' guardião do estreito, escudo de bizâncio e herdeiro do domo dourado '
Já era esperado que 𝐒𝐀𝐑𝐏 𝐂𝐄𝐌𝐀𝐋 𝐊𝐀𝐑𝐀𝐃𝐀𝐆 viesse para a Ilha de Treatan, afinal, ele é um PRÍNCIPE vindo do 𝑹𝑬𝑰𝑵𝑶 𝑫𝑨 𝑨𝑵𝑨𝑻𝑶𝑳𝑰𝑨 (TURQUIA). Não que seja elegante perguntar, mas sei que ele já conta com seus TRINTA E DOIS ANOS, e não esconde a fama de OBSESSIVO, mas é sabido que seu lado RESOLUTIVO compensa. Se não tivesse sangue azul, eu diria que é um descendente direto de BORAM KUZUM, porque não poderiam ser mais idênticos!
more: 𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐈𝐎𝐍𝐒 ‚ 𝐏𝐈𝐍𝐓𝐄𝐑𝐄𝐒𝐓
( 📿 ) Conhecida por seu rigor religioso, sua linhagem puríssima e por manter a tradição como se fosse lei divina, a Casa Karadag sempre foi vista como um bastião da Igreja da Magia, rivalizando em devoção cega apenas com os Koën da Holanda. Afirmam descender diretamente de Santo Thaelis Var Drayan, usando tal alegação como um pilar central da própria legitimidade - dizem que o próprio filho executado de Thaelis teria deixado um herdeiro escondido com uma sacerdotisa da Corte. Embora isso nunca tenha sido provado, a Igreja jamais negou formalmente, o que já basta para manter a aura de santidade dos Karadag. Por trás dos véus, existe um rumor de que a família real turca fabricou toda a genealogia há gerações, com documentos falsificados e relíquias manipuladas ou roubadas de templos alheios.
Sarp cresceu dentro das muralhas do Domo Dourado de Bizâncio - um lugar onde fé e política se entrelaçam como raízes de uma árvore venenosa - ouvindo que era um "marcado pelos Céus" e que o "sangue da coroa é também o sangue da lâmina". Manifestação de dons celestes, milagres, maravilhas e proezas, de acordo com o trono, eram parte do cotidiano do herdeiro (ainda que quase nenhuma dessas coisas fossem vistas pelo mundo, muito menos registradas por uma câmera). Ele havia sido escolhido, afinal. O Herdeiro do Sangue Santo. Primogênito da rainha-religiosa Zeynep Karadag, esta o moldou como se forjasse uma espada: com paciência e precisão. Nunca o abraçou em público, mas é sua protetora implacável nos bastidores.
"A heresia é sedutora. Por isso a esfaqueio antes que me beije". Devoto fervoroso, treinado desde a infância em doutrinas religiosas e militares: aos 5 anos, foi iniciado em rituais de purificação e doutrina mágica. Aos 9, já sabia declamar trechos inteiros dos Manuscritos Ancestrais. Aos 12, viu um vermelho ser executado pela primeira vez. E aos 16, matou o seu primeiro "herege" durante uma patrulha supervisionada. Visivelmente, não foi treinado como um guerreiro comum, mas como uma arma simbólica, criada para matar em nome da santidade.
Foi aos 21 que quase conheceu sua derrocada, seu momento de maior fraqueza espiritual - travestido de vestes leves e esvoaçantes, tecidos coloridos, lábios cheios e paganismo. Quando algum nobre faz menção ao episódio, Sarp costuma recitar que a carne fraca do homem sempre tenderá para a falha. Tal como seu antepassado, foi seduzido por uma vermelha, chegando ao disparate de achar que estava conhecendo o amor. Os encontros furtivos eram não apenas um ato de rebeldia, mas heresia. Violou os preceitos sagrados por ela, a venerou com sua boca como se o corpo alheio fosse santo. Ora, estava disposto até mesmo a fugir com Sanem, abandonando sua missão. No entanto, o devaneio não durou muito. Foi exposto, roubado, traído e humilhado da pior forma possível. Zeynep estava lá, no final, para lhe direcionar aquele olhar cortante de eu avisei.
Atualmente, trata os seguidores da Fé Rubra como pragas contaminantes, mas, ironicamente, respeita o poder dos rituais e estuda-os em segredo, com uma fascinação silenciosa e até um certo temor supersticioso - curiosidade que é fruto da aventura vivida na juventude. Mesmo que tenha feito o possível para se desvencilhar de tudo o que remetesse à Fé Rubra, desde o amor juvenil e o contato com os rituais pagãos que seus sonhos sempre foram povoados por imagens perturbadoras: um Espírito; uma mulher de sangue e sombra que o chama pelo nome verdadeiro — Ersan, aquele que nem mesmo ele sabia.
Em termos de personalidade, é gélido, mas eloquente. Sua postura militarizada e atuante em campos de batalha lhe rendeu apoio na belicosa Anatólia ainda antes de sua ascensão ao trono. Líder que evoca carisma (mais por conta da beleza e articulação do que por dom natural), com discursos que misturam fé, glória e ameaça. Extremamente controlador — ele vê o caos como heresia. Rígido e pouco tolerante, mas convencido de que suas ações são "instrumentos da vontade dos deuses". É impiedoso com traidores, principalmente entre os seus. Ele se agarra à fé com obsessão, não porque é um devoto puro, mas porque precisa acreditar para manter sua sanidade. O Magisterium é sua âncora; Santo Thaelis, seu escudo emocional. Sarp nunca chora, nunca treme, nunca grita, mas a raiva está sempre à espreita, disfarçada de disciplina. Ele evita vínculos afetivos profundos. Já teve amantes, mas os relacionamentos morrem rápido — às vezes, ele mesmo encerra brutalmente, com palavras frias ou silêncio total.
Frequentemente mantém postura ereta, vestes cerimoniais em tons escuros (mas bordadas com fios dourados, para que saibam quem ele é); uniformes militares encantados, capas com símbolos sagrados da Magia e um relicário no pescoço contendo a inscrição "Purificar. Proteger. Perpetuar". Além disso, carrega sempre consigo um anel com o símbolo do olho divido - uma insígnia dos inquisidores reais.
Desde o início dos boatos acerca do avistamento de vermelhos com poderes, comanda a Tropa de Bizâncio, um grupo de Caçadores de Vermelhos com dons - braço não oficial da Ordem dos Véus - conhecidos por sua brutalidade meticulosa. Atua como uma espécie de inquisidor de campo, responsável por capturas, interrogatórios e execuções. Aparece pessoalmente em execuções públicas, recitando salmos antes de ordenar a morte dos amaldiçoados. Considera todo tipo de rebelião um pecado, e todo rebelde, um traidor da luz. Ainda assim, mantém arquivos secretos com rituais da Fé Rubra e tenta decifrá-los para antecipar rebeliões.
Acredita, sem vacilar, que os Vermelhos com poderes são uma aberração da ordem divina e devem ser erradicados.
Herói Azul. Guardião da Vontade Anil. Exemplo de castidade, disciplina e nobreza. A imprensa o chama de "o Filho da Luz", mas seus inimigos sussurram "o Anjo da Ruína", enquanto nobres optam por se referir a ele simplesmente como “o fanático".
𝐻𝑂𝐵𝐵𝐼𝐸𝑆 𝐸 𝑀𝐴𝑁𝐼𝐴𝑆
Estuda textos sagrados da Magia como se fossem manuais militares.
Treina com armas encantadas todas as manhãs em silêncio absoluto.
Tem o hábito de apagar velas com os dedos, como se dominasse até o fogo.
Ouve hinos mágicos de eras antigas enquanto observa imagens de segurança de zonas vermelhas.
Escreve cartas para os mortos — e depois queima, acreditando que os deuses as leem.
𝐸𝑋𝑇𝑅𝐴𝑆
SARP CEMAL KARADAG, o Leão da Anatólia, primogênito e herdeiro do trono, 32 anos
ELA FUNDA KARADAG, segunda filha, 27 anos
TERCEIRX FILHX, entre 21-23 anos
ZEYNEP KARADAG (62 anos), rainha-mãe, Arauto da Pureza e Membro Honorário da Ordem dos Véus
YUSEF KARADAG (70 anos), rei da Anatólia, conhecido como “o pai da nação” em sua época de ouro, embora atualmente seja nomeado, pelos mais cruéis, como o Azul Empalhado ou Rei-Só-de-Nome, já que quem governa, na prática, é Zeynep e o Conselho.
