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Caminhar não estava ajudando. Tudo bem que não estava exatamente dando uma volta pelo jardim, mas mesmo assim parecia não adiantar de muito ficar apenas ali, quase criando um buraco com seus próprios pés. Precisava voltar. Tinha certeza disso. Contudo, não tinha certeza se realmente queria, muito menos se conseguiria manter a pose na frente de todos. Ao que lutava com seus próprios pensamentos, ouviu alguém lhe chamar. Estava pronta para ser grossa com quem quer que fosse que ousava lhe atrapalhar quando seu sistema finalmente filtrou o tom de voz. Era ele. Um dos responsáveis por seus conflitos internos. Virando-se para visualizá-lo, seu coração falhou uma vez. Kadeen não estava com o traje de baile como os guardas escalados para aquela noite eram obrigados a usar, mas não deixava de estar impecavelmente lindo em seu traje de sempre. A cor branca favorecia demais o homem, e acabou ultimamente se tornando uma de suas cores favoritas. Contudo, o feitiço pareceu se quebrar quando o general pronunciou as novas palavras. Toda a angústia voltou em um turbilhão só, fazendo até a princesa dar alguns passos para trás. “━━ Eu sei. Eles estão sempre atrás de mim. Eles estão sempre me pressionando e me impondo decisões sobre algo que eu não faço a mínima ideia e não sei como reagir. Você sabia que informaram que eu deveria mandar três embora? Três! Eles querem que essa seleção termine logo. Eles querem que eu arranje um marido. Eles querem continuar mandando em minha vida. E eu…” Depois de tanto, Phoenix finalmente precisou de ar, respirando profundamente. Kadeen não merecia ouvir tudo aquilo, não era sua função. Mas no fundo sabia que o homem não iria lhe trair e que nada que havia acabado de desabafar caíra nos ouvidos do rei. “━━ Eu não sei o que fazer. A única coisa que eu realmente desejo está fora de meu alcance e isso é frustante demais.”
Todas as vezes que Kadeen colocava seus olhos em Phoenix, parecia ser a primeira. Era como se sempre houvesse alguma coisa nova para observar na mulher, algo que o cativava a ponto dele não querer afastar o olhar dela nunca mais. E céus, não se importaria com aquilo. Se pudesse passar o resto de suas horas naquele palácio apenas olhando para a princesa, seria o homem mais feliz do mundo. O tanto de consciência que tinha sobre isso era o mesmo tanto que tinha sobre a proibição que rondava todo o desejo, e era o segundo ponto que sempre havia o impedido de dar qualquer sinal que fosse sobre seus sentimentos sucumbidos. Obrigava-se a trazer a memória o que havia acontecido com seu pai para servir de incentivo para a própria discrição, e colocando seu coração em volta daquelas lembranças, se tornava quase fácil fingir que ele era apenas um guarda, ela era apenas a princesa e o que existia entre os dois era apenas o respeito de uma relação profissional. Ele engoliu seu coração para ouvir o que ela tinha a dizer, e o general que tinha sorrisos tão raros, fora obrigado a reprimir um de seus poucos ao ouvir a forma acelerada que ela expelia as palavras. Era tão típico de Phoenix. “Você é a princesa da Inglaterra, alteza. Não me parece provável que qualquer coisa que você queira possa estar fora de seu alcance.” Murmurou com a voz calma, torcendo mentalmente para que ninguém chegasse naquele momento e o pegasse falando com menos formalidade com a monarca. Conversando de igual para igual, como se em algum ponto eles pudessem ser minimamente parecidos. Suas posições eram os mais distintas que podiam ser. “Perdoe-me se eu estiver me intrometendo, é só que... O seu medo é totalmente compreensível. São decisões que não decidirão apenas o seu futuro, mas também o futuro de todo o nosso país. A pressão é muito grande.” Ele continuou, certificando-se de manter a postura rígida. Pelo menos alguma coisa ali precisaria seguir a formalidade requerida. “Mas você foi criada para isso, alteza. Para tomar decisões. Tenho certeza que vai conseguir fazer a coisa certa, ou pelo menos, a coisa mais racional para se fazer.”





