OLIVER WOOD é um aluno da GRIFINÓRIA que atualmente tem VINTE ANOS e está em seu DÉCIMO ANO em 1999. Nascido em Dorset, Inglaterra, filho de mãe britânica e pai tailandês, cresceu sob a promessa de uma vida estável como funcionário do Ministério da Magia como seus pais, um caminho que nunca apeteceu seguir. Goleiro por excelência da Grifinória, Oliver vive e respira QUADRIBOL como se tudo dependesse disso, porque, para ele, depende. Cada treino é levado ao limite, cada erro é revisto exaustivamente e cada vitória nunca parece ser suficiente. Seu maior objetivo é vencer. Recorrentemente encontrado nos campos de treino — não raro em horários não permitidos —, Wood dificilmente se permite algum descanso, apoiando-se quase inteiramente na disciplina e no controle, mesmo que isso cobre um preço alto. Não o confunda com PAVEL NARET PROMPHAOPUN, aliás; embora sejam parecidos, definitivamente não são a mesma pessoa. Pode ser DILIGENTE e LEAL, mas também se mostra AMBICIOSO (beirando o egoísmo) e INTROVERTIDO. Se por um acaso cruzar com ele pelos corredores do castelo ou pelo campo, sinta-se livre para cumprimentá-lo — mas não espere muita conversa, já deixo avisado de antemão. Oliver provavelmente tem um treino (ou não mais) para voltar.
WANTED CONNECTIONS
TASK — HEADCANONS MÁGICOS
INFORMAÇÕES BÁSICAS
NOME COMPLETO: Oliver ‘Wichai’ Wood
IDADE E DATA DE NASCIMENTO: 20 anos, nascido em 14 de junho, 1979
LOCAL DE NASCIMENTO: Dorset, Inglaterra
ORIENTAÇÃO SEXUAL: bissexual
CASA: Grifinória
ANO ESCOLAR: 10º ano
PAIS: Warin Sukumpantanasan (pai/tailandês) e Beatrice Wood (mãe/britânica), ambos funcionários do Ministério da Magia. Por ter nascido na Inglaterra, Oliver adotou o sobrenome da família da mãe
STATUS SANGUÍNEO: mestiço
EXTRACURRICULARES: Quadribol (goleiro), Clube de duelos e Armada de Dumbledore
VARINHA: madeira de carvalho inglês, núcleo de fibra de coração de dragão, 29 cm, rígida
PATRONO: falcão-peregrino
BOGGART: perder um jogo decisivo por sua própria falha
ESPELHO DE OJESED: Oliver se vê vestindo o uniforme de um time profissional, erguendo uma taça após uma grande vitória; finalmente reconhecido, validado como jogador e goleiro
ANIMAL: Uma coruja castanha chamada Phu
BIOGRAFIA
“A vida tinha que ser mais emocionante do que somente aquilo.” Era assim que Oliver Wood se sentia sempre que voltava para casa durante as férias da escola. Não era falta de amor, nunca foi, e nunca seria. Ele amava profundamente seus pais. Filho de mãe britânica e pai tailandês, ambos funcionários de baixo escalão do Ministério da Magia, recebeu deles tudo o que podiam oferecer, uma vida estável e segura, afeto, noções claras de ética e de certo e errado, além de um direcionamento bem definido — a expectativa de que seguiria o mesmo caminho deles no futuro. Mesmo com tudo isso, estabilidade nunca pareceu suficiente. Oliver queria muito mais. Simplesmente não suportava a ideia de uma vida acorrentado a uma mesa em um cubículo no Ministério, preenchendo relatórios e mais relatórios, vivendo os dias um após o outro como se fossem todos iguais. Não quando existia o jogo. Não quando existia aquela sensação mágica — elétrica, lacerante e viciante — de estar no ar, com o coração acelerado e um desejo pungente de vencer. Enquanto houvesse quadribol, Wood seria incapaz de escolher outra coisa.
Desde o primeiro ano, Oliver encontrou no campo de quadribol algo próximo de um propósito. Enquanto outros primeiranistas ainda tentavam descobrir onde se encaixavam, ele passava horas assistindo aos treinos sempre que os horários permitiam, observando cada jogada com atenção quase cirúrgica. Aprendeu regras e estratégias muito antes de vestir o uniforme da equipe e, quando finalmente entrou para o time como goleiro, viu confirmada a convicção que cultivava havia anos: era ali que queria estar.
Não era o mais talentoso da equipe, mas ninguém treinava tão exaustivamente como ele. Incansável, quase obsessivo, Oliver se construiu como jogador à base de muita repetição e disciplina. Cada gol sofrido era revisto por ele incansavelmente. Cada erro defensivo, corrigido o mais prontamente possível. A cada treino, exigia mais de si do que no anterior, e com o tempo, isso chamou a atenção dos seus veteranos. Sua postura e seriedade em campo não passaram despercebidos. A vaga de goleiro titular, em resposta, não chegou a ser uma surpresa.
Fora do campo, sua presença era mais discreta. Não era o tipo de aluno que se destacava academicamente, mas mantinha notas suficientes para não se tornar um problema que o impedisse de jogar. Era evidente onde estavam suas prioridades. As relações interpessoais nunca foram simples. Conectar-se com pessoas que não compartilhavam, de alguma forma, do universo do quadribol era… difícil. Não por falta de interesse por parte de Wood, mas porque tudo nele parecia girar em torno do jogo. Sua intensidade afastava as pessoas antes mesmo que qualquer vínculo pudesse se firmar. Porém, aqueles que insistiam em estar por perto, acabavam eventualmente o entendendo; Oliver era, à sua maneira, um bom amigo e uma boa pessoa, apenas exigia mais paciência do que a maioria estava disposta a ter com ele.
Oliver está no seu último ano em Hogwarts. Tudo parece mais urgente. Desta vez, não se trata apenas da garantir a Taça para a Grifinória. Trata-se do que vem depois da formatura. Trata-se de provar que isso nunca foi apenas uma fase, nunca foi uma distração adolescente. Era seu futuro que estava em jogo e quadribol era o seu mundo inteirinho. Sim, havia muitos riscos em escolher esse caminho. Não existiam garantias, estabilidade ou o conforto que seus pais sonhavam para ele. Existia apenas um caminho de incertezas e variáveis, mas Oliver nunca teve medo de trabalhar duro. Ele está disposto a ir até o fim. Treinar até a exaustão, se fosse preciso. Jogar como se cada partida fosse a última. Oliver Wood não nasceu para uma vida comum. Ele nasceu para ser um jogador, e não pretendia desistir sem lutar para sê-lo.
PERSONALIDADE
Oliver Wood está longe de ser um mistério. Na verdade, não é nada difícil desvendá-lo. Ele não se mostra muito diferente daquilo que realmente é. Sua obsessão por quadribol não é algo que esconda de ninguém, e ele não se importa nem um pouco com a forma como é percebido pelos outros. Para ser honesto, até prefere que mantenham certa distância; Oliver não pode se dar ao luxo de distrações desnecessárias. Todo o seu foco está no jogo. Mais do que um interesse ou uma paixão avassaladora, é onde encontra direção, controle e, em muitos aspectos, seu valor.
Wood é profundamente empenhado em tudo o que faz; quando se compromete com algo, move céus e terra para concretizá-lo. Está longe de ser tão bonzinho quanto pode parecer à primeira vista. É ambicioso e obstinado, não hesitando em fazer tudo ao seu alcance para alcançar seus objetivos. Sua ambição é seu maior aliado, mas também pode se tornar sua maior ruína. Vive constantemente em uma corda bamba, já que raramente mede esforços para conseguir o que quer, sendo forçado a buscar um equilíbrio para não ferir os outros, nem a si mesmo.
Competitivo e disciplinado, não aceita facilmente falhas, especialmente as próprias. Sua autocrítica é implacável. Mesmo que não tenha a intenção de ser duro, sua comunicação direta frequentemente o faz soar mais exigente do que ele percebe. Isso sempre lhe causa problemas. Mas, para aqueles persistentes o suficiente para se aproximar, Oliver não é tão inacessível assim, é apenas mais reservado.
Embora seja introvertido, torna-se surpreendentemente articulado quando fala sobre o que ama, especialmente o esporte. Observador e estratégico, aprendeu dentro de campo a ler pessoas, hábito que carrega também fora dele. Tende a escutar mais do que falar, o que o faz parecer distante, mesmo quando está presente. Quando demonstra lealdade, ela é inabalável. Oliver não é de grandes gestos; sua forma de se importar está na presença e no permanecer. Por ser emocionalmente reservado, tem dificuldade em expressar vulnerabilidade.
Mesmo aos vinte anos, segue tentando encontrar algum equilíbrio, embora, no último ano, esteja mais à flor da pele do que gostaria de admitir. Portanto, é aconselhável um pouco de paciência.