O 𝐑𝐄𝐈𝐍𝐎 𝐃𝐀 𝐀𝐍𝐀𝐓𝐎𝐋𝐈𝐀 se moldou como uma monarquia absoluta teocrática, muito diferente dos reinos que a cercam. Isso se deve ao fato de os fundadores terem se apoiado fortemente nas vertentes pregadas pelo Magisterium para controlar sua população, majoritariamente composta por plebeus famintos ávidos por acreditar que seu rei está onde está porque foi escolhido por uma Força Maior. A presença deste elemento elevou a importância dos monarcas, tal como ocorria na Idade Média, em que os governantes eram aprovados e legitimados diretamente pela Santa Sé.
Bizâncio se alçou ao status de berço da tradição e da cultura, sendo adotada também como o centro político do novo reino. Diferentemente das outras capitais de reinos, todavia, é uma cidade superlotada e, consequentemente, decadente. Apenas algumas áreas são agradáveis e limpas, sendo reservadas à nobreza, realeza e clérigos. Mesmo à distância é possível sentir o cheiro de podridão, decorrente não só de suas vielas desprovidas de saneamento básico, mas também da corrupção da Igreja. Apoiados na graça divina, os homens que controlam a cidade podem fazer absolutamente qualquer coisa. Além disso, não existe a possibilidade de discordarem da religião oficial. Hereges são tidos como ameaças rebeldes e, se descobertos, são submetidos a julgamentos fictícios que não raro acabam em execuções públicas.
As relações com a maior parte dos reinos tradicionais são tidas como satisfatórias, embora algumas nações contem com políticas que a Coroa anatolina considera demasiado progressistas. A Althara, naturalmente, é um evento apoiado, pela celebração ao sagrado matrimônio, um dos pilares da Igreja da Magia.
𝑃𝑂𝐷𝐸𝑅𝐸𝑆
Manipulação Óssea: é a capacidade de manipular ossos — próprios ou alheios — de forma precisa, consciente e profundamente física. Trata-se de uma forma de magia silenciosa e interna, que age através da estrutura corporal, controlando a base do ser com uma autoridade inegociável. Sarp pode mover, travar ou quebrar ossos de outras pessoas com um gesto, um olhar, ou pura intenção. Também é capaz de sentir anomalias, fraturas ou hesitações no sistema esquelético de outro indivíduo, mesmo à distância. O poder se manifesta de forma quase invisível, com sutis ruídos de fricção, estalos secos e uma sensação opressora no ar, como se a própria espinha de quem o observa enrijecesse. Por conta do poder, o Karadag não precisa erguer a voz ou ordenar que alguém se ajoelhe - ele simplesmente obriga.
os maiores temores de sarp karadag sempre estiveram associados à sua queda; à derrocada de sua santidade; à mera possibilidade de que algo pudesse afetar sua imagem ilibada. não surpreendentemente, a fantasia que acompanhava seu convite não envolvia muito tecido, mas um par de asas angelicais que se acoplou às suas costas nuas de maneira quase automática quando as provou, como se tivessem feito esforço de abrir caminho através de carne e músculo para que se tornassem visíveis. o torso desnudo e as calças simples, surradas, escuras, eram elementos fiéis à imagem descrita pelo magisterium como pertencendo àqueles que desafiaram a autoridade do eterno, caindo para o abismo junto com sua soberba. a penugem manchada, chamuscada e escurecida é muito diferente daquela que se vê nos anjos perfeitamente esculpidos nos templos da igreja da magia, os obedientes. a fita vermelho carmesim está atada ao pulso, simbolizando seu desejo desenfreado e descontrolado por prazeres terrenos, tomado por cobiça, excessos e ações que o desviam do que é considerado razoável. afinal, não apenas sexo, mas dinheiro e poder nunca parecem suficientes para o herdeiro.
ㅤ˛ㅤ⠀⋆ㅤ⠀✶ㅤ 𝓒𝐋𝐎𝐒𝐄𝐃ㅤ𝐒𝐓𝐀𝐑𝐓𝐄𝐑ㅤ ꗃ ㅤ@karvdagㅤ𝘀𝗮𝗶𝗱ㅤ⸻ㅤdon't act so innocent.
a sauna estava quase vazia naquele fim de tarde, e foi justamente por isso que kitty tinha ido até lá. depois de dias exaustivos, o calor abafado e o vapor pareciam a desculpa perfeita para simplesmente desligar. estava de biquíni, um modelo preto simples, mas justo, que valorizava suas curvas de forma nada discreta. nada apropriado para uma princesa, claro. se permitiu apoiar os braços no encosto e esticar as pernas, ocupando espaço de um jeito que star jamais faria. ela sabia disso, mas também sabia que precisava de momentos em que não estivesse enjaulada no papel da irmã. e, claro, foi nesse exato momento que a porta rangeu e alguém entrou. ela ergueu o tronco num sobressalto automático. o coração deu um pulo quando reconheceu sarp. puta merda. sem pensar duas vezes, agarrou a toalha ao lado e começou a se enrolar nela, tentando cobrir às pressas o que, minutos antes, nem lhe passava pela cabeça esconder. ‘ alteza... perdão, não sabia que teria companhia. ’ seu olhar buscou o dele, carregado daquela inocência que star tanto transmitia. a resposta dele, no entanto, a pegou de surpresa. a máscara de doçura vacilou por um segundo, e ela deixou escapar um sorriso malicioso de canto de boca. ‘ eu nunca disse que era inocente. ’ a resposta tinha um toque de ironia, mas estava escondida em um tom leve, quase brincalhão, como se fosse só uma provocação inofensiva. kitty sabia equilibrar bem a atuação: sorria no momento certo, usava a entonação delicada, mas, no fundo, deixava transparecer a verdadeira essência.
O vapor da sauna grudava na pele como um véu pesado assim que ele entrou, com apenas uma toalha em torno da cintura, mas o que o desarmou foi a visão de Star. O biquíni preto, o jeito displicente de ocupar espaço nenhum pouco digno de uma princesa, tudo exatamente como uma provocação. O corpo dele enrijeceu antes mesmo que pudesse pensar. O instinto foi de controlar o ar que saía através dos lábios e, principalmente, controlar a si mesmo, se valendo do poder para ordenar os próprios ossos a ficarem imóveis. A princesa se enrolou na toalha com pressa, como se fosse possível apagar o que ele já tinha visto. Não era intenção de Sarp soltar resposta tão maldosa, porém, por um momento, a coisa toda lhe pareceu meio ensaiada, considerando que apenas um segundo antes ela parecia bastante relaxada naquela sauna. O canto da boca dele quase se moveu com a resposta marota, mas não foi um sorriso completo que direcionou à tailandesa, e sim algo um tanto mais malicioso. Ele deu alguns passos mais para o interior do espaço, se fazendo confortável, as feições enevoadas pelo vapor que preenchia o lugar, se sentando de frente para a morena. "Nesse caso, não devia sair correndo tão rápido" sugeriu, como se não estivesse insinuando nada de mais. Pela forma como se enrolara às pressas na toalha, ela parecia intimidada por sua presença, se não incomodada, como se a sauna não fosse um local público. "Afinal, seria uma lástima se eu ficasse sem companhia justo agora" testou, se perguntando se Star faria prova de suas palavras.
