quantos anos o Jaime tem ?
O Jaime tem 4 anos, mas é esperto como se tivesse mais do que isso.

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quantos anos o Jaime tem ?
O Jaime tem 4 anos, mas é esperto como se tivesse mais do que isso.
Jensen me decepcionou, nunca esperava isso de você.
Hm, eu consigo contar em uma mão quantas são as pessoas cuja opinião me interessa. E ainda essas pessoas não têm o poder de me dizer o que fazer com minha vida…
The key to the next open chapter || Jensen&Leo
Depois de retribuir o gesto suave de Jensen, a Leo só coube ficar vendo que ele ficara aparentemente surpreso com sua atitude. Sentiu-se um pouco mais relaxada com isto, inclusive, de uma forma estranha. Mostrar o contorno de seus seios não era um problema, já que ela fazia strip e vez ou outra precisava tirar o sutiã, o que realmente complicava era o fato dela mostrar mais do que apenas as curvas daquela parte que também complementava o gosto universal dos homens. Fosse como fosse, ela apenas girou os olhos com a provocação dele e pôs-se a ocupar-se com os botões que existiam na fronte e na linhagem do abdômen do homem. Nos dois primeiros, começando de cima, fizera o que dissera: abriu-os com uma desenvoltura suprema.
Quase três anos trabalhando como bartender acabavam por lhe proporcionar uma ou outra habilidade. Como, por exemplo, abrir coisas com extrema facilidade. Fossem estas coisas garrafas, quem sabe, ou… Partes de seu próprio corpo. Apenas quando necessário, mas ainda assim…
Com os outros botões, teve mais cuidado, abrindo-os de forma lenta. Agora seus olhos estavam erguidos para Jensen e apenas eles. Seus lábios estavam levemente entreabertos e seu coração parecia preso em sua garganta. Sabia que se fizesse o diabo que fosse ali dentro, teria um vínculo ainda maior com Campbell, não que já não tivesse agora. Não bastasse ele ter cuidado de seu psicológico primeiramente, agora estava cuidando de seu corpo. E ela, o que fizera por ele? Bom, respostas para aquela pergunta não surgiram em sua mente, então Leo logo decidiu ocupá-la com pensamentos positivos sobre a visão que agora tinha do abdômen de Jen. Para alguém da idade dele, estava mais do que nos conformes, era claro. E aquelas breves linhas que vira do corpo do moreno no dia da Festa da Espuma, tornaram-se ainda melhores na opinião da loira, agora completamente expostas, mesmo que a peça de roupa estivesse aberta somente por ali.
Todavia, isto logo foi resolvido. Como fizera com o colete dele no dia em que ficaram em seu consultório, acabou por empurrar a vestimenta pelos ombros do rapaz, direto para o chão. Por um ímpeto, enfiou parte dos tocos de unha que possuía, na carne daquela região, descendo com as mãos pela extensão do peitoral e parando logo acima do cós da calça que ele usava. Jensen não era tão branco quanto ela, mas recebera alguns vergões daquela atitude impulsiva.
— Eu ajudo quando me convém. — Advertiu-o, tentando parecer séria, enquanto suas mãos voltavam-se agora para o cinto dele. Tendo de usar da técnica milenar de praticamente se colocar na ponta dos pés para alcançar os lábios de Jensen, Leona mordiscou o inferior, com considerável força. Suas mãos continuavam ocupadas lá embaixo e enquanto uma se dirigia para a virilha do rapaz, a outra ocupou-se com a fivela do sinto. Ela conseguia se livrar daquilo com uma única mão. Não só conseguia, aliás, como logo o fez, ainda com uma parte da boca do mais velho, entre seus lábios. O feito com o cinto fora rápido, mas o toque meio que firme e meio que cuidadoso, que ela deixava em uma das partes sensíveis de Campbell, permaneceu mesmo quando ela se livrou da dita fivela, deixando-a cair aos seus pés novamente. Agora com a calça livre de forma que o acesso fosse quase que completamente permitido, Leo moveu seus lábios pela extensão do pescoço dele, demorando-se ali com mordidas e até alguns chupões mais tímidos, cujo o som da pele entre seus toques, ecoava pelo local.
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Enquanto a mulher o despia, Jensen olhava para seu rosto com uma expressão que misturava concentração, uma certa incredulidade sutil diante da situação e também um traço de adoração. Há muito tempo não ficava tão íntimo assim de uma mulher que não fosse a sua e, bom, há muito tempo Emily não era carinhosa e sedutora. Agora, ali, ele se sentia um misto de aluno e professor; mestre e aprendiz. A garota era mais nova que ele e obviamente teve menos experiências, por isso ele seria professor. Por outro lado, Jensen estava reaprendendo a ser inconsequente e jovem de novo; aprendendo a viver aqueles momentos com um aperto gostoso no peito, e Leona era sua professora nesta disciplina.
Ele olhava dentro daqueles olhos que tanto o agradavam quando ela desabotoava sua camisa e, quando chegou na parte de seu abdômen, ele acompanhou o olhar dela por breves segundos descendo sua atenção até seu próprio corpo e abdômen, perguntando-se mentalmente se Leo gostava do que via. Jensen é um homem mais velho e, apesar de não ser do tipo que se angustia com crises de idade, sabe que não é jovem e esguio como os outros rapazes da idade da loira. Bom, mas ele sabe que existem vantagens também.
Observou a camisa ser tirada de seu corpo e facilitou como pôde. Lembrou-se da noite em que tiveram em seu consultório, na qual Leona o despiu de forma similar, e em como ele foi levado, desejoso de que aquilo prosseguisse sem nem pensar nas mil complicações. Agora era diferente. Campbell estava mais consciente de sua decisão de estar ali com Leona, mesmo não tendo previsto ou premeditado aquele encontro específico. Sentiu as unhas de Leo se afundarem em seus ombros e tocou a cintura dela com a mão direita quando uma dor longínqua fez-se presente.
Ele só respirou mais pesado quando ela começou a desatar seu cinto e lhe mordeu o lábio inferior. Um sorriso brotou de seus lábios latejantes pela mordida forte e pela primeira vez Jensen parou e pensou qual seria o nível de experiência de Leo naquele tópico. Suas mãos eram habilidosas, sem dúvidas, como se já tivessem feito algo similar antes, e o terapeuta arfou baixo ao sentir a mão da jovem tocar-lhe a região da virilha; a circulação de sangue consideravelmente aumentando na região, reação involuntária de seu próprio corpo. Ele apoiou sua mão esquerda no azulejo atrás dela e continuou com a outra mão posicionada na cintura pálida e fina de Leona.