A postura séria de Oliver era uma faceta que ela sempre havia achado engraçada, pois ela nunca teve algo que amava tanto igual ele tinha o Quadribol. A dedicação dele, e o amor pelo esporte sempre faziam com que ela o admirasse, mas ao mesmo tempo conseguia ver o quanto aquilo sugava dele. Como ele poderia se perder em ter apenas aquele objetivo em sua frente e havia decidido como sua missão de vida fazer com que Ollie olhasse para todo o resto. Ele era mais do que aquele jogo, e merecia saber disso. Além disso, tinha às vezes a impressão que ele nem sequer sabia que estava agindo daquela forma era só automático e como sua fiel escudeira se deu o papel de estar ao seu lado.
"Até parece. Aposto que você deve adorar todos gritando seu nome. Além do mais o que é bonito é para ser visto." Não que ela fosse uma pessoa que ficasse prestando atenção somente nos corpos dos jogadores, mas era como Daphne havia dito e ela estava fazendo questão de agora puxar um ponto importante para ele. "Vai me dizer que você nunca ficou olhando algum outro jogador ou jogadora? Por Merlin, vocês jogando são todos tão lindos e lindas. Acho conseguiria escrever uma ou duas histórias sobre isso."
Quando voltaram a falar sobre ela e o que ela havia perguntado não pode deixar de ficar ainda mais ansiosa e nervosa. "Eu sou eu? Que fofo." Ficou na ponta dos pés para beijar a bochecha de Oliver. Mesmo sendo de um jeito diferente sabia que aquele era uma das coisas mais bonitas que ele já havia falado sobre ela. "É que você é todo galã, já deve ter todo tipo de experiência e como é minha primeira vez namorando e sentindo coisas assim fico com medo de não ser suficiente. Sei que vocês tem toda essa visão de Ron, mas não é a minha visão. Pensa como você se sentiria sendo mais inexperiente do que a pessoa que você gosta muito? Além de todos acharem que ele tem um romance épico com a melhor amiga dele, o que todos envolvidos já certificaram que é mentira. Eles não se interessam dessa forma, mas ela é apenas Hermione Granger. A melhor bruxa da nossa geração, inteligente e bonita. Não tem como eu competir com isso, não que seja uma competição, pois Hermione não gosta de Ron desse jeito e nem Ron de Hermione, mas eu não deixo de pensar que se eu fizer qualquer coisa errada não vou nem ter tempo de mostrar quem eu sou para ele, e se eu mostrar e ele não gostar? Sei que na maior parte das vezes posso ser exagerada e falar demais, mas...Só não quero que nada de errado. Acho que é isso. Você já sentiu algo assim?"
Estava prestes a negar o que Lavender dizia, mas o sorriso que surgiu em seus lábios o entregou completamente. Poderia até tentar negar, mas, àquela altura, soaria muito falso. Com uma confiança teatral, ele apenas deu de ombros, esforçando-se para parecer despreocupado. "Não é de todo ruim, quando acontece; o que não é sempre, vale pontuar." Preferiu não se estender demais, com o risco de soar muito presunçoso, algo muito longe do seu feitio. Quanto à questão da beleza, optou por não comentar. Ainda se lembrava da sensação do calor subindo às bochechas e pretendia evitar, a todo custo, passar por aquilo novamente. Tinha uma reputação a zelar. "Ah..." Por alguns instantes, não soube o que responder. Quando estava em campo, a última coisa em que reparava era a aparência dos outros jogadores. Seu foco estava sempre voltado para a partida. Fora do campo, a história era um pouco diferente. Não que costumasse admitir isso em voz alta, mas havia ocasiões em que seus olhos acabavam se demorando mais do que deveriam em certas pessoas, que preferia ignorar completamente, e aquele era precisamente o tipo de informação que não conseguia se imaginar compartilhando com alguém. "Nunca é uma palavra muito forte e..." Antes que pudesse concluir o pensamento, a curiosidade foi mais forte, o que fizera com que atropelasse a si mesmo e questionasse. "História? Como assim?"
Oliver não esperava por aquilo. Por um breve instante, ficou imóvel quando Lavender depositou um beijo em sua bochecha. A ação foi suficiente para fazê-lo esquecer qualquer resposta espirituosa que estivesse pensando em dar. Sentiu o calor subir pelo rosto quase imediatamente; xingou-se mentalmente por não conseguir se controlar. Seu primeiro impulso foi desviar o olhar, como se observar qualquer outra coisa ao redor fosse mais fácil do que encará-la naquele momento. "É..." Limpou a garganta, numa tentativa falha de recuperar a postura. "Eu só falei a verdade, nada mais."
Oliver permaneceu em silêncio por alguns instantes, absorvendo tudo o que Lavender havia dito. As preocupações dela lhe pareciam familiares demais e, embora não fosse do tipo que costumava expor suas próprias questões, foi sincero ao responder. "Já. Não exatamente da mesma maneira, mas... já." Ele desviou o olhar por um instante, fixando-o em algum ponto distante. Precisava, mais uma vez, colocar os próprios pensamentos em ordem e impedir que aquela conversa se transformasse em algo sobre ele. "Acho que todo mundo já gostou de alguém e pensou que não tinha muito a oferecer, especialmente quando se compara a uma outra pessoa." Diferente de antes, seus olhos estavam na Brown. Ele queria que a própria tivesse certeza que estava sendo sincero e que se importava, mesmo não sendo a melhor das pessoas naquele momento para aquele tipo de resposta. "Hermione é Hermione e você é você. Parece uma resposta meio óbvia, eu sei, mas é verdade. Se o Weasley gosta de você, então é você quem ele quer. Acho que está sendo um pouco injusta consigo mesma."
Oliver hesitou por um instante antes de continuar. Aquelas palavras, presas no seu coração, foram liberadas sem nenhum pudor. "Você é inteligente, engraçada, linda e consegue arrancar um sorriso das pessoas mesmo quando elas não querem sorrir. Sem contar que é impossível entrar em um cômodo sem notar quando você está nele." Só depois de dizê-las percebeu o quanto aquilo soara sincero. Oliver permaneceu em silêncio por alguns instantes, procurando as palavras certas. Não era exatamente um especialista em relacionamentos, mas aquilo lhe parecia simples o bastante. "E quanto a cometer erros… Weasley não é nenhum babaca. Se você for sincera, ele vai compreender e te ajudar também. É assim que essas coisas deveriam funcionar. E, se for diferente disso, você me avisa. Posso dar um jeito nele." Seu olhar suavizou, e um sorriso discreto surgiu no canto dos lábios. Nem mesmo o próprio Oliver sabia o que faria caso Ron Weasley partisse o coração de Lavender.
Varinha: madeira de carvalho inglês, núcleo de fibra de coração de dragão, 29 cm, rígida.
Amortentia: o cheiro da chuva sobre a terra molhada, a fumaça de uma lareira acesa, biscoitos recém-saídos do forno e aquele aroma limpo e reconfortante de sabonete, shampoo e lençóis recém-trocados.
Patrono: falcão-peregrino.
Bicho-papão: o instante após uma final perdida. No cenário que visualiza, o campo de quadribol encontra-se mergulhado em um silêncio opressor após o apito final, enquanto o placar anuncia a derrota da Grifinória. Os gritos da torcida transformam-se em acusações, e cada olhar abatido de seus companheiros parece lembrá-lo ou até mesmo acusá-lo de que foi sua falha que destruiu o sonho do campeonato pelo qual todos trabalharam tão duro.
Qual foi o primeiro sinal de magia que você demonstrou quando criança? durante uma reunião familiar, o pequeno Oliver tentou a todo custo chamar a atenção dos adultos. Irritado por ser completamente ignorado, sua frustração fez com que lançasse uma magia acidental, no qual os lábios de todos na sala se colaram instantaneamente, selados como se tivessem sido colados (inspo: Lan Wangji, saudades MDZS).
Feitiço favorito: Accio, pela praticidade e versatilidade.
Poção favorita: Poção Restauradora de Energia.
Matéria favorita: sem surpresa, Oliver adorava as aulas de Voo desde o primeiro ano. Guarda muitas boas lembranças daquele período; a sensação de liberdade era algo inesquecível.
Matéria que menos gosta: História da Magia. Oliver entende sua importância, mas nunca teve muita paciência para aulas teóricas. Prefere matérias mais equilibradas entre teoria e prática.
Professor favorito: professora McGonagall.
Professor que evita: professor Snape.
Lugar favorito em Hogwarts: o campo de quadribol.
Lugar de Hogwarts onde raramente pisaria: se pudesse, evitaria a ala hospitalar. Oliver odeia ficar parado e sempre teve dificuldade em aceitar que precisava descansar. Mas, no geral, é a biblioteca mesmo.
Loja favorita do Beco Diagonal: Artigos de Qualidade para Quadribol.
Criatura mágica favorita: hipogrifo.
Time de Quadribol para o qual torce: Puddlemere United.
