Hoje eu quero falar de vocĂȘ, e do quanto a sua existĂȘncia transformou a minha vida e a forma como eu me enxergava no mundo. Quando te vi pela primeira vez, inquieto naquele corredor, houve algo em vocĂȘ que me atravessou sem pedir licença. Algo silencioso, mas definitivo.
Os dias passaram, e nĂŁo nos aproximamos de imediato. Foram poucas palavras, encontros breves, quase tĂmidos. Ainda assim, o tempo foi ajeitando tudo com delicadeza. Entre tardes de inverno, primavera e verĂŁo, nasceu ali uma amizade feita de cumplicidade e, acima de tudo, de confiança. Ăramos amigos que se permitiam ser livres, sem cuidados excessivos, sem mĂĄscaras, sem medo. Livres para sermos exatamente aquilo que nossas almas buscavam ser.
E foi assim que eu te amei. Te amei como se ama um melhor amigo. Te amei como se ama o irmĂŁo mais velho que nunca se teve, mas que sempre se esperou. Nos meus momentos de medo e dĂșvida, vocĂȘ me fez enxergar quem eu era e tudo aquilo que eu podia ser. Nunca me deixou duvidar do meu valor. Nunca soltou minha mĂŁo quando eu mais precisava acreditar em mim.
Meus olhos brilhavam por vocĂȘ, pela admiração profunda que sinto pelo profissional que vocĂȘ Ă©, pela referĂȘncia que se tornou para mim, mas, principalmente, pelo ser humano que vocĂȘ sempre foi ao meu olhar. Talvez a nossa conexĂŁo tenha incomodado outros, talvez tenha despertado ruĂdos e julgamentos. Mas nunca demos ouvidos. O que existia entre nĂłs era maior, mais verdadeiro.
Agora, depois de meses, depois de anos, estamos aqui. Ou melhor⊠eu estou aqui. Com vontade de te ver, de te ouvir, de saber se estĂĄ tudo bem. Tentando entender o motivo do teu silĂȘncio, esse silĂȘncio que me corrĂłi por dentro. VocĂȘ me ensinou a viver e a amar a tua presença, e em menos de dois dias retirou tudo isso de mim. Eu nĂŁo sei existir sem vocĂȘ. NĂŁo sei lidar com a ideia de que vocĂȘ estĂĄ por aĂ, enquanto eu nĂŁo tenho mais acesso ao que um dia fomos.
Sinto que a minha vida perdeu o rumo. O rumo que, nos Ășltimos anos, foi vocĂȘ quem me ajudou a trilhar.
Por favor, nĂŁo me abandone.
E se for preciso partir, que seja com palavras.
Converse comigo.
NĂŁo me deixe apenas com o silĂȘncio como despedida.