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ANTES DA MALDIÇÃO:
Partir para Neverland na infância custou aos Darling o abandono da parte dos pais. Eles foram deixados após alguns anos longe de Londres, pois o tempo nos dois mundos era diferente, e o que tinha se passado apenas por uma semana em Neverland, havia virado anos na Terra. Contra a vontade, tiveram de amadurecer para que pudessem se sustentar sozinhos. A sorte foi que tinham conseguido manter a mesma casa, mas precisaram trabalhar para mantê-la, assim como suas vidas sem graça também.
E após longos anos de espera, onde os três habitualmente olhavam pela janela na esperança de ver uma fada, ela veio lhes buscar novamente para Neverland, visto que esta passava por problemas. Kendall jamais esqueceu de sua aventura na terra mágica, por isso mesmo com a maldição que assolou Neverland, dentro dele ainda vive um pouco da aventura que viveu em sua infância -- que o marcou consideravelmente pela vida toda.
DEPOIS DA MALDIÇÃO:
Kendall é o filho do meio dos Fitzgerald e também o mais sofisticado, educado e inteligente dentre estes -- não que os outros também não sejam, mas ele, especialmente, era levado a tal. Seu pai sempre foi muito rigoroso com sua educação, por isso o jovem desde sempre tratou de virar quase que um reflexo do superior para agradá-lo. Óbvio que isso caía por terra sempre que se posicionava a favor de sua irmã mais velha e do mais novo também, pois perto deles Kenny era uma pessoa completamente diferente.
Ao lado da mais velha, ele sabia que podia ter conversas longas, inspiradoras e necessárias para seu crescimento, mas ao mesmo tempo com o caçula tinha incontáveis aventuras. Ele amava estar próximo dele, pois sabia que podia saciar uma parte de si que só existia a pureza de uma infância normal, comumente sempre optando por deixar a irmã mais velha fora de seu habitual conforto para se preocupar com ambos - já que ela sempre foi uma figura de respeito para eles, especialmente para Kendall.
Quando se mudaram de Londres para Storybrooke, após iniciar os estudos universitários, ainda que contra sua vontade já que ele não fazia ideia do que optar para o futuro, Kendall arranjou um emprego na loja de armas e munições, a Grimm’s Ammo, local este que seus pais não fazem sequer ideia de que ele tenha ligação. Para mascarar o trabalho, Kenny pediu ajuda para a irmã para que esta pudesse mentir dizendo que ele trabalhava, na verdade, com ela. O jovem sabe que é arriscado, mas também nunca se importou tanto com a opinião de seus pais, já que eram ausentes o suficiente para, como citado, Kenny ter mais respeito pela irmã mais velha.
CURIOSIDADES:
Kendall é bundão. Não tem coragem de fazer certas coisas por medo de ser julgado, descoberto ou até mesmo não conseguir sair impune. O problema estava unicamente no medo que tinha do pai. No entanto, as coisas que faz são puramente ao acaso e também por influência de terceiros, já que ele sozinho não teria um pingo de coragem.
Um de seus passatempos preferidos é ir na biblioteca com seu bulletjournal, pegar um livro para ler e então começar a desenhar cada página no próprio caderno. Isso o ajuda a manter sua criatividade sempre ativa e também uma dosagem de imaginação que não morreu ao virar jovem adulto. Tem um baú que guarda vários bulletjournals e a maioria deles está completo com vários desenhos e caricaturas que ele faz das coisas que lê.
Gosta de jogar jogos online aos finais de semana ou quando não tem nada melhor pra fazer com os amigos. Recentemente tem jogado muito fps, tais como Valorant e Overwatch, mas gosta mais dos RPGs de aventura-ação, especialmente se forem fantasiosos, como The Witcher, e de ficção pós-apocalíptica, como The Last Of Us.
Tem uma aptidão por aprendizado muito alta. Por passar muito tempo estudando, sempre teve facilidade em aprender novas coisas, por isso não é tão difícil para ele se dedicar em algo e fazer aquilo bem feito -- se ele o quiser, claro.