Prazer. Ele sabia que só estava começando.
Deixou a ponta de sua língua percorrer os lábios de Leona, mas ela logo desceu seus beijos para seu pescoço. A respiração de Jensen se tornou um pouquinho mais pesada e ele apertou com mais força a cintura da loira. Sentiu os beijos, as mordidas e os chupões... Ele ainda naquele estado de passividade, deixando que a garota o despisse. Quando a mão dela abandonou seu local mais sensível, quis pegá-la e trazê-la de volta à região. Que deixasse ali, que o estimulasse mais.
Viu ela se abaixar e por isso foi obrigado a soltar sua cintura. Agora a mão direita estava posicionada em sua própria nuca, e ele coçava o local lentamente em um ato que pedia autocontrole. Sim, autocontrole para não adiantar as coisas como um imaturo. Olhou para baixo e percebeu que as mãos de Leona tremiam agora e se deu conta de que era um momento delicado para ela. Isso fez o homem retornar mais a si e se lembrar de que precisaria de calma, não poderia agir sem antes deixá-la à vontade.
Ele colocou a peça de lado com um gesto do pé, para fora da área de banho. Na realidade, Jensen estava mais para fora da área de banho do que Leona, mas por pouco tempo. Logo que se livrou das calças, agora somente de cuecas, ele entrou dentro do pequeno espaço que dividiria com a loira, envolvendo a cintura dela com seus dois braços, de modo que trouxe seu corpo para perto do dele.
Ela ali, tão frágil e delicada, no início de uma vida que só tinha mostrado poucos contornos; ele tão alto e mais velho, cheio de histórias e responsabilidades. Era a contradição da vida mais uma vez hipnotizando um casal que deseja ficar junto. E, bom, se Leona o desejava e o reivindicava para si daquela forma, eu quero você, quem era ele para interromper a situação uma vez que a desejava ainda mais agora?
Campbell buscou os lábios da garota, agora sem mais se importar com o mundo. Uma de suas mãos procurou a torneira e a girou uma vez. A água já caiu morna sobre eles, provocando os arranhões que Leo fizera em seus ombros. Jensen a encostou contra o azulejo frio e desceu seus lábios para seu pescoço. Ali aplicou beijos suaves, chupões mais leves que se tornaram fortes e uma mordida consideravelmente firme, uma vez que era uma amostra de todo o desejo que sentia. Com a boca próxima do ouvido dela, pôde sussurrar com a voz saindo mais rouca do que o normal: - Você é minha.
Logo que disse essas palavras, uma de suas mãos se esgueirou pelo espaço entre eles até um dos seios de Leona. Sentiu-o rijo e perfeitamente cabível dentro de sua mão; acariciou-lhe com suavidade com o polegar, mas logo apertou com firmeza, deixando sua mão apalpar de um jeito possessivo; bem no momento em que voltou a beijar a boca da jovem. A outra mão ficou na região abaixo da cintura da garota, na lateral de suas ancas, e enquanto ele a acariciava mais acima, aquela ali se incumbia da tarefa de trazer a pélvis de Leo para perto da sua, em um roçar provocador.
The key to the next open chapter || Jensen&Leo
Com Jensen distante, Leo continuou ocupando-se com seu celular. Havia mandado uma mensagem para Luila, uma amiga de seu curso, avisando que faltaria por motivo de… Doença. E outra para Liz, dizendo que se ela fosse à aula aquele dia, que não esperasse por ela no portão, porque faltaria. Pensou em deixar uma sms no celular do avô, mas não o fez. Então, colocando-se em pé, começou a se livrar das vestimentas, de forma até que lenta, já que seu corpo doía um pouco.
Não conseguia deixar de pensar em Matt. Em como ele estaria, se já tinha sido devidamente atendido… E se ela fizera o certo em deixá-lo lá. Em partes, sim, porque ele já era adulto e certamente seria liberado sem maiores problemas assim que tivesse melhorado. Mas em outras… Ela devia ter ficado com ele até ter certeza de que sua vida estava fora de risco, já que ele livrara a dela, de um maior. Fosse como fosse… Ela não podia mais voltar atrás e aquilo era um fato. Procuraria saber do francês quando voltasse para casa, mesmo que seus instintos quase gritassem para que ela procurasse arranjar um jeito de avisar quem quer que fosse, da situação do rapaz…
Abandonando seus pensamentos entre alguns suspiros, Freya finalmente livrou-se dos shorts e da blusa manchada. Ainda não queria pegar a do Yellow Submarine que Jensen lhe dera, já que ela a usaria depois do banho, como bem era óbvio. Então, deixando seus cabelos caírem de um lado de seu pescoço, logo livrou-se do sutiã, ficando agora somente com a calcinha de laterais grossas, na cor preta. As tatuagens estavam ali e por um instante, a loira perguntou-se mentalmente o que Jensen acharia das que ela possuía como um cinto, ao redor de seu corpo. Afinal, ele já vira a do “inimigo público número um" e, aparentemente, naquele dia, se ele tivesse parado para prestar atenção, os dizeres de Judas Priest na vertical em suas coxas, junto da cruz que ela possuía no braço e… Teria ele reparado nos x’s que possuía em um dos pulsos? Certo que não. Porque mesmo que demonstrasse ser um bom homem, Jensen certamente não deixava de lado aquela essência que o sexo masculino possuía de sequer perceber um corte de cabelo novo…
Certo? Bom, talvez. Afinal, ele era psicólogo e devia sim perceber coisas ao seu redor. Ossos do ofício, não?
Aproximando-se do que parecia ser a porta do banheiro do cômodo, Leona acabou por afastá-la, recostando-se ao batente, usando da blusa do Motörhead que trocara com Matt, para tapar a nudez da parte superior de seu tronco. Sentindo parte de seu corpo contra a parede fria, enquanto esperava, a universitária deixou que seus olhos azuis corressem pelo cômodo, pensando em como sua vida andava agitada. E em como andava se tornando cada vez mais decadente; não por questões como apenas estar saindo com um homem comprometido, mas por sentir e estar ciente de que poderia acabar com uma família caso isto fosse descoberto, e também sentir que estava praticamente de mãos atadas para com a situação.
Porque nada era inevitável se estava dito no que as pessoas costumavam chamar de destino.