Respirou com mais tranquilidade quando ele apenas aceitou, isso certamente facilitava as coisas e a deixava mais relaxada. Estava constantemente preocupada com a imagem que passava, até por que precisava remediar a situação de Ludowig e ser a irmã perfeita, aquela que não causava escândalos e aproximava mais os Liechtenstein do Magisterium de algum modo. Teve de conter um revirar de olhos com a forma que ele pareceu quase aterrorizado com o sussurro mental, como poderia maior parte das pessoas se assustar com a parte mais leve do poder dela? Ela poderia fazer ser tão pior. ❝Não pretendo.❞ Foi tudo que sussurrou de volta em tom de quase preocupação e um olhar de quem pede desculpas por ter cruzado uma barreira invisível. Longe do que verdadeiramente sentia, Liechtenstein não falava turco e por isso haviam barreiras sobre o que poderia tirar da mente alheia, não que ele soubesse disso é claro. E mesmo sem as barreiras, o Karadag costumava ser o tipo de homem que ela não invadia a mente sem um propósito, não gostava de ficar na mente de homens religiosos como um mero passatempo... Os pensamentos da maioria eram... Horrendos para dizer o mínimo. A fala dele era perfeita, o suficiente para que ela parecesse desejada para o público e isso bastava para Annalise. ❝Sequer sei o que dizer, mas me sinto honrada por ser escolhida por você.❞ Respondeu de maneira cordial e quase constrangida. Sua parte emocional se saciava com o restante do que era dito, certamente, não tinha pensado daquela maneira até então dado aos próprios traumas. Contudo, também era apenas terrível para si admitir que a mãe estava certa quando havia pontuado tudo aquilo sobre a imagem dela como seu trunfo ali dentro. ❝Acredito que não tivesse pensado por esse lado, mas isso certamente me deixa mais aliviada, especialmente vindo de alguém tão excepcional quanto vossa pessoa.❞ Ofertou em um sorriso mais genuíno, não esquecendo de o elogiar de alguma forma. ❝Ah... Jamais faria isso, meu poder não funciona de forma passiva e eu jamais invadiria a privacidade alheia desta maneira. Apenas se fosse do desejo do Magisterium ou em prol do melhor para o meu reino, é claro, ou no caso meu futuro reino.❞
Sarp a observou em silêncio, os olhos escuros avaliando cada gesto - o jeito como ela suavizou o tom, como se buscasse desculpas, como se tentasse devolver a ele a mesma tranquilidade que fingia oferecer. Havia uma elegância no controle que ela exercia sobre si mesma, e isso lhe lembrava perigosamente demais de sua própria postura. Era como se se olhasse no espelho, só que com uma moldura que ele ainda não compreendia por completo. O Karadag ainda não sabia o que pensar a respeito: a nova faceta revelada por Annalise o deixava um tanto apreensivo, fazendo com que se desse conta de que lidar com ela não era tão simples quanto ele considerara outrora. Estaria mesmo honrada com sua observação? Ou apenas o dizia para agradar? A boca curvou-se em um meio-sorriso, ambíguo demais para ser só simpatia. "Uma escolha é sempre menos lisonjeira quando já foi anunciada. Prefiro pensar que não lhe dei escolha alguma. Não é justamente essa a graça de comprar alguém?" havia crueldade calculada ali, mas também uma verdade velada: não se tratava apenas de posse ou conveniência. Quando Anna lhe devolveu o elogio, chamando-o de excepcional, Sarp inclinou levemente a cabeça, semicerrando os olhos com um brilho quase desconfortável. Elogios eram esperados, mas não daquela boca. Não quando já lhe custava tanto admitir que havia algo nela que o instigava. Ademais, até então, a loira tinha se mostrado reservada e quase desinteressada, sendo este o motivo para que ele não soubesse precisar se, de fato, o considerava como uma de suas opções. Aliás, tolice fazer tais cogitações, quando era ele quem deveria estar escolhendo. "O Magisterium não precisa de mártires obedientes. Precisa de peças capazes de se mover com astúcia no tabuleiro" não lhe passou despercebido, contudo, que ela tivesse o perfil da obediência, algo deveras apreciado por ele. O príncipe a estudou mais uma vez, como se tentasse despir as camadas de cordialidade, tentando extrair se havia algo mais naquele futuro reino. A possibilidade - ele tinha de admitir - era tentadora. Podia repudiar os poderes mentais quando direcionados a ele e aos membros de sua corte, mas quem os desprezaria como arma em seu arsenal? "Certamente suas habilidades únicas seriam de muita serventia ao seu futuro reino. Só tem de achar algum que faça jus a elas"
As batidas aceleradas do coração feminino reverberam por sua mente, carregando a inquietação de anos de questionamentos indesejados. Nas noites mais escuras, Sanem via-se perguntando o que Sarp poderia ganhar através das falácias proferidas sobre seus lábios. Que tipo de divertimento doentio teria motivado um envolvimento tão perigoso? Mais do que isso, como as quase duas décadas de treinamento não haviam sido suficientes para que ela distinguisse os sinais de suas mentiras? E quando nem mesmo a racionalidade permitia-lhe uma resposta, Beren encontrava o dilema de sua vida. Era nesses raros momentos em que ela contemplava a possibilidade de nem tudo ter sido mentira. Afinal, como poderia uma criança tão cheia de amor ter sido criada a partir de qualquer outro sentimento? As cicatrizes em suas costas eram, no entanto, uma reticência. "Imagino que seja fácil falar de crueldade sob a sua perspectiva, vossa alteza. Nesse quesito, a definição pode ser deveras distinta entre azuis e vermelhos." Mais um passo. E a urgência que queimava em seu peito ardia com sensações que não poderiam ser nomeadas. "Deveria me incomodar? Não sou do tipo que lamenta por algo que nunca foi meu." Era como precisava se sentir. O amargor no fundo de sua garganta, contudo, era um lembrete malquisto do que poderia ter sido - se houvesse alguma verdade no Karadag.
𝐅𝐋𝐀𝐒𝐇𝐁𝐀𝐂𝐊 O olhar de Sarp permaneceu fixo sobre ela, sem piscar, como se cada palavra fosse uma lâmina testando a resistência da armadura que ele mesmo forjara. O coração dela pulsava alto - ele podia ouvir, podia literalmente sentir os ossos dela vibrarem com a raiva contida, em virtude de suas habilidades. Chegava a conclusão de que a dor dela era, em parte, obra dele. Ainda assim, não sabia o que pensar ou sentir a respeito. Nada além de vazio. "Crueldade…" repetiu, a voz baixa, grave, como se o gosto da palavra fosse ferro contra os dentes. "Fala como se somente você tivesse condições de definir o que é isso" riso baixo saiu com a respiração, apenas para que ele balançasse a cabeça em seguida. Sanem sempre tinha sido do tipo que se considerava mais esperta que aqueles que a cercavam e não cedia quando se tratava de mostrar quem sabia mais. Além disso, estava num embate constante de quem mais pagava pelos pecados que cometia naquele mundo. O passo que deu na direção dela era reflexo da tensão que escondi. "Está sugerindo que eu menti?" elevou uma das sobrancelhas, surpreso com sua frieza agora, depois de tudo. Talvez não tivesse alternativa que não fosse revidar. "Muito bem. Se é assim, apenas se lembre que foi você quem acreditou nas mentiras. Isso não faz de você uma iludida?" o olhar dele, até então inabalável, desviou do dela, vagando, como se lembranças antigas ardessem em brasas sob a pele. Quando voltou a encará-la, era novamente Sarp Karadag. "Não acho que lamentar vá servir de algo agora. Ou revolver algo que está morto"
Era necessário manter certa compostura diante das câmeras. Ele não queria arruinar suas chances de conseguir uma boa aliança apenas por algum incômodo de sua futura esposa com seu comportamento quando estava no privado. O jardim seria um local discreto se não estivesse repleto de luminárias por todos os lados, além de câmeras prontas para flagrar qualquer deslize. Sabia que, em contexto como esse, não era seguro se aproximar de Elena como costumava fazer. Ainda assim, ele não era um espírito evoluído ao ponto de simplesmente ignorar a presença da princesa de Castilla no espaço, não quando o corpo dela praticamente o chamava. Se recostando ao seu lado no muro baixo, a boca se rasgou num sorriso mínimo ao ouvir a provocação, a mão se deslocando, discretamente, até a base das costas da morena, contendo o ímpeto de trazê-la para si. Os nós dos dedos passaram a fazer movimentos circulares na pele exposta, longe de serem captados pelas câmeras, enquanto ele fingia ter uma conversa trivial com a Bourbon, ainda que seu inclinar fosse suspeito. "Aproveitando seus últimos momentos de liberdade, alteza?"
this is a starter for @karvdag + You know exactly what you’re doing. !!
O som distante da orquestra ainda vibrava pelo mármore, abafado pelas paredes laterais do corredor que, possivelmente, levava até a cozinha do palácio. Bahar mal tinha se dado ao trabalho de se virar quando sentiu a presença dele atrás de si. O tom baixo, carregado, quase fez seu corpo reagir antes da mente. Respirou fundo, mantendo os ombros alinhados, o vestido preto se movendo junto ao pequeno giro que fez para encará-lo. Ela sabia exatamente o que estava fazendo quando ergueu a placa, oferecendo, em nome dele, um lance generoso pela companhia da princesa. Um gesto calculado para aproximá-lo de alianças políticas valiosas. Inteligente. Estratégico. E, ainda assim, perigoso demais para o orgulho dele aceitar sem questionar. Bastou que ele cruzasse o olhar com o dela, diante o palco do leilão, para que ela se levantasse e tentasse fugir — sem nem mesmo ver o resultado do lance; ele havia ganhado? Mas era sua fuga que os levava àquele momento. ❛ Acha que eu fiz errado? ❜ Perguntou, a voz macia, mas firme. Não era que possuísse esperanças, mas o trabalho era mais difícil do que o imaginado. Não era amor o que a movia — ou, pelo menos, não o tipo que ela se permitia nomear. Bahar não se iludia: assistente, conselheira, sombra útil. Esse era o lugar dela. Querer mais seria uma ofensa, uma traição silenciosa à coroa que ele carregaria um dia. ❛ Eu precisei jogar com o que estava disponível Me desculpe não tê-lo consultado antes, alteza. ❜ Empregava certo distânciamento entre eles quando fazia o uso do título, mas era um cuidado que tinha quando em público.