RESUMO: Kendall tem a realização de que seu item especial sumiu (a cartola de seu conto, a que ele usou em Neverland) e estranha. Acima de tudo, há ligações entre o passado e o presente que mostram o quão frágil ele era/é. No passado é de que em Neverland, no entanto, ele teve coragem de lutar contra o Gancho e os piratas antes de partir de volta para Londres — que foi onde mostrou-se mais frágil —, e no presente é uma referência do quão próximo ele está de acordar da maldição — não totalmente, mas desconfiado de tudo e todos — e o quão empenhado ele está em fazê-lo, o que também acaba conectando à sua persona de antigamente (a de Neverland).
Além de tudo, esse episódio explica a relação dele com Astrid, sua melhor amiga, e de como a interação deles é pura e importante pra ele — assim como a Mod Anna é pra mim. Feliz aniversário, modzinha mais linda e dedicada! Espero sempre muito do RP, de você e das nossas interações, então seu presente é a task sendo feita ❤️
feat. presença/aparição no episódio de @waittwhat, citações sobre @dcrlingw e @fastfairy, e easter-egg de @gvncho
𝐅𝐋𝐀𝐒𝐇𝐁𝐀𝐂𝐊 (𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐚 𝐦𝐚𝐥𝐝𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨, 𝐋𝐨𝐧𝐝𝐫𝐞𝐬)
Na Londres vitoriana, em meio a uma guerra e anseios de liberdade, três irmãos encontravam-se desolados à própria sorte numa súplica para tentar reaver o sopro de vida que tiveram em alguns dias em uma Terra Mágica distante demais para suas realidades. Mesmo com o tempo que passaram no outro mundo, para eles tinha apenas congelado naquele momento específico da vida onde foram, de fato, felizes, mas para tudo tinha um custo — John lembrava-se bem das palavras do pai, afinal eram poucas as conversas que trocavam que não fossem somente sobre trabalho. E agora estavam à mercê do capitalismo, que os havia obrigado a crescer além do esperado.
John não tinha muito mais que dez anos quando tudo aconteceu. Ele sequer entendia das conversas entediantes de seu pai sobre trabalho e profissão, mas precisou lembrar na marra quando se viu na responsabilidade de ajudar aos irmãos a se reerguer na velha casa, abandonada pelos pais tal qual eles também foram na época. Ora, John não os culpava… Foram anos esperando pelo retorno de três crianças desaparecidas e às vezes a esperança falhava para aqueles que não acreditavam, principalmente adultos — era assim, afinal de contas, que ele vivia sua vida. Acreditar tinha sido a porta de entrada para que ele aprendesse a voar, e era ainda o fio de esperança que ele tinha para se amarrar na expectativa de que voltasse para Neverland mais uma vez; e para sempre.
Quando, após anos esperando, nada parecia vir e as coisas em Londres só pioravam, ele se viu obrigado a transformar-se nas pessoas que mais estranhou em tantos anos: homens bem vestidos e que só tinham um percurso para fazer, do trabalho para casa e vice-versa. Por anos essa foi sua rotina, usando o mesmo terno de sempre, dado pela vizinha, que lavava e passava todo santo dia em um único intuito de que usasse no trabalho. Naquela época, para John não existia proibição de trabalho infantil, talvez por isso ele e seus irmãos conseguiram atingir a idade adulta com certa dureza após tanto se esforçarem para manterem-se juntos — e sempre ficaram, mesmo com as adversidades do amadurecimento. Os três sempre ficavam na expectativa, olhando pela janela alguma sombra; passando várias noites em claro apenas conversando sobre como manejar uma espada ou sobre como escapar dos encantos de uma sereia… Um conto de fadas, realmente. Mas que não existia na realidade deles e precisavam se contentar com isso.
O olhar do Darling do meio esvaía pouco a pouco, mas a faísca jamais se apagava. Como poderia, afinal? Um navio flutuante no céu não era algo comum de se ver por aí em Londres, que dirá uma fada com pózinho capaz de fazê-lo voar. Era impossível John esquecer, mas era também impossível parar de crescer.
