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@ivy-k-blog
Oxford Street @Steve x Ivy
Outra tarde fora de casa para espairecer as ideias. Eu realmente não estou tão depressiva quanto nos primeiros dias da partida de Lilah - eu até já posso rir. É, tenho que confessar, isso é porque eu estou ligando para ela.
Minha câmera estava outra vez comigo, dentro da bolsa, virou a minha nova companheira, mas não é apenas ela. Rat ficou tão acostumado com isso de sair que chorou quando ouviu eu sair de casa, então eu tive que pegar ele para ir passear. Tenho pena de colocar a coleira e a guia nele - afinal, ele não merece ficar preso, mesmo que eu que esteja segurando -, mas é necessário, ele pode sair correndo e... Coisas horríveis acontecerem. Mas, de qualquer maneira, é ele que me guia, basicamente, ele vai para o lugar que quiser - e no caso, eu estava na Oxford Street, e não é uma rua que eu tenha muita empatia. Primeiro, tem muita gente; segundo, as pessoas são um pouco esnobes dependendo por qual loja você passa. Mas, não posso ignorar, a avenida é a mais importante daqui.
E sabe quando você está tão distraído pensando em alguma coisa que não percebe o que está acontecendo ao redor? Então, um segundo atrás o Rat estava na minha frente, agora ele já está correndo desesperadamente atrás de uma cadelinha. Eu mereço? Sai correndo atrás dele, sem querer tropeçando em algumas pessoas. - Desculpa. - Falava constantemente, pisei na guia dele em tempo, antes que ele atravessasse a rua como um pedestre qualquer. Castigo por... Um dia. Mais que isso eu não aguento vê-lo com cara tristonha. Peguei Rat no colo, com um pequeno sorriso no rosto.
30 DIAS DE DESENVOLVIMENTO DO PERSONAGEM (30 DAYS CHALLENGE) - DIA 30
30. E finalmente, escreva uma carta para o seu personagem, de você mesmo.
"Ivy, eu não sei expressar o quanto eu te admiro, simplesmente não dá pra fazer isso em palavras, mas, vamos tentar: Esse seu jeito forte e insistente já fazem qualquer um gostar de você, sinceramente, eu queria ser igualzinha a você. Não ligar para a opinião dos outros, ser você mesma, proteger o que deve ser protegido, ter opinião formada - porque eu não tenho muito isso. Ser corajosa. É, é assim que você, minha Ivy, é, e é desse jeito que eu gosto de você. Você, Ivanna Kowalski, é a minha favorita, é a minha ídola, é o meu exemplo de personalidade. E quem não te admirar, desculpa, mas é muito sem noção.
Uma coisa que eu tenho pra dizer é: Supera. A Lilah continua sendo sua melhor amiga, não precisa de desespero algum por ela ter ido embora. Deve ser por pouco tempo. E você tem que entender que os pais dela acharam que isso vai fazer bem pra ela, você não acha que eles precisavam de um tempo com a filha também? Infelizmente, a Delilah não é apenas sua. E eu tenho certeza que você sabe muito bem disso, e entende, só não quer enxergar.
Não sou nada boa em expressar meu afeto pelas pessoas, a única coisa que posso dizer é: Eu te amo. Muito. E queria poder te abraçar em cada dificuldade que você tem. Mas, seja forte - mais forte do que você é -, siga em frente, admita pra si mesma que você consegue viver sem a Delilah, porque você consegue. Seja a fotografa que você quer ser.
Eu não sei, pode parecer bobagem, mas eu estou quase chorando enquanto escrevo isso.
Com muito - mas muito mesmo - carinho, Júlia"
Tinha acabado de receber a notícia: Minha melhor amiga está indo embora. Sabe quando o seu mundo parece estar desmoronando aos poucos? Exatamente isso que vem acontecendo comigo. Primeiro, eu quase perdi Lilah e Rat naquele incêndio - estou com várias queimaduras porque demorei pra sair do quarto -, agora, eu perdi mesmo a Lilah. - Ela vai voltar, paixão. - Disse Joan, mais conhecida por ser minha mãe. Mas eu não conseguia parar, não dava. Foi como se isso tivesse feito com que o choro guardado por todos esses anos transbordasse, e a sensação era de que aquilo nunca mais ia acabar. Solucei outra vez e tentei conter as lágrimas, não deu muito certo, mas eu já estava cansada de chorar. Eu sentia meu rosto molhado, podia quase ter certeza de que meus olhos estavam vermelhos. Um pouco antes, meu nariz tinha começado a arder, é o sinal de quando eu vou começar a chorar. - E se não voltar? - Minha voz era chorosa. Acredite, eu não estava gostando de parecer fraca. Eu não sou.
É claro que eu fiquei assim no primeiro dia. E no segundo e no terceiro. Mas eu acho que estou melhorando, aos poucos. Já estou começando a sentir fome de novo, só que ainda estou abatida. Foi injusto o que fizeram com ela. Comigo. O bom - não sei se isso é bom mesmo - é que Joan comprou uma casa em Londres e eu estou passando as férias com elas. O Rat estava feliz, finalmente não estava dentro de um quarto e sim em um quintal, até que espaço e bem verde - eu já plantei duas árvores para ver se conseguia esquecer da Lilah enquanto cuidava delas, não foi bem isso que aconteceu.
Eu pensei em ir na tal festa da Annabel, que foi o evento mais badalado das férias, mas é claro que não faria nada bem - eu tenho certeza que tentaria beber para esquecer a Lilah, isso não seria muito legal, não é como se eu fosse a melhor do mundo em não ficar bêbada rápido. Os jovens me irritam, tanta coisa aconteceu e eles simplesmente acham que não vai mais machucar com uma simples bebedeira. Eu mesma me irrito às vezes.