Celebridade bruxa favorita: Gwenog Jones, ela possui exatamente o estilo de liderança que o Oliver admira.
Figura histórica do mundo mágico que admira: Dumbledore.
Opinião sobre o Ministério da Magia: o Ministério da Magia não lhe passa nenhuma confiança. Reconhece a importância dele e o trabalho das pessoas que o mantêm funcionando, mas acredita que a instituição nem sempre é tão eficiente, justa e transparente quanto deveria ser. Considera que, muitas vezes, o Ministério prefere se isentar diante de problemas ou agir apenas quando a situação já se tornou impossível de ignorar.
Opinião sobre sangue-puro, mestiços e nascidos-trouxas: Oliver nunca foi alguém que se importasse muito com sobrenomes, origens, sangue ou a posição que alguém ocupava. Para ele, o que realmente dizia algo sobre uma pessoa era seu caráter.
Uma superstição mágica que segue: Oliver não é supersticioso. Não acredita que deixar de seguir alguma superstição lhe traria azar ou influenciaria o resultado de alguma coisa.
Um objeto mágico que sempre quis possuir: uma Firebolt, claro.
Ao final aquele era a situação que havia planejado desde o príncipio, Oliver Wood encurralado, suas mãos em si, enquanto ele descobria pedaços de pele expostas pelo aluno da Grifinória. "Seus suspiros são confissões o suficiente. Seu corpo também te entrega, Wood." Começou, ele sabia um ou outro jeito de manter a própria boca ocupada como o outro havia mencionado, mas ele faria Oliver pedir por isso. Seria divertido ver o capitão naquele estado. A ordem de perfeição e controle de Oliver perdendo a cada minuto um pouco de seu controle. Enquanto isso, Blaise apenas continuava com seus lábios pelo pescoço, clavícula e orelha. Sabendo exatamente qual o caminho para trilhar.
Suas mãos espalmaram a barriga alheia. O suor pós jogo, o calor entre eles. "Você ainda não respondeu." Estavam muito próximos um do outro, e ele aproveitaria disso. Torturar o ele, afastou sua boca de perto dele. A mão segurando agora o queixo do outro enquanto o forçava a olhar para si. "Já beijou outro homem, Oliver? Quer saber como é? Peça." Falou novamente e dessa vez como um ultimato. "Se você não falar nada, eu vou embora agora." Levantou duas duas mãos em sinal de redenção esperando para ver o que o outro responderia.
Poderia até soar clichê, mas, como esportista, mesmo quando assumia riscos — em qualquer situação —, fazia questão de que fossem os mais controlados possíveis. Sim, havia no goleiro um quê de calculista, uma característica que não se restringia ao campo nem às partidas. Sempre que se via diante de uma decisão capaz de desestabilizá-lo, seu lado mais racional tendia a assumir o controle. Nem sempre funcionava, mas lhe dava a ilusão de que ainda estava no comando da situação. A questão era que, ao ouvir as palavras de Blaise, sua tendência natural teria sido recuar, definitivamente. O caminho mais lógico e confortável era largar de mão toda aquela loucura. Por outro lado, Zabini estava correto ao dizer que seu corpo o entregava, que revelava aquilo que, a princípio, sua boca se recusava a dizer. Wood permaneceu imóvel por alguns instantes. A dúvida refletia-se claramente em seus olhos naquele momento. Merlin, aquilo era ridículo, até mesmo para os seus padrões. Oliver soltou uma respiração lenta pelo nariz antes de voltar a encará-lo. Ao passar a língua pelos lábios, ainda conseguia se recordar da sensação deixada por Blaise junto ao seu pescoço, à clavícula, à orelha e à barriga, e aquilo certamente não ajudava.
A mão segurando seu queixo o fez se ater ao momento, sem divagações ou distrações. "Não, não beijei." Foi o que escapou; a sinceridade nua e crua. Não porque Zabini segurava seu queixo, mas porque o olhar que o fitava naquele momento não parecia lhe permitir esconder-se. Estava na hora de decidir. A parte racional de sua mente continuava enumerando motivos para encerrar aquilo ali mesmo. Todos eles sensatos. Mas, pela primeira vez em muito tempo, Oliver se viu cansado de escutá-la. O olhar caiu brevemente para os lábios de Blaise antes de retornar aos seus olhos. Aquilo já era uma resposta. Finalmente aceitava uma derrota inevitável, aquela verdade inconveniente que o queria. Os ombros relaxaram, com a decisão. "Você é insuportável." Murmurou, resignado. Assentiu uma única vez, quase para si mesmo, como quem reunia coragem para atravessar um ponto sem retorno. Então ergueu uma das mãos até a nuca de Zabini e o puxou para mais perto. "Me beija." As palavras saíram baixas, mas firmes. A dúvida havia desaparecido de seus olhos, agora límpidos, refletindo apenas aquilo que tentara negar por tempo demais. A mão permaneceu firme na nuca de Zabini, impedindo que a distância voltasse entre eles. O polegar deslizou de forma distraída pela pele ali, involuntariamente.
Marcus continuou olhando para Oliver com aquele meio sorriso insuportavelmente convencido que sempre aparecia quando ele percebia que tinha acertado um nervo específico. Wood continuava insistindo que a melhor estratégia era ignorá-lo enquanto fazia qualquer coisa menos isso. Marcus soltou uma risada baixa antes de balançar a cabeça. “You keep saying that, but you never actually do it. É isso que eu acho fascinante em você, Wood. Toda vez que abre a boca pra mandar eu ir embora, você inventa mais três motivos pra conversa continuar”, riu. A irritação dele era quase palpável, e Marcus precisava admitir que existia um prazer infantil em provocar justamente a pessoa que mais se recusava a admitir que tinha sido provocada. “Além do mais, você realmente acha que eu gastaria meu tempo importunando alguém menos divertido? Metade das pessoas desse castelo perde a paciência em dois minutos. Você, não”, o sorriso voltou a crescer devagar enquanto ele dava um passo para trás. Marcus inclinou levemente a cabeça, como se estivesse prestes a fazer uma pergunta de extrema importância. “Quando você inevitavelmente começar a gritar com algum coitado da Grifinória porque ele errou um passe de dois centímetros... você vai lembrar dessa conversa e ficar ainda mais irritado por saber que eu estava certo. E pra mim isso já é uma vitória.”
Por mais que odiasse admitir, Flint estava completamente certo em sua colocação. Seria o excesso de tempo livre que o tornara tão receptivo àquilo, a ele? Mente vazia, oficina do diabo; era a única explicação plausível. Tudo havia fugido completamente do seu controle. Em que momento passara a dar tanta corda às provocações de um sonserino? A realização o atingiu de forma particularmente amarga, e Wood tratou de enterrá-la antes que pudesse criar raízes. "Dê a si mesmo a devida insignificância, Flint." Retrucou rápido demais; a voz um tanto mais ríspida, impaciente. Wood sustentou o olhar por alguns instantes antes de revirar os olhos. Merlin sabia o quanto gostaria que aquilo encerrasse a discussão de uma vez por todas. Não aconteceu. "Eu, divertido? Essa é realmente nova." E realmente era. Entre os inúmeros adjetivos que ouvia pelos corredores, "divertido" certamente não estava entre os mais recorrentes. "Não invento motivos para a conversa continuar." A defesa não foi tão contundente quanto gostaria. Simplesmente não havia motivo para permanecer preso àquela conversa; fato que o deixava sem muitos argumentos para sustentar a própria afirmação, além da simples negação.
A convicção se perdeu no instante em que as palavras deixaram sua boca. Afinal, ele também continuava ali. Conversando, retrucando, rebatendo, alimentando a provocação alheia. Em outras palavras, oferecendo exatamente o que Flint queria. "Na verdade, começo a me perguntar por que continuo lhe dando atenção." Dessa vez, a observação foi feita mais para si mesmo do que para o outro. Baixa, quase inaudível, como se realmente estivesse tentando encontrar uma resposta que não vinha. Retomando o fio da meada, afinal, ainda estava lidando com um inimigo, estreitou os olhos. O tom já não carregava o mesmo calor irritadiço de antes; agora era frio. "Então, para você me deixar em paz, eu preciso perder a paciência como os outros? É isso? O que exatamente eu deveria fazer?" A pergunta saiu carregada de ironia, mas havia uma curiosidade escondida sob as camadas de irritação. O que, por si só, já era muito irritante.