O empurrão brusco fez com que o adolescente caísse com tudo no chão, capaz de ralar o joelho pela tentativa de suavizar a queda, tal qual suas mãos sujas de areia que diminuíram o impacto. “Que pateta” , os meninos disseram entre risos. Não eram muito maiores de tamanho ou mais robustos que o próprio garotinho, mas estavam em maior número, o que já era um ponto a menos para ele vencer aquela troca. Quase sempre se metia naquelas ‘brincadeiras’ sem que escolhesse, pois era alvo perfeito para valentões que viam nos mais quietos e estudiosos uma chance de diminuir sua inteligência a troco de serem maiores e melhores. Para Kendall Fitzgerald isso nunca colou.
Ele não era o melhor de briga, nunca moveu um dedo contra ninguém, muito pelo contrário; sempre foi calmo e fugia desse tipo de reação. Foi aí então que, como um anjo da guarda, Astrid apareceu aos gritos com uma professora. “Foram eles! Eles que rasgaram meu livro” , parecia estar aos prantos enquanto dizia aquilo, algo que fez com que a professora se comovesse e apontasse para a entrada da escola. “Vão para a diretoria agora” e após os dizeres da mulher, os meninos que antes estavam prontos para surrar Kendall, se afastaram com caretas feias, onde nem mesmo suas súplicas para explicar a professora o que tinham a ver com a situação foi escutado. “Claro que é mentira, você sabe…” Astrid lhe confessou baixinho depois que os meninos e a professora se afastaram deles, ajudando-o a levantar. E então começou seu longo falatório até finalmente se apresentar e firmar o início daquela amizade. Ela o tinha salvo, o mínimo que o Fitzgerald podia fazer por ela era dedicar-se à mesma como um verdadeiro amigo o faria.
𝐅𝐋𝐀𝐒𝐇𝐁𝐀𝐂𝐊 (𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐚 𝐦𝐚𝐥𝐝𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨, 𝐋𝐨𝐧𝐝𝐫𝐞𝐬)
Como um jovem adulto, John Darling precisava se portar como tal. Apesar de ainda ter trejeitos infantis, devido a sua infância perdida, ele conseguia lidar com assuntos políticos os quais agora estava inserido. Ser membro do parlamento de Londres, mesmo que em um cargo invisível por assim dizer, já era algo que o ajudava a entender como as coisas funcionam no país. Porém, seu baixo interesse e educação atrasada devido aos anos que perdeu de escola, impactavam na sua conjuntura política e isso, consequentemente, atrapalhava seu desempenho profissional — não para menos que chegava sempre cansado em casa.
Em suas andanças à noite de volta para o apartamento onde ainda vivia com os irmãos, John pensou se não era hora de comprar algum automóvel para auxiliar sua locomoção, afinal acordava cedo demais para quem saía muito tarde do trabalho e chegava mais tarde ainda em casa. Mas, todas as suas ponderações foram interrompidas com um gemido alto em um beco, seguido de vozes brutas e um clima extremamente tenso. O jovem deu alguns passos para frente e deparou-se com a cena de grandalhões encasacados batendo em um outro homem que estava deitado ao chão e mal se mexia. Quando foi notado, então, sua reação foi a de esperar antes de começar a correr, uma vez que os comentários em voz alta dizendo "pegue-o" foram o bastante para acordá-lo de seu transe.
Não era atlético e tampouco tinha proficiência em maratonar, mas no calor do desespero era capaz de fazer qualquer coisa para se safar de algo. John corria, corria e corria, enquanto escutava os homens atrás de si gritando: "You took the wrong turn at the wrong time!" Estava em busca de alguma alma para lhe salvar, mas via um fio de expectativa quando alcançou uma esquina bem iluminada e tombou bruscamente com um policial — o que fez ambos caírem ao chão pelo impacto. "Meu senhor?!" o outro homem referiu-se para John, após apanhar o parceiro do chão, que não estava nem um pouco feliz pelo ocorrido. "O que foi isso?" ele questionou prontamente, furioso. John só teve o reflexo de olhar para o lado, mas não viu mais ninguém. Aqueles que o perseguiam tinham simplesmente sumido da vista, deixando para trás nas ruas um vasto breu e nada além disso.
