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O fascínio do garoto pelo doutor aumentava a cada segundo que era estendido na sala de consultório e, este lhe apresentava ( de maneira espontânea ) expressões que o faziam perder o ar ou até mesmo resquícios da pouca sanidade que abrigava consigo internamente. As íris negras acompanhavam cada movimento meticuloso do homem. Impróprio, contudo era irresistível imaginá-lo em situações íntimas, fantasiar como o corpo alheio parecia por baixo daquela vestimenta era o suficiente para fazer um súbito calor apossar do corpo sensível. Escutou com atenção o falatório do mais velho, balançando a cabeça para cada palavra que ressoava pelo cômodo, demonstrando extremo interesse e, secretamente acabou por maliciar a forma que a sentença fora finalizada.
— Uau. É tão inteligente assim? Acho homens inteligentes atraentes, hyung… — os olhinhos brilhavam, curioso para saber qual seria a reação do doutor diante suas palavras e, logo repuxou o canto dos lábios para transparecer o sorriso doce que guardava; a expressão ingênua não combinava com a conotação maliciosa da frase anterior. — Dr. Park, é tão bondoso da sua parte… Mesmo que esteja sendo pago para isso, obrigado. Realmente preciso de um amigo para horários específicos.
Agora, diferente da expressão anterior, o sorriso carregava uma perversidade explícita com a coragem do psicólogo de oferecer um auxílio tão perigoso para alguém como Sungyeol. Discretamente, analisava o rosto concentrado do homem, parecendo ainda mais belo a cada instante que passava: poderia tirar uma foto da visão proporcionada às órbes despertas, assim iria guardá-lo para sempre. Logo, o silêncio confortável fora quebrado pela voz que era capaz de lhe causar arrepios. Em todo o seu tempo curto de vida, jamais havia desejado um homem tão rapidamente e de maneira intensa.
— Hoje eu não briguei com ninguém… Quer dizer, apenas com um dos meus amigos, mas até que me comportei bem, os professores que me odeiam, Sungyeol-ssi — o tom de voz manhoso do rapaz mais novo entre ambos ecoou pelo cômodo, como se realmente fosse injustiçado pelos superiores da escola aonde estudava e, por um momento, pareceu bem convincente. — Sim, hyung. Estou com muito, muito calor. Oh, eu consigo dormir bem, menos quando me sinto muito necessitado de fazer… coisinhas. Sabe? — deixou um bico transformar os lábios naturalmente rosas, prolongando a expressão até balançar a cabeça em positivo, indicando que ele poderia ir adiante com o procedimento.
O calor, antes inexistente, fez-se realmente presente no instante que a aproximação entre ambos os corpos tornou-se basicamente nula; conseguindo assim, analisar próximo de si o rosto rico em detalhes fascinantes. O coração disparou, o interior acalentava com o toque do objeto gélido contra a sua pele, tão sensível e frágil que, era capaz de arrepiar-se por completo com um toque tão simples do seu doutor. Soltou um arfar baixinho, devido a proximidade, foi possível Sungwon escutá-lo.
— Não é frequente. Apenas quando estou com os hormônios aflorados, sou adolescente ainda, doutor… — a voz continuava a soar mais manhosa que nunca, em fato, dessa vez o pequeno ao menos forçava, a manha contínua era resultado da frustração que sentia por encontrar-se perto do homem mais gostoso e não poder ao menos tocá-lo, o fato de ser proibido tornava a situação ainda mais tentadora. — Eu acho que sim, ficarei ainda melhor com os seus cuidados, não? Até o deixei ver meus batimentos cardíacos. Não ganharei um pirulito como recompensa no final da consulta por permanecer um bom menino, hyung? — piscou os olhinhos, deitando-se sobre o estofado confortável do divã e, durante o ato de posicionar o corpo corretamente no móvel, a barra da camiseta que vestia como consequência subiu, expondo centímetros da área de sua cintura fininha. Nem fez questão de arrumar, decidiu continuar daquele jeito. — Hm… Eu sou muito popular na escola, Sungwon hyung. As meninas vivem me mandando cartinhas românticas, mas eu não me sinto atraída por elas… Prefiro meninos. Meninos mais velhos…
Aproveitou que o psicólogo parecia concentrado em suas feições e movimentos, passando a brincar com a ponta do tecido da camiseta que cobria o corpo, subindo inocentemente ainda mais a camiseta para expor sua cintura. Com um tom manhoso, decidiu arriscar: — E o hyung? Gosta de meninos mais novos?