Naquela altura, o olhar estava perdido em algum ponto do corredor. O conteúdo do pergaminho já havia sido completamente empurrado para o fundo da mente. "Aparentemente, mandar você embora não funciona. Ignorar você também não parece funcionar." Frustrado, balançou a cabeça de forma negativa, soltando o ar pelo nariz de forma resignada. "Você realmente acredita que ocupa tanto espaço assim na vida das pessoas?" Com a palma da mão pousada contra o peito de Flint, empurrou-o alguns centímetros para trás. O gesto pretendia transmitir irritação provocação; o fato de não ter usado força suficiente para realmente afastá-lo era apenas um detalhe. "Fique tranquilo, sonserino. Quando eu estiver em campo, você será a última coisa na minha cabeça. Provavelmente nem isso." A pausa que dera não se estendeu muito. Quando percebeu, seu olhar já estava no dele novamente. A expressão se fechou novamente. "Você não vencerá. Farei questão disso." Diferente do que Flint parecia acreditar, Wood jamais lhe daria a satisfação de saber que havia deixado qualquer marca, mesmo que, naquele momento, a simples necessidade de provar isso já fosse, de certa forma, uma derrota.
Marcus observou Oliver, apoiado no batente da porta como se tivesse o dia inteiro disponível para assistir aquele espetáculo de negação. Era quase impressionante. Wood conseguia passar cinco minutos explicando o quanto não prestava atenção nele enquanto demonstrava, com riqueza de detalhes, que prestava atenção nele. “God, you're so full of shit... é até impressionante a força que você faz pra fingir que não está no meu nível. Quer dizer, o grifinório nobre e torturado, sei lá o que merda mais, perturbado pelo malvado do Flint da sonserina, blablabla”, a risada escapou pelo nariz antes dele balançar a cabeça. Marcus cruzou os braços outra vez enquanto observava Oliver organizar os próprios equipamentos. Wood estava irritado. Tentando não demonstrar, mas irritado. Finalmente um pouco de diversão. “E vamos esclarecer uma coisa, se eu estivesse desesperado pela sua atenção, eu teria escolhido uma estratégia muito melhor do que ficar parado num vestiário esperando você começar um monólogo.”
A pergunta final arrancou um sorriso ainda maior. “Há algo mais que eu queira pontuar?”, repetiu, como se estivesse realmente considerando a questão. O olhar percorreu Oliver por um instante antes dele soltar uma risada. “Merlin, Wood, eu nem saberia por onde começar, mas já que você perguntou... você percebe que toda vez que fica irritado começa a falar igual um velho de setenta anos?”, e essa era a parte que realmente divertia Marcus, Oliver levava tudo tão a sério, seja o Quadribol, as derrotas, as vitórias, as discussões, a própria existência. “Honestly, eu acho que é por isso que eu gosto tanto de te irritar, Você reage como se cada conversa fosse uma batalha moral decisiva para o destino da humanidade, enquanto eu estou só passando o tempo,” não era totalmente mentira, mas não era a verdade completa. Marcus gostava daquilo exatamente porque Wood revidava daquele jeito, porque era um dos poucos que não recuava... porque era irritantemente bom em tudo que realmente importava dentro de um campo (obviamente ele não diria isso).
Quando o ouviu dizer “God, you're so full of shit...”, quase concordou em voz alta com ele. Afinal, o que diabos estava fazendo? Era evidente que Flint o estava provocando; divertia-se às custas de Oliver, sabendo exatamente o que dizer e fazer para tirá-lo do sério. Se Wood sabia disso — e era mais do que evidente, não precisava ser um grande observador para perceber —, por que continuava prolongando aquele desconforto desnecessário?
Ainda descrente com a própria idiotice, ele soltou uma risada seca, sem humor. Não ia dar a Flint o gosto de vê-lo perder a linha, mas, irritantemente, ao mesmo tempo, toda a proximidade do outro e o tom de sua voz faziam um tipo diferente de irritação subir quente pela sua nuca. Sem se segurar, cuspiu as palavras em seguida, sem muito do filtro que normalmente imporia. Geralmente, buscava ser muito calculista em suas palavras, principalmente com rivais, mas, quando se tratava de Marcus, via-se escorregando naquilo mais vezes do que gostaria de admitir. "Se isso é o que você chama de passar o tempo, Flint, talvez esteja na hora de encontrar um hobby menos patético. Deve ser difícil para você, mas confio no seu potencial." Rebateu, dando de ombros como se dissesse aquilo como um aviso amigo.
Era evidente que estava no seu limite. Finalizou tudo o que estava fazendo com uma aceleração notória. Precisava sair dali antes que cometesse alguma loucura. Antes de fazê-lo, porém, pegou sua vassoura e as luvas, ajustando-as nas mãos. "Guarda esse fôlego todo e esse deboche para o campo, Marcus. Você vai precisar. Da próxima vez que estivermos lá fora, eu não vou ser tão paciente." Sem esperar por uma resposta, ele finalmente seguiu em direção à saída, empurrando a porta do vestiário e deixando o sonserino para trás enquanto seguia em direção ao campo de treino. Podia sentir o sangue quente correr nas veias, mas não era de todo ruim; precisava daquele gás a mais para descontar toda sua frustração no quadribol e garantir que a defesa estivesse impecável no próximo jogo.
Cruzando os braços e fazendo bico, tentou se fingir de magoada quando Oliver tirou sarro de sua cantada. Sabia que não era das melhores, mas era o que havia pensado para fazer o melhor amigo rir um pouco. Sua relação com Oliver era muito estranha para as pessoas que era de fora, pois Olie tinha aquela casca dura de que nada conseguia alcançá-lo e que o Quadribol era tudo que importava para ele, mas com o tempo ela foi entendendo que era bem mais do que isso. Que o outro precisava sair daquele universo das quadras, e que ela quando o fez conheceu um bruxo completamente diferente. Sempre pensou nele como seu irmão mais velho. Alguém que sabia que se precisasse chorar ou protegê-la o faria. Que poderia conversar e contar tudo, e que independente de qualquer decisão estaria ao seu lado. Achava que poderia ser essa pessoa para o Wood também, mas assim como ele havia falado muitas coisas passavam pela cabeça dele o que tornava tudo ainda mais complicado. Desfez o bico e abriu um de seus sorriso clássicos. "Quando você fala desse jeito, realmente, parece pior do que é. Nós só estavamos estudando um pouco mais além. Somos ótimas alunas." Se fez um pouquinho, mas sabendo que havia atravessado certo limite entre estudos e besteiras.
Não era tão inteligente quanto Phoebe no quesito emocional e romantico, mas ela queria que Oliver achasse alguém. Não dizendo que a felicidade de alguém dependesse da pessoa estar solteira ou não, mas por acha que faria muito bem para o Wood ter vida fora do Quadribol, mas conhecendo o outro acabaria arranjando alguém que estivesse ali junto com ele, só esperava que essa pessoa o soubesse fazer feliz, pois se havia alguém que merecia, sem dúvidas, essa pessoa era o amigo. "Aposto que vou adorar isso! Ver todos vocês suados, e cansados. Vai ser uma visão que vou guardar para sempre na memória." O pensamento escapou antes de ter noção do que havia falado para Oliver, e depois deixou a bochecha corar sem graça. Não conseguia evitar, a ideia do corpo suado de Ron fez com que ela ficasse um pouco maluca, junto com a lembrança de sua conversa com Phoebe. Oliver, não sabia se era alguém ingênuo como ela, ou por ser mais velho tinha mais experiências, ela apostava mais nisso. "Se minha cantada é horrível, o que você sugere que eu fale ou faça? Estou desesperada por ajuda. Phoebe me falou uma ou duas coisas sobre o que se acontece nos armários de vassoura, mas não é como se eu tivesse experiência. Você tem?"
Não tinha vergonha de perguntar isso a ele, pois se havia alguém que ela confiava esse alguém era o Wood, assim como suas melhores amigas. Quem sabe Oliver não poderia ensinar uma ou duas coisas para ela sobre o que fazer com meninos ou o que eles gostavam. Já havia perguntado algo do gênero para Phoebe, mas vindo da perspectiva masculina também era interessante. Queria também entender como Oliver sabia disso, pois não lembrava dele falar muito sobre o lado mais pessoal dele e romances. Não sequer lembrava se ele já tinha namorado ou não. "Por favor, eu quero fazer tudo dar certo." Pediu novamente fazendo biquinho e implorando com as duas mãos juntas.
Não era todo dia que perdia o rumo da conversa. Por alguns bons segundos, ele se perguntou como tinham chegado ali. Bem, já devia estar acostumado; conversar com Lavender era sempre uma surpresa. Devia estar perdendo a cabeça, isso sim. Quando viu o bico dos lábios dela direcionado para ele, quase pôde sentir o calor subir pelas bochechas. Estava sendo ridículo, sabia. Disfarçou com um sorriso discreto, que o fez abaixar os olhos até as próprias mãos, até que estivesse sob controle novamente. Ouviu as justificativas dela sem questionar, assentindo com a cabeça conforme as palavras iam sendo proferidas. "Claro, claro. Onde eu estava com a cabeça, não é? São alunas tão aplicadas..." Murmurou. A pontada de ironia era tão discreta que nem ele sabia se tinha escapado para a voz ou permanecido apenas nos pensamentos. De qualquer forma, o tom de brincadeira era evidente.