— Tudo bem. — Finalmente foi arrancada de seus devaneios mais uma vez, agora sorrindo abertamente quando ele lhe estendeu a peça de roupa que ela pedira. Pegando-o pelo pulso que foi estendido com o ato, Leo riu, puxando-o para dentro do banheiro junto consigo. Ao fazê-lo, rapidamente empurrou o maior para o lado da porta, enquanto fechava-a atrás de si. Pelo canto do olho, vira que o porta-toalhas fazia seu serviço segurando duas brancas e felpudas, o que os deixaria isentos de terem de sair do banheiro para poderem pegar outras com as quais pudessem se enxugar.
Sim, no plural. Porque ela tinha planos.
— Pode me ajudar no banho também, senhor prestativo? Não precisa tirar a cueca. — Convidou-o, já advertindo-o. Ela mesma não conseguiria ficar sem calcinha na frente dele, ali, com tanta luz ao redor deles.
Finalmente deixando a blusa que usava para tapar os seios, em cima da pia, ela voltou-se para a ducha que havia ali, ainda com o pulso do outro em seus dedos. Enfim percebendo que ele continuava um bocado vestido, virou-se nos calcanhares, mais uma vez, para o moreno:
— Consigo te livrar desses botões engomadinhos num segundo, se quiser.
Novamente, havia apenas o tom brincalhão na voz de Madison. Mesmo que daquela situação saísse algo pervertido, sua proposta fora feita apenas pensando no fato de livrá-lo mais rapidamente das vestes, para que ele pudesse entrar logo naquele box consideravelmente pequeno, apertado, junto dela.
Jensen retornou com sua proposta de ajudar Leo com a pomada, sem imaginar a proposta que estava prestes a receber dela. Logo de cara, assim que entrou, já ergueu uma das sobrancelhas ao ver o estado seminu no qual a loira se encontrava e ficou ainda mais surpreso com o que Leo fez a seguir, seja por ser puxado para dentro do banheiro, seja pelo pedido que veio de seus lábios. Ele sorriu com um aspecto de estranheza diante daquela Leona tão direta e ficou momentaneamente mudo quando os seios dela foram revelados; seus pensamentos calados até o momento em que ela propôs ajudá-lo com seus botões. Quase que automaticamente pensou que Brian diria naquele momento: “cara, a garota é gostosa”; ele xingaria algum palavrão para o amigo a princípio, mas acabaria concordando, dando o braço a torcer.
- Não imaginei que você ia querer que eu entrasse também, Leo. Disse com um toque de humor na voz, retornando mentalmente para o ambiente depois de ficar perplexo naqueles breves instantes. Jensen aproveitou a mão dela em seu pulso para inverter a coisa e agora sua mão é quem pegou o pulso de Leona e a fez virar para ele.
Queria finalmente poder ver todas aquelas tatuagens que tanto imaginou em suas fantasias, mas a beleza dos seios da loira, firmes e desenhados com as auréolas e mamilos tão perfeitamente lindos o distraiu. Linda, jovem e cheia de vida. E ela estava ali, bem na sua frente. Campbell não pôde deixar de pensar no quanto a desejava e era sortudo por poder ver aquilo. Puxou-a para mais perto até seus corpos colarem um no outro - os seios nus de Leo contra seu peitoral - e beijou-lhe os lábios com suavidade. Na realidade, desejava logo beijar Leona com vigor, mas era um homem controlado e esperaria a hora certa para tal.
Ele se afastou depois do leve beijo e largou o pulso da outra. Dando um passo para trás, repetiu as palavras dela com humor e um meio sorriso. - Botões engomadinhos, huh? Ao fazer o que fez a seguir, Jensen não diminuiu o sorriso apesar de ficar com aquele aspecto misterioso que os terapeutas têm ao escutarem algum relato. Como que dando início àquilo, começou a desfazer as abotoaduras dos pulsos. Estava vestido com camisa e calças sociais, cinto e também sapatos, ele conseguiu colocar tudo isso no meio da pressa; ficou sem conseguir só fazer a barba. Em seguida, com um gesto natural de passar um pé no outro, tirou ambos os sapatos e ergueu o rosto para Leona. - Achei que você ia me ajudar... Ele deu uma risada masculina, provocando-a com aquela frase.
Onde estava com a cabeça ao fazer tudo aquilo? Quem pode saber. Estava louco? Provavelmente. Onde aquilo os levaria? Jensen esperava sinceramente que fosse mais além do que já tinham ido. Fosse como fosse, o conselho de seu amigo fazia todo sentido e Jensen experimentaria dar vasão aos seus desejos para entender o que é que queria da vida. E, bom, seu único desejo agora era ela: Leona Freya. A loira havia sido trazida até ele naquele dia por causa de uma circunstância ruim, mas por algum motivo o destino usou tudo aquilo e, portanto, o homem não recusaria a oportunidade.
The key to the next open chapter || Jensen&Leo
O som da risada de Jensen agradava Leo. Logo ela que era bem difícil de gostar de algo vindo de outras pessoas, como um elogio ou até mesmo um abraço, em algumas vezes. Talvez fosse o convívio de quase cinco ou sete meses, se somassem o tempo e época das consultas que a loira tivera antes de finalmente… Ficarem, se beijarem, se verem com mais frequência… O que quer que fosse que houvesse entre eles agora.
Quando Jensen se apoiou sobre um dos joelhos, Leona moveu os braços para as laterais de seu corpo, deixando que o moreno fizesse o serviço. Com os olhos azuis fixos nas fivelas que iam sendo soltas, a loira reprimiu um suspiro quando o sapato deslizou por sua panturrilha. Pessoas normais tinham seus pontos fracos no pescoço e qualquer outras zonas erógenas… Madison tinha uma sensibilidade terrivelmente prazerosa pela área de suas coxas, descendo por suas pernas e finalmente se concentrando em seus pés. Como sua panturrilha fora tocada tanto pela bota quanto pela forma como a bartender dera um jeito de fazer aquela parte de si roçar nos dedos de Campbell, seu corpo reagiria da forma que um qualquer reagiria quando estimulado em algum ponto mais reconhecido como sensível.
Procurando agora ignorar a sensação, ocupou-se com a voz dele. Voltando agora sua atenção para, realmente, os vergões e machucados que haviam em suas pernas, ela crispou os lábios. Não gostara daquelas coisas ali. Foram uma dor desnecessária e que não geraram prazer algum.
— Se você ligar pra todo machucado ou cicatriz que eu tenho no corpo… — Sorriu, de forma brincalhona. — Sabe, você vai querer me enfaixar feito uma múmia.