O rumo que aquela conversa estava tomando era um pouco duvidoso. Não sabia se aquilo era antiético ou coisa do tipo, mas Sungwon sentia que a atração que se espalhava por seu corpo – causando arrepios em seus braços e uma pequena dor em seu baixo-ventre – era, de certa forma, recíproca. Não entendia muito bem o motivo de estar pensando aquilo, talvez fosse a forma que o adolescente o olhava ou até mesmo o jeito que deixava transparecer suas intenções em suas palavras. Era confuso. Mas sabia muito bem que pensar naquilo era errado porque a) Sungyeol era apenas seu paciente e nada mais, b) ele era um jovem com hormônios a flor da pele, aquilo seria abusar de seu poder e c) seguir seus instintos nunca fizeram Sungwon se dar bem em alguma coisa e não era agora que fariam.
Tentava manter a calma enquanto falava, aquilo era fácil para si, nunca tivera o costume de se abalar com qualquer coisa, mesmo que essa coisa fosse um adolescente que insistia em falar de um jeito sexy e o encarava como se pedisse com os olhos para que o mais velho deitasse em cima de si e o beijasse por completo. Sungwon sentia estar ficando maluco, pensar aquilo era ridículo, Sungyeol era apenas seu paciente e nada mais.
— Ah, não, Sungyeol. — Disse colocando as mãos atrás do corpo. — Eu apenas estudo muito, desde sempre, entende? Por isso eu pulei alguns anos, não sou nada além da média. — Pronunciou com calma, engolindo seco tentando não deixar transparecer nenhum sentimento diferente. Sungwon era controla demais, não era possível que aquela criança o faria perder a sensatez tão facilmente. — Lembre-se que eu disse para me considerar um amigo, certo? Mesmo que esteja sendo pago para isso eu gosto de manter meus pacientes em segurança e vou fazer o mesmo com você.
Continuava a observar o rapaz, balançava a caneta enquanto ele não falava nada, apenas esperando para começar a estudar o diagnóstico do garoto. Algo dentro de si já sabia, de certo modo, qual era o problema de Yeol, o adolescente parecia completamente normal, apenas precisava de atenção e tinha certeza que aquele comportamento radical não surgira de uma hora para outra, claro que não, ele era apenas uma criança e provavelmente uma parcela de tudo aquilo era culpa de terceiros.
— É bom que tenha se controlado hoje, vale lembrar que sua escola é um pouco rígida, por isso está aqui, hum? — Avisou ao mais novo, torcendo para que ele não tivesse uma reação negativa. — Costuma brigar muito na escola ou com seus amigos? — Anotava as perguntas que fazia e consequentemente as respostas alheias. — Você se machuca nessas brigas, Yeol? Caso tenha algum tipo de ferimento me avise e eu vou lhe encaminhar a enfermaria do prédio, sim? — Pediu com a voz baixa, serena como sempre treinara fazer. Logo balançou a cabeça e semicerrou os olhos, umedecendo os lábios ajeitou-se na cadeira mais uma vez, aquilo estava ficando difícil. — Seus professores estão ali para ensiná-lo, tenho certeza de que ninguém te odeia e se sim, seria bom conversar sobre isso com um superior da escola, para que não haja nenhum problema para você.
Aquele momento definitivamente não era a típica consulta que Sungwon havia se preparado para ter por todo seu curso. Mantinha uma das mãos nas costas do rapaz, pedindo para inspirar bem para que pudesse ouvir claramente os batimentos cárdicos, provavelmente encontrava-se nervoso, pois eles estavam acelerados. Olhava para o relógio no pulso, até que escutava as palavras seguintes, acabando por levantar o olhar rapidamente. Engoliu seco, agindo de forma mais natural possível.
