. As pessoas estavam tão preocupadas com os últimos eventos que sequer admiravam aquele lugar lindo. Sendo assim, o fato do rapaz estar ali já era capaz de alegrar a ninfa. - Cheguei hoje cedo, estava procurando um lugar mais familiar. - comentou olhando para o lago e então voltando seus olhos para o céu escuro. Deitou sua cabeça sobre seus fios ondulados e respirou devagar a fim de aproveitar seu primeiro momento de total despreocupação desde que chegara. - Você é filho de? - perguntou apenas para evitar o silêncio.
Sieg não sabia bem o que estava fazendo, isso ele precisaria admitir em algum momento, aquele tipo de criatura não era um animal qualquer, eles eram famosos por sua inteligência, provavelmente já tinha notado que era perigoso a ele voar por aí planejando novos rasantes e agora tentaria atacar apenas por terra, à curta distância. Quando ouviu a garota pedir que não saísse de perto dela provavelmente naquele momento achou que ou ela estava assustada com aquilo ou achando que ele não estava preparado para encarar aquele ser, ambas as opções não lhe pareciam caber mas de certa forma, estava um pouco apreensivo com a forma que aquilo podia acabar. — As mu-muralhas do a-acampamento estão fr-fracas… desde o último “pro-problema” que tivemos por aqui, e-elas ainda estão se-se-sendo recupe-peradas aos poucos e isso é meio que um pro-problema. — Suspirou preocupado — Sem zo-zona de proteção, sem d-defesa contra essa c-coisa atac-car os outros.
As mãos do moreno voltaram a se juntar da mesma forma que antes, dessa vez suas palavras eram mais longas e ele pretendia algo pouco mais efetivo, aos pequenos passos para trás seguindo a outra ele continuava a sussurrar palavras como num mantra — Atraei palaretus fredute plenna trebbia rainate vitte o’ cloon — No final, seu corpo parecia ganhar uma camada diferente de sua pele, era como se toda a pele do jovem estivesse aos poucos começando a se solidificar e tornar-se pouco mais resistente e grossa, procurando assim tentar defender seus órgãos vitais no caso de um ataque de curta distância o atingir. — Eu te-tenho uma ideia… uma bem pe-perigosa… precisamos usar t-to-todos os galhos aqui… então… eu p-preciso de uma distra-tração, qualquer c-coisa!
Não era a primeira vez que ouvia falar de um “problema” ocorrido no acampamento, porém ninguém nunca era capaz de explicar o que de fato havia acontecido. Aquilo estava começando a tirar a ninfa do sério e isso era algo raro. Todavia, ao olhar a preocupação na face do semi-deus achou mais prudente ignorar o fato. A loira bufou frustrada, seu plano era impraticável pois colocaria todos os demais em risco. - Então não sei o que fazer, essa benção só pode repeli-lo a uma curta distância e aposto que ele não ligaria de esperar aqui até amanhã. - comentou preocupada. Se estivesse sozinha já teria resolvido a situação, mas toda vez que cogitava fugir sentia-se culpada. O moreno começou a murmurar palavras que ela desconhecia, mas que pareciam longas demais para um feitiço. - O que está fazendo? Temos que ficar aqui até nos livrarmos dele. - explicou.
Antes mesmo de conseguir pensar em algo o semi-deus apareceu com um plano, porém não lhe explicou nenhum detalhe explícito. - Galhos? - comentou confusa. Virou-se para o rapaz com uma expressão preocupada, não sentia confiança nele e caso se afastasse o monstro poderia toca-lo e, eventualmente, mata-lo. - Se você sair do meu lado, ele te ataca. Posso distraí-lo me teletransportando, mas você ficaria completamente à deriva. - seu tom era fraco e ela não achava que aquilo poderia dar certo. Entretanto, ela própria era incapaz de pensar em outra solução o que a obrigava a concordar com o garoto.
- Te dou três minutos e vou voltar para aqui, entendeu? - afirmou. Correu em direção do monstro fazendo-o recuar devido a sua proteção, a loira evaporou sua matéria e reapareceu atrás da criatura. A Ave parecia confusa e assim que se afastou em direção do semi-deus a ninfa reapareceu na frente do monstro, ela iria repetir o processo para distrair a Ave. Ela o afastava com sua benção o que fazia o animal ir para trás e então ela se transportava para atrás do animal a fim de repeli-lo para a outra direção. Todavia, aquilo era extremamente cansativo, sendo assim, o semi-deus precisava agir rápido. - Mais rápido! - gritou para o moreno.