Nada o preparara para o que ouviria em seguida. Novamente, como tinham parado ali? Na mesma hora, os olhos se direcionaram para Lavender, como se procurassem nela algum sinal de delírio ou algo nesse sentido. Não encontrou nenhum. Estava indeciso se vivia algum tipo de tragédia ou comédia grega. Limpou a garganta, desviando o olhar por um instante; estava meio chocado, para ser sincero. "Certo... Vou fingir que não ouvi isso." Murmurou mais uma vez, sem saber ao certo o que responder de imediato. “Entrou aqui, saiu aqui.” Indicou com o dedo da mão direita os dois ouvidos. "Por favor, não objetifique meus companheiros de equipe." Poderia estar meio chocado, mas complementou aquela última parte em um tom de brincadeira. Pelas bochechas rosadas de Lavender, era evidente que ela estava sem graça. Não iria, de forma alguma, prolongar o sofrimento alheio.
Quando ela retomou o assunto da cantada, já nem estava surpreso. Naquele ponto, devia ter aceitado que qualquer conversa com a amiga tinha potencial para tomar rumos inesperados. Estava errado, no fim das contas. A pergunta seguinte o fez erguer uma sobrancelha. Por um momento, considerou seriamente responder que ela estava pedindo ajuda à pessoa errada, não porque lhe faltasse experiência, mas porque, naquele assunto específico, sua imparcialidade era questionável. Sem contar que relacionamentos românticos não eram exatamente algo em que tivesse alguma expertise. Passou uma das mãos pelo rosto, como se aquilo o ajudasse a organizar os próprios pensamentos.
Quando ouviu o nome de Phoebe ser citado, tudo o que pôde fazer foi soltar uma risada curta e nasal. Já devia ter esperado por aquilo. "Primeiro, esquece os armários de vassoura. E segundo, meninos não são uma espécie misteriosa. A maioria deles fica feliz quando alguém demonstra interesse. Não precisa complicar mais do que precisa. É o Ronald, por Merlin. Não estamos falando de alguma criatura impossível de abordar. Tenho quase certeza de que ele vai ficar mais nervoso do que você. Ou, pelo menos, deveria... já que você é você. Sem contar que... ele é um cara legal." Essa última parte foi pronunciada de forma mais carrancuda do que pretendia, nada muito evidente. Ronald, claro, era uma boa pessoa. Não era difícil entender por que alguém acabaria gostando dele. Ao notar o biquinho insistente e as mãos juntas em súplica, Oliver soltou um suspiro conformado. Percebeu que não teria como evitar aquilo. "E, só para constar, ele já é sortudo por ter o seu interesse." Afirmou aquilo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, dando de ombros logo em seguida, despreocupado. "Ok, ok. Agora me explica uma coisa: o que tem te preocupado? O que eu posso fazer para ajudar?" Merlin o ajudasse para que não se arrependesse de ter perguntado.
Não havia muito o que pudesse fazer enquanto o ouvia falar tudo aquilo. Ela sabia do peso das coisas, não só por ouvir da boca dele, mas por saber que o que havia feito anos atrás tinha sido errado. Era ainda pior porque Oliver nunca fora cruel, mesmo podendo. Nem mesmo agora. O peso da fotografia ainda parecia quente entre os dedos dela, embora já não estivesse mais ali. A imagem deles dois sorrindo, tão absurdamente jovens, queimava em algum lugar desagradável do peito. Era justo que o ressentimento dele fosse merecido por ela. Ginny odiava aquilo. Odiava ainda mais perceber que talvez nunca tivesse parado pra encarar, de verdade, o tamanho do estrago. Por muito tempo, desde o término, ela havia imaginado desculpas pra suas escolhas. Por um tempo foi a falta de maturidade, depois o encontro entre eles no tempo errado, até mesmo chegava a nomear coisas que eles tinham de diferente, gostos, estilos, o que era muito difícil porque Oliver e Ginny sempre tiveram muito em comum. Mas nunca a ela mesma. E só então percebeu seu erro mais grave: ela nunca havia se desculpado. Os olhos dela caíram por um instante para as próprias mãos. Porque parte dela queria dizer imediatamente 'eu não te usei'. Mas outra parte, sabia que aquilo não era tão simples. "Oliver..." ela começou baixo, hesitante, testando como o nome dele soava em sua boca depois de tanto tempo só pronunciando seu sobrenome. "... eu acho que nunca te pedi desculpas direito." a voz saiu menor do que pretendia. "E eu sei que já faz tempo demais e talvez você já não queira mais ouvir, mas você merece uma." respirou fundo, finalmente sustentando o olhar dele, mesmo que fosse desconfortável. "Você tem toda razão de estar magoado, ressentido, ou seja lá quantos sentimentos você pode sentir sobre isso." ela riu baixo, sem humor, pelo tempo em que tomava pra continuar o que tinha a dizer. "Mas eu nunca te usei. Eu nunca quis, pelo menos." disse finalmente, e havia verdade ali, mesmo que do jeito mais imperfeito possível. "Quer dizer, eu sei que olhando de fora talvez pareça isso, e eu entendo completamente que você se sinta assim, mas eu gostava de você." gostava, de verdade. A garganta apertou um pouco. "E eu também queria que tivesse sido diferente." não esperava que ele acreditasse, nem achava que deveria, mas estava sendo cruelmente honesta. E Merlin, como ela de fato queria que tivesse sido diferente. Porque Oliver tinha sido bom. Ele era, ainda. Sempre fora gentil, paciente, cuidadoso, nunca tivera nada de errado com ele. O problema era como ela se sentia, e aquilo mesmo sendo incontrolável, ainda tinha seu peso. "Mas aquilo não era amor." admitiu mais baixo, com frustração nítida na própria voz, consigo mesma. "Ter tentado muito convencer a mim mesma que um dia pudesse virar foi o meu erro, porque eu deveria ter sido honesta com você no momento em que percebi que meu coração não estava dentro daquela relação." confessou, odiando cada palavra. "Porque você era... você era uma coisa boa. E você merecia que eu tivesse sido tão boa quanto." mas não tinha sido. Os olhos dela desviaram por um segundo, incapazes de sustentar totalmente o peso daquela conversa. A menção ao espero que tenha valido a pena fez algo afundar no estômago. Porque a ironia daquilo parecia quase cruel. "Não valeu," ela riu sem humor, suspirando pesadamente. "acho que só consegui bagunçar mais ainda a vida de todo mundo envolvido e a minha própria." os ombros subiram e desceram, frustrados. "Mas eu sinto muito, de verdade." o canto da boca tentou puxar um sorriso pequeno, torto. "Mesmo que eu concorde que eu mereça um pouco, talvez muito, de raiva."
Por algum tempo, ele realmente quis ouvir qualquer sinal de arrependimento, por menor que fosse, ou ao menos um pedido de desculpas pelo que fizera. Esperou por um bom tempo, mas isso nunca aconteceu. Até aquele momento, pelo menos. Oliver Wood pensou que, ao ouvi-la se desculpar com todas as letras, finalmente pudesse encerrar de vez aquela história. Era isso que as desculpas deveriam fazer, não? Deveriam tornar as coisas mais fáceis de deixar para trás. Perdoar, seguir em frente e todas essas merdas. Sim, era meio ridículo que ainda alimentasse qualquer expectativa de que conseguiria se desapegar de toda aquela mágoa tão rapidamente. Depois de todo aquele tempo, uma parte dele ainda queria acreditar que aquelas palavras fariam alguma diferença; que ouvi-la admitir que havia errado, que se arrependia do que fizera, tornaria mais fácil aceitar o que acontecera. Finalmente as tinha ouvido, mas não tinha mais tanta certeza de que surtiriam o efeito desejado. Wood estava chegando à conclusão de que talvez algumas coisas simplesmente chegassem tarde demais; não porque não fossem com sinceridade — pelo que conhecia da Weasley, ela realmente estava sendo sincera em seu pedido —, mas porque o estrago já havia sido feito.
O silêncio se estendeu por alguns segundos. Por um bom tempo, Wood não soube o que dizer, o que era raro de acontecer. Ele sempre tinha as palavras prontas na ponta da língua. "Eu acredito em você." As palavras saíram, eventualmente, antes que pudesse pensar demais nelas. Demorou para dizê-las, mas estava sendo sincero também. Ele realmente acreditava. Só era difícil não encarar aquilo através de sentimentos ruins. "Acredito quando você diz que não fez por mal." Deu um meio sorriso cansado. Seu semblante não estava raivoso; era mais sério e um pouco triste, até. "Eu não acho que você seja uma pessoa ruim ou que tenha feito aquilo de propósito para me machucar. Eu nunca achei isso, mas isso não muda o fato de que doeu pra caralho." Não havia qualquer traço de acusação em sua voz. Era apenas uma constatação, dita com certo cansaço. Seus olhos encontraram os dela por um instante. Ainda era difícil para ele deixar as palavras fluírem daquela maneira, depois de guardá-las com tanto empenho. "Eu não quero ficar voltando nesse assunto ou dar a impressão de que você precisa se martirizar pelo que aconteceu e nem nada assim. Mas, já que estamos nisso, vou dizer isso uma última vez."