E ela não estava exagerando. Leona tinha cicatrizes mais visíveis, ainda que discretas, como a que possuía na bochecha, sendo esta um pequenino corte que ela conseguia esconder com maquiagem, na diagonal do lado direito de seu rosto. Possuía as mais escondidas, como uma na lateral da coxa esquerda, esta que arranjara ao cair de moto uma vez e praticamente rasgar a pele daquela área… Entre tantas outras coisas. A mais bem escondida era a que havia por deaixod da cruz que ela possuía no braço esquerdo: um machucado que ela fizera quando tinha uns dezessete anos, também caindo de moto e praticamente enfiando um pedaço de aço dum meio-muro, por ali. Cicatrizou de uma forma meio bisonha e ela decidiu encobrir aquela marca.
Diante da menção do anti-inflamatório, Leo encolheu seus ombros por impulso. Qualquer coisa que remetia a remédios, ela temia; inclusive aqueles para arritmia que ela tomou no carro, mas que ela sabia que precisava tomar se não quisesse morrer. Respirando fundo, apenas assentiu e voltou-se para sua mochila, agora atrás das sete oitavos que haviam no fundo dela.
Ao fazer isto, tomou seu celular em mãos. Cerca de sete chamadas perdidas de seu avô; por um momento, Freya pensou em retornar as ligações, mas… O que diria? Estou na casa de um amigo? Não, ela não sabia mentir. Como explicar tudo o que acontecera até então? Definitivamente, ela deixaria tudo quieto. O Sr. Dahmer mesmo a ensinara que notícia ruim chegava de forma extremamente rápida; e se não haviam batido na porta dele ou ligado para sua casa, então tudo estava muitíssimo bem com Leona.
- Esta é uma possibilidade. Ele brincou com um sorriso diante do comentário dela. Com a alta capacidade que Jensen possui de ser cuidadoso, era bem capaz que ele fizesse algo do tipo com Leona. Todo cuidado é pouco.
Saiu do quarto para o corredor da casa vazia. Era estranho não ter ninguém ali, nem mesmo os empregados, que ainda não haviam chegado. Pensar nisso fez o homem se lembrar de ligar para eles, a fim de dispensá-los; era melhor não ter ninguém ali em casa, já que Leona estava lá. Jensen precisava ligar, também, para seus pacientes da manhã, desmarcando com eles os atendimentos do dia. Com aquela pequena peripécia, o terapeuta perderia uma boa quantia de dinheiro, mas não se importava. Diferentemente de alguns colegas de trabalho que conhece, Campbell preferia desmarcar sessões que atender sem estar disposto. Ele partia do princípio de que precisa estar inteiro para aquela pessoa ali na sua frente, isto é, atento, bem concentrado, saudável... Nada poderia ficar no caminho do bem-estar do paciente, que era prioridade.
Entrou em seu quarto – o que divide com Emily – e sentou-se na cama que ainda estava desarrumada da noite que passou nela. Jensen ficou assistindo filmes até tarde da noite, e pegou no sono no meio de Bastardos Inglórios, do Tarantino. Ele mal sabia que pela manhã receberia aquela ligação de Leona, que o levaria até a situação presente.
Mas ali estava e precisava fazer as ligações. Primeiro dispensou Maria e Adelene, as empregadas, que ficaram aliviadas somente quando Jensen mencionou que não descontaria aquele dia da folha de pagamento delas. Em seguida, desmarcou os atendimentos da manhã e, em um ímpeto, desmarcou logo os da tarde. Não tinha muita ideia de quanto tempo demoraria naquela história com Leona, mas sabia bem que só sossegaria depois que tivesse certeza de que ela estava cem por cento bem.
Por fim, deixou o celular sobre a cama e pegou uma de suas cuecas dentro da gaveta específica; era uma de cor vermelho escuro, lisa, sem estampa. O anti-inflamatório era uma pomada que estava dentro de um kit dentro do banheiro do casal e, além dele, Jen pegou alguns band-aids, caso fosse necessário. De frente para o espelho do banheiro, ele lembrou-se da noite em que beijou Leo pela primeira vez. O homem ficou tão hipnotizado com a loira que ficou pensando nela por dias a fio. Ele lembrava-se bem de Emily deitada com o notebook no colo, depois que ele chegou em casa, e como não sentiu absolutamente nada ao olhar para a esposa, nem mesmo a culpa que estava esperando sentir.
Suspirou, lembrando-se dos conselhos de Brian, seu amigo. O rapaz disse que Jensen deveria aproveitar e se preocupar menos. Disse que ele deveria fazer um teste de seu relacionamento antes de bater o martelo e afirmar que a solução é o divórcio. Jensen sentiu que não era uma ideia ruim dar aquela chance para ele mesmo, dar uma folga para seus desejos, deixá-los aflorar, e ainda ali, com Leona dentro de sua própria casa, ainda não sentia. O que isso significava?
Ele espiou sua imagem no espelho mais uma vez: a camisa manchada de sangue, os cabelos lisos desgrenhados e a barba por fazer. O estado de fragilidade própria fez Jensen se reconhecer como o Jensen jovem, aquele dos tempos de faculdade que era tão tranquilo e que vivia de forma mais leve. Ele poderia ainda ser aquele Jensen? Com Leona por perto, sentia que sim.
Foi então, depois desses minutos lá fora, que o homem voltou para o quarto onde estava Leona Freya. – Demorei um pouco, desculpe. Eu estava ligando para meus pacientes. Fechou a porta atrás de si como uma força do hábito e se aproximou da loira para lhe entregar a peça de roupa. – Você toma um banho e depois eu passo a pomada, pode ser? Sugeriu, erguendo o anti-inflamatório para mostrar para ela que estava consigo.
When you worry you make it double | POV
Jensen estava reunido com seus amigos em uma das noites daquela semana de folga que teve quando Emily viajou para o tal congresso de Medicina. Tinha deixado seu filho com a babá, como de costume, e ido para a casa de Brian. Lá, a turma de pessoas com mais de 30 e várias vivências um tanto quanto ricas e engraçadas, somou algumas garrafas de cervejas a um jogo de pôquer e depois ficaram conversando de forma descontraída. O terapeuta gostava daqueles momentos com seus amigos, pois assim relaxava e se distraía. Deb, uma das mulheres do grupo, era também psicóloga e por isso Campbell podia ter com ela papos profissionais, sejam eles profundos ou regados a humor e conclusões hilárias. Eram bons momentos.
Quando o relógio marcou meia noite, o homem se levantou para usar o banheiro e lá dentro pensou que era uma boa hora para ir embora. Pegaria um táxi até sua casa e dispensaria a babá de Jaime; ainda poderia dar um beijo no filho, como faz costumeiramente assim que chega em casa e ele está dormindo no quarto escuro.