Electra riu diante da fala da outra, obviamente ela vivia em um mundo completamente diferente, não duraria muito aqui se a caçadora tivesse de apostar, sobreviver era quase uma palavra chave nos últimos tempos. — Sinto em te informar mas eu estou longe de viver aprisionada aqui, passo meus dias viajando o mundo com as caçadoras, mas se quiser posso fazer o discurso padrão sobre sobrevivência, já aviso que é bem chato… — Deu de ombros, se tinha um sentimento que Ella não tinha este era o medo, a garota era apaixonada pela aventura, adrenalina de não saber o que a esperava, talvez esse fosse o motivo da morena não se ver morando no acampamento, ela queria ver o mundo mais de mil vezes se fosse possível, cada canto do mesmo. — Não vai querer apostar comigo, senhorita, eu conheci o mundo e muito mais gente que você. — Em contrapartida tinha visto a maioria destas morrer ou envelhecer, isso quebrava Ella. — Ah sim… Isto explica tudo! Deve ser maravilhoso crescer em um veleiro, acho que eu jamais sairia do mesmo, o que te trouxe até aqui?
sis nunca fora fã dos longos discursos a não ser que soassem como poesias, a loira era admiradora da efemeridade terrena e só abria uma exceção para a arte. Nada nem ninguém poderia tomar-lhe o tempo caso não houvesse beleza helênica e poesia, ela não estava pronta para aquele mundo. Enxergava tudo com um olhar puro e positivo, King estava determinada a não deixar sua essência morrer naquele cenário de tensão. - Nope, imagino que seja tedioso. - sua voz era suave, não queria ofender a caçadora nem ser ingrata, mas queria menos ainda ouvir um sermão. O comportamento de Ella parecia desafiador, mas não intimidava a loira e a encantava de certo modo. A ninfa adoraria saber sobre todas as possíveis aventuras da mais velha, acreditava que a troca de experiência era enriquecedora. - Só não aposto porque não pude comprar meu próprio veleiro, espera mais uns anos. - brincou. A companhia da morena era muito agradável o que fazia com que a hidríade se sentisse mais confortável naquele lugar. - Meu pai, me deixou aqui e foi embora. Acho que Calipso previu o que aconteceu nos últimos meses e por isso sequer quis ter o trabalho de me criar. - comentou com um riso fraco, ela fazia graça mas acreditava piamente naquilo.
Ethan massageou as têmporas, um grunhido frustrado escapando por seus lábios entreabertos. Não estava em um de seus melhores dias e, aparentemente, tampouco em sua melhor forma; ainda que, durante os últimos dias, estivesse treinando ininterruptamente por horas a fio, falhava em notar quaisquer mudanças em seu físico ou no manejo das armas com as quais se empenhava há anos para aprender a lutar. Embora conhecesse bem as suas dificuldades, não esperava ser tão ridiculamente ruim a ponto de sequer conseguir se equilibrar com uma espada nas mãos; não após tantos anos esforçando-se para conseguir empunhar uma delas. Talvez houvesse chegado a hora de deixar seu orgulho estúpido de lado e simplesmente desistir. A conclusão o fez bufar, estressado – como poderia sequer pensar em desistir, considerando tudo o que o Acampamento havia passado nos últimos três meses e que, provavelmente, voltaria a passar em um futuro não muito distante? De que utilidade seria para o lugar que fora seu lar durante tanto tempo se não conseguisse fazer algo que deveria ser tão simples, algo que outros semideuses sequer precisavam se esforçar para fazer bem? Lançou um olhar furioso para a espada caída a seus pés, como se a arma fosse a culpada por toda a sua angústia e sentimento de incapacidade, e grunhiu mais uma vez, infeliz consigo mesmo e com seus péssimos resultados. “Merda…,” resmungou, esfregando os olhos com força para afastar a dor de cabeça que ameaçava acometê-lo. Só então, olhando de soslaio para a entrada da arena de esgrima, notou que não estava sozinho. Seu crescente mau humor, no entanto, e a noção de que estivera fazendo uma cena ali, impediu que ficasse feliz com a companhia. “O que foi?,” perguntou, em tom de voz grosseiro. “Se estiver planejando fazer alguma piadinha sobre mim, é melhor dar as costas e ir embora,” estreitou os olhos, irritado, embora não acreditasse que a figura de um garoto que aparentemente sequer sabia como segurar uma espada do jeito certo fosse ameaçadora o suficiente para fazer a pessoa se afastar.