Não sabia por que estava tão furioso. Aquela seria a ordem natural das coisas, se fosse pensar. Ele estava ali para conseguir uma noiva, afinal de contas, e o trabalho de Bahar era auxiliá-lo no processo. Mas, então, por que ele se sentia tão diminuído sempre que ela fazia exatamente o que era paga para fazer? O lance no leilão havia sido o estopim. Enquanto Sarp meramente pensava nas opções, ela tinha erguido sua placa, demonstrando interesse por uma princesa que ele nem mesmo cogitaria um encontro. Aliás, via problemas em muitas delas, defeitos que para a maioria dos homens deviam ser imperceptíveis. O problema não estava no lance em si, mas numa sucessão de coisas que demonstravam que a Kavur queria vê-lo casado, e logo. Sem se importar em ver como se concluiria aquela rodada iniciada por ela, ele saiu atrás da morena assim que a viu se evadir da zona destinada ao palco do leilão, seguindo por um corredor lateral. Não estava tão preocupado com as câmeras naquela parte do palácio, considerando que o corredor era destinado aos funcionários e ninguém se incomodava em filmá-los, logo, não ouviriam a conversa deles e, mesmo que ouvissem, ele não podia esperar por um momento mais privado para conversar com a baronesa. Segurou a assistente pelo braço para garantir que não fosse longe, sabendo que ela o enfrentaria, de todo modo, pois sua defesa já estava na ponta da língua. "Você não vem me consultando já tem um tempo" acusou, repreendendo-a, mesmo que não houvessem retoques quando se tratava do trabalho dela. "Não foi só o lance no leilão. Você disse à mídia que eu já comprei um anel quando eu nem mesmo sei o nome da maior parte das mulheres que estão nesta ilha" era possível que estivesse tentando protelar o inevitável, mesmo sabendo exatamente o que a mãe esperava dele para aquele ano, e seu descontentamento estivesse sendo descontado em quem não tinha culpa alguma.
Sage não se sentava em qualquer lugar — mas fingia que sim. O banco de pedra era duro, desconfortável, ladeado por roseiras que já haviam passado do auge. E ainda assim, ali estava ela, com um vestido elegante, saltos altos e com o olhar perdido em alguma contemplação inexistente. Um cenário perfeito, montado com a típica exatidão que ela fingia não dominar. O barão — de onde mesmo? Vries? — foi o primeiro peixe a morder a isca. Não era feio, nem particularmente burro. Mas não tinha uma coroa pairando em sua cabeça. Um elogio à sua solidão, uma tentativa de graça, e ela já o havia despachado com um sorriso que parecia mais piedade do que recusa. Sozinha novamente. Mas não por muito tempo, ela sabia. Já havia visto aquela cena. O som dos passos a alcançou antes que ela levantasse os olhos e reconheceu-o sem esforço. O andar firme e a contenção no gesto, o denunciavam com facilidade. Sarp, príncipe de Anatólia. Um nome que valia ouro, mas dono de um temperamento que parecia feito de ferro. Difícil, mas não impossível. Ela não o olhou de imediato. Primeiro, deixou a mão escorregar até o tornozelo com um pequeno suspiro — nada melodramático, nada gritante. Apenas o suficiente para sugerir um desconforto inconveniente. ❛ Ah... ❜ A voz soou baixa, como se não fosse para ele. Como se fosse só dela. Ela se inclinou levemente para frente, franzindo o cenho de modo delicado, os dedos pairando sobre o tornozelo como quem hesita entre o orgulho e a dor. E se o decote tornava-se proeminente, a culpa não era dela! Esperou, apenas o tempo certo para que ele estivesse perto o bastante, e então ergueu o olhar, como quem só então percebia a presença naquele momento. ❛ Alteza. ❜ O tom foi morno, envolto em surpresa sutil. Nenhuma alegria, nenhum convite direto — só o reconhecimento de que ele existia e que, por acaso, a via. ❛ Eu… fui tola o bastante para caminhar até aqui com esses saltos. ❜ Ela sorriu, envergonhada sem estar, vulnerável sem perder o controle. ❛ Não creio que tenha sido nada sério, claro… mas está difícil voltar para o salão. ❜ Um pedido disfarçado de constatação, esperava ser o suficiente para Sarp.
Tinha passado tanto tempo entretido no salão que as conversas já estavam lhe cansando. O lado de fora parecia menos tumultuado do que a pista de dança, até porque ele não estava mais aguentando o esforço repetitivo de conduzir damas. Depois de algum tempo, estava prestes a retornar para dentro quando avistou a morena à curta distância, tendo visão privilegiada de onde estava. Não é que fosse fraco. Era apenas homem. Não podia ver uma beldade e apenas ignorar – essa sempre tinha sido a parte menos santificada dele, mas até Santo Thaelys tinha pecado em vida. Os olhos analisaram com desinteresse fingido o colo que se voltava para ele, inspirando uma vez ao ver as formas perfeitamente desenhadas sob o decote. Sarp fazia o possível para manter a compostura quando se aproximou do banco de pedra e, por tabela, da princesa azul que se sentava sobre ele, ouvindo o lamento de reclamação com feição de preocupação. Era seu papel ajudar, é claro. Era o que um príncipe faria. "Vossa graça... precisa de algo?" pediu, cavalheiro, se agachando diante dela e levando os dedos até o tornozelo alheio. "Se me permite..." começou, sem esperar autorização, avaliando o pé delicado, franzindo o cenho para a vermelhidão num dos pontos. "Não deveria se torturar tanto" mas ele conhecia o suficiente das mulheres para saber o quão vaidosas poderiam ser, especialmente aquelas que já vinham privilegiadas com beleza. Se colocou de pé novamente, elevando as sobrancelhas assim que entendeu o que ela precisava. Não seria nenhum sacrifício para ele, mesmo que não fosse situação comum. Evidente que, naquele caso, ele teria uma boa desculpa para a aproximação. "No seu estado, não é recomendado que volte caminhando" disse, com um pigarrear, como se estivesse demasiado preocupado. "Eu poderia carregá-la até lá. Se não se importar, evidentemente"
Realmente não deveria ser surpreender com ele não fazer questão de tornar as coisas fáceis para ela, quando alguém tinha interesse nisso? Nunca. E justamente por isso optou por deixar de lado a resposta dele sobre estar morando ali, ainda que poderia ter feito algum comentário espirituoso ou sarcástico, mas novamente, ela não tinha de aparentar nenhuma dessas coisas e estava bem se atendo a cortesia e silêncio. ❝Perdoe-me, mas não me recordo de termos tido qualquer conversa demasiadamente profunda... Ainda que não seja necessariamente uma cobrança, me deve um prometido chá, não é?❞ Sugeriu em um pequeno sorriso ensaiado, ainda que pela primeira vez se permitisse sussurrar na mente dele "Não é prudente falar coisas que podem ser mal interpretadas frente a tantas câmeras, se quiser conversar com mais liberdade basta que pense no meu nome antes do que gostaria de dizer, alteza... Desta maneira não invado sua privacidade." sugeriu com simplicidade, ainda que é claro, se fosse invadir a privacidade dele tão pouco alertaria, mas ele não tinha motivos para pensar nada de negativo sobre ela. Quase teve vontade de dar um passo instintivo para trás quando ele se aproximou, mas pelo contrário deu um passo a mais na direção dele, não se deixando ser encurralada tão facilmente desta vez. Até por que não confiava tanto em si mesma se fosse encurralada outra vez e Annalise não tinha pretensões de ser comparada ao irmão em gerar manchetes. Por um momento travou, por que ele estava certo quanto a uma das preocupações da princesa, por mais que o termo de ser comprada fosse desprezível, havia o incomodo de sentir que não seria escolhida por ninguém. Ernestine foi condicionada a pensar a vida inteira que era substituível e descartável, especialmente se não fosse perfeita e fizesse o que deveria ser feito, o que era esperado dela. Se esforçou para recolocar um leve sorriso no rosto e fingir que ele não havia lhe tocado na ferida. ❝E como pode ter tanta certeza? Certamente sou uma das pessoas menos conhecidas no momento... E ainda que reconheça bem minhas qualidades, não tenho a arrogância de pensar que estou acima de todo o resto.❞ Annalise estava longe de ser uma pessoa realmente humilde, mas não fazia mal parecer que possuía alguma e não apenas inseguranças. ❝Ainda que imagino que não deixariam ninguém sem um par no final, não concorda? Seria errado lhe perguntar se já possui alguém em mente para o leilão?❞
O retrucar fez com que Sarp arqueasse uma das sobrancelhas, sentindo-se como um garoto que acabava de ser repreendido. Então seria aquele jogo que ela pretendia jogar? Aparentemente, se preocupava tanto quanto ele com reputação, o que fez com que o Karadag a visse como alguém bem mais ardilosa do que havia considerado num primeiro momento. Talvez Annalise fosse a figura mais misteriosa até então; alguém que ele estava tendo dificuldades para desvendar intenções. "Evet" concordou com um menear de cabeça. "Um chá" anuiu, como se estivesse ansioso por tal encontro. A fala em seus pensamentos fez com que a encarasse de olhos semicerrados, quase... atemorizado. Sendo alguém tão reticente em relação a indivíduos com poderes de manipulação, tal invasão era quase uma afronta. "Não faça mais isso" sussurrou de volta, entredentes, como em alerta. Não a queria invadindo seus pensamentos e plantando todo o tipo de ideia ali. Ou, pior que isso, o controlando. Se não era prudente que ele dissesse coisas demais em frente às câmeras, menos ainda que ela usasse os poderes nele. Era curioso que alguém que dominasse tamanho poder se sentisse tão insegura em relação ao mundo – ou assim Sarp interpretou no momento em que ela perguntou sobre ele ter certeza acerca do que aconteceria com ela no leilão. Avaliou a figura alheia, como se tentasse mensurar quão valiosa era em uma hasta pública. Conhecia o suficiente dos pares a disposição para saber que ela não deixava a desejar em nenhum quesito, mas não costumava ser aquele que elevava a autoestima de outrem, estando mais ansioso por receber elogios do que oferecê-los. "Tenho certeza porque eu mesmo pretendo comprá-la, se subir naquele palco" disse, sem rodeios, porque para ele, não significava muito, e era mais comum que mulheres fossem as leiloadas em eventos como aquele. Apenas lhe ocorria que a Liechtenstein estava longe de ser uma noiva em potencial a ser desprezada, especialmente com um poder daqueles. "Acha mesmo que é relevante que te conheçam? A maioria dos que se conhecem, não se suportam. Um rosto novo como o seu, envolto em mistério, é muito mais interessante e atrativo" para não mencionar excitante. Anna não estava familiarizada com o conceito de carne fresca? "Já respondi a sua pergunta... Mas creio que poderia apenas arrancar da minha mente se eu me negasse a responder, não?" especulou, semicerrando os olhos para ela, intrigado.