Saindo do banheiro, porém, encontrou o dono da casa logo do lado de fora com uma expressão estranha no rosto. Na realidade, Brian olhou de modo estranho para Jensen durante toda a noite, não só naquele momento, e Jensen já imaginava muito bem o motivo.
- O que você quer, hein? Perguntou com humor, procurando se desviar do amigo para seguir na direção da sala de estar.
Brian, todavia, não deixou e puxou o braço do terapeuta ao mesmo tempo em que respondeu:
- Você sabe muito bem, Sr. Campbell. Vamos até a sacada.
Jensen pensou por alguns segundos, preguiçoso de ter a conversa naquele momento, mas fez algo parecido com um revirar de olhos e concordou com a cabeça; foi então que eles seguiram juntos para a sacada. O assunto que Brian queria perguntar era óbvio: Leona Freya. Ele viu Jensen junto da loira na boate Lollipop, dois dias atrás na tal Festa da Espuma e agora queria saber o que estava acontecendo, quem era a tal garota, como é que estava o casamento de Jensen no meio disso tudo, dentre outras coisas.
E Jensen falou. Contou que ela era uma de suas pacientes, que a atendeu algumas vezes e se compadeceu com sua história, que ela apareceu em um dia chuvoso em sua vida – um dia em que estava particularmente carente e revoltado com Emily pela história de enviar Jaime para o internato – e que eles se beijaram na ocasião. Contou que desde então vem pensando muito na loira e repensando seu casamento, apesar de não saber o que fazer.
Veja bem, Brian nunca foi uma pessoa muito certinha. Da turma de amigos, ele é o único que nunca se casou nem teve um relacionamento duradouro. Apesar de bem sucedido no negócio do qual é dono, um rock bar, não é do tipo organizado e já levou prejuízo várias vezes por sua displicência e teimosia. Então, toda vez em que conversa com Brian, Jensen nunca espera dele conselhos muito sábios nem de base moralista, muito pelo contrário. Brian tende a ser aquele cara que te manda cair para dentro e depois lidar com as consequências. E foi mais ou menos isso que ele disse para Campbell naquela noite:
- Pô, cara. Para quê pensar em divorciar ainda? Você está vivendo uma fase boa... É normal sentir falta de outras mulheres além da sua, mesmo que a sua seja gostosa como a Emily é. Jensen dirigiu a ele um olhar de desaprovação, apesar de já estar acostumado com aquele tipo de fala do amigo. – Estou brincando. Não, não estou. Mas, enfim, o meu ponto é este: aproveita essa fase. Fica com outras mulheres, faz o teste para ver se é só uma fase mesmo ou se o seu casamento está com problemas, de fato. Porque, sei lá, cara, às vezes é só uma carência passageira.
Jensen franziu o cenho; estava encostado na grade da sacada, observando a enorme altura que o separava do chão lá embaixo. Ele repensou as palavras do amigo e, por incrível que pareça, viu sentido nelas. E se aquela fosse apenas uma fase? Seria realmente melhor tentar de tudo antes de se separar, pois assim pouparia Jaime de viver o divórcio de seus pais. Mas havia um problema naquele plano.
- Eu não sei se consigo fazer isso com elas. Moralmente falando. – ele comentou depois de pensar por um tempo.
Brian, que estava bebendo uma cerveja do outro lado da sacada, bufou.
- Qual é, Campbell. Você precisa se casar com todas as mulheres que você quer comer?
Brian recebeu outro olhar de reprovação por parte do amigo. Não, óbvio que não. O homem nunca foi religioso nem nada do tipo. Mas Jensen se tornou um cara certinho depois que se casou. Sempre se esquivava das investidas de outras mulheres, devotado ao relacionamento com Emily... Retomar o comportamento de solteiro lhe parecia algo estranho, foi assim que se sentiu na noite em que retirou a aliança e saiu, aliás. Mas, ainda assim, a ideia de levar isso em frente antes de prosseguir com a ideia prematura de um divórcio não era de toda irracional.
- Talvez... mas só talvez, você esteja certo, Brian. Ah, cara. Eu me preocupo demais. Comentou o terapeuta, passando a mão pelos cabelos em um gesto displicente.
Brian, então, assumiu um ar de sabedoria que não lhe pertence e, dramaticamente, recitou Bob Marley:
- Escute-me bem, Jensen. In every life we have some trouble, when you worry you make it double. Só aproveite. Não se preocupe, seja feliz. Se der problema, a gente vai dando um jeito.
Campbell virou um pouco seu rosto para o amigo e gradativamente um largo sorriso surgiu em sua face até se transformar em uma gargalhada. Ele riu e Brian logo se juntou a ele. E os dois amigos riram ruidosamente naquela noite, tão adultos e tão jovens ao mesmo tempo.
The key to the next open chapter || Jensen&Leo
— Você pare. — Leo riu, numa tentativa de censurá-lo. Mais uma vez, ela acreditava que toda aquela altura era apenas por aquelas botas plataformas que usava naquele instante; aquelas mesmas que lhe davam um ar mais Domme, como eram chamadas as mulheres praticantes do BDSM como controladoras da relação. Mas que não passavam de acessórios grandiosos e um dos principais xodós da bartender, que tinha sua coleção de saltos e objetos cortantes - que iam desde facas, até pequenos canivetes suíços e punhais de pequeno porte.
Quando Jensen falou sobre as roupas, Leona apenas deu de ombros. Com os olhos atentos, manteve suas órbitas acompanhando os movimentos de Campbell. Sentando-se agora na cama próxima de si, ela prestou atenção no que ele procurava, mesmo que agora estivesse se livrando de suas botas. O barulho do zíper sendo aberto era audível, mas não desviava a curiosidade dos movimentos do outro.
— Hn, eu acho que não. Mas você teria uma cueca sua pra me emprestar? — Perguntou. Normalmente, aquela pergunta seria um bocado estranha. Mas era mais um fato sobre Madison: como guilty pleasure, ela tinha roupas masculinas. Tinha suas próprias cuecas em casa e até um ou outro colete que costumavam ficar folgados em suas costas, mas não importava. — Dá pra usar de shorts. E sobre a blusa… Não, não me importo. Ela ‘tá legal.
Finalmente livrando-se da bota do pé esquerdo, agora Leo ocupou-se em se curvar um pouco mais para desafivelar a outra. Seus olhos voltaram-se completamente para seu afazer ali agora; qualquer movimento descuidado que fizesse por aquela área, pioraria a dor em seu corpo.