A preocupação dos semi-deuses era latente e crescente, porém Ísis não havia compreendido até receber a visita de um monstro na floresta. Ainda que houvesse agido com naturalidade e certa irrelevância, não podia negar que, após refletir sobre os breves minutos, pode concluir que ela estava despreparada. Ao retornar para seu chalé e relembrar do corrido notou que os minutos se arrastavam como horas e que se estivesse sozinha teria feito um estrago. Inicialmente planejava usar sua benção para repelir o monstro e voltar ao acampamento, caso estivesse sozinha e seguido seu plano teria destruído o acampamento. Claro que ela não teria destruído diretamente, mas carregaria a culpa. Após esse breve momento de clareza optou por dar uma chance para as armas do local, não iria morrer por treinar um pouco. Seus passos silenciosos demoraram a ser percebidos pelo garoto que parecia um tanto quanto aborrecido. Pousou a mão na porta de madeira enquanto o moreno esbravejava sozinho. - Nossa...- comentou baixo porém alto o suficiente para que o semi-deus vira-se em sua direção. Ísis costumava a ignorar grosserias, mas sentiu uma fragilidade naquela auto-defesa espontânea. Cruzou os braços de maneira igualmente defensiva - Nunca fui boa com piadas na realidade, também não devo ser boa com isto. - comentou despreocupadamente enquanto apontava para a espada caída no chão. Deu de ombros e atravessou a sala, em direção a um grande armário de madeira escura, e então pegou um arco e flecha. - Devia dar um mergulho no lago, é relaxante e prometo não tentar te afogar. - brincou com um sorriso largo. A ninfa não gostava de ver a maioria dos semi-deuses em seu espaço, mas sentiu-se mal pela frustração do rapaz.
Ter crescido em um veleiro oferecia muitas vantagens, por exemplo, a garota não era espaçosa e se adaptava muito bem a praticamente qualquer lugar. Ela sabia que a maioria das ninfas viva pela natureza e apoiava a ideia, porém era inegável que ficou contente ao saber que teria um chalé no acampamento. O local era simples, mas bem decorado co muitas plantas e, principalmente, flores. Ísis podia apostar que era o lugar mais cheiroso de toda Long Island, nem mesmo o forte perfume que as filhas e filhos de Afrodite pareciam banhar-se era mais agradável que o doce odor natural das belas flores.
Desde chegou no local, em contra partida, havia sentido-se desconfortável com a ideia do chalé não possuir uma chave. Ela não se incomodava com outras ninfas que vez ou outra pernoitavam lá, mas sentia-se desprotegida no local. Fora pensado nisso que teve um ótima ideia, ao menos, para o benefício próprio. Havia conhecido um semi-deus que, definitivamente, estaria interessado em uma pequena troca, afinal a ninfa não abençoaria alguém se que não lhe fosse conveniente. Até porque o próprio fora amaldiçoado por um deus e ela não iria comprar a briga do rapaz.
Havia combinado de encontra-lo no anfiteatro, mas visto que ela mesma já havia esquecido o caminho até o local, achou melhor ir até o chalé de Anfitrite. Ísis precisava gravar o mapa daquele acampamento urgentemente, pois não sentia-se confortável em um lugar desconhecido. Terminou de organizar, em uma estante, os livros de mitologia que havia lido na noite anterior e logo abandonou sua nova casa. Caminhou discretamente até o lugar, ela não cogitava sair distribuindo bençãos e por isso preferia manter o assunto apenas entre os dois. Bateu duas vezes na porta de madeira do chalé, suas orbes azuis ficaram atentas ao seu redor, e ficou esperando que Kai não demorasse muito. Todavia parecia que o lugar estava vazio, pois não era possível ouvir um barulho se quer, ou então o semi-deus ainda dormia visto que o sol havia começado a brilhar no céu à pouco. - Vamos lá, Kai. Vou inundar seu chalé se demorar mais. - brincou divertidamente como se aquilo pudesse afetar-lo.
Deu uma baixa risada com a última frase da loira. —— Mas é como dizem, a prática faz a perfeição. —— Respondeu dando de ombros ao pegar o arco —— Se quiser mais treinamento eu estou aqui. —— Completou sorrindo.
