Momentos Bizarros da Vida da Anita
É comum barracões ainda não terem os seus próprios ogãs. O jeito é recorrer a ogãs de outras casas, o que pode causar aborrecimento, pois você estaria dependendo de um favor ou como fazem muitos, na boca pequena, contratar ogã (pagar por um) pra tocar no barracão.
Nesse dia, quase tudo passou alheio a mim. Não entendia nada dessas coisas. Hoje relembrando posso avaliar que o ogã contratado como a maioria deles, era uma besta quadrada. Talvez tivesse certa fama no meio. Muito posudo, nariz beirando as estrelas. A mãe de santo do barracão foi falar com ele algo, e ele de forma "educada" foi bem grosso com ela. Acho que ela pediu ajuda para alguma coisa, e ele disse que foi contratado pra tocar na festa...
A Senhorinha era uma mulher bem humilde e educada. Sua casa/barracão eram simples e pequeno. Nunca me viu na vida dela, mas me recebeu com muito carinho. Amigos, eu já entrei em macumba, onde os presentes ao me virem no portão, contorceram os lábios, os pescoço, contornaram os olhos e/ou apertaram as sobrancelhas. Isso num tempo em que toques de macumba era de porteira aberta. Hoje não mais, por causa da violência assombrosa que domina o Rio de Janeiro.
Vi outras atrocidades que não percebi antes, mas Rosa depois comentou tudo. Acho que a Senhorinha mal tinha filhos de santos e ekedes.
Uma velha foi desvirada no barracão mesmo, e a ekede irritada com a situação, pois o santo da velha não queria ir embora de jeito nenhum, então ia e vinha no corpo da senhora.
Rosa falou que isso não se faz. Toda entidade é levada para o roncol e desvirada ou virada, caso necessite acontecer.
Era um desrespeito ao Orixá.
A macumba avançava noite a dentro, até que o ogã parou de tocar e após um pequeno intervalo...
COMEÇOU A TOCAR PONTO DE UMBANDA!!!
E o barracão era candomblé nação Keto.
O barracão da Sinhá, como era conhecida a mãe de santo nunca foi uma "umbandomblé" que começava a surgir nesses idos anos 80.
Quem dançava, os Yaôs ficaram sem entender nada.
Logo em seguida, no deboche, começaram a dançar os passos de umbanda que são diferentes do candomblé.
Fomos embora pouco depois. E Rosa reclamando:
_ Por isso que ela não vai pra frente! Deixa fazerem o que quiserem no barracão dela!!