Com a mão livre, pegou a peça. Quase que no mesmo instante, o mesmo cheiro que ficara meio impregnado nela da última vez em que se viram na boate, invadiu suas narinas. A forma como aconteceu abruptamente, fez a pele da loira se arrepiar e agora com as bochechas quentes por ter se dado conta disto, deixou a blusa com cuidado ao seu lado, agora gesticulando para sua bota:
— Pode me ajudar com isso?
Jensen gostava bastante da maneira de Leona se vestir. Há quem diria que não faz sentido ele gostar porque não tem nada a ver com sua própria maneira de vestir, seu círculo social, etc, mas era exatamente isso que fazia o homem gostar dela. Enquanto ele procurava a blusa, Leona tirava as grandes botas responsáveis pela maior altura dela naquela ocasião e Jensen procurou não espiar com o canto do olho, tendo de se esforçar para conseguir. A peça era tão sensual e, se não fosse pelo susto inicial do momento, ele provavelmente teria reparado mais nisso. De todo modo, Leo tinha sempre consigo uma sensualidade tão natural e o terapeuta chega a pensar que ela não se dá conta disso.
- Uma cueca? Ele deu uma risada em voz alta. – Uma cueca shorts, claro. Sim, tenho. Respondeu diante da naturalidade com a qual Leo falava daquelas coisas. Ali está: a sensualidade da jovem loira.
Ele foi se aproximando dela e lhe deu a camisa. Estava prestes a anunciar que buscaria uma de suas cuecas para Leona quando ela pediu ajuda para desafivelar a outra bota. O homem teve a leve impressão de vê-la corar, mas... Não, era só impressão. – Claro. Jen se ajoelhou sobre uma das pernas, de frente para Freya, e colocou a perna dela sobre a sua. Com cuidado, começou a desatar os fechos da bota, um a um. A pele branca e singela de Leo abaixo tinha se machucado no incidente e o terapeuta, ao se dar conta disso, franziu o cenho. – Hm, isso aqui não está bonito, Leo. Comentou, puxando uma correia em específico.
Mais uma vez, ver Leona naquele estado frágil lhe deixou preocupado. Ele retirou com cuidado a peça dos pés delicados da loira e contemplou os machucados. – Vou buscar um anti-inflamatório para passar aqui... Colocou o pé dela no chão e se ergueu.
Em seguida, deu as costas para Leo a fim de sair do quarto para buscar tanto o medicamento quanto a cueca que ela pediu.
Uma frase pra hoje,Sr. Campbell.
“If I lose the light of the sun, I will write by candlelight, moonlight, no light. If I lose paper and ink, I will write in blood on forgotten walls. I will write always. I will capture nights all over the world and bring them to you.” ― Henry Rollins
I got my cup of joe | Jensen & Genie
Jensen chegou apressado até a escola de Jaime naquele dia. Eles se atrasaram consideravelmente, demoraram a sair de casa, já que o pai esqueceu de colocar o despertador para tocar e, por isso, acordaram bem mais tarde do que o costume. Ele fez a merendeira de Jaime à sua maneira; frutas, suco, biscoitos e um sanduíche. Sempre gostava que seu pequeno se alimentasse bem. Na época em que Emily estava grávida, Jensen era quem lia os livros que os amigos davam para eles: "Como Garantir a Saúde de Seu Filho - de A a Z", coisas assim. Por mais que ele não seja um pai muito falante e que cobra demais o menino, sobre a importância da alimentação Campbell faz questão de frisar. Não somente por causa dos livros de alimentação, mas talvez seja assim porque o próprio Jensen não teve uma infância lá muito farta e como hoje possui boas condições financeiras, faz questão de dar a Jaime tudo aquilo que não pode ter.
Ao deixar o pequeno loirinho na porta da escola, porém, Jaime não quis se separar do pai. Pulou em seu pescoço e ficou dizendo que não queria ir para aula e que queria trabalhar com o pai naquele dia. Bom, mas o trabalho de Jensen não permite tal coisa e, por isso, desagarrando os bracinhos da criança de seu pescoço, ele explicou ao filho que não poderia levá-lo, mas que depois, quando chegasse em casa, o levaria para tomar sorvete na sorveteria favorita de Jaime. Só assim Jaime cedeu e, com as cuidadoras sorrindo diante da cena, Jensen despediu-se do filho, que entrou dentro da escolinha finalmente.
Apesar de ter dado ao garoto algo para comer, o terapeuta não tinha ingerido nada naquela manhã e seu estômago pedia por um café reforçado. Por sorte, seu primeiro paciente só estava marcado para as 10 horas, então ele teria algum tempo até lá. Poderia parar em uma boa cafeteria e comer alguns donuts com café.
The key to the next open chapter || Jensen&Leo
Quando Jensen retribuiu o gesto, Leo apenas deixou a situação ser conduzida. Diante da fala dele sobre ela finalmente se livrar daquele sangue, ela assentiu e ao que suas mãos foram entrelaçadas, a loira procurou apertar a sua contra a dele, agora acompanhando seus passos mais uma vez. Seus olhos azuis continuavam esquadrinhando o ambiente no qual adentrara e conforme ia dando seus passos, ela tomava cuidado com o que poderia pingar de sua roupa e ir parar no chão ou em um tapete, sujando qualquer uma das duas coisas.
Finalmente chegando ao que ela julgou ser um dos cômodos reservados para as visitas, Madison acompanhou a movimentação de Campbell com os olhos. Quando ele finalmente deixou sua mochila em um canto e voltou sua atenção para si, ela se sentiu melhor. Incrivelmente melhor, na verdade. Todavia, esta sensação a fez censurar seus sentimentos; aquilo significaria que ela estava começando a querer a atenção dele, de um jeito ou de outro? Talvez. Bom, se fosse, aquele já poderia ser considerado um sinal perigoso de que algo que ia muito mais além do que só ficar com seu terapeuta - casado -, estava errado. Fosse lá o que fosse, Leona disse a si mesma, internamente, que não queria se preocupar com aquilo no momento.
— Você provavelmente estaria em um velório daqui umas… Duas ou quatro horas. — Sorriu de canto. Ela era assim; mesmo que o momento fosse terrível, ela estava lá, com seu humor quase tão negro quanto a maquiagem que usava ao redor daqueles olhos azuis. Estes que logo procuraram pelos dele e ao se fixarem nas órbitas azuis, fizeram com que a jovem entendesse que agora que sua vida andava mais corrida e tudo o mais, a presença de alguém que se importava com ela ou que ao menos esquecia um pouco de si para se lembrar dela, fazia mesmo uma grandíssima diferença em seu dia a dia, quando finalmente chegava.