Ela tinha que concordar com a morena, mas não estava disposta a ficar treinando como os demais semi-deuses. - Sabe manusear armas brancas? - perguntou esperando uma resposta positiva. - Acho que podem ser mais fáceis para possíveis...- hesitou por alguns segundos - Possíveis combates. - concluiu sem muita segurança. - Posso te ensinar um pouco em troca. - brincou gesticulando alguns socos. Ela havia aprendido boxe por lazer e se divertia treinando a luta.
O fato era que apesar de ser uma caçadora Electra odiava ensinar os outros, ou se tornar a babá de alguém, a mulher era muita rápida, gostava de fazer as coisas a seu modo e odiava perder tempo, no entanto ela gostava de conhecer pessoas novas. Isso que a motivava de oferecer ajuda para a loira, que em seus parâmetros parecia um tanto quanto perdida, quase que como uma semideusa recém chegada. — Loira, se um semideus não consegue se localizar no próprio acampamento, duvido que sobreviva o suficiente para pedir por placas… — Retrucou com um sorriso divertido nos lábios fazendo o caminho costumeiro até os chalés. — São sim! — Concordou com um aceno, estava sendo sincera e não debochando desta vez. — Você é tipo uma eremita ou algo assim? Deve ter uma história curiosa para não ter tido contado com esse mundo, vamos, me conte, não deixe a velhota esperando, sabe-se lá quando um infarto irá me alcançar!
Havia demorado mais que o usual, mas finalmente a semi-deusa havia tocado no assunto: sobrevivência. As pessoas pareciam paranoicas naquele lugar e ísis não era capaz de entende-las. - Por que vocês se preocupam tanto em viver se ficam aprisionados aqui?Quero dizer, viver com medo e tensão é tão sem graça.- comentou com um sorriso. Ela preferia morrer jovem à levar uma vida estressante e cheia de preocupações. Prestou atenção no caminho buscando alguns pontos de referência, mas continuou a escutar a mais velha.- Eremita? - perguntou retoricamente em meio a risos. - Devo conhecer mais gente nesses 20 anos do que a senhorita na vida inteira. - brincou. - Meu pai é um velejador conhecido, cresci no veleiro e nunca ficamos um ano no mesmo lugar.- explicou sem muitos detalhes. - Não somos eremitas, definitivamente. - concluiu.
-É o suficiente e acho demasiado para mim… Sabe, é que não gosto muito de andar escondido durante tanto tempo.- Comentou, vendo a loira a se afastar
Parou diante da porta e virou para observar o semi-deus. - Então não sabe o quão engraçado pode ser deixar certas pessoas confusas. - comentou mais para si mesma do que para o jovem. - De qualquer modo, vão acabar te achando assim.- brincou.
Faziam alguns dias que Electra se instalara no acampamento novamente, o Chalé 8 pertencente a Ártemis não estava tão acabado quanto a semideusa imaginava, na realidade nem tinha tantos danos e ela não precisara fazer muito junto de algumas outras caçadoras para torna-lo um lugar hospitaleiro. Já era a parte da tarde quando Electra decidira tirar um tempo para si, treinar… Era isso que tomara parte da atenção da mulher no começo, mas não, ela não queria praticar tal habilidade neste dia, ela só queria respirar um pouco de ar puro, colocar a cabeça para funcionar e talvez dirigir a palavra a sua Senhora na esperança de que algum sinal divino fosse lhe dado.
Respirando fundo a filha de Apolo começou a caminhar rapidamente por entre o amplo terreno amplo do acampamento, as botas de combate estalando ao entrar em contato com algumas folhas secas caídas, tinha ideia de onde ir para que pudesse pensar um pouco, a gruta. Este sem dúvida era seu lugar favorito em todo o acampamento, se lembrava perfeitamente da primeira vez que fora ao mesmo, poucas semanas após chegar ao acampamento, viera perguntar aos céus por que Apolo não a reclavama, mal sabia a garota que demorariam anos para o pai divino o fazer, não era atoa que Ella o desprezava completamente nos dias de hoje.
Apesar de parecer distraída e perdida em seus próprios pensamentos, Electrava estava e fato muito centrada no mundo ao seu redor, os semideuses passando de um lado para o outro, rindo e reclamando como sabiam fazer de melhor, a morena não pode evitar um sorriso discreto. No entanto em meio a quantidade de pessoas e coisas no ambiente o que mais lhe chamara atenção era a silhueta indo em direção a floresta, uma escolha um tanto quanto perigosa nas atuais circunstâncias.