Somente quando tomou conta de si mesmo e foi puxado para ficar de pé novamente, que John percebeu que estava vivo e a salvo. Por obra do destino não sabia se era mesmo, mas a sensação de segurança era o bastante para aliviá-lo. Ainda assim, o Darling precisou se explicar e inventar uma desculpa boa o bastante para que não parecesse louco. Além do mais, ainda havia conseguido uma carona para casa, sequer desabafando com seus irmãos assim que havia chegado, pois, acreditava ele que não era tão importante. Na verdade, sua maior sorte era a de estar ali de novo, ainda que cada vez mais ansiasse pelo dia em que voltaria para a Terra do Nunca. Londres não era mais sua casa; nunca mais seria.
𝐏𝐑𝐄𝐒𝐄𝐍𝐓𝐄 (𝐝𝐢𝐚𝐬 𝐚𝐭𝐮𝐚𝐢𝐬)
"Não foi aqui, foi mais pra lá, vai por mim!" Kendall comentou em voz alta, já estufado por ouvir tanto Astrid lhe dizer que estava errado sobre o caminho que trilhavam na floresta. Na verdade, ele não sabia se estavam mesmo perdidos, mas se estivessem ele certamente não admitiria. Uma das coisas mais curiosas sobre ele era que com pessoas com quem tinha um vínculo de intimidade bem maior e que foi construído através de anos e anos, era normal que ele mentisse ou ocultasse determinadas informações, supondo ele que era melhor assim para lidar. Sabia que não era, óbvio, já que sinceridade entre as partes era essencial, mas talvez fosse por isso que seu laço com Violet o tinha mudado e ajudado. A relação entre eles era profunda, trabalhada há meses e diante de muitas dificuldades, porém, ele nunca sentiu a necessidade de omitir algo dela... Bom, pelo menos quase tudo. O voto que tinha dado ao clube da luta era importante também e um meio de definir sua aliança diante do que ele considerava ser importante, portanto, era melhor omitir do que assumir. Ainda mais para Violet... Ele não queria que ela se preocupasse com ele mais que o necessário. Além do mais, não queria estragar tudo que tinham planejado até ali, pois, de certa forma, seu coração escapava uma batida ao imaginar que a magoaria de alguma forma. Tal como já o fez com Clementine. Era uma dor inexplicável.
Uma que, no entanto, não tinha com Astrid. Desde a escola, quando eles se aproximaram após ela o salvar de valentões, eram muito unidos. Suas mentes trabalhavam quase que em uníssono, por isso a intimidade que criaram conforme os anos passavam era suficiente para permitir que ele fosse ele mesmo, sem delongas ou hesitações, diante dela, afinal: ele sabia que o máximo que ganharia da amiga seria um soquinho no ombro e umas palavras de forte impacto que... não impactariam em nada, sendo bem realista. Anos após sua união, Astrid e Kendall tinham enterrado uma cápsula do tempo que só deveriam desenterrar depois de dez anos, como prometeram. Porém, a curiosidade habitada em ambos era extrema e, por acordo mútuo, decidiram desenterrar mesmo que só tivessem passado quatro anos ao todo. E lá estavam eles... perdidos, embora não tanto, procurando onde deveriam cavar.
[ . . . ]
Longas horas foram o bastante para fazê-los encontrar, finalmente, a cápsula e desenterrá-la. Depois de ouvir umas poucas e boas dela e entregar na mesma moeda, Kendall visualizou tudo que tinha na cápsula, mas ficou intrigado com um único item que não estava lá. Seu chapéu, herdado de seu pai que já passava por gerações — mesmo sendo breguíssima. Ele jamais usaria aquilo em sã consciência, principalmente na era moderna, mas era uma coisa valiosa para ele já que tinha sido presente de seu pai. Se ele perdesse, bom... O homem não ficaria lá muito contente com isso. "Que droga, não tá aqui!" Praguejou, já imaginando a dor de cabeça que aquilo daria, mas, acima de tudo, onde diabos ele tinha escondido aquilo? Tinha cem por cento de certeza que tinha deixado na cápsula, então não achar ali foi um baque — mais pela estranheza de sua memória do que pela veracidade dela.
