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Aquele momento provavelmente era o mais difícil pelo qual Sungwon havia passado em sua vida até o momento, jamais pensara em ficar tão nervoso por conta de um paciente, ainda mais um rapaz como Sungyeol. Esperava que ele tivesse um rosto duro, que fosse grosseiro e até mesmo mal-educado, mas não parecia ser o caso do garoto com bochechas rubras a sua frente. Começara a questionar-se se aquilo não era algum tipo de brincadeira do primeiro dia no trabalho, mas não poderia perder a pose naquele instante, não, ele teria de ser profissional, caso contrário não conseguiria parar um minuto sequer de olhar para os lábios rosas do mais novo a sua frente.
Sungwon balançou a cabeça quando escutou seu nome sendo pronunciado, sem resposta melhor para aquilo. O aperto de mão que dera no rapaz o fizera ter vontade de rir. Como poderiam aquelas mãos pequenas causarem algum tipo de estrago? Ou até mesmo os olhinhos brilhantes causar algum tipo de medo? Custava acreditar em tudo que lhe falaram, mas deveria ter algum motivo para ele agir assim, em seus anos de estudo aprendeu tudo muito bem para saber que personalidades não são influenciadas por rostinhos bonitos e mesmo que Sungyeol tivesse o mais bonito deles ainda assim era um encrenqueiro e precisava de ajuda médica.
Depois de soltar a mão alheia apenas deu uma risada com o comentário, aceitar não era bem o que ele tinha feito, apenas não queria recusar seu primeiro caso, ainda mais em seu primeiro trabalho depois de formado.
— Eu comecei a faculdade muito cedo e terminei muito cedo também, digamos que eu consegui pular alguns anos na escola e cá estou eu. E sim. — Disse firme, acompanhando o rapaz até o divã da sala. — Aceitei cuidar de você, Sungyeol, espero que possa colaborar a fazer isso, hum? Estou aqui apenas para ajudá-lo, pode contar comigo para tudo, como eu disse; considere-me um amigo para todas as horas. — Disse sem pensar, logo questionando-se se ter dito aquilo teria sido mesmo uma boa ideia, mas era tarde demais para se arrepender. Ao ouvir a pergunta do rapaz pensou em responder, porém nem sequer teve tempo, assistiu o pano grosso escorregar para fora do seu corpo. Por um momento tentou sentir o calor que o rapaz dizia sentir, mas no segundo seguinte arrepiou-se completamente por conta do ar frio que batera em sua nuca. — Pode ficar à vontade.
Caminhou até a cadeira ao lado do divã, sentando-se ali e voltando a colocar o casaco, pensando se estaria sentindo frio pelo rapaz. A voz melódica dele ecoava pela sala, Sungwon prestava atenção no que dizia, anotando algumas coisas e balançando a cabeça. Aparentemente quando Sungyeol fica nervoso começa a mexer em alguma coisa, escreveu ao notar a mão que não parava quieta em sua calça. No primeiro dia ele definiu o dia na escola como chato, é sociável.
— Apenas chato? O que você fez hoje? Algum de seus professores brigou com você ou você brigou com algum deles? — Fez as perguntas de forma calma, semicerrando os olhos no mesmo instante, por que ele estava sentindo tanto calor? — Seungyeol, você está bem? Estamos em… 11 graus nessa sala e ainda está sentindo seu corpo quente? Me responde uma coisa: consegue dormir bem a noite? — Levantou-se da mesa, logo procurando na gaveta da mesa um estetoscópio e indo em direção ao rapaz. — Posso medir seus batimentos? Vai ser rápido, eu prometo.
Ajudou o rapaz a se sentar, abaixando-se um pouco para ficar mais próximo, colocando o aparelho em seu ouvido e depois no peito alheio, deslizando para dentro de sua camisa, escutando perfeitamente os batimentos cardíacos dele. Mantinham os rostos próximos, Sungwon olhava fixamente para o relógio em seu pulso enquanto contava, proibindo-se de olhar para outro lugar. Quando terminou logo afastou-se e voltou a se sentar, tirando o aparelho dos ouvidos.
— Eu medi seus batimentos porque estou preocupado com esse calor excessivo que está sentindo, é muito frequente, Sungyeol? — Anotava tudo em seu caderno, logo passou a olhá-lo. — Anda se cuidando direitinho? Disse que almoçou hoje, como foi seu almoço? Me fala um pouco sobre suas amizades e como se sente sobre isso?
Levantou o olhar para o rapaz, o vendo ali com a camisa aberta e a pele um tanto pálida. Suspirou baixo, tentava com todas as forças de seu corpo ignorar aquela sensação de prazer que sentia ao olhar o rosto bonito de Sungyeol, ele era admirável, o adolescente tinha um cheiro gostoso e sua aparência era tão agradável, lembrava-o os anjos que via no teto das igrejas.