Conversei com poucas pessoas até agora, mais com Joan, que incrivelmente se tornou uma boa mãe e vem me cuidando - o que eu não suporto, porque não me sinto nada independente. Frederick - meu pai - me ligou, acho que começou a se preocupar comigo e não apenas com a empresa dele. Ou Joan que deve ter convencido-o de ligar pra mim, pensando que isso me faria mais feliz. Ela não é a melhor em deixar a filha contente, mal sabe do que eu gosto.
O ar de Londres sempre foi poluído assim? Em Woking - mais especificamente na Spring Art - era bem melhor, já tinha me acostumado com isso e nos primeiros dias aqui em Londres minha garganta fechava pela fumaça, eu fiquei com dor de garganta também. Minha câmera tem sido uma boa companheira nesses últimos tempos. Eu e Rat saímos de casa toda hora para ir passear e eu venho tirando um bocado de fotos dele, da natureza e até de prédios antigos - raramente dos novos.
@Sky
Que bom que é só uma vacina. Eu te passo o endereço, então. Sem querer ser chata nem nada, mas eu soube da Lilah. Você está bem?
Estou, estou. Quer dizer, foi melhor ela ter saído do que... Você sabe, melhor do que não sobreviver ao incêndio.
Aquilo foi horrível.
@Sky
Tem um anjo-veterinário perto da minha casa. Ele é ótimo com animais, o Logan o adora. Posso te dar o endereço ou até te levar lá, sem problemas. O que aconteceu com o Rat, ele está doente?
Ah, obrigada. E só o endereço está ótimo, não precisa se incomodar. Não, não, é só uma vacina mesmo.
@Sky
Tia Sky, hm, conhece algum veterinário bom? Eu não estou achando nenhum, o que eu levava o Rat não trabalha mais.
Quem ou oq vc levaria pra uma Ilha deserta?
Uma caixa com coisas para a minha sobrevivência, com a Lilah e com o Rat. Tchanam.
Sunday in London and empty streets @Yvina x Ivy
Ufa. poderia respirar aliviada. Eu iria para a Spring e seria naquela mesma noite. Eu não teria que dormir na rua, debaixo de algum jornal ou papelão, parecendo uma moradora de rua. E aquele lugar dava um pouco de medo. Parecia que de repente, algum monstro poderia aparecer para me atacar, ou algo assim. - Com certeza que quero ir com você. - Era tudo o que eu mais queria. Como no dia em que eu tinha ficado perdida no próprio campus, queria minha cama quentinha como nunca. Tudo bem que eu já tinha dormido na rua algumas vezes, mas isso fora em Seattle, onde eu conhecia todo mundo e todo mundo me conhecia.
- Ivy! - ri, surpresa. Afinal, antes, meu apelido era Yvi. A mesma coisa. Algumas pessoas me chamavam de Yvs, mas continuava sem muita diferença. E Ivanna, eu não gostaria do meu nome se ele fosse assim, também. Ou talvez gostasse. Era exótico, diferente. E eu não poderia falar muita coisa, meu nome também não era normal, nem de longe. - Pode deixar. Mas se no futuro eu virar secretária e te chamar de Ivanna, não me culpe. É coisa da profissão. - Mas que diabos eu estava falando? Começamos a andar, fiquei com minha cabeça baixa. Ela era educada, mas isso não significava que queria falar comigo.
Mas eu simplesmente não conseguia ficar calada. Era de meu feitio. Então logo abri a boca de novo. - Se não fosse você, eu provavelmente ficaria por aqui mesmo. Eu canso demais, não me daria o trabalho de procurar a escola por muito tempo.
Certo, era bom, como sempre foi, estar fazendo uma "boa ação" - não sabia se ela ficaria ressentida com esse terno, quer dizer, a maioria das pessoas ficam. - Mas se no futuro eu virar secretária e te chamar de Ivanna, não me culpe. É coisa da profissão. - Dei uma risadinha baixa, Yvina é engraçada, ou parece ser, que seja, eu gostei dela já de cara. Quando é para conhecer pessoas como ela - não é como se eu a conhecesse mesmo, mas deixa pra lá - pode até ser legal ser "sociável" - não que eu não seja, só sou um pouco mais afastada daquela vida de internato do que os outros alunos, é mais ou menos como se viver apenas para o internato fosse uma barreira para te impedir de enxergar a realidade e o mundo lá fora, com mais problemas do que eles, os alunos, pensam e compreendem, e eu lá quero ser assim? -, não para conhecer pessoas mimadas e preocupadas com as unhas.
Começamos a caminhar, eu não gosto de pegar táxi, mas era mais próximo do que o metrô - eu estava quase me rendendo ao sono, não é minha culpa se minha coluna doía por caminhar tanto -, então eu estava indo na direção de algumas ruas principais para achar algum - que mal faria pegar um táxi? Bem, eu sei, mas só uma vez no ano não mata, eu acho. Foi então que eu percebi, quando Yvina começou a falar, que estávamos em silêncio. - Ah, qual é, nunca desista dos teus objetivos. - Falei com um sorriso pequeno no rosto, não que isso seja um objetivo. - Quer dizer, ficar aqui não deve ser bom, então é isso, ser firme e forte pra não desistir e não ficar dependente do cansaço. - Não sou muito boa na hora de explicar o que eu penso, então pode ser que em noventa por cento das vezes as pessoas me entendam errado. Eu não acho que essa frase foi pra valer, por isso minha voz estava em um tom "ei, eu sou tão sem graça e alegre, mas você pode rir à vontade!". Vi um táxi, seria ótimo se ele parasse porque eu odeio ficar com o braço esticado muito tempo.
>> Que dia vc faz aniversário?
13 de agosto, vou ganhar um beijo e um abraço seu, né?
So, I'm just going to do what I want to do.