Astrid ainda tentou conformá-lo de que era burro e provavelmente tinha se esquecido onde tinha colocado, mas que estava no canto mais óbvio dentro do quarto dele. Kendall não contestou, mas a pulga atrás da orelha ainda manteve-se. Certamente comentaria aquilo com Violet, por mais bobo que fosse. Era engraçado pensar como querer dividir qualquer pensamento ou acontecimento com ela, tornava-se cada vez mais presente em sua rotina, quase como se dependesse das conversas com ela para se sentir mais vivo e útil. Perto dela ele tinha essas sensações boas, de melhor convívio.
Ao invés do chapéu, encontrou o boneco de crochê que havia feito com a ajuda da melhor amiga, tal como o boneco que ela o tinha apresentado anos atrás; o pequeno Olaf era um item presente na vida dela há anos e sempre serviu de companhia para ele. Seguindo essa mesma premissa, Kendall acabou por costurar uma Nana em miniatura — uma que a própria cadela não rasgasse e nem tivesse contato, já que imaginava que ela destruiria o boneco em dois segundos. "Não me admira que eu sofria bullying naquela época, olha as coisas que você me induzia a fazer!" Era ridículo pensar que tinha costurado aquilo, pois lembrava-se bem dos ensinamentos da outra com relação a se sentir sozinho, ainda que ambos tivessem prometido não deixarem se sentir assim nunca mais. Eles tinham um ao outro, mas quando não tivessem, por alguma inconveniência de alguma das partes, teriam os bonecos em mãos para ocupar os pensamentos. Era ridículo, sim, mas compensava.
Naqueles mínimos detalhes, Kendall sabia que teria Astrid bem quando precisasse e vice-versa, por isso que sorria e sentia-se confortável vendo aquelas bobeiras dentro da cápsula. Imaginava a cara de Clementine quando retornassem para casa e ela visse as coisas que ele pegou escondido dela e do irmão para guardar ali, mas com toda certeza ririam disso, pois, por mais complicado que os dias em Storybrooke fossem, Kendall sabia o quão importante era manter-se perto deles todos e o quão importante era protegê-los.
Ele faria de tudo, até mesmo era capaz de mentir porque, não, ele não se permitiria fraquejar diante de ninguém e nem esperar ser salvo. O próprio reagiria antes de qualquer coisa, e já era hora de crescer.
Violet não soube o que pensar diante do simples aceno de cabeça de Kendall. Aquela era uma confirmação de que ele esteve flertando com Amy ou não? Torceu o nariz, desgostosa tanto pela falta de resposta quanto por estar pensando segundos demais naquele ponto, quando não deveria. Desde quando importava-se com o que Kendall fazia em sua vida pessoal? Negou com a cabeça e focou no caminho que fazia até a cafeteria. Talvez com um bom café ela começasse a pensar direito e trabalhasse como esperado, afinal não haviam tempo a perder. Além daquela tarefa, tinha muito o que atualizá-lo sobre o livro. Sentou-se em uma das mesas mais afastadas de todos os outros clientes da cafeteria e esperou pelo que Kendall iria lhe dizer sobre a busca. “Assim espero.” Murmurou em resposta, segundos antes de focar seus olhos castanhos na escama que ele tinha em mãos. Arqueou as sobrancelhas surpresa. “É como a escama que sonhou?” Perguntou, erguendo os olhos para o Fitzgerald novamente em curiosidade. Se fosse, teriam ali outro ponto muito relevante para levarem em questão. Talvez Violet pudsse encontrar no As Old As Time outros objetos que apareciam nos sonhos de moradores da cidade. Até pensou em fazer aquele comentário para ele, mas fora obrigada a franzir o cenho diante das palavras seguintes. “Está maluco, Kendall? That’s brilliant.” Apontou para a escama. “Se isso é importante para você, fez certo de pegar. Nós não vamos chegar a lugar nenhum