punchlin:
alexis sorria daquelas piadas , mesmo as que não deveriam ser engraçadas . ─ oh , e eu gostaria de tequila com ácido sulfúrico ! não , não é para mim … ─ o imitou , falando com um atendente invisível do outro lado do balcão . ─ o quão engraçado deve ser , derreter o rosto de alguém com ácido … ─ pensava genuinamente que sentiria prazer ao realizar tal barbaridade , não que um dia o fizesse , era só brincadeira . assentiu satisfeita quando o outro compreendeu a proposta . ─ literalmente ‘ de cobaia ’ já que eu sou péssima com isso . ─ havia se interessado mais graças a nico , por isso carregava algumas na mochila , mas não chegava nem aos pés da amiga .
entretanto ela não era tão ruim com desenhos e pensava em algo mais artístico , até caricato , ao invés de glamoroso ou sofisticado . ─ não é a maquiagem que te torna um rei , são os seus atos e as suas ideias . ─ respondeu , usando o pó branco primeiro . ─ a maquiagem só acrescenta na personalidade , todos amam um bom personagem . ─ a lenda já estava começando a existir , muito antes de alexis chegar , ela acreditava . mas com a sua ajuda e a visibilidade que estava conseguindo na dark web desde que começara a publicar podcasts sobre o submundo de new york , logo todos saberiam e adorariam a jerome e ela seria a sua seguidora mais fiel .
depois de cobrir o seu rosto , delineou os olhos com a tinta azul , desenhando um losango , e então preencheu toda a extremidade com a cor . lembrava um pouco a imagem na entrada do circo , mas com um toque macabro , não seria um palhaço que faria sorrir , ao menos não por vontade própria . a coloração vermelha usou nas sobrancelhas , apenas para destacar os pelos ruivos do rapaz . com um pincel fez um circulo na pontinha do nariz e então contornou a sua boca , achava que o sorriso era o que destacava o rosto de jerome do da maioria das pessoas , talvez o seu melhor atributo . ─ o sorriso deveria ser a sua marca . ─ comentou , dando os últimos retoques antes de deixá-lo ver . ─ acho que acabei , eu espero que você goste .
Franziu o cenho quando ela pediu ácido sulfúrico. Nem ele era tão maluco. Mas entendeu quando ela disse que não era para ela. É claro que não era. As ideias dela não eram ruins. Os olhos de Jerome ficaram presos nos dela enquanto sua mente viajava na cena que ele criara na cabeça. ❝O quão engraçado deve ser...❞ ele ecoou a fala dela, um sorriso abrindo em seus lábios.
Sentiu os pincéis acariciando seu rosto, e espirrou na metade, deixando ela continuar em seguida. ❝Um personagem, você disse❞ assentiu, concordando. Ela tinha razão. Precisava de um personagem. Todas as pessoas que ele não gostava tinham um personagem. Sabia que o Batman não era o Batman a todo o momento. Tinha um momento em que ele tirava aquela maldita máscara e colocava no cabide a maldita capa. E virava só... O Luke. Ou Michael. Ou Taylor. Ou Andrew. Ou sejá lá qual fosse o nome em que o Cavaleiro das Trevas nascera. ❝Eu preciso de um nome❞ soltou a ideia, enquanto deixava ela terminar a maquiagem.
Virou-se quando ela anunciou que havia terminado, e fitou o espelho. Era engraçado. Engraçado porque nada no rosto dele parecia estar no lugar, mas ao mesmo tempo parecia se encaixar tão bem. Com ele, com aquele lugar, com o caos que era Gotham. Era exatamente o contrário do salvador de Gotham, o Homem Morcego. Era colorido, engraçado, e sorridente. Jerome traria cor a cidade, um dia desses.
Um suspiro saiu de seus lábios, voltando a ficar de pé. ❝Acho que você conseguiu, Alexis❞ ele disse, e isso era muita coisa, já que ele não era de agradecer ou fazer elogios. Começou a andar pelo local, chutou um baú, chutou outro, e finalmente o terceiro se mostrou destrancado. Jerome então abriu-o, futucando nas roupas a muito esquecidas. Chacoalhou um terno roxo, soltando uma risada baixa e deixando o sorriso nos lábios em seguida. ❝Isso vai me deixar mais engraçado, não acha? As pessoas vão morrer de rir❞ ele disse, e ahhh, como ele queria que todos entendessem que ele estava falando de modo literal ali. Vestiu aquela peça roxa que era um ou dois numeros maiores do que o dele, mas que não o incomodou nem um pouco. Fitou o espelho, e decidiu que aquele era um ótimo começo. A única coisa que ele não tinha, era um nome. ❝Um nome não é o que você é❞ ele divagava sozinho em sua cabeça, mas tinha plena consciência que Alexis estava lá, ouvindo, e isso o estimulava ainda mais com o discurso. ❝Um nome é o que as pessoas esperam que você seja. Um bebê não sabe nem as cores, quando é lhe dado um nome. E os pais escolhem por meses, um nome para representar uma pessoa que eles nem conhecem. Eles projetam seus desejos ali, naquele nome❞ ele não sorria enquanto falava, mas logo o sorriso foi aparecendo novamente, porque ele tinha uma ideia. ❝Eu quero um nome que tenha um significado diferente para cada um que o fale. Para você❞ ele se virou para ela, aumentando a sua consciência em relação a presenla dela na sala ❝Preciso ser a carta a ser seguida. A carta que vale mais. Para os meus inimigos, eu preciso ser a carta a ser temida, quando na mão de outra pessoa. Para os meus aliados, a carta a ser segurada como um segredo, para ser usada na tacada final. E para as pessoas que não me conhecem, preciso ser a carta que vale menos. Precisam me subestimar, porque aí fica bem mais fácil cortar a garganta delas enquanto dormem. Só tem uma carta no baralho que pode ser tudo isso, ao mesmo tempo❞ e seus olhos desviaram para uma das paredes da nova locação. Ali era a entrada da sala dos espelhos, um labirinto sem fim. A sua porta brilhava e reluzia, enorme, na forma da carta que Jerome referenciava: ❝O Coringa❞















