Finalizou de espalhar o protetor solar no corpo de Jiwon, tentando tomar o máximo de cuidado, pois conhecia o quão sensível a pele dele era. Tentou não concentrar-se de maneira excessiva nos músculos e traços alheios, não apenas para afastar aquela sensação estranha de já ter visto e sentido aquilo tudo antes, mas também porque lhe parecia bizarro pensar em seu amigo daquela forma.— Como assim?— perguntou, fingindo indignação, enquanto levantava-se, limpando o resto do creme em sua própria pele.— Você não pode me deixar morrer, eu tenho família pra cuidar.— brincou, embora fosse a verdade.— Tsc, tsc, e eu aqui, prestes a depositar minha confiança em você.— balançou a cabeça em um sinal negativo, continuando sua encenação.— É claro que não é.— revirou os olhos enquanto se aproximavam da mesa com diversas bebidas.— Ah, eu não faria?— perguntou, debochado, erguendo uma de suas sobrancelhas, o desafiando silenciosamente.— Experimenta exagerar nisso daí, pra ver se eu não te jogo no colo de uma dessas malucas.— deveria soar como uma ameaça, mas Yihan acabou tendo de rir da expressão de Jiwon, relaxando contra o toque dele em sua cintura. Entretanto, assustou-se ao escutar o barulho do vidro se partindo, encarando-o, surpreso.— Devem ter batizado demais…— murmurou.— Espera, Jiwon, não…!— Yihan já conseguiu pressentir o acidente antes mesmo dele ter acontecido (os anos tendo de cuidar de uma criança com certeza lhe deram tal instinto paternal). Iria avisar para que ele não se ajoelhasse: era a receita perfeita para que ele acabasse se machucando. Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa ou puxá-lo para longe, escutou a expressão de dor. Um gemido, na verdade, que deixou-o congelado em seu lugar por alguns instantes, um arrepio percorrendo sua espinha. Yihan era virgem, então onde é que ele havia ouvido um gemido assim? Mesmo ao ver o ferimento de Jiwon, apenas conseguiu encará-lo por breves segundos, antes de puxá-lo para longe dos cacos. Aquilo não poderia ser um simples déjà vu, afinal. Mas, então, o que era?— Espera, Jiwon, deixa eu limpar esse machucado…— encarou em torno daquela bagunça que havia se tornado a festa, procurando por qualquer coisa que pudesse lhe ajudar a fazer um curativo. Encontrou alguns panos, que tomou para si, antes de levá-lo até o banheiro, colocando a mão dele debaixo da água corrente.— Por que se abaixou? Você sabia que ia se machucar…— murmurou, voz fraca, ainda perdido em pensamentos confusos. Tomou a mão dele entre as suas, enrolando o ferimento aberto em um dos panos finos que havia encontrado, pressionando de modo a estancar o sangramento.— Isso vai parar o sangue. Está doendo muito?— perguntou, apenas ali passando a encará-lo, outro arrepio lhe acometendo ao encontrar os olhos dele.
✰ Não sabia bem como a festa agitada da universidade havia se tornado uma cena do apocalipse, mas sabia que o machucado em sua mão doía o bastante para fazê-lo perder toda a vontade de se embebedar com aqueles drinks. Apenas assentiu com um bico nos lábios quando o amigo lhe perguntou sobre o motivo de ter se abaixado, querendo ter de fato uma resposta que justificasse a atitude nada inteligente que havia tomado. Jiwon nunca foi de pensar muito no que fazia, mesmo. Se deixou ser levado até o banheiro e encostou sobre a pia. “Ouch, não faz isso!” gemeu mais uma vez ao sentir a água tocando seu machucado, fechando seus olhos em expressão de pura dor. Jiwon sempre teve a pele sensível por causa de sua condição, então pequenos machucados como aquele doíam como o inferno para o garoto. “Você é um anjo” agradeceu assim que sentiu as mãos do garoto sobre a sua, mas ainda assim incomodado com o machucado, todo o sangue e a forma que ele o pressionava e fazia com que este ficasse exposto nos panos. “Você sabe que sim, não lido bem com dor. Ouch, estraguei sua festa?” mordeu os lábios, apreensivo com a resposta. Tudo o que menos queria era transformar a noite do amigo em puro caos, quando só estava ali com a intenção de fazer o contrário. Não soltou a mão do garoto, afinal, não estava pronto para sentir a dor que faria se a soltasse de uma vez, e bom, estava confortável o suficiente daquela forma. Suspirou pesadamente, fechando os olhos e logo deixando um sorriso se formar aos seus lábios ao pensar no que diria em seguida. “De todos os lugares legais para se passar a festa, estamos no banheiro.” riu, olhando em volta e levando a mão sem machucados até o cabelo de Yihan rapidamente, apenas para arrumar alguns fios que estavam jogados sobre o seu rosto, provavelmente provenientes da situação confusa que haviam acabado de enfrentar. “Não que seja ruim ficar em um banheiro com você” continuou, aproximando mais seu próprio corpo do garoto e encostando a própria testa em seu ombro, como se precisasse de conforto por tudo aquilo, por mais que fosse apenas um pequeno machucado. “Ah, dói tanto.” murmurou, com a voz abafada por conta de sua posição no momento.