Respirou fundo antes de continuar. "Eu realmente gostava de você, Ginny." Um sorriso breve e cansado surgiu em seus lábios. "Meu coração sempre foi mole quando o assunto era você. Até te ver desconfortável perto de mim me incomoda, ainda hoje. Isso não significa que vou fingir que ficou tudo bem, porque não ficou." O silêncio pairou por um instante. Oliver sentiu a necessidade de pensar um pouco mais no que diria. Queria que aquela fosse a última conversa naquele sentido. Precisava colocar um ponto final naquilo. "Estou no meu último ano. Você, eu, tudo isso... vai acabar ficando para trás também. Podemos finalmente colocar um ponto final nisso. Então... obrigado por finalmente dizer isso, e por se desculpar." Não era exatamente perdão, nem tampouco esquecimento, mas talvez fosse o mais próximo de paz que conseguiria dar para aquela história. Seus olhos acabaram encontrando a fotografia outra vez, esquecida em uma das mãos. "E me desculpe pela situação da foto. Vou resolver isso." 'Resolver' era um termo indefinido o bastante, e fora exatamente por isso que Oliver o escolhera. Não fazia a menor ideia do que faria para dar um fim àquilo. Rasgá-la parecia dramático demais, um gesto de raiva que ele já nem sentia mais. Guardá-la, como estava anteriormente, parecia prolongar um apego que não cabia mais ali. De qualquer forma, ele guardou a fotografia no bolso das vestes com um suspiro conformado. Resolveria mais tarde, quando a poeira daquela conversa baixasse. "Eu preciso ir. Não vou mais te segurar."
Harry riu suavemente da resposta, porque sabia que era verdade. Não tinha dúvidas de que Wood seria o primeiro a dizer se ainda não estivesse pronto para voltar ao campo. Talvez aquela certeza devesse bastar para acalmá-lo, mas não bastava. Quando a névoa finalmente permitiu que o campo voltasse a ser usado, já não havia tempo suficiente para recuperar todos os treinos perdidos. A teoria estava ali, mas não era a mesma coisa. "Disso eu não tenho dúvida." Respondeu em tom bem humorado quando Wood comentou sobre a própria vontade de voltar a jogar. Tinha visto de perto o quanto aquilo o abalou e entendia. Talvez melhor do que qualquer outra pessoa. Harry também despejava boa parte do que sentia no quadribol. Assentiu em concordância. "Por um momento, achei que nunca mais fosse jogar." Comentou, fazendo uma pequena careta. "Parece que faz tanto tempo desde que a Umbridge me expulsou do campeonato no ano passado." A lembrança não era boa, mas também não carregava arrependimento.
Continuou olhando o caminho à frente, mas um novo sorriso acabou ocupando seus lábios quando ouviu as palavras de Wood. Sem perceber, sentiu boa parte da tensão que carregava desde o início da conversa se desfazer. "Obrigado." Disse de forma simples. Não era muito bom quando depositavam confiança sobre ele. Na maior parte das vezes, isso só fazia a responsabilidade parecer ainda maior. Mas, vindo de Wood, a sensação era diferente. "Também confio completamente em você. Foi por isso que quis perguntar, mesmo parecendo meio bobo... Afinal, é só um amistoso." Deu um pequeno encolher de ombros antes de voltar a olhá-lo. "Entendi." Sorriu timidamente, balançando a cabeça. "Também confio em vocês." Continuou, pensativo. "É por isso que fico preocupado com o que vai ser da gente no ano que vem. Sem você, Angelina, Fred e George... Viktor... Até o Mclaggen." A lista saiu quase automaticamente. "Quer dizer, ainda vamos ter Ginny, Juma, Ron e eu. Nós somos bons. Mas não vai ser a mesma coisa." Deixou escapar um suspiro curto. Seu olhar voltou para Wood, agora acompanhado de um sorriso discreto. "Vai jogar profissionalmente quando terminar a escola?" Perguntou. "Tenho certeza de que os times da liga vão sair no tapa por você."
Pelo que ouvira das histórias de seus pais sobre o tempo deles em Hogwarts, nada se aproximava muito de tudo o que aquele castelo vivera nos últimos anos. Não conseguia ter a dimensão de como era estar na pele do amigo e companheiro de equipe. Quando Harry citou Umbridge, Oliver soltou um riso nasalado, cruzando os braços ao encarar o gramado. "Haja história, Harry." Comentou o goleiro, balançando a cabeça em total descrença. "Se você decidisse escrever um livro relatando tudo o que já te aconteceu, ganharia uma fortuna. Tem gente por aí que, sem nem metade do que você tem para contar, já fez rios de dinheiro vendendo biografia." Não era incomum que usasse o humor para aliviar o peso de memórias e momentos não tão agradáveis. Embora usasse um tom mais leve, de brincadeira, estava falando sério. Ele descruzou os braços e deu um tapinha firme no ombro de Harry, mudando a expressão para algo mais sincero. "Ainda bem que essa maluquice não foi para frente. Não seríamos o mesmo time sem você e sem os gêmeos Weasley também."
Oliver soltou um suspiro longo. Aquela também era uma preocupação sua. Não que ele achasse que seus companheiros não fossem dar conta quando não estivesse mais ali. Não mesmo. Era só difícil desapegar... Sua vida era o quadribol e, especialmente, a Grifinória. Demandaria tempo até que pudesse aceitar tudo aquilo. Após uma breve distração, Oliver sustentou o olhar de Harry por alguns segundos. Um sorriso compreensivo surgiu em seu rosto antes de responder. "Por mais doloroso que seja admitir isso, precisaremos todos desapegar em algum momento, não é? Não estou nem um pouco preocupado em relação a vocês. Você acabou de listar talentos muito qualificados, confio que darão conta." As palavras que pronunciaria em seguida eram as mais sérias em toda aquela conversa. O peso da responsabilidade se fez presente no tom do goleiro. "Você sabe que será a liderança no ano que vem, não sabe? Vai dar trabalho? Vai sim, pode apostar. Terá, inclusive, que recrutar e treinar os novatos... como fiz com você. Se sairá bem, tenho certeza. De qualquer forma, a taça continua sendo sempre o objetivo principal, não importa quem esteja vestindo o uniforme."
Era recompensador saber que tinha feito um bom trabalho. Wood odiava aquele clima de despedida, mas acalentava o espírito saber que havia deixado uma marca tão incrível com seus companheiros de equipe. Sem hesitação, respondeu ao amigo em seguida. "Não, não será a mesma coisa, com toda certeza. Vocês serão melhores do que nós fomos, não tenho dúvidas." Oliver assentiu positivamente com a cabeça, enquanto um brilho de genuína determinação surgia em seus olhos. Aquela era uma das suas únicas certezas da sua vida. "Sim." Admitiu, sem nenhum problema ou hesitação. “Esse sempre foi o objetivo. Esse último ano não está sendo a vitrine que eu gostaria, principalmente em relação aos recrutadores, mas sinto que já mostrei bastante nos outros anos também. Se tivermos o campeonato de volta, será ainda melhor.” Ele desviou o olhar para o horizonte por um instante, respirando fundo o ar do campo antes de voltar a encarar o amigo com um sorriso confiante. “E você? Já conseguiu pensar em planos futuros?”
“eu disse que você poderia ir se quisesse. “ respondeu sem tirar os olhos dele, como se esperasse, medisse o que ele faria, e sorriu quando ele se sentou ao seu lado novamente. “ eu devia me aproveitar mais disso. “ sussurrou, desviando o olhar dele e encarando a lareira por alguns minutos. as coisas entre os dois nunca foram muito bem definidas, nunca tinham cruzado qualquer linha, mas a cada dia, cada interação tais linhas pareciam ficar cada vez mais turvas. seus olhos só voltaram aos dele quando os joelhos de ambos encostaram, movendo seu corpo para que ficasse ainda mais próxima dele, deitando sua cabeça nos ombros de Wood. era sempre confortável perto dele, Phoebe sentia que não precisava se esforçar tanto, ela podia só… só existir e era o suficiente.