Mesmo que o espaço entre eles tivesse sido aumentado um pouco, Leona fez o mesmo que fez na boate da última vez que se encontraram lá: posicionou-se da forma que podia e abandonou um beijo nos lábios de Campbell. Na verdade, no cantinho deles, já que ela queria que aquele fosse mais um gesto carinhoso do que voluptuosos, como os beijos deles normalmente eram.
— Mas eu estou aqui… — Prosseguiu, agora movendo sua mão direita até as madeixas do rapaz, bagunçando-as, ao mesmo tempo em que fazia uma espécie de carinho também. Ergueu seus olhos para acompanhar o que fazia, e depois de alguns segundos com os lábios entreabertos, sorriu, continuando sua frase: — Com o cabelo vermelho e sem outras roupas pra vestir. Quase ficando do seu tamanho também, mas isso é relevante. — Brincou. Na realidade, ela tinha um shorts - micro, como o daquele instante - e meias soquetes e sete oitavos em sua mochila. Estas com as quais não estava em seu corpo naquele instante, o que fazia com que parte das tatuagens que ela possuía pela extensão inferior de seu corpo, ficassem visíveis.
Jensen ficou um pouco mais sério diante daquele comentário de mal gosto de Leona. Não queria imaginar a loira naquela situação nem de brincadeira. Todavia, ela veio selar seus lábios e o descontentamento se esvaiu tão rapidamente quanto chegou. Por fim, ele sorriu diante dos comentários de Leo. - Reparei nisso. Você está grandinha... Nem precisa mais se esforçar na ponta dos pés. Comentou, uma vez que já reparou em seus poucos encontros que Leona vez ou outra precisava se esticar para alcançar seus lábios quando se beijavam.
- A parte da roupa não será problema. Neste armário há algumas peças que você pode escolher. Ou melhor, não. Eu que vou escolher uma para você, porque já sei qual quero te dar... Só um minuto. Afastando-se dela com um meio sorriso causado pela ideia que teve, ele abriu uma das gavetas na qual sabia que estavam algumas camisetas antigas suas e aquela específica que procurava. Logo no topo do compartimento, achou-a: era a blusa do Yellow Submarine que ele usou no dia da festa da espuma na Lollipop; ela havia sido manchada pela tinta que caía no local, não havendo mais muitas maneiras de vesti-la, por isso o terapeuta havia colocado a peça junto com as outras que ficavam naquele guarda-roupas, ou seja, de roupas que não utilizaria mais. Ele até pensou em jogar a peça fora de uma vez, mas por algum motivo misterioso não conseguiu descartá-la. - Precisa de calças? Aliás, se importa que a camiseta esteja manchada?
Ele entregou a peça para Leona, franzindo um pouco o nariz ao fazer a última pergunta. Na realidade, as manchas em tons fluorescentes criaram um efeito um tanto curioso na peça de roupa; não estava feia, se você olhasse com um certo olhar criativo.
If I love you more, will you suffer less?
Elie Wiesel, quoting his five-year-old grandson at Boston University lecture series (via anditslove)
♔ GoT cast
The key to the next open chapter || Jensen&Leo
Quando percebeu a reação de Jensen por parte de seu comentário, Leo respirou fundo mais uma vez. Sentia-se culpada e nada mudaria o que trazia dentro de si naquele momento; ela já não acreditava valer muita coisa. E agora… Sentia o que restava de seu dito valor, esvaindo-se com o ocorrido. Com que cara ficaria se Matt tivesse morrido? Como aquilo poderia ter acontecido com ele e não com ela, que era quem justamente mais deveria deixar aquilo que os espíritas chamavam de “plano terrestre"? Por Deus, ela jamais seria capaz de entender a lógica de uma suposta entidade Superior, quando parecia que Esta mesma agia como se quisesse injustiçar e revoltar seus protegidos.
— Parece meu professor falando. — Sorriu de canto, com um risinho nasal rápido. Assim que sentiu a mão de Campbell se afastado, a loira tornou a se ajeitar sobre o banco, voltando com a testa para o vidro consideravelmente gelado. Agora cantarolava músicas quaisquer, de teor bem sem nexo ou depressivo. Era bem aquela coisa de: quando se está animado, ouve-se músicas alegres. Quando se está triste, as mais “fundo do poço", possíveis. E quando se encontrava num meio termo… No caso de Madison, ela preferia as da segunda opção também, já que acreditava se sentir melhor quando chorava tudo que tinha que chorar, dizia tudo que sentia a necessidade de dizer, entre tantas outras coisas. Ela sempre fora adepta do movimento de explanar tudo antes que, como já ocorreu antes, seus sentimentos virassem uma bagunça completa e ela demorasse para ajeitá-los em seus devidos lugares.
Como aquela briga com seu avô. Mesmo que ela e o Sr. Dahmer nunca mais tivessem tocado no assunto, alguns hábitos foram mudados: Leona pedira a chave de sua casa, da qual o homem tinha a cópia e dissera que ele poderia aparecer lá - de preferência - só quando ela chegasse. Havia também o fato dela ter parado de perguntar aonde ele iria, assim como ele não pedia mais satisfações sobre quem ela trazia pra casa ou deixava de fazer. Trocavam também poucas palavras e vez ou outra, convidavam-se para jantar em suas respectivas casas. Agora Leona pagava seu aluguel inteiro e ia pessoalmente fazer compras. Em outras palavras… Distanciara-se do único parente atual que um dia esteve próximo de ser uma figura familiar para ela.
Quando finalmente chegaram ao seu destino, Leo manteve seus olhos meio entediados, na residência de Jensen. Era bonita e com um ar bem cuidado com o qual ela não estava acostumada. Empregadas, certamente. Ainda no encalço de Jen, ela quase perguntou se ele estava certo de que a queria ali. O que Emily faria se soubesse? Como reagiria? Mesmo que Jensen dissesse que ela parecia bastante indiferente com a maioria das coisas, ela certamente não deixaria uma suposta traição passar abatida, deixaria?
Bom, se nem sua mãe que fora uma mulher submissa, admitira de seu pai, que dirá uma que parecia ter uma personalidade tão forte quanto a que Leo imaginava que a Sra. Campbell possuía.
