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@jovemgalego
CARTA ABERTA
Exposição não é comigo. Mas sem pensar muito decide deixar aqui minha própria experiência com a ansiedade no intuito de que você que estar lendo, procure ter mais empatia com quem estar do seu lado.
Mesmo reconhecendo e sabendo de todos os gatilhos, certas situações são incontroláveis. Nos faz tomar atitudes e fazer coisas das quais nem nós mesmo somos capazes de nos reconhecer.
Pensamento distorcidos e de baixa energia tomam conta da nossa cabeça, e a ausência de alguém do lado que tenha empatia e saiba lidar se torna indispensável.
As vezes só precisamos de um acolhimento, uma palavra pra tudo não sair do controle. Não é bobagem, não é charme, dói de verdade. Dói por dentro, dói na alma.
Graças a Deus ele me deu um filho carinhoso, amoroso e que lembrar do sorriso dele se torna combustível para seguir bem, seguir forte e nos livrar de qualquer armadilha da vida.
Tudo vai ficar bem.
Rafhael, 24/02/2022
TW: ANSIEDADE / DEPRESSÃO
Essa carta é destinada à todos que um dia prometi que ficaria bem.
Talvez em uma tarde ensolarada de domingo vocês olhem pro parque onde as crianças brincam e os idosos caminham e não vejam saída ou expectativa e então lembrem-se de mim. Talvez mais tarde no mesmo dia vocês sintam seu peito queimar, um desejo imenso de desaparecer, por milhares de motivos e ao mesmo tempo, sem conseguir justificar sua angústia. Foi assim que começou pra mim também, eu também debochei da depressão um dia e tive a coragem de dizer pra minha amiga que ela estava sendo ridícula por chorar por um macho, até o dia que ela se cortou na tentativa de se matar e eu entendi que aquele sangue todo no chão não era sobre um ex, era sobre se sentir insuficiente, dispensável. É como se ninguém pudesse te ver ou ouvir, mesmo que você grite no meio de uma multidão, entendem? Provavelmente não. Não até se sentirem assim ou pelo menos farejarem a morte como eu farejo tantas vezes durante todos os dias dos últimos dois anos da minha vida.
Meu começo foi como o de quase todo mundo, primeiro, insegurança. Meu namorado me dizia que eu era a melhor e mais linda mulher do mundo e aquilo parecia uma ironia dele, como se quisesse brincar com meus sentimentos confusos. Depois, a ansiedade, a parte em que as coisas começam a ficar sérias de verdade. Um tremor aqui, um suador ali, tristeza injustificada num dia aleatório em que tudo está bem, enjoo e vômitos que os médicos não conseguem explicar e seus amigos dizem que é tudo da sua cabeça, até seu primeiro desmaio. “A primeira vez a gente nunca esquece”, realmente. Lembro de estar no banheiro do trabalho, com dores fortes na cabeça e suor incontrolável, no momento seguinte, me vi sendo furada no hospital, no fundo a enfermeira dizia “ela está reagindo!” “tenha calma, menina!” como se fosse algo que eu pudesse controlar. Por fim, veio a depressão. Ela começa com um gosto doce, discreta, tira seu sono ou te deixa muito cansado, você quer sair de casa mas não tem força pra levantar da cama, as pessoas, por mais próximas que estejam, sempre parece que não é suficiente. Porque na verdade, nada é. Você se sente abandonado, deprimido, inútil. Seus sorrisos passam a ser mais raros ou forçados, conforme o tempo passa, sua esperança de ficar melhor vai indo embora. Eu nunca havia cogitado desaparecer, nunca desejei morrer até um ano atrás. Ouvia essas histórias de suicidas e pensava no absurdo que era, na tristeza que deviam sentir por chegarem ao ponto de cogitar deixar de existir, mas querem saber? Um dia você entende. E se esse dia chegou pra você, amigo, te aconselho a procurar ajuda e principalmente, começar a se ajudar, porque você está quase tão fundo quanto eu. Pra mim, começou com um questionamento: “qual a minha utilidade?” “o que seria do mundo sem mim?” “qual diferença eu faço aqui, se ninguém se importa de verdade?” e o problema é que se você não compartilha essas perguntas com outras pessoas, ninguém vem do nada te dizer que você é especial e importante, então você começa a acreditar mais ainda que não é, que não vai fazer falta.
No trabalho eu até conseguia me sentir bem, de certa forma, fingir que eu era outra pessoa por lá e ver as pessoas acreditando nisso me fazia bem. Era bom ter pessoas por perto que não sabiam do meu desejo de morrer, que não me olhavam com piedade, que não tentavam o tempo todo me fazer lembrar o quanto viver é bom ou me empurrar uma religião goela abaixo.