Quando ele sustentou seu olhar, ela baixo os olhos para as próprias mãos, porque aquela luz, no silêncio que ecoava pelo salão comunal vazio, olhar para ele por tempo demais se tornava um problema, porque haviam coisas sobre as quais eles não falavam, era melhor se não falassem, porque tudo se tornaria complicado se o fizessem, e ainda havia o fato de que Phoebe era fechada emocionalmente, nunca deixando ninguém se aproximar o suficiente para provocar uma reação, e ela não podia envolver outra pessoa, muito menos Wood. a pergunta dele a fez engolir seco, porque havia curiosidade, ela queria saber o que ele diria, sua curiosidade incessante a fazia buscar os porquês de tudo, mas não, aquele era um porque que ela não queria resolver. por sorte, ele pareceu pensar o mesmo que ela e mudou de assunto, o ar que escapou de seus lábios foi de puro alívio. " vai se arrepender nada, você adora a minha companhia e nós nunca vamos ser um problema. " escapou, e ela evitou olhar pra ele por mais alguns segundos. " quanto a te fazer não pensar no quadribol, essa é quase uma missão impossível, mas eu aprecio o desafio. " sorriu agora olhando para ele. " podemos falar sobre os castelos e suas teorias, ou posso te contar sobre os últimos casais que juntei. ou quem sabe meus futuros planos para casais futuros, tenho muitos encontros a planejar. " falou um pouco mais animada. " o que você gostaria de mim Wood? "
Quando Phoebe fez menção de apoiar a cabeça em seu ombro, Oliver acomodou-se melhor contra o encosto do sofá. Quase por instinto, passou um dos braços ao redor dela, repousando-o sobre seus ombros e a puxando um pouco mais para perto. O gesto foi natural, algo que fez sem pensar muito a respeito. Seus pensamentos estavam mais concentrados na maneira como ela desviou o olhar. Ele a entendia completamente e, por isso, não insistiu no assunto. Tudo o que não queria era transformar aquele momento em algo constrangedor. Oliver a valorizava demais para deixá-la desconfortável. No fim das contas, gostava muito da companhia dela para arriscar perdê-la por algo que, para ser sincero, nem tinha certeza de que daria certo.
Com ela acomodada ao seu lado, o aroma suave de seu shampoo chegou até ele, o que foi suficiente para fazê-lo relaxar um pouco mais contra o sofá. Era estranho como algo tão simples podia parecer tão reconfortante. Seus olhos se perderam por alguns instantes nas chamas da lareira. "Você está certa, como de costume." A verdade era que, sim, ele gostava da companhia dela. Muito mais do que provavelmente deveria admitir. Foi tudo o que disse em resposta; não pretendia colocar a própria cabeça na guilhotina falando mais do que o necessário. Não havia a menor possibilidade de se arrepender de passar algum tempo com ela.
Quando Phoebe mencionou os casais, Oliver soltou uma risada pelo nariz. "Merlin, só você mesmo para se envolver com essas coisas." Recostou a cabeça no sofá por um instante. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios. "Mas, se está perguntando o que eu gostaria... acho que hoje qualquer assunto que não envolva quadribol ou essas teorias bizarras sobre os castelos já serviria como entretenimento." Fez uma breve pausa antes de completar. "Sim, eu sei. É surpreendente. Tente não se acostumar. Mas isso significa que, pela primeira vez na vida, talvez eu esteja disposto a ouvir sobre casais."
Não era a primeira vez que ouvia algo do tipo. Na realidade, as pessoas realmente pareciam se incomodar com o fato de que ele sempre acabava falando algo para irritá-las. Isso era bem divertido para ele, não era proposital, mas como a vontade de achar que sempre era a pessoa mais importante e inteligente do ambiente fazia com que ele acabasse sendo um pouco insensível, mas suas palavras nunca eram destinadas a alguém em específico, pois ele não se importava. Só falava o que queria e pensava, e deixava os outros lidarem com as próprias frustrações de serem superados por sua língua esperta.
"Eu tenho várias coisas insuportáveis. Uma bela vitória, um belo rosto, e uma ótima personalidade. Sempre muito elogiada." A ironia em suas palavras fazendo com que ele quisesse perturbar ainda mais o aluno da Grifinória. Seus passos foram certeiros na direção dele. O olhar por toda a altura. Oliver eram alguns centímetros mais alto do que ele. Não o suficiente para ter que olhar para cima, mas ele notou que Oliver observava todo seu corpo, e suas expressões, e isso fez com que ele andasse mais um pouco para frente.
"Vou te mostrar que sou um bom vencedor, Wood. Vou te dar um prêmio de consolação." Anunciou o provocando novamente pela vitória, sua força fez com que colasse o outro na parede e sua boca foi direto no pescoço alheio. Mordiscando, mordendo e fazendo de tudo para deixar o outro relaxar. Sabia que não era tão fácil para aqueles que estavam começando a entender sobre sua sexualidade, mas ele estava ali para ajudar. "Pobre Wood, sofrendo por perder para a Sonserina e agora sofrendo por querer muito agarrar um jogar sonserino. Confesse, você está louco para que eu te mostre como funcionam as coisas desse lado, não está? Você já beijou um homem, Oliver? Quer saber como é? Sentir outra barba contra a sua, a força de um te segurando. Você não me parece do tipo que se permite essas coisas. Tudo sempre certo e perfeito. Admita que quer saber, e eu te mostro."
Oliver deveria empurrá-lo para longe. Em outras circunstâncias, ser encurralado contra uma parede teria provocado um tipo muito diferente de resposta — uma bem mais violenta, diga-se de passagem. Porém, a situação entre Blaise e Oliver era diferente. Sem sequer perceber de imediato, seu corpo enrijeceu por reflexo quando Zabini invadiu seu espaço mais uma vez. Não era desconforto; era a irritante consciência de alguém que sabia que deveria afastá-lo e que, muito provavelmente, não o faria. E não fez. Ainda era muito difícil admitir para si mesmo que as palavras proferidas por Blaise tinham algum fundo de verdade. Sim, era verdade que Wood estava louco para ceder àquele desejo. Louco para beijá-lo. Louco para descobrir até onde aquilo poderia levá-los. Mas, ao mesmo tempo, ainda era Oliver Wood, capitão e goleiro da Grifinória, e relacionar-se dessa forma com um sonserino não estava nos planos, muito menos quando o campeonato de Quadribol estava em jogo. Era quase uma traição aos seus olhos.
As palavras que saíam da boca do sonserino não o surpreendiam. Aquela confiança arrogante era exatamente o tipo de atitude que esperava dele. Sustentou seu olhar por alguns segundos, determinado a não demonstrar o quanto toda aquela situação o deixava, de certa forma, vulnerável. A postura afrontosa não durou muito, principalmente quando sentiu a boca alheia em seu pescoço. A resposta foi imediata. Arfou, surpreso com o gesto. "Ah..." Respirou fundo em resposta, sentindo um leve arrepio percorrer seu corpo ao sentir as mordiscadas em seu pescoço. Recostou a cabeça na parede e a inclinou para trás, oferecendo ainda mais espaço para aquele toque.
Em nenhum momento fez menção de interromper o contato. Muito pelo contrário, aliás. Uma das mãos repousou na nuca do outro, os dedos se acomodando de leve sobre a pele. Por um instante, limitou-se a fechar os olhos e aproveitar a proximidade. "Então é assim que pretende me distrair? Se está esperando algum tipo de confissão, vai ter que se esforçar mais do que isso." A provocação saiu baixa. Sua mão, repousada na nuca alheia, permaneceu onde estava, sem qualquer pressa de se afastar. A outra deslizou pela lateral do corpo do sonserino até encontrar sua cintura, alternando entre apertões suaves e carícias distraídas no local, trazendo-o para mais perto de si. Um sorriso discreto surgiu no canto de seus lábios. "Hm. Nada mal. Talvez isso funcione, no fim das contas, se eu conseguir manter essa sua boca ocupada. Você está falando demais."
Foi incapaz de conter o sorriso convencido que tomou o seu rosto, porque se tinha uma coisa que agradava Parvati era ser reconhecida pelos seus esforços. “Eu sou bem impressionante, de fato.” entrelaçou os dedos das mãos e apoiou o queixo sobre elas, dando uma piscadela para o capitão do time. A forma com que ele analisava o "tabuleiro" de jogo deixava mais que evidente que a Patil conseguira obter sua atenção exatamente da forma que planejara, o que a renderia alguns minutos consideráveis de entretenimento. E era tudo o que queria.
O aviso fez com que levasse a mão direita ao peito, indicando indignação de forma quase teatral. “Você me ofende, Wood. Acha que eu não levaria as regras do meu jogo inventado trinta segundos atrás a sério? Sou uma mulher de princípios.” manteve a postura pelo máximo de tempo que pôde, suavizando aos poucos à medida que ele repetia a explicação para confirmar que havia entendido. Satisfeita, assentiu, girando mais uma vez a bolinha dourada nos dedos. “Isso aí. Não é que você é esperto, mesmo?” o tom possuía muito mais humor que condescendência, já que o simples fato de ele ter topado já estava lhe divertindo muito. “Damas primeiro” declarou, concentrando-se brevemente antes de tentar arremessar a bolinha contra a mesa. O objeto quicou com muito mais força do que gostaria, ricocheteando dramaticamente para longe dali, o que fez a Patil soltar uma risada sincera. Não esperava que fosse tão mal. “Ops” declarou, procurando a varinha nas vestes para conjurar a bolinha de volta com um simples accio. “É por isso que eu sou o cérebro da operação e você é o jogador. Sua vez.” sorriu, inabalável, entregando a pequena esfera para Oliver.