laurent ergueu o dedo como se fosse iniciar uma defesa brilhante … mas esqueceu o que ia dizer . ficou alguns segundos com o indicador levantado , olhando pro nada . depois de um tempo , deu um estalo com os dedos , dando para ver o brilho surgir em seus olhos antes de responder . ele abriu um sorriso tão despretensioso quanto maldoso , e disse com a voz meio rouca : ‘ bahar me atura . ’ disse como se fosse o argumento final . uma vitória ! e , no mundo particular em que a mente de laurent vagava — embriagada , arrogante , e perigosamente lúcida em certos aspectos — aquilo realmente era uma vitória . ‘ e olha que ela convive com você , o que já deve reduzir drasticamente a expectativa de vida dela . ’ quando sarp se aproximou , o francês o encarou com um sorriso de quem queria mais . de quem adorava provocar . de quem só precisava de um empurrãozinho pra transformar aquilo em um desastre público . ‘ você me falando isso ? você é um paradoxo ambulante , sarp . anda com a coluna ereta como se carregasse o mundo nas costas , mas vive preso dentro da própria bunda . por isso tem essa cara de constipado . ’ com certeza aquele não era o linguajar que um herdeiro deveria usar . ele passou a língua pelo lábio inferior e riu de novo , num som descompassado . ‘ par les saints , sarp ! não seja tão narcisista e aprenda a se dar a devida irrelevância . eu mal lembro da sua existência . ’ encostou o copo no peito do turco e deu um leve empurrãozinho . ‘ eu bebo porque posso . porque me dou esse luxo . porque é libertador não carregar uma corda no pescoço o tempo todo . ou ter que sustentar esse corte de cabelo … ridículo . você sabe que é ridículo , né ? ’
Foi um olhar mortal, de puro ódio, que direcionou ao francês assim que ouviu o nome de Bahar. Laurent não era inocente – ele sabia o que estava fazendo e onde estava pisando. Sabia que mencionar a assistente faria acender a ira do Karadag, e o fato de estar bêbado só fazia aumentar sua imprudência. Ainda assim, depois de encará-lo por um tempo, Sarp soltou riso breve, sem humor. "Isso não quer dizer muita coisa. Ela é competente justamente porque é uma ótima diplomata. Seria gentil até com a criatura mais desprezível que tivesse a sorte de carregar um título" os olhos avaliadores diziam que estava falando precisamente dele, e dessa vez Cemal não estava falando apenas para atingir Laurent. A Kavur era inteligente e jamais ofenderia um herdeiro direto da coroa, mesmo um que a assediasse continuamente. Riu novamente, como se a piada dele fosse boa. "Pergunte a ela o que acha de conviver comigo" desafiou, negando com a cabeça. Não sabia o que o outro tinha a ver com sua relação com Bahar, no entanto, parecia estar bastante interessado na dinâmica. "Cuidado, alteza" proferiu, ao ouvir a ofensa seguinte. "Sua reputação já não é das melhores... não vai querer descer ainda mais o nível, evet? Se bem que é de se surpreender que ainda tenha algum nível a ser descido" elevou uma das sobrancelhas, estalando a língua uma vez. As notícias envolvendo o filho de Velraisse costumavam ser escandalosas desde que ele pisara na Althara. "É bom saber que estamos na mesma página em termos de interesse mútuo" até ali, ele vinha conseguindo evitar Laurent e passar seus dias livres da presença irritante do outro. Era uma pena que sua paz tivesse sido quebrada. O ápice, contudo, era que estivesse falando de seu cabelo. "Quantos anos você tem? Doze?" pediu, negando com a cabeça, em descrença. Estava, de fato, perdendo um tempo precioso ali. "Me parece que quem se casar com você não vai ser esposa, mas sua segunda mãe"
A constante proximidade com o herdeiro da Anatólia era fruto de mais do que a alegada estratégia traçada para trazer a verdade à tona - uma cuja intensidade dera origem aos Revolucionários de Hasan, grupo que havia se tornado seu propósito de vida. Ainda assim, não era o plano meticulosamente detalhado que, dia após dia, guiava a turca de volta à representação de sua primeira desilusão. Tampouco o desejo de concretizar aquilo que fora idealizado por seus antepassados. Era o magnetismo impresso em cada um de seus movimentos, o timbre aveludado que demandava atenção, a intensidade nos olhos castanhos que ainda a remetiam a um sonho que merecia ser vivido. Dez anos mais tarde, Sanem havia subjugado o efeito que o homem produzia em si. E, em meio a uma dança perigosa, ela se via testando os limites de um passado que não deveria ser desenterrado. A postura endurecida tinha o mesmo tom afiado de suas palavras. Beren sabia que nenhum outro vermelho seria capaz de distraí-lo, não totalmente - ou ao menos era essa a desculpa que havia usado para justificar a própria imprudência. E como evitar? Sarp já deixara claro que não pretendia ignorar inteiramente a sua existência - e esse era um jogo que ambos poderiam jogar. "Difícil imaginar que você considerou passar a eternidade com qualquer pessoa que não seu próprio reflexo. No máximo sua coroa." Ela deu um passo a frente, sentindo a corrente delicada ao redor de seu tornozelo queimar contra a própria pele. A Aksoy nunca entendera ao certo seu apego com o colar, mas quando reconhecera que não conseguiria se desfazer do mesmo, passara a usá-lo como uma tornozeleira. "É isso que está procurando? Outro medalhão para reclamar a atenção de uma dama? Ao que parece alguns hábitos são difíceis de substituir."
Aquela era uma acusação torpe. A última coisa em que havia pensado, enquanto estava com Sanem, havia sido em sua coroa. Se o tivesse feito, sequer teria se embrenhado em lençóis com uma vermelha, tampouco feito juras de amor a ela, promessas que não podia cumprir – era um risco que alguém de seu calibre e posição não podia correr. Hoje, mais amadurecido e experiente, sabia disso. Era verdadeira tolice cogitar trocar um reino por uma paixão juvenil, porém, o jovem Sarp não fazia ideia disso. Era visto que a vermelha baseava suas palavras no que estava vendo naquele momento - na imagem de herdeiro empenhado, emproado, que projetava ao mundo, mormente diante das câmeras. Só podia ser. Caso contrário, estaria sendo completamente injusta com ele. "Isso costuma surpreender até a mim mesmo, quando penso a respeito" desviou o olhar, o riso saindo pelo nariz, como se se envergonhasse da possibilidade. "Eu era um idealista, é claro. E um tolo. Hoje vejo que o mundo não tem toda a cor que eu achava que tinha e que as pessoas são mais cruéis do que eu pensava" deu de ombros, há muito deixando de lamentar por isso. Ao ver que ela não responderia sua pergunta, o Karadag deu mais alguns passos na direção da morena, a analisando em busca da relíquia. "Não preciso de medalhões para impressionar uma dama" esperava que ela mesma pudesse atestar isso, mas, a essa altura, era apenas reticência que Beren projetava em relação a ele, como se não o quisesse por perto. Ele também não deveria se aproximar demais, depois de tudo. Já devia ter aprendido sua lição. "Mas isso te incomoda? Que eu esteja aqui? Atrás de medalhões de outras mulheres?" não estavam mais falando sobre medalhões.