Fato é que em uma quarta fria, depois do serviço, entrei em crise e não conseguia sair. Escureceu, chegou a madrugada e eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser sumir. Sabe quando parece que a alma grita querendo sair? Quando você se vê sem outra saída? Quando parece que nada mais pode melhorar ou sequer sair do lugar? Só queria por fim nisso. Só pensava em deixar minha família em paz, não preocupá-los mais. Meu namorado bateu na porta do banheiro, questionou como eu estava, tentei mentir mas minha voz não o enganava. Ele quase quebrou a porta, porque não queria deixá-lo entrar e me ver daquela forma, não de novo. Pensei em pegar aquela lâmina que tinha escondido no bolso e acabar com tudo aquilo, mas seria tanto sangue, ele não merecia ter que limpar os restos de mim, não poderia ir embora dando ainda mais trabalho pro amor da minha vida, a única pessoa que realmente permaneceu durante todo o caos sem medo, sem se assustar. Eu sei o quanto ele queria me ajudar, mas como? Não haviam forças pra tentar, não havia desejo de vencer da minha parte. Eu só queria desistir. Abri a porta e deixei ele ver meu estado, quem sabe aquilo fizesse ele parar de gritar ou entender finalmente a seriedade da coisa, que não era questão de “me acalmar”.
Para a minha surpresa, ele não gritou dessa vez, na verdade, não disse nada. Ele apenas me encarou, seus olhos pareciam decepcionados, como se tivesse perdido a esperança em mim e entendo essa sensação perfeitamente. Lentamente, ele se aproximou de mim e segurou minha mão, fixou seus olhos dentro dos meus. No meio daquele caos todo, vi seu desespero, não haviam palavras que descrevessem o que sentíamos naquele momento. Seus olhos encheram-se de lágrimas, ainda em silêncio, ele me abraçou forte e antes de me soltar, disse baixinho: “Não vou desistir e nem te deixar desistir. Se você escolher ir embora, também vou”. Sei que isso não é exatamente o que uma pessoa com depressão e sérios problemas de ansiedade precisa ouvir, na verdade, em qualquer outra situação, esse seria meu melhor gatilho pra fazer merda e me afundar mais ainda, ter alguém dependendo de mim. Logo eu! Mas não. Dessa vez foi diferente. Consegui respirar devagar e fazer meu coração desacelerar, sequei as lágrimas e tomei um banho, eu poderia estar na pior situação, no buraco mais fundo da face da terra, mas eu faria qualquer coisa pra não deixá-lo afundar comigo.
Na semana seguinte, ele me encorajou a ir na psiquiatra, que me receitou remédios fortíssimos que me deixavam mais drogada que qualquer outra coisa. Isso não me protegia, apenas me “anestesiava”. Eu meio que não entendia o que estava acontecendo ao meu redor, parecia que estava o tempo todo dormindo e sonhando com problemas reais aos quais eu podia interagir, quem me dera se fosse. Depois de três meses tomando o remédio e ter minhas crises diminuídas consideravelmente, começamos a cogitar cortá-los, pois aquelas drogas pareciam me adoecer mais que a própria depressão. Por incrível que pareça, ficar drogado 24h por dia, durante todos os dias pode não ser tão divertido assim.
Assim que parei com os remédios, dei inicio ao tratamento com a psicóloga, que em questão de meses me ensinou a lidar com a ansiedade e “não dar espaço” pra depressão. Às vezes ela ainda vem e me abraça com força, não me dando muitas opções a não ser me entregar. Noutras, apesar da vida caminhando e do relacionamento finalmente se estabilizando, desejava ser atropelada ou que alguma coisa simplesmente me levasse embora daqui. A sensação que tenho no fundo do meu peito quando falo sobre isso até hoje é que nunca vou estar totalmente liberta dessa agonia, mas entendi que não preciso me entregar com tanta facilidade. A luta é difícil, diária, pesada, às vezes cansativa, às vezes eu perco contra mim mesma, meus próprios pensamentos que são tão destrutivos.
