Netuno sempre foi assustador.
Quando você se sente invencível, intocável quase imortal.
Você respira fundo, tentando decorar o cheiro, o gosto e todas essas gotículas que se formam no ar naquele exato momento.
Aquela hora em que você só está ali existindo, vivendo. E aquilo é bom, meu deus como é bom, você sente.
O mundo parece fazer sentido da maneira em que ele é, ao mesmo tempo que ganha um novo significado.
E você quer viver naquilo pra sempre.
Você vive pra sempre. Sempre naqueles momentos.
Horas gravadas, encravadas em sua cabeça e peçonhentas no corpo. Coisas nojentamente incríveis que não saem.
E você não quer que saiam. Não tenta.
Mas daí elas só vão. Eles sempre vão. Deixando aquela sensação.
Boca amarga. Arrepio eterno e olhos brilhantes. Olhos tão brilhantes de saudade.
Você não sabe mais enxergar sem aqueles olhos.
Sempre encantada com os olhos brilhantes e esquecendo dessa coisa que gruda. Não como a coisa boa.
Nao. Nunca nojentamente bom.
E ela permanece ali. Te consumindo, Fazendo esquecer quem é, ao mesmo tempo que mantém suas memórias te obrigando ver alheios assumirem o controle.
Alguém mareou os seus sonhos, mudou a direção e os sombreou.
Mas por mais que te obrigassem, você nunca conseguiu se tornar outra pessoa, nunca conseguiu não ser quem era.
não se torne outra pessoa.