Precisou morder o inferior para conter qualquer pensamento impuro, não deveria pensar isso de seus pacientes, onde já se viu? Aquilo seria imperdoável, mas não conseguia parar de pensar como seria bom apenas deitar-se por cima de Sungyeol naquele divã, tirar todas as suas roupas e apagar aquele incêndio que ocorria dentro do corpo do pequeno.
O fascínio do garoto pelo doutor aumentava a cada segundo que era estendido na sala de consultório e, este lhe apresentava ( de maneira espontânea ) expressões que o faziam perder o ar ou até mesmo resquícios da pouca sanidade que abrigava consigo internamente. As íris negras acompanhavam cada movimento meticuloso do homem. Impróprio, contudo era irresistível imaginá-lo em situações íntimas, fantasiar como o corpo alheio parecia por baixo daquela vestimenta era o suficiente para fazer um súbito calor apossar do corpo sensível. Escutou com atenção o falatório do mais velho, balançando a cabeça para cada palavra que ressoava pelo cômodo, demonstrando extremo interesse e, secretamente acabou por maliciar a forma que a sentença fora finalizada.
— Uau. É tão inteligente assim? Acho homens inteligentes atraentes, hyung... — os olhinhos brilhavam, curioso para saber qual seria a reação do doutor diante suas palavras e, logo repuxou o canto dos lábios para transparecer o sorriso doce que guardava; a expressão ingênua não combinava com a conotação maliciosa da frase anterior. — Dr. Park, é tão bondoso da sua parte... Mesmo que esteja sendo pago para isso, obrigado. Realmente preciso de um amigo para horários específicos.
Agora, diferente da expressão anterior, o sorriso carregava uma perversidade explícita com a coragem do psicólogo de oferecer um auxílio tão perigoso para alguém como Sungyeol. Discretamente, analisava o rosto concentrado do homem, parecendo ainda mais belo a cada instante que passava: poderia tirar uma foto da visão proporcionada às órbes despertas, assim iria guardá-lo para sempre. Logo, o silêncio confortável fora quebrado pela voz que era capaz de lhe causar arrepios. Em todo o seu tempo curto de vida, jamais havia desejado um homem tão rapidamente e de maneira intensa.
— Hoje eu não briguei com ninguém... Quer dizer, apenas com um dos meus amigos, mas até que me comportei bem, os professores que me odeiam, Sungyeol-ssi — o tom de voz manhoso do rapaz mais novo entre ambos ecoou pelo cômodo, como se realmente fosse injustiçado pelos superiores da escola aonde estudava e, por um momento, pareceu bem convincente. — Sim, hyung. Estou com muito, muito calor. Oh, eu consigo dormir bem, menos quando me sinto muito necessitado de fazer... coisinhas. Sabe? — deixou um bico transformar os lábios naturalmente rosas, prolongando a expressão até balançar a cabeça em positivo, indicando que ele poderia ir adiante com o procedimento.
O calor, antes inexistente, fez-se realmente presente no instante que a aproximação entre ambos os corpos tornou-se basicamente nula; conseguindo assim, analisar próximo de si o rosto rico em detalhes fascinantes. O coração disparou, o interior acalentava com o toque do objeto gélido contra a sua pele, tão sensível e frágil que, era capaz de arrepiar-se por completo com um toque tão simples do seu doutor. Soltou um arfar baixinho, devido a proximidade, foi possível Sungwon escutá-lo.
— Não é frequente. Apenas quando estou com os hormônios aflorados, sou adolescente ainda, doutor... — a voz continuava a soar mais manhosa que nunca, em fato, dessa vez o pequeno ao menos forçava, a manha contínua era resultado da frustração que sentia por encontrar-se perto do homem mais gostoso e não poder ao menos tocá-lo, o fato de ser proibido tornava a situação ainda mais tentadora. — Eu acho que sim, ficarei ainda melhor com os seus cuidados, não? Até o deixei ver meus batimentos cardíacos. Não ganharei um pirulito como recompensa no final da consulta por permanecer um bom menino, hyung? — piscou os olhinhos, deitando-se sobre o estofado confortável do divã e, durante o ato de posicionar o corpo corretamente no móvel, a barra da camiseta que vestia como consequência subiu, expondo centímetros da área de sua cintura fininha. Nem fez questão de arrumar, decidiu continuar daquele jeito. — Hm... Eu sou muito popular na escola, Sungwon hyung. As meninas vivem me mandando cartinhas românticas, mas eu não me sinto atraída por elas... Prefiro meninos. Meninos mais velhos...
Aproveitou que o psicólogo parecia concentrado em suas feições e movimentos, passando a brincar com a ponta do tecido da camiseta que cobria o corpo, subindo inocentemente ainda mais a camiseta para expor sua cintura. Com um tom manhoso, decidiu arriscar: — E o hyung? Gosta de meninos mais novos?














