Aquela verdade podia ser dita, pois nada tinha a ver com maldição ou ao fato de que estava acordado. Vinha procurando a amiga muito antes de Jafar colocar as mãos em si e romper a protetora bolha de ignorância nas memórias forjadas. ( Eu fiquei besta, ok? Não consegui pensar em monte coisa além de: mim gohar. tu jean. Sou um homem espalhafatoso e intrometido, nós sabemos, só que pareceu um limite abordar uma estranha na rua. ) O jeito que ficou parado olhando-a se distanciar foi tão cômico que ganhou fotos exclusivas de um amigo que estava passando na hora. Gohar nem se mexendo, achando que tudo se quebraria no menor das movimentações, o sonho destruído em trinta segundos. E, bem, era uma nova realidade; a de saber que ela fazia parte de uma história bem diferente da sua. Em um mundo completamente novo. ( Vou trabalhar mais tarde, mas que se dane. Não vou aguentar um plantão noturno completamente sóbrio. ) A sorte recaindo na quantidade de pessoas designadas para aquele dia, permitindo o enfermeiro-chefe ficar mais na retaguarda e administrativo. A famosa função de preencher formulários, requisitar reposição de estoques e evoluir algumas fichas mais simples no sistema. Quem diria que ficaria feliz no trabalho braçal da querida ( e futura ex) profissão? ( Alguma pista? ) Por meios mais convencionais, e doses cavalares do carisma inato, Gohar tinha feito suas próprias pesquisas. Buscando parentesco nos bairros próximos de onde tinha sido achado, aproveitando-se de tudo o que a sociedade dizia ser errado em si. A fotografia que carregava na carteira, mesmo sendo obviamente falsa, acalentava Gênio de certa maneira. Um lembrete que tivera uma família antes dos grilhões de seus poderes cósmicos. ( Essa frase aí já me deu uma gastura enorme. Se eu li todos os livros do Harry Potter, isso me faz um bruxo? Ou ou ou… Ler todos os de Dan Brown me fazem pesquisador muito influente? Sabedor de todos os detalhes ocultos dos maiores mistérios das obras de arte?!?! ) A animação exacerbou seus atos, acabando por parecer uma aclamação. ( Não eram para você, esses outros empregos. E agora, vendo tudo isso, acredito que esteja no melhor que podia estar. ) Tomou um gole do copo enquanto olhava novamente o ambiente, orgulho voltando a salpicar os olhos escuros de estrelas. ( O resumo bem resumido é: muitos empregos, pouca fixação. Nada relativo ao meu charisma, uniqueness, nerve and talent. Só… Não era para mim. Entrei na faculdade de Enfermagem num programa comunitário e Jean… Eu ralei. Ralei tanto que você não tem nem noção. Tanto que consegui uma outra oportunidade de estudar Medicina EAD. Me pergunta o que eu sou agora. Vai, me pergunta. ) O tempo de exatos dois segundos. ( Enfermeiro-chefe, papai. Recebi uma proposta de emprego para cá, um salário absurdo e plano de saúde. Ainda faço uns bicos como marido-de-aluguel, mas é porque não consigo ficar parado. )
os lábios se contorceram relutantes até se transforem num sorriso de fato, logo negando com a cabeça antes de rir apesar da concordância. “é, eu provavelmente teria acertado sua boca se tivesse me abordado desse.. seu jeito. salvou sua vida.” ergueu o queixo, necessitando aquela introdução feita dramaticamente para entender e assimilar as informações remetendo o passado, por fim feliz de como aconteceu e a lembrança criada para aquele momento. “eu não 'tô colocando a vida de alguém em risco, estou?” inclinou a cabeça levemente, arqueando uma das sobrancelhas. a pouca porcentagem de divertimento logo se esvaiu, as orbes indo parar distantes como se enviesasse toda a frustração novamente, formando uma ruga entre as sobrancelhas franzidas. “nada. é como se nunca tivessem existido e por mais que eu procure, 'tô sempre na estaca zero, precisando começar de novo e de novo.” repetia impaciente, bebendo mais um gole farto que ardeu a garganta e aqueceu o restante do corpo dentro do jeans apertado. “isso tem acontecido com frequência por aqui, é estranho. achei que seria a ganhadora da loteria, a com sorte que encontraria os pais facilmente, mas...” as linhas cansadas perduravam. a exaustão estava ali nas olheiras, nos músculos tensos e a postura curvada. “está me elogiando ou menosprezando?” o tom afinou, rindo. continha algumas reações, o permitindo falar antes que a empolgação acabasse sobressaindo as boas noticias, mostrando os dentes no movimentar único da cabeça. “você sempre foi inteligente. queria dizer que estou surpresa com tudo isso mas sinceramente era exatamente o que esperava de alguém com seu cérebro. se saiu muito bem, gohar.” levantou-se enquanto falava, o tocando no ombro suavemente. “mas hein, marido de aluguel? se não cobrar muito caro tenho um serviço pra você.”