Para um ambiente que prezava tanto pela religião e pelos bons costumes, uma Fonte do Pecado soava, no mínimo, irônica. Caden não sabia se a intenção era repetir com os membros do Althara o mesmo que o Senhor fizera no Éden, mas, aos olhos do clérigo, provavelmente era apenas algo criado para engajar a audiência do programa. No seu caso, a curiosidade havia falado mais alto — e isso o levara até a Fonte.
Não sabia que não estaria sozinho ali — e muito menos quem encontraria. A visão de @karvdag fez o escocês segurar um riso de escárnio no fundo da garganta. Não era da sua natureza entrar em discussões daquele tipo, e mesmo que fosse, estavam sendo filmados. A audiência não tinha o menor interesse no padre — e ele sabia disso. Mas quando se tratava do herdeiro de Anatolia, o cenário era outro. Não podia simplesmente fingir que não o havia visto. Sua postura permanecia impecável, e a expressão, educada e serena. Caden não costumava borbulhar em rancor — mas tampouco esquecia quando alguém tentava atingi-lo. Havia escapado, sim. Mas ainda restava uma mancha ali. E a culpa era do anatoliano. — Aproveitando o evento, Vossa Graça?
Havia certa necessidade em manter a reputação dos Karadag que ia muito além dele próprio. O sangue santo jamais poderia ser maculado por heresias. Ser associado a escândalos seria o suficiente para destruir o nome Karadag, e não seria Sarp a colocar tudo a perder justo na vez dele. A mera ameaça fazia com que o temor o desestabilizasse por completo, e não era incomum que fosse tomado por certa insanidade só de imaginar a repercussão de seus atos. Caden O’Rouke havia ultrapassado um limite que pouco ousavam, obrigando o herdeiro a adotar medida das mais drásticas. Que o episódio servisse de ensinamento não apenas ao padre, mas também a ele: não era seguro confiar em ninguém, nem mesmo num membro do Magisterium. Sarp não podia dizer que não estava surpreso em rever o moreno – a essa altura, já devia ter sido executado; no mínimo, ainda estaria apodrecendo em alguma cela da Igreja da Magia. Vê-lo em trajes formais, cabelo lambido e bem aparado e sapatos impecáveis fazia com que uma veia começasse a latejar na testa do Karadag. No entanto, estavam diante das câmeras, e não havia uma alma naquela audiência que desconfiasse do que havia se passado entre os dois. Os dentes trincaram com a tentativa de conversa do outro. A vontade de Sarp era esganá-lo ali mesmo. "Tanto quanto posso. Enquanto posso" o analisou de cima a baixo, o tom saindo duro, em aviso. Ele entenderia sua mensagem. “Já se recuperou de sua... viagem?”
ㅤ⠀⠀˛ㅤ⠀⋆ㅤ⠀⩨͢ㅤ⠀ᶜ͟ˡ͟ᵒ͟ˢ͟ᵉ͟ᵈ⠀𝚂𝚃𝙰𝚁𝚃𝙴𝚁ㅤ⠀ꗃㅤ⠀@karvdag ˢ̲ᵃ̲ᶦ̲ᵈ : ㅤ⠀❛ just who do you think you are ? ❜
laurent estava com a cabeça encostada na lateral de uma coluna qualquer , uma perna esticada , outra dobrada , o copo pendendo de seus dedos como se não fosse a primeira nem a última taça da noite . não fazia ideia de como tinha parado naquele canto do jardim . muito menos de como sarp tinha acabado ali também . quer dizer — talvez soubesse . talvez ele tenha ido atrás dele só pra provocar . talvez tenha dito alguma coisa infeliz . bem provável que tinha dito , considerando a resposta de sarp . laurent piscou . duas vezes . e depois abriu um sorriso de quem tinha acabado de confirmar uma tese . ‘ ah ! aí está ! ’ apontou um dedo torto e debochado na direção dele , quase derramando a bebida . ‘ merci . é exatamente isso . isso . por isso que eu te acho insuportável , mon vieux . ’ laurent bateu a mão livre contra a coxa e soltou uma gargalhada alta , um tanto esganiçada . aquela conversa estava desconexa e ele sabia que a culpa era sua . ‘ eu nem sei o que eu disse pra você perguntar isso , sabia ? ’ deu de ombros , tomando mais um gole da sua bebida . ‘ mas ... quem eu sou ? ’ fez uma pausa , um sorriso preguiçoso se formando nos lábios . ‘ eu sou melhor que você . inquestionavelmente . incontestavelmente . ’ inclinou-se um pouco mais para frente , sussurrando a próxima frase . ‘ deve ser chato pra caralho ser você . ’
Laurent não merecia sua atenção - o tempo de Sarp era escasso e ele não costumava desperdiçá-lo com tolices. Ao mesmo tempo, para o príncipe, era impossível ouvir uma ofensa e deixá-la impune. Por um momento, ele observou o estado decadente do Velraisse, franzindo o nariz como se o álcool o estivesse atingindo mesmo daquela distância. Era incrível como o príncipe podia ser terrivelmente arrogante mesmo naquelas condições. Sarp piscou uma vez, como se estivesse absorvendo o impacto das palavras antes de responder. "Vindo de você, não é exatamente uma ofensa, já que vossa alteza não é conhecido por ser dos mais agradáveis. Quero dizer, alguém além dos seus irmãos te atura?" arreganhou os dentes num sorriso sem intenção, como quem se desculpa pelo que acabara de dizer. Ele não engolia aquele bastardo ladrão de assistentes já tinha um tempo. Não ouviria as ofensas dele calado. "E essa sua convicção" continuou, entediado, cruzando os braços e caminhando até onde ele estava "tão ensaiada, tão desesperada... Parece que se repetir bastante, talvez até você acredite no que está dizendo" soltou mais baixo, meneando a cabeça, considerando que as câmeras poderiam captar facilmente que estavam entrando em atrito se Sarp se posicionasse de maneira agressiva. "Mas faço das suas palavras as minhas... Deve ser mesmo horrível ser você. Ter tudo e, ainda assim, passar as noites tentando me convencer de que é melhor que eu" e apenas porque não podia perder a oportunidade: "Você bebe porque nem você aguenta ouvir a si mesmo"
As regras que ditavam seus dias haviam moldado a personalidade disciplinada da morena - que, ainda em tenra idade, aprendera que a liberdade não era uma opção. Ao menos não enquanto a soberania azul continuasse a se firmar sobre falácias espalhadas aos quatro cantos do mundo. Beren gostava de pensar, porém, que poderia proteger a filha de todas aquelas incongruências, oferecendo-lhe uma infância mais normal do que a dela própria. Uma tarefa que aparentemente simples, não fosse pelo dilema: acatar as vontades da garotinha ou colocar sua segurança acima de tudo e todos? A segunda opção parecia mais óbvia, até ser atingida pelo tom manhoso e o bico que implorava por clemência. E, afinal, que mal teria em concedê-la cinco minutos sobre o balanço? "Se segure firme!" Ela disse para a menor, tão logo começou a empurrá-la para que fosse o mais alto possível.
Não era um espaço que pertencia a ele para que se aproximasse. Era como se as duas estivessem dentro da bolha particular que haviam construído. Porém, aquela criança lhe intrigava, ao ponto de ser atraído por ela, para perto de onde ela estava - o que era estranho, considerando o tratamento que comumente dispensava aos vermelhos, ao ponto de não se importar com a presença deles. Pode ser que também estivesse com o orgulho ferido por conta das palavras que Beren havia lançado sobre ele durante a Caçada, e sentisse o ímpeto de retorquir, depois de pensar a respeito, ou talvez de chocá-la por se aproximar de sua cria. Certamente, aquilo era uma das poucas coisas que faziam brotar um olhar de pavor no rosto de Sanem, como se Sarp em pessoa fosse capaz de torcer o pescoço da garotinha. "Uma noite agradável para brincadeiras, de fato" começou, se aproximando, se direcionando à mais nova enquanto se posicionava na frente dela, como que para amparar a outra ponta do balanço. "Mesmo que esse não seja o lugar mais adequado para crianças. Sua mãe não te disse?"