Oliver não conseguiu esconder um sorriso discreto diante do autorreconhecimento de Parvati. Não porque discordasse dela em sua colocação, mas pela maneira como ela enfatizou o quanto era impressionante e pelo sorriso convencido que ela esboçava. A piscadela que recebeu dela foi o cartada final. Não escondeu o lampejo de diversão que passou por seus olhos e o riso nasal que escapou de seus lábios. O comentário foi carregada de bom humor, muito longe de ser algum tipo de alfinetada ou crítica. "É, admito que a sua confiança é justificada. Só espero que guarde um pouco de toda essa energia impressionante para quando estivermos jogando." Como se fosse para mostrar que estava preparado para liberar toda a sua competitividade e energia, deu alguns pulinhos, soltando os braços e alongando o pescoço. A jaqueta já descansada no escondo da cadeira ao lado.
Quando ela fez menção de iniciar, ele assentiu com a cabeça, observando-a atentamente na outra extremidade da mesa. Era um jogo relativamente simples, mas, em razão do álcool no sangue, os sentidos já não estavam tão apurados. Não estranhou quando Parvati errou o primeiro arremesso. Fingiu comemorar com uma provocação leve antes de se concentrar em sua própria jogada. "Vou te mostrar como se faz..." A visão levemente embaçada exigia um esforço um pouco maior de concentração, mas nada que o fizesse perder a confiança. Antes de arremessar, deu um sorriso de canto para Parvati, provocando-a despreocupdamente. Sem perder tempo, ele jogou a bolinha, que fez um arco perfeito, quicou na mesa e caiu direto no copo dela. Oliver ergueu os braços, celebrando o acerto sem qualquer vergonha. Mais do que um sorriso convencido, ele ostentava um brilho desafiador no olhar. "Não sou somente um bom goleiro, no fim das contas. É a sua vez de beber. Faça as honras!"
Marcus soltou uma gargalhada. A melhor parte de provocar Oliver Wood era justamente que bastavam duas frases para o grifinório abandonar completamente a ideia de ignorar. Era um talento. Ele cruzou os braços enquanto observava a irritação atravessar o rosto de Oliver. “There he is, eu estava começando a ficar preocupado. Por um momento achei que você realmente fosse conseguir fingir que eu não existia”, falou convencido, carregando na dose de irritância. O sorriso aumentou quando Oliver falou sobre perder a aposta. Marcus balançou a cabeça lentamente, como se estivesse ouvindo uma criança prometer uma coisa impossível. “Wood, você já perdeu, olha pra você. A partida nem começou e já está discutindo comigo sobre uma aposta idiota num corredor. Isso já conta como meia crise nervosa, no mínimo. Na verdade, acho que vou lá pedir metade do meu dinheiro agora mesmo”, Marcus apoiou um ombro na parede ao lado do mural, completamente confortável em prolongar aquela conversa que claramente Oliver dizia odiar enquanto fazia questão de alimentar cada segundo dela. “Mas eu vou te fazer uma proposta...”, ele descruzou os braços, aproximando-se só o suficiente para diminuir a distância entre eles, um sorriso enviesado aparecendo outra vez. “Se você realmente passar o jogo inteiro sem surtar com um companheiro de equipe, sem discutir com um árbitro, sem olhar pra alguém como se estivesse cogitando homicídio... eu pago essa aposta do meu bolso e ainda admito, em voz alta, que estava errado. Mas, se eu ganhar... quero ouvir você dizer, com todas as letras, que Marcus Flint tinha razão.”
Wood só podia ter enlouquecido. Não havia outra explicação para entrar no jogo do sonserino. Qual era a dificuldade de simplesmente ignorá-lo? Era seu último ano. Em poucos meses, o ano letivo terminaria, e Marcus Flint seria apenas um nome entre tantos outros, uma memória irritante. Então, por que parecia tão difícil agir como se já fosse? A única explicação era que Oliver era um masoquista. Devia sentir algum prazer em se meter em situações desagradáveis. Não havia outra justificativa para continuar parado ali, ouvindo aquilo. O pior era que Flint parecia genuinamente satisfeito consigo mesmo, e isso o incomodava no âmago. “Eu estava fazendo um favor para nós dois, não percebe? Você deveria estar fazendo o mesmo e fingindo que eu não existo. Está tão carente assim? Não tem mais ninguém para importunar?” Seu olhar estreitou-se levemente. A aposta tornara-se algo secundário em sua mente. Naquele momento, era a simples presença de Flint que o irritava. “Tenho certeza de que Hogwarts está cheia de pessoas que não te suportam. Suas opções são praticamente infinitas. Vai encher o saco de outro.” Não escondeu a irritação ao dizer aquelas palavras, cuspindo-as como se o dispensasse.
“Por favor, vá.” Quando Flint fez menção de sair para cobrar a aposta, Wood deu um passo para o lado, como se abrisse caminho para o sonserino, num gesto exageradamente cordial. “Finalmente uma decisão sensata. Faça isso. Pode ir buscar seus trocados. Ego alimentado, agora?” Oliver assistiu à aproximação do outro com incredulidade, encarando-a como uma afronta. O movimento foi suficiente para fazê-lo endireitar a postura por instinto. Não recuou, tampouco. O olhar se manteve firme, mas a postura já não era tão relaxada. Ouviu a baboseira que ele dizia com uma expressão que deixava evidente que não sabia se ria ou se se ofendia. “Isso tudo é pra massagear seu ego? Isso é desespero? Toda essa confiança deveria ser estudada, às vezes é só burrice desmedida, e você fica aí inflando o peito.” A aposta era idiota. Ele sabia disso. E ainda assim… A armadilha tinha sido certeira mais uma vez. Oliver soltou um riso curto, sem humor algum. “Se quer saber, aceito.” A frase saiu mais rápido do que deveria. Não tinha sido uma decisão inteiramente racional, mas recuar naquele momento seria pior, principalmente com Flint tão satisfeito com a própria provocação. “Quando eu ganhar, você vai ter que engolir tudo o que acabou de dizer.”
Não chegava a ser uma surpresa que o rapaz reagisse daquela forma a uma proposta tão simples, pois a competitividade parecia correr em suas veias, alimentando-o e impulsionando-o em praticamente qualquer situação. Ainda assim, Nymeria arqueou uma das sobrancelhas e soltou um suspiro contido por entre os lábios, incapaz de esconder a pontada de impaciência que a resposta lhe despertava. ── Nem tudo precisa ser uma competição. ── Defendeu o óbvio, mas sem demonstrar nenhum sinal de rispidez no tom usado. O aceitava como era, mas não pretendia desperdiçar muito tempo defendendo a própria ideia. ── Estava apenas propondo um jogo simples de observação, sem resposta certa ou errada, sem perdedor ou ganhador... Apenas para passar o tempo e criar cenários mesmo. ── Deu levemente de ombros. Como alguém que sempre apreciou se perder em narrativas fictícias, aquele havia se tornado um de seus passatempos favoritos. Mais de uma vez, inclusive, o hábito a salvara do tédio de longas e enfadonhas reuniões às quais comparecia apenas por obrigação, acompanhando os pais enquanto permitia que a imaginação a levasse para lugares muito mais interessantes. ── Por exemplo, quem daqui você acha que está mais pronto para ir embora? E por quê? ── Nada melhor do que uma pequena amostra para convencê-lo a se entreter com ela.
Oliver já tinha ouvido aquela frase inúmeras vezes. Incontáveis, na verdade. Mas não havia nada que pudesse fazer a respeito. Era competitivo demais para isso. Embora não acreditasse muito nessa conversa de natureza humana, aquela teimosia competitiva parecia vir de berço. Estava entranhada nele. Por mais que tentasse, simplesmente não conseguia deixá-la de lado, tudo o que pôde fazer foi dar de ombros despreocupadamente. Seu olhar percorreu o salão por alguns instantes, observando as pessoas espalhadas pela festa. Não precisou se debruçar muito sobre a questão. “Não é uma dedução difícil. Talvez aquele ali...” Apontou discretamente com o queixo. “Não parece querer ir embora, mas logo vai ficar sem escolha.” Um sorriso divertido surgiu em seus lábios, embora balançasse a cabeça negativamente, como se reprovasse a cena. Estava longe de ser um samaritano, mas até ele conseguia perceber que aquilo terminaria mal. “Está a um copo de distância de vomitar as próprias tripas e nem está tentando disfarçar.” Os olhos permaneceram sobre o infeliz por mais alguns segundos. “Os professores devem estar fazendo vista grossa, está muito na cara.” Voltou a atenção para Nymeria. “E você? Qual seria sua aposta?"