O que me tirou das profundezas do inferno e me fez voltar foi quando a pessoa que mais amei em toda a minha vida se ajoelhou em minha frente e me pediu pra passar o resto dos meus dias ao seu lado. Eu não tive outra escolha, não cogitaria jamais algo diferente, disse sim de primeira ao seu pedido de casamento, mas com isso, vinha um compromisso muito maior: não desistir da nossa vida, da fase que estava se iniciando, era como uma vida nova, onde eu poderia ser o que quisesse e teria alguém de verdade do meu lado, apesar de qualquer erro ou deslize que eu cometesse. Joe então me fez uma proposta irrecusável: ir morar fora daqui, bem longe, em outro país. Ambos recomeçaríamos, vida nova e apesar da insegurança, do medo do novo, teríamos sempre um ao outro. E o que eu poderia fazer além de me jogar? A única esperança que tive desde o começo daquele sofrimento foi o Joe. Desde o começo, ele foi a única pessoa que realmente batalhou junto comigo, acreditou na minha força quando achei que ela nem existia mais. Ele merecia aquilo e eu também.
Hoje, pouco tempo depois de ter me instalado na nossa segunda casa alugada aqui, vejo que há esperança. Até para mim. Têm dias que parece que ela morreu. É como uma vela acesa, vocês conseguem entender? Às vezes venta demais e ela quase que se apaga, mas basta uma faísca para que se reacenda. O Joe é essa faísca. Ele não deixa que essa vela que tem dentro de mim, quase que no final, se apague. Às vezes ele me faz acreditar que a minha fé nunca morreu, ele sempre diz que ela apenas se esconde quando sinto medo e que preciso encontrá-la. Mesmo achando isso tudo ridículo, acreditam que nos momentos de dificuldade eu me pego procurando por algo aqui dentro?
Essa carta é destinada à todos vocês que um dia prometi que ficaria bem, mãe, pai, vovó, primos, amigos, essa carta é pra dizer à vocês que apesar da ausência, dos sustos, eu finalmente posso dizer que estou conseguindo. Estou vivendo, sabe? Ou pelo menos, tentando. Não posso dizer que vai durar pra sempre, talvez dure uma semana, um ano, mas nesse momento, o momento em que lhes escrevo, posso lhes garantir que estou viva. Sinto meu sangue correr pelas minhas veias, vontade de me levantar pra ir trabalhar, ir ao mercado, fazer amor. Hoje eu me olho no espelho e consigo enxergar um pouco do que vocês diziam sobre mim, acho que consegui me reencontrar no meio de tantos pensamentos ruins, porque realmente estava completamente perdida ali no meio. Sou grata por cada vez que tentaram, por todas as vezes que me pediram, imploraram para não desistir. Agradeço a cada um de vocês por terem mantido sua fé em mim mesmo quando não mereci, apesar dos pesares, por todas as vezes que sorriram enquanto eu era grossa e reclamava das suas tentativas de me alegrar. Hoje entendo seu esforço, sua agonia, não teria conseguido me reerguer sem sua ajuda. Tudo tem seu tempo, sua forma, seu motivo e agora entendo isso. Respeito muito a forma que mesmo sem entender, vocês tentaram de verdade me ajudar, por mais que muitas das vezes isso me machucasse mais do que ajudava. No começo desta carta eu disse que talvez alguns de vocês só entendessem isso se um dia passassem por algo parecido, como foi meu caso, mas nunca desejaria à vocês um castigo tão ruim como o que tive. Eu apenas lhes desejo empatia, em primeiro lugar, para que saibam lidar com uma situação delicada como a que vivi, para que saibam conviver e entender seus filhos, namoradas, amigos, para que possam protegê-los e ver que ninguém está imune à isso, nem mesmo a pessoa mais religiosa ou feliz do mundo. O dinheiro também nunca conseguiu fazer com que meu desejo de morrer sumisse, então definitivamente, só o amor pode curar e em alguns casos, nem mesmo ele.
A indiferença começa quando a gente sente que não é ouvido. Apenas escutado.
Quando pouco importa se estamos bem ou mal, satisfeito ou insatisfeito, "vai passar"
Só se é absorvido o que é conveniente e confortável aos ouvidos
Quando nos damos conta disso, começa a existir uma divisão de caminhos. "Cada um na sua caminhada, praticamente solto" dois mundos.
Permaneço frio quase o tempo inteiro. Não tá me fazendo bem viver assim.
"Você não entende, não é minha culpa. Falo mais ninguém me escuta."
Engolir sentimentos, geram novos sentimentos. E bem sempre tão bons.
Eu não sei exatamente o porque, nem se sou eu em particular, mas geralmente os últimos dias do ano são sempre muito reflexivos e esse ano, até pensei que seria diferente, mas não. Tarda mas não falha. Não compreendo se é algo relacionado algum tralma, cresça, se tem haver com signo, se tem correlação com meu aniversário, mas o fato é que meche muito comigo. Costumo olhar meu arquivo pessoa de fotos, me dá vontade escrever, enfim, é sempre um período que me deixam com os nervos a flor da pele. Sensível, emotivo, as vezes angustiado, nervoso, tento encontrar resposta para perguntas das quais nem eu sei direito.