Não era como se Ella de fato se preocupasse com a garota que vira, ela dedicava tal sentimento apenas a seus amigos mais próximos, após tantos anos vendo inúmeras pessoas morrerem ela aprendera muito bem a impor limites. Mas então havia outro sentimento em questão, a curiosidade, da qual Electra raramente fugia. Sem titubear mudou se trajeto em direção a loira que já perdera de vista, acelerando o passo contra a terra macia, o clima agradável permitirá a outra fazer isso mesmo com uma jaqueta de couro. Então cuidadosamente a caçadora fez seu caminho por entre a floresta, conseguindo alcançar a loira mas sendo furtiva o suficiente para que a mesma nem desconfiasse de sua presença.
Foi então que a tal curiosidade de Electra fora alimentada, a loira parara em seu aparente destino, a praia. Já era de noite e o céu era preenchido de inúmeras estrelas assim como uma lua cheia, lembrando Ella de Ártemis, talvez fosse a hora de se fazer presente. A caçadora foi a frente pisando contra a areia fofinha e sentindo o cheiro da maresia tomar conta das narinas, observando a moça com cuidado. — Se pretende fugir está fazendo o caminho errado, loira, mas se planeja suicídio a floresta me parece adequada ultimamente!
Seus olhos acinzentamos encaravam a semi-deusa em busca de lembrar-se o nome da garota. Havia conhecido a mesma assim que chegou ao acampamento, ficou um tanto quanto surpresa com a idade da mesma que alegou ser uma caçadora de Ártemis. Ísis havia conhecido muitas pessoas desde que chegará, mas morena parecia a pessoa mais experiente. Todavia, ela não fora capaz de se recordar o nome da mesma. - Ah, é você! - exclamou. - Poderia ter matado alguém do coração ao chegar na calada. - brincou em relação aos campistas que pareciam estar assustados em tempo integral. Todavia, Ísis ainda não havia encontrado motivos para entrar em pânico.
Não pode deixar de revirar os olhos e soltar uma risada descontraída ao ouvi-la. Qual seria a melhor maneira de ir embora do que nadando? - Bom, não diria fugir e sim dar uma volta. - brincou divertidamente. King não levava a vida tão a sério, acha um desperdício da juventude ficar se apegando a medos e dificuldades. Ela estava ciente dos monstros que rondavam o acampamento, mas sabia que não era o grande alvo. Sua primeira experiência com uma criatura daquelas fora um tanto quanto traumática e inesperada.
Além disso, a loira sabia que, como ninfa, possuía poderes. Ainda que tenha desenvolvido pouco suas capacidades, por falta de alguém que a ajudasse, ela podia recorrer a benção de Dione, tele transporta-se por pequenas distâncias ou se valer do mimetismo. - Eu iria voltar, eventualmente, só queria dar uma volta por ai. - explicou enquanto seu corpo se voltava, novamente, para o mar. - É o caminho certo para uma hidríade, nado melhor do que corro.- comentou sem maiores pretensões.
A loira havia gostado do acampamento, não a leve a mal, mas para quem tinha o mundo como quintal, aquele lugar era um tanto quanto limitado. - Por que virou uma caçadora? - perguntou a fim de mudar o assunto pois não imaginava que a garota fosse entende-la. Desde que chegou no local pode notar pessoas desesperadas, treinando por horas e mais horas e muitos jovens falando de morte. Aquela áurea não era bem o que a loira gostava. Todavia, ela tinha noção do que os motivava, ainda que soubesse pouco sobre mitologia o fechamento do acampamento parecia ser algo extremamente incomum.
O moreno tinha noção de que considerando todo o problema que aconteceu nos piores três meses que o acampamento já enfrentou, alguns monstros podiam ainda continuar escondidos pelas florestas, o que era em parte até normal. Mas em momento algum de sua mente nada brilhante imaginou que algo como uma Ave da Estifália poderia estar ali, não apenas por aquelas criaturas serem enormes e muito difíceis de não se ver, mas também pela própria natureza agressiva do animal, uma ave com assas revestidas em bronze, garras revestidas e afiadas e uma cabeça achatada e feia não era exatamente algo que se podia “não perceber”.