Esse é um starter para @karvdag no jardim das luminárias
Ainda que gostasse de pensar que estava se saindo muito bem em frente as câmeras para quem tinha sido afastada delas por cerca de quinze anos, ainda assim lhe era desconfortável um evento daquele porte onde sentia como se sempre tivesse olhos nas suas costas. Fazia com que Annalise buscasse redobrar seu cuidado com suas ações e como se portava, talvez até mesmo a deixando mais engessada do que o normal. Se fosse sincera, costumava fugir e fingir não tinha acontecido nada quando costumava se render a momentos de impulsividade, mesmo que até alguns de seus momentos de impulsividade fossem um tanto premeditados. Contudo, ao ser abordada pelo herdeiro de Anatólia em meio ao jardim, não teve muito mais como escapar de sua companhia. Havia um quê de constrangimento pairando no ar por parte da loira, por que ainda que não tivessem ido até o fim no dia da caçada, não apenas por que era neurótica demais como também por que não achava prudente se entregar por inteiro a um possível pretendente. Ainda haviam tido certa intimidade, ao ponto de que era quase impossível para Annalise olhar para Sarp e não se recordar do toque avido das mãos dele ou dos beijos cobertos de desejo que a incendiaram. Contudo, precisava recordar que ela era gelo, não podia deixar transparecer nada disso ou dar a entender algo errado em frente as câmeras. ❝Alteza, não esperava lhe encontrar aqui.❞ Para que não parecesse tão vazio ou estúpido, fez um leve gesto com a cabeça para dizer que se referia ao jardim e não ao baile. Sorriu de maneira contida, considerando era melhor agir como se nada tivesse acontecido e como se não estivesse potencialmente o ignorando desde então. ❝O baile está bem agradável, não acha? Ainda que tenha achado a fonte do pecado um tanto demais... Mas admito que a parte do leilão é o que acaba me deixando mais incerta, ainda que seja esperado, eu suponho.❞
Ele não estava preocupado com o leilão em si. Sabia como funcionava - acompanhava ano a ano - e já tinha separado algumas milhares de liras para o acontecimento. Era importante que mostrasse não só interesse na dinâmica, mas, também, poder de compra, e se a intenção era vender a Anatólia como um império próspero, ele também tinha de ser mão aberta quando se tratava de fazer um arremate público. Naquele momento, contudo, estava mais focado no que estava acontecendo do lado de fora do salão, mais precisamente, a partir do instante em que avistou Annalise. Tinha convicção que a princesa estava o evitando, só não tinha provas ainda - o que poderia mudar se forçasse uma aproximação. Ele não podia negar a si próprio que estava interessado em um segundo round, de preferência mais demorado e privado do que aquele que tiveram na Caçada. Só esperava que a Liechtenstein não alegasse que tudo não passara de um lapso ou coisa do tipo. Quando se aproximou dela, praticamente a encurralou. Aquela era uma parte do jardim que não contava com tantas luminárias, ainda que elas fizessem sua parte para dar a ele uma visão do rosto da loira. Sarp estava ciente das câmeras, então não podia ser tão incisivo quanto na floresta, é claro. "Se bem me lembro, estou morando aqui, alteza" meneou a cabeça na direção do palácio, ignorando o gesto dela de sinalizar o jardim. Anne devia estar um tanto nervosa com a presença dele - o Karadag atribuía a isso - então era justo que lhe desse um desconto. "Vai ser assim, então? Vamos fingir costume com essas conversinhas triviais?" comentou, com um risinho baixo ao final da frase, ao mesmo tempo que dava mais alguns passos despretensiosos na direção dela. "Temerosa de não ser comprada por ninguém?" elevou uma das sobrancelhas, enquanto a encarava de cima. "Não acho que essa possibilidade exista"
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✦ INFORMAÇÕES BÁSICAS
Nome completo: Sarp Cemal Karadağ
Reino de origem: Anatólia
Título/Posição: príncipe / primeiro na linha de sucessão ao trono
Idade: 32 anos
Status atual: solteiro
✦ PERFIL PSICOLÓGICO
Obsessivo. Tem necessidade extrema de controle — do próprio corpo, das emoções e do ambiente. Tudo deve estar sob domínio: a fé, a política, os sentimentos e até os ossos dos outros. O imprevisível o desestabiliza profundamente, pois não sabe improvisar. Frio e Contido. Não demonstra emoções com facilidade. Evita vínculos, não chora, não se permite colapsar em público - aliás, se permite muito pouco em público que não seja a exposição de imagem de herdeiro imaculado. O silêncio e o olhar são suas principais formas de comunicação emocional. A raiva se expressa por gestos sutis e decisões impiedosas. Carismático por necessidade, não por espontaneidade. Sarp não é naturalmente sociável, mas sabe exatamente como falar, como parecer poderoso, como moldar um discurso que inspire temor e reverência. O charme dele é cirúrgico, calculado e reservado para situações pontuais. Religiosamente estruturado. Se ancora nos rituais como quem se ancora num navio em tempestade. A fé não é um sentimento, mas uma armadura que o protege da ruína. Ele precisa crer para não sucumbir à culpa, ao desejo, à dúvida, embora, atualmente, tenha mais a ver com ritualística, simbolismo e repetição do que com crença propriamente dita.
Quando se fala de Sarp, necessário compreender que a culpa é o sentimento que o move e consome na maior parte do tempo. Carrega consigo a sensação constante de que falhou — com os deuses, com sua mãe, consigo mesmo. Toda disciplina nasce do processo de expiação. Diante disso, não é difícil imaginar que existe uma raiva fria, contida, sempre à espreita, que se evidencia em sua insatisfação e desgosto com a maioria das coisas. O anatoliano não costuma gritar, mas quando sua raiva o domina, ela sai na forma de sentenças, execuções, julgamentos e silêncios cruéis. O Karadag tem horror à ideia de ser visto como vulnerável ou fraco. Também possui um medo exagerado de si mesmo - de repetir os erros cometidos no passado - ou de perder o respeito do povo. Por conta disso, é paranoico com aparência, postura, pureza e autoridade, vivendo em constante estado de contenção.
𝑇𝑅𝐴𝑈𝑀𝐴𝑆 𝐸 𝐹𝐸𝑅𝐼𝐷𝐴𝑆 𝐸𝑀𝑂𝐶𝐼𝑂𝑁𝐴𝐼𝑆
Infância instrumentalizada: Sarp não foi alvo de afeto. Foi moldado. Desde cedo foi visto como símbolo, não como menino. Foi exposto à morte, à violência, à fé como ferramenta de guerra. Nunca teve um espaço seguro para existir como ser emocional. Seria demais esperar que se desenvolvesse como um ser humano funcional e não um indivíduo robotizado.
Traição e humilhação afetiva: A relação com Sanem representa a única vez que permitiu-se sair do script. No entanto, foi recompensado com traição e exposição. Isso não apenas reforçou sua repressão, como cimentou a ideia de que o amor é uma armadilha. Além disso, fez com que intensificasse seus problemas com confiança, não se abrindo facilmente a relações externas que extrapolem o meramente formal/superficial.
Conflito fé versus curiosidade: Apesar de condenar a Fé Rubra, estuda seus rituais com fascínio. Esse embate interno gera fraturas espirituais profundas. Ele precisa da fé para sobreviver, mas parte dele deseja o que ela proíbe.
𝑀𝐸𝐶𝐴𝑁𝐼𝑆𝑀𝑂𝑆 𝐷𝐸 𝐷𝐸𝐹𝐸𝑆𝐴
Negação: Recusa reconhecer seus sentimentos como reais ou válidos. Tudo é rotulado como "testes dos Santos", "fraqueza da carne", "ecos do pecado".
Sublimação: Transforma dor e desejo em treino, rituais, missões e execuções. Quando sente demais, luta mais. Quando está instável, busca punição ritualística.
Isolamento emocional: Evita intimidade profunda. Seus relacionamentos são curtos, secos, e muitas vezes, cruéis no desfecho. Ele teme ser tocado de verdade.
Idealização do dever: Acredita que está destinado a algo maior, que não pode se permitir errar. Essa ilusão o mantém de pé, mas também o aprisiona.
𝑀𝑂𝑇𝐼𝑉𝐴𝐶𝑂𝐸𝑆
Ser o exemplo perfeito do herdeiro santo. Mostrar que é a espada da vontade divina, que sua linhagem é sagrada, que ele nunca vacila. Aí reside uma necessidade extrema de reconhecimento divino, atrelada à ideia de missão sagrada (possível delírio controlado de messianismo)
Evitar o caos interno. Controlar o mundo é a única forma que ele conhece de não cair nas próprias rachaduras.
Vingar-se do próprio passado. Ser cruel com os hereges é, em parte, uma forma de castigar simbolicamente a Sanem, e também a si mesmo.
Manter a mãe satisfeita (e afastada).