Faltam pouco menos de 72h para a concretização da minha passagem de ciclo pessoa. Isso porque dia 02/01 é quando completo ano, então significa ainda mais do que a virada da ano.
Nesse momento, as duas pessoas que mais amo, estão longe de mim, e uma delas ironicamente tá do meu lado. "Mas distância amigo, não são vários km quadrados. Quantas vezes você já não se viu distante mesmo estando do lado?!"
A sensibilidade me faz querer abraços, beijos, a necessidade de se sentir acolhido, amado e estou nessa a três dias. As melhores coisas durante esses dias, inclusive hoje, foi acordar com meu filho. Ouvir seu "bom dia papai" tê-lo do lado, abraça-lo. Mas nem tudo é perfeito, né verdade?! As piores coisas vinheram na mesma proporção, foi não ter o afago da minha esposa na hora de dormir, aliás, em hora nenhuma, ter que lidar com seu stress, com sua falta de tempo, com seu cansaço, com sua falta de humor. E isso tudo quando você mais necessita.
Comecei a pensar sobre a possibilidade que: ou estou no lugar errado ou meu grande aprendizado ainda está por vim.
Talvez seja o universo querendo me mostrar que eu ainda sou (apesar dos 30), muito jovem e imaturo na arte do amor. Amor próprio. Incapaz de me colocar em primeiro lugar, incapaz de agir com egoísmo e me priorizar nas decisões que refletem nos que me rodeiam, incapaz de dizer um não, incapaz de ter orgulho. O amor é sem dúvida meu ponto fraco. Eu amo demais, pior, eu demonstro demais. E não é só em palavras românticas e clichê não. Eu tenho a capacidade de poucos, amar nos detalhes. Dizer que amo sem ao menos abrir a boca ou piscar os olhos.
Talvez essa capacidade me cause a sensação de insatisfação e não compreensão do amor do próximo. Por achar que as pessoas sempre são capazes de fazer mais, de mostrar mais, de amar nos detalhes, de não ter pudor e oferecer sempre mais do que o básico. Respeito, empatia, cumplicidade, altruísmo, é básico. Fazer o que deve ser feito, reconhecer, ser recíproco, ser fiel, ter lealdade, cuidar, é básico. E o básico não se cobra. O básico, é básico. O mínimo necessário. Valorizar, tomar como seu, agradar a quem se ama. Isso parece muito, mas é o básico.
E por mim, não é a minha capacidade de amar nos detalhes que é errônea. Não é errado amar demais, demonstrar demais, fazer mais do que o básico, doar-se 100% todos os dias, fazer o seu melhor sempre que puder, com o que puder, dentro das condições que tiver. A vida é tão breve, e o quando se pode muito, o contentamento com o pouco é mais breve ainda.
Saber da sua capacidade de amar, ter sentimentos bons a oferecer, entender até onde se pode ensinar, é ter que conviver com o não contentamento do básico. É não aceitar menos que isso. A vida é breve, e meus devaneios mais breve ainda.
Em uma geração onde muito se fala de amor, parece uma utopia ser amado sem pudor, ter certeza de um verdadeiro amor. Eu sinto muito e quer saber, ruim não é sentir muito, ruim é não sentir nada.
Quarta, 30/12/2019 3:05AM
eu ia escrever alguma coisa, mas fugiu da mente. Agora eu quero ler
Eu quando casar,
Só a placa já trás paz.
mas ouvir charlie brown nunca perde a graça
Quando eu amo, eu transbordo.
Você sabe nadar?
Nada.
#12092019
Mas a vida é assim mesmo. Infelizmente.
Se quisermos que os dias bons cheguem, temos que sobreviver ao dias ruins.
Rafhael Bezerra, 11 de agosto 2019
Melhor que muita coisa. Parceria
Eu nem sempre sou forte, mas se eu fraquejar, apenas lembre de onde vem minha força. De você.
Sua presença cura tudo, então por favor, me ame até quando eu menos parecer merecer e eu estarei do seu lado pra sempre. Faço tudo pelo seu sorriso e com certeza, seus dias ao meu lado seram sempre nossos melhores dias.
A melhor parte de mim é invisível aos olhos de quem enxergam apenas o físico.
21 de julho 2019 - 20:17