— A-Aqui-Aquilo é problema, g-grande problema! — O moreno levantou-se junto da garota e logo começou a prestar atenção em tudo à sua volta, não que fosse experiente com aquele bicho, mas conhecia determinado padrão de defesa e ataque comum em sua espécie. — Isis… S-Se aquilo v-voltar, eles usam as-as assas pra se de-de-defender. Flechas n-não fun-funcionam muito bem. E as ga-garras… fatiam pe-pessoas, fa-facinho. — Sieg colocou a mão sobre a outra e sussurrando algo baixinho. — Acculore Lumos — Imediatamente uma pequena formação luminosa começava a brilhar entre seus dedos e no meio de suas mãos, logo começando a sentir outra vez um arrepio em sua nuca seguido de barulhos frequentes de galhos se quebrando e um terrível som metálico se aproximando cada vez mais até a figura ficar visível se aproximando pairando sobre algumas árvores e começando uma descida em direção aos dois.
Sieg não esperou que aquela ave de quase quatro metros de largura se aproximasse demais, quando a distância estava aceitável, girou ambas as mãos no ar e apontou-as na direção do animal, deixando um flash de luz decolar em sua direção e acertar certeiro em seus olhos, sem causar nenhum efeito ofensivo, apenas cegando-a por tempo suficiente para que ela perdesse o controle de direção e batesse em algumas árvores, caindo alguns metros atrás dos dois. — Ok… Isso n-não deve ser tão di-difí-difícil, certo?
O desespero do outro jovem sequer a deixou analisar o estrago em seu braço, ainda que esse estivesse mais para um arranhão. A jovem começou a pensar como faria para livrar o semi-deus daquela situação. O moreno parecia ter o mínimo de habilidade para se livrar do monstro, porém seu nervosismo poderia o atrapalhar potencialmente. Nesse aspecto Ísis era uma profissional, ela dificilmente entrava em pânico e surtava por medo.
A ninfa não estava acostumada com monstros e a visão daquela criatura era horrível, porém ela sabia que não era o principal alvo e aquilo servia de consolo. A loira só precisava fazer suas partículas evaporarem pelo ar de modo que Ave da Estifália jamais seria capaz de toca-la. Entretanto, sentiu-se mal por cogitar deixar o semi-deus ali, afinal ele havia tentando salva-la assim que a ave surgiu. King ainda precisaria se habituar com toda aquela realidade por hora não tinha muito tempo haja vista que o monstro havia voltado.
Galhos partiram-se e despencaram até o chão, a paciência da ninfa para com a Ave estava se esgotando. Ela pretendia o que? Acabar com todas as árvores? A jovem revirou os olhos e mal pode notar a luz que emanou das mãos do moreno em direção aos olhos da criatura. O monstro começou a se debater e destruir ainda mais aquele cenário celestial repleto de natureza e vida. - Você não vai sair de perto de mim. - avisou ao semi-deus após se colocar à frente do mesmo. Ela poderia ganhar alguma distância da Ave para que eles pudessem chegar no acampamento. - Aquele acampamento tem alguma espécie de escudo, certo? - perguntou a fim de confirmar se sua ideia seria viável.
Ela não andava armada, mas após aquele dia poderia, definitivamente, pegar uma arma branca quando voltasse ao acampamento. Aproveitou-se da benção de Dione fazendo seu corpo ficar rodeado por um brilho divino e azulado. Como uma hidríade jovem o brilho só afasta ameaças que estejam a dois quadrados de distância, sendo assim Ísis esperava que o semi-deus soubesse manter a calma e correr porque o animal continuaria perto deles. - Vamos andando com calma para não cair. - começou a explicar. - Se souber de algo para se livrar dessa coisa, seria uma boa hora para faze-lo. - completou enquanto deslocava-se de costas com pequenos passos sem deixar de encarar o monstro.
A caçadora podia amar acima de tudo seu estilo de vida, mas ela tinha de admitir que voltar ao acampamento era acolhedor, mesmo nas condições atuais ela se sentia em casa, afinal, após a morte de sua mãe está fora sua única. — Ártemis gosta… Sou uma de suas caçadoras, por isto a imortalidade. — Explicou franzindo o cenho, ela usava seu uniforme e até mesmos semideuses mais novos deduziam ao grupo que Ella pertencia, a loira a gente parecia bem perdida, causando um riso fraco em Electra. — Você é nova por aqui, com o tempo se acostuma, seria estranho ter placas pelo local, por maior que ele seja. — Disse. — Electra Florence, prazer conhece-la, senhorita. — Apertou a mão da outra brevemente se pondo a andar. — Não é uma semideusa, certo? Porque se for está precisando estudar um pouco.