— Eu sei sim. Masturbação é algo muito comum, principalmente na sua idade, não precisa se preocupar em querer se aliviar, certo? Todo mundo faz isso. — Explicou, aliviado por não ter gaguejado ou algo do tipo, mas sentiu a visão ficar turva ao ouvir o arfar alheio tão próximo de si, conseguia sentir a respiração do menor bater em seu rosto, sua boca tinha cheiro de menta. Afastou-se rapidamente, tirando o aparelho dos ouvidos. — Claro, eu só preciso controlar esse tipo de acontecimento, Yeol. — Arriscou chamá-lo pelo apelido. — Qualquer mudança que sentir em seu corpo ou até mesmo em sua cabeça me fale. — E então, até mesmo para sua surpresa, começou a fechar os botões da camisa do paciente, atento ao que fazia, deslizando os dedos ali, até que finalmente tivesse finalizado. Acabou olhando para frente, só então percebendo que por pouco ambos narizes não se tocavam, afastou-se imediatamente, voltando a sentar em sua cadeira sem demora.
Tudo que Sungyeol dizia acabava ou arrancando um sorriso dos lábios de Sungwon ou o fazendo ficar completamente tenso, por sorte naquele momento ele acabou sorrindo com a pergunta. Pensou calmamente, lembrando de ter, por sorte, alguns doces na bolsa. Continuou a anotar algumas coisas, não deixando de notar também a pele exposta do rapaz. Acabou cruzando as pernas, parando de pensar naquilo ou teria sérios problemas. E a confissão seguinte do mais novo o fizera explodir por dentro, não estava surpreso por ele ser popular ou algo do tipo, encrenqueiros sempre tem algum tipo de fama, mas o resto da fala era realmente algo inesperado.
— Sua preferência por meninos mais velhos tem algum tipo de impacto na sua vida social, Sungyeol? Caso me permite perguntar, não precisa responder, mas você sai com algum homem mais velho ou apenas sente atração por eles? — Tinha medo das próprias palavras voltarem para si como um problema, mas precisava saber, um psicólogo precisava saber dessas coisas, certo? Sim, eles tinham que saber disso. E a pergunta seguinte só o fez ter certeza de que não estava tão errado assim, logo balançou a cabeça e continuou com a consulta normalmente.
Sungwon tentava manter o clima estável, fazendo perguntas padrão e escutando o rapaz com atenção, fazendo mais anotações, não deixando nada de fora. No final levantou-se da sua cadeira, pegando o casaco do rapaz e enquanto o esperava colocar os sapatos procurou dentro da bolsa o pirulito que havia pensado mais cedo. Era um de sabor morango.
— Sungyeol. — Pronunciou baixo, fazendo o parar quando estava indo em direção a porta. — Aqui está meu cartão, atrás anotei meu número pessoal, caso aconteça alguma emergência, mas é só para emergências, hum? — Deixou claro, logo tirando o pirulito do bolso e mostrando para o mais novo, mas antes de entregar disse: — Eu não respondi sua pergunta sobre gostar ou não de meninos mais novos porque achei que não era necessário para a consulta, mas como ela acabou acho que não terei problemas com isso. — Agora sussurrava. — Eu geralmente costumo ter atração maior por garotinhos, sabe, Yeol? — Não poupou nenhuma palavra e nem pensou nas consequências ao dizer: — Minha idade favorita é dezoito anos, é a melhor fase, sempre gosto de... Colocar garotos na linha e nessa idade parece que eles ficam mais desafiadores, não acha? — Sorriu com a provocação. — Não esqueça de tomar suas vitaminas diárias e faça o exercício de respiração que te ensinei caso algum problema ocorra e você perca a calma.
Sem demora entregou o pirulito e sussurrou “faça bom proveito” antes de fechar a porta da sala, assim ficando sozinho.

