✦ PODER REGISTRADO
Manipulação Óssea: capacidade de manipular ossos — próprios ou alheios — de forma precisa, consciente e profundamente física. Trata-se de uma forma de magia silenciosa e interna, que age através da estrutura corporal, controlando a base do ser com uma autoridade inegociável. Sarp pode mover, travar ou quebrar ossos de outras pessoas com um gesto, um olhar, ou pura intenção. Também é capaz de sentir anomalias, fraturas ou hesitações no sistema esquelético de outro indivíduo, mesmo à distância. O poder se manifesta de forma quase invisível, com sutis ruídos de fricção, estalos secos e uma sensação opressora no ar, como se a própria espinha de quem o observa enrijecesse. Por conta do poder, o Karadag não precisa erguer a voz ou ordenar que alguém se ajoelhe - ele simplesmente obriga. Limitado a um indivíduo por vez. Pode ocasionar enxaquecas severas no portador e esgotamento físico.
Nível de controle: alto.
✦ ESTADO EMOCIONAL OBSERVADO
O indivíduo analisado apresenta um perfil de rigidez extrema, moldado por condicionamento religioso, doutrinação precoce e vigilância simbólica constante. Exibe traços notáveis de comportamento obsessivo-compulsivo, fixação por pureza e necessidade de controle absoluto, tanto do espaço quanto dos corpos alheios — o que se relaciona diretamente com os poderes manifestados por ele ainda na infância. Não há sinais visíveis de instabilidade pública até o presente momento, sendo a fachada comportamental exemplar em rituais, missões e cerimônias. No entanto, a análise de registros privados (cartas queimadas, imagens de segurança, comportamento noturno) revela conflitos internos severos, suprimidos sob fé obsessiva.
✦ PERFIL COMPORTAMENTAL EM CRISE
Algo que não deve faltar a um rei, ou sultão, é capacidade de contenção de crises. No entanto, o que se observa no alvo em comento, quando em situações privadas, é forte tendência para a instabilidade ou desvario, embora tente manter uma fachada de frieza. Sua liderança pode não ser efetiva em momentos de crise, o que não significa que ele não gosta de mandar e desmandar. Aliás, em cenário extremo, jamais se colocaria a mercê de outrem, mesmo à beira de um colapso emocional. É naturalmente agressivo e manipulador, podendo assumir traços egoísticos também, com pensamentos voltados para o próprio bem-estar ou daqueles com quem se importa.
✦ PADRÕES DE INTERAÇÃO SOCIAL
A figura mais proeminente em questão de poder, dentro do espectro de Sarp, é a rainha Zeynep Karadag. Quem conhece os Karadag de perto sabe que ela é a base da coroa anatoliana, projetando no filho mais velho tudo o que deseja para o futuro da Anatólia. Desde sempre, Cemal pode se valer dessa relação que era tanto protecionista quanto extremamente exigente. Na mesma medida em que a mãe extraía o máximo dele para que ele fosse o melhor, também o punha debaixo de sua asa, blindando-o de quaisquer ataques - o que permanece até hoje. Todos os erros que um dia Sarp pensou em cometer foram abafados pela rainha-mãe e seu séquito de fiéis serviçais, clérigos e nobres azuis. Não é preciso que o príncipe forme, por conta própria, alianças estratégicas quando tem a mãe para fazer isso por ele. De qualquer modo, somente se alia pensando estrategicamente e jamais afetivamente. Sua rivalidade normalmente está reservada não apenas para vermelhos, mas todos aqueles que se mostram apoiadores da causa rubra e proclamam necessidade de igualdade entre raças. Tais figuras, inclusive, sequer são admitidas na corte da Anatólia para que a heresia não seja fomentada.
✦ PERFIL POLÍTICO-RELIGIOSO
O príncipe da Anatólia é visto pelo público externo como um fervoroso da fé anil e defensor ferrenho do Magisterium, o que se deve aos incontáveis benefícios que decorrem de sua posição privilegiada de herdeiro azul apoiador da fé. A própria rainha anatoliana é um membro honorário da Ordem dos Véus, evidenciando o forte vínculo da coroa com a Igreja da Magia. Por seu turno, Sarp comanda a Tropa de Bizâncio, um grupo de Caçadores de Vermelhos com dons - braço não oficial da Ordem dos Véus - conhecidos por sua brutalidade meticulosa. Neste papel, atua como uma espécie de inquisidor de campo, responsável por capturas, interrogatórios e execuções. Aparece pessoalmente em execuções públicas, recitando salmos antes de ordenar a morte dos amaldiçoados. Considera todo tipo de rebelião um pecado, e todo rebelde, um traidor da luz.
✦ RISCO DIPLOMÁTICO
Sarp Karadag é uma estátua viva: feita de mármore, adornada com ouro e cheia de rachaduras prestes a ceder. Enquanto o pedestal for firme — fé, mãe, trono — ele se mantém de pé. Mas se uma dessas bases ruir, ele cai. Em outras palavras, se não estiver sob constante monitoramento daqueles que lhe prestam assistência (especialmente Bahar Kavur), é bem provável que protagonize uma crise diplomática cedo ou tarde, pela dificuldade de inibição pessoal, julgamentos excessivos e antagonismo a outros azuis que não compartilham de suas opiniões.
Classificação: alto acima da média.
✦ RELAÇÕES ESTRATÉGICAS
Catalina Bourbon (possível acordo matrimonial): a princesa de Castilla é a escolha mais provável para um casamento com Sarp, dando seguimento ao legado familiar de obediência à fé anil, especialmente porque o príncipe está disposto a contribuir com os Bourbon para que ela seja afastada da linha sucessória. @vaicatalatinha
Søren Magnusson Nygaard (aliança estratégica): podem não vibrar de amor um pelo outro, mas o fato de seguirem a mesma ideologia faz de Soren um aliado valioso para Sarp, especialmente porque o reino sueco parece ser o único preocupado com a questão vermelha. @sonotsoren
Laurent Lefevre (rival): a relação com Laurent é, no mínimo, tensa. Chame de disputa de egos, mas os dois não podem frequentar a mesma sala sem causar uma crise diplomática. O príncipe de Velraisse está sempre encontrando maneiras sutis de questionar os dogmas, rir das certezas e chamar atenção para o quão cego Sarp pode ser. @cheiodelorota
✦ INDICADORES DE AMEAÇA
sugestão de associação com sangue vermelho ou mistura de linhagem
questionamento público da legitimidade da Casa Karadag ou insinuações de não descenderem de Santo Thaelis Var Drayan
insinuações de que a rainha-mãe Zeynep controla suas decisões
a simples presença de Zeynep
"Ersan"
✦ INFORMAÇÕES SENSÍVEIS
Há fortes indícios apontando no sentido de que as relíquias do suposto Santo Thaelis Var Drayan que estão em poder da Casa Real Karadag são falsas, assim como a documentação que remete à sua ascendência foi fabricada para conferir status sanguíneo mais elevado à família real anatoliana. Assim, a fachada santificada de Sarp foi fabricada.
Estudo clandestino de rituais da Fé Rubra (guardados em Arquivo Mortuário S-13, alas de conteúdo proscrito). Argumenta que mantém os arquivos na tentativa de antecipar rebeliões.
Obtidas anotações do psicólogo real de sonhos perturbadores com entidades não catalogadas, que se referem a Sarp por nome alternativo ("Ersan")
Apresenta momentos de raiva congelada, especialmente ao lidar com rebeldes de origem vermelha. As execuções empreendias pelo Karadag costumam ser excessivamente e desnecessariamente cruéis, o que indica dissociação emocional avançada.
Relação herética com uma mulher vermelha ("SANEM", codinome registrado), aos 21 anos. Os registros indicam que o caso foi abafado pela família real, com eliminação da vermelha.
✦ BOATOS
Dizem as más línguas que o episodio infame entre o príncipe de Anatólia e a vermelha Sanem foi uma cortina de fumaça para o verdadeiro escândalo: sua relação inadequada com sua assistente, Bahar Kavur. Segundo fontes anônimas, a azul teria manipulado o herdeiro e engravidado de um bastardo. Infelizmente, a gravidez teve fim prematuro. Uma benção para alguns, um castigo para outros.
Soldados afirmam que, em noites de lua nova, ele se tranca em seus aposentos e grita nomes em línguas esquecidas. E quando sai, o chão está manchado de sangue — mas ele não carrega nenhum ferimento visível.
Há um boa mais recente: observadores da Althara sussurram que Sarp está diferente. Que há um brilho insano nos olhos do príncipe. Que houve um tremor na mão direita durante a última entrevista. Que, antes de sua vinda para Treatan, ele hesitou antes de executar um herege.
✦ OBSERVAÇÕES ADICIONAIS
Recebeu cinco honrarias da Ordem dos Véus, embora também tenha acumulado 17 denúncias formais de "excesso ritualístico" e "abuso de poder simbólico", todas arquivadas por falta de provas (ou conveniência política).
No campo diplomático, sua atuação é rígida e pouco flexível, o que o torna útil como figura de ameaça, mas perigoso em ambientes plurais. Poucos aliados, mas respeito absoluto por parte dos reinos mais conservadores.