Conhecer o acampamento serviu para alerta-la da necessidade de estudar mais sobre mitologia. Enquanto era educada em “casa”, por seu pai, chegou a ler um pouco sobre os deuses, mas o assunto é claramente muito mais profundo do que ela imaginava. Sabia um pouco sobre as caçadores de Ártemis, mas a imortalidade era uma novidade para a jovem. Agora as coisas faziam mais sentido, embora a ideia de aquela jovem ser tão velha fosse surreal. - Estranho? Seria apenas mais objetivo, eu acho...- ponderou. O nome da caçadora era belo e aquilo alegrou a ninfa, ela podia saber pouco sobre mitologia, mas conhecia bem os astros. - As Plêiades são de fato incríveis.- comentou. - Não mesmo, nem tive a oportunidade de ter contato com... - hesitou. - Bem, isso tudo. - explicou. Ela iria estudar depois que conhecesse melhor o local, afinal haviam outras prioridades.
A tarde desprendia seu mando alaranjando pelo céu de Long Island, o tom misturava-se com o escarlate produzindo uma visão hipnotizante que embriagava a ninfa. Suas grandes orbes acinzentadas estavam fixas no horizonte enquanto algumas ondas quebravam-se aos seus pés. Havia passado pouco tempo na praia desde a noite que chegara, era preciso caminho por um longo tempo e cortar o caminho pela floresta poderia ser um tanto quanto perigoso até mesmo para uma ninfa.
Sabia que os monstros que rondavam o acampamento procuravam semi-deuses, mas temia que eles não fossem capazes de distingui-la dos demais. Ísis acha tudo aquilo curioso, ela achava a diferença tão óbvia. Ainda que fosse bela como as filhas de afrodite, havia algo diferente em sua áurea e o azul de seus olhos entregavam todas as viagens que já havia feito pelos oceanos e mares daquele pequeno planeta.
Seu corpo esbelto se ergueu lentamente quase de modo preguiçoso, ela esticou os braços enquanto ponderava sobre sua ideia. A ninfa sabia que fora levada ao acampamento devido ao despreparo do pai, Phill, não podia culpa-lo de qualquer modo. Afinal, o que um velejador poderia saber sobre mitologia? Ele sequer reconheceu Calipso ante de cair em seus encantos, não era um herói como Odisseu. O que importava naquele momento era a angustia que a afligia. Não estava pronta para abandonar suas aventuras e ficar presa em apenas um lugar.
Diferente dos filhos dos Deuses, ela podia partir a qualquer momento. Aquilo era como um chamado, em neon, pedindo por uma viagem. Poderia ir para Tailândia, Grécia ou banhar-se nas águas salgadas da Jordânia. Os destinos eram variados, mas seu plano era sair do acampamento por meio do mar. Sabia que o entorno no local estaria repleto de monstros então era a melhor opção. Ela não iria fugir literalmente, ela nunca esteve presa na realidade. Enquanto buscava meios de burlar sua menta para amenizar sua culpa, uma voz conhecida atrapalhou a tarefa ao se dirigir à ela.
Apesar de visitar o acampamento inúmeras vezes a caçadora nunca tinha o visto tão diferente quanto agora, o lugar nem parecia o mesmo, queria entender como tudo aquilo ocorrera mas parecia incapaz. Foi então que a voz doce lhe chamou atenção sendo finalmente respondida pela garota ao seu lado. — Sim, tenho 310 anos, isso é ser uma idosa em meu conceito. — Respondeu com um sorriso leve nos lábios. — Mais a leste de onde estamos, posso leva-la até lá se me permitir!
Ísis estava mais perdida do que nunca e sequer sabia quando os semi-deuses estavam brincando ou não, porém ao olhar a garota ainda desconfiada se limitou a rir baixo. - Parece que os deuses gostam de você então...- afirmou em relação a boa aparência da jovem “idosa”. Um ajuda seria mais do que bem vinda, depois que quase fora atingida por uma flecha ao parar, sem querer, na área de treinamento. - Obrigada! Poderiam botar mais avisos aqui, quero dizer, é um lugar bem grande. - comentou sem se aprofundar muito. - Ísis King, prazer. - apresentou-se ao esticar a mão para cumprimentar a morena ao seu lado.