Adentrando o ambiente interno do lugar, Leo murmurou um “com licença" e então manteve seus olhos fixos na mochila que Jensen ainda carregava. Agora seus pensamentos se tratavam do que aconteceria ao chão da casa se o sangue decidisse pingar por ali. Na verdade, ele estava praticamente seco na roupa de Madison. Na camisa que ela trocara com Matt também, principalmente.
— Hmm… Não, obrigada. — Respondeu de pronto. Acrescentaria “café ou refrigerante vai acabar por anular o efeito dos remédios", mas não o fez. Além do quê, tinha água em sua bolsa e talvez Jensen se lembrasse disso. Tudo que ela queria, enfim, se possível, era tomar um banho, vestir roupas menos avermelhadas e passar um tempo com Campbell. Não longo demais, já que ela esperava, primeiramente, alcançar o horário de sua aula na faculdade e, principalmente, não deixar as coisas saírem fora de seu controle como quase saíram da última vez. Uma coisa era ficar com o homem fora da casa dele, num momento de fragilidade. Outra era certamente se atracar com ele em um sofá, cama ou até mesmo mesa da cozinha, que pudesse ter usado com sua atual esposa.
Procurando ir ao encalço dele mais uma vez, Leo acabou deixando que seus olhos azuis esquadrinhassem os porta-retratos. Bateu os olhos naquela figura que julgava ser o filho de Jensen e sorriu. Sorriu de forma até que grandinha, completamente inconsciente. Todavia, aquele sorriso diminuiu conforme corria os olhos pelas fotos. Topando com uma vistosa mulher ruiva e de feições sérias, a forma como algo dentro de si pareceu corroer seus órgãos vitais, fez com que Freya sentisse, quase que imediatamente, que aquela era a tal Emily. E foi naquele momento que sentiu-se reduzida a sua maior insignificância. Aquela mulher era linda. O que Campbell poderia achar de interessante nela própria, Leona, a Freya com quem ele costumava falar normalmente em outras sessões? A magrela com os olhos escuros e quase sempre, um humor meio duvidoso? Uma depressão que faltava emanar de seu corpo, se já não o fazia?
Encolhendo os ombros, afastou-se dos retratos. E agora próxima do mais velho novamente, apenas envolveu o tronco dele com os braços, só que escondendo seu rosto na linha das costas dele. Sentiu suas bochechas tornando-se quente conforme o seguinte escapava de seus lábios:
— E… Obrigado. Por tudo.
Ela referia-se exatamente a tudo. Desde as sessões que tiveram algum tempo atrás - que surtiam efeito na personalidade que um dia já fora muito mais apática da jovem -, até a forma como ele vinha fazendo tudo e mais um pouco por ela. Leo sabia que ele poderia estar fazendo aquilo com ela e mais várias mulheres, mas para o diabo todos estes pensamentos e hipóteses. Além de Jensen não aparentar ser assim - como ela também gostava de acreditar nisto -, ela decidiu que já era hora de abandonar um pouco o péssimo olhar que tinha sobre o sexo masculino. Desde que Jensen pudesse cuidar dela, assim como ela pudesse cuidar dele, estava ótimo. Leona havia se cansado de ser a misantropa introvertida que fora por quase vinte anos.
Jensen estava perto das fotos de sua casa e, de certa forma, olhar para elas trazia certa angústia. O homem não se orgulhava de suas mais recentes atitudes, muito menos de seus desejos e pensamentos, mas sabia que as circunstâncias cooperaram para que sua vida desandasse da forma como desandou. A Emily de hoje não é mais a mesma daquelas fotos... Assim como o Jensen de hoje não é mais o mesmo homem. Era inevitável que isso acontecesse, certo? Hm. Ele não esperava aquela atitude de Freya quando ela aconteceu. Seus braços envolvendo-o, bem como aquele agradecimento inesperado. Naqueles momentos ela parecia somente uma garota aos olhos dele. Mas era sua garota. Não tinha como mais tirar Leona de sua vida. Aliás, se aquela estante de fotos fosse um mural da vida de Jensen, deveria haver ali uma foto de Leona Freya também; seus longos cabelos claros, seus olhos tão azuis quanto o céu, sua pele translúcida... A garota que chegou em sua vida de forma tão impetuosa e repentina, mas que se tornou parte essencial. Ele deu as costas para as fotos e girou o corpo; com firmeza, envolveu Leo em um abraço, reparando sem muito enfoque que daquela vez ela estava mais alta, de fato e, principalmente, ignorando todo o bom senso e, alguns diriam, a ética. O simbolismo de dar as costas à sua família para se atentar para Leona era explícito e provavelmente o homem se arrependeria disso mais tarde, mas aquele era Jensen: a necessidade de cuidar de Leo naquele momento de fragilidade era muito maior do que qualquer coisa que pudesse ficar no caminho. Ergueu o rosto dela com uma de suas mãos para que pudesse olhar nos olhos que tanto adorava. - Vamos tirar esse sangue de você, ok? Foi tudo o que disse, optando por acolher o agradecimento da loira sem aquelas palavras vazias que as pessoas costumam dizer: "não tem de quê", "não precisa agradecer", dentre outras. Jensen queria vê-la livre do sangue, de fato... Queria vê-la limpa novamente. Entrelaçou seus dedos nos de Leona e a puxou, guiando o caminho para dentro da sua casa. A residência dos Campbell era consideravelmente grande, com quatro quartos, sendo dois de hóspedes. Foi para um deles que Jensen levou Leona; a primeira porta do grande corredor de piso de mármore escuro. Havia no quarto uma cama de casal - sobre a qual ele deixou a mochila de Leo -, um grande guarda-roupas equipado com roupas de cama, toalhas e antigas roupas do casal. Estas últimas estavam organizadas em caixas para serem levadas à paróquia mais próxima a fim de serem doadas; era incumbência de Emily. Todavia, sempre ocupada e atarefada, a ruiva deixava sempre para o dia seguinte e seguinte e seguinte... Assim não era o relacionamento deles também? Sempre deixando a decisão de melhora para amanhã, mas no fim de cada dia, todos os entulhos conjugais ainda estão lá, ocupando espaço e separando-os cada vez mais. Jensen soltou a mão de Leo, mas continuou próximo a ela. Estava contente por ver que Leona estava bem... Aliviado. Ele passou a mão pela franja da jovem, tirando-a do rosto dela. - Não sei o que eu faria se algo tivesse acontecido com você. A declaração saiu tão natural de seus lábios como um comentário sobre o tempo ou algo de natureza similar. Ele viu os pequenos desenhos na íris da loira e os acompanhou com um carinho em seu próprio olhar.