sem correr riscos. Precisamos ser audaciosos em algumas coisas.” Apesar de apreciar suas descobertas e apoio durante o processo, não era sempre que Violet o elogiava — na verdade, não lembrava-se de tê-lo feito antes — mas naquele momento, ela sentia que era o certo a fazer. Sabia que tinha uma postura intimidadora, mas não gostava de vê-lo inseguro daquela forma e se estavam juntos naquela investigação toda, ele precisava sentir-se seguro ao seu lado. “Você não precisa se colocar para baixo dessa forma. Tem tanta capacidade quanto eu, Kendall. É claro que sou muito mais discreta…” Rolou os olhos por um segundo, mas depois apenas deu de ombros. “Mas você toma decisões certas. I trust you, don’t I? Sabe quantas pessoas tem esse privilégio na cidade? Nenhuma. Eu diria que é algo para se orgulhar, dear.” Encostou-se na cadeira e o encarou com um sorriso de canto egocêntrico nos lábios. “Na verdade, eu sequer entendo porque você faz isso. Não acredita em si mesmo ou o problema sou eu?”
Assentiu com veemência quando ela o questionou sobre ser o que sonhou. O mais curioso é que esperava que ela o matasse, pulasse contra ele ali mesmo na mesa e esganasse sua garganta, que nem como Hommer fazia com Bart. Foi um reflexo imaginativo muito cômico, mas que não rendeu risadas para ele, somente uma reação de umedecer os lábios que entreabriram milésimos de segundos depois, analisando as feições de Violet no processo. No dia, aquilo tinha sido o melhor comentário que tinha recebido de alguém e também o mais inesperado. Era como esperar compreensão de seu pai. Receber um elogio, mesmo que de forma simplista, de Violet era como minerar ouro. Um sorriso breve nasceu no canto de sua boca, balançando a cabeça para livrar a expressão do rosto -- e também para que ela não visse -- quando abaixou o tronco por alguns segundos, antes de ajeitar mais uma vez a postura contra a cadeira. “Só não sei se foi o melhor risco pra se correr. Logo da loja do prefeito.” Entendia que aquilo era precário, mas com as palavras dela sentia-se mais confortável. Principalmente quando ela comentou sobre a discrição, claro. Fechou os olhos e então soltou um riso nasalado, torcendo a boca e sugando o ar entredentes, antes de tornar a olhá-la mais uma vez. “Quê?” De repente a postura quebrou-se, fraquejando na cadeira ao tentar ajeitar-se. “Não! Não, não, não.” Assegurou rapidamente logo quando ela terminou de falar, pois no segundo seguinte apoiou uma das mãos na mesa, batendo os dedos enquanto prosseguia em explicar-se. “Não é isso. Não é problema com você... Eu, na verdade, acredito mais em você que em mim mesmo, por isso que... tem sido mais fácil ficar com você. Com isso tudo, entende?” Não queria que ela entendesse nada errado, mas era complicado uma vez que Kendall por si só já era uma confusão em pessoa. “Claro, você tem discrição no sangue, todos sabemos disso, é bem óbvio até se comparado a mim, mas... Não. Não pense que essas coisas negativas que eu falo são culpa sua. Jamais. Não tem como ser. Você é a pessoa que mais confio também!” Confessou de forma discreta, bem quando devagar aproveitou a fraqueza para entrelaçar os dedos das mãos sobre a mesa mais uma vez, relaxando os ombros no processo. “E me ajudou bastante também nos últimos meses. Obrigado por isso!” Respirou bem fundo então, para que concluísse o pensamento desordenado, que certamente causaria ainda mais dúvida da parte alheia, conhecendo ela. “É mais denso que parece, na verdade... E é cansativo.” Pensou que com isso teria cessado o assunto, portanto procurou em algum canto da cafeteria algo que nem mesmo ele sabia, afinal pra pedir os cafés ele teria que ir por si mesmo.
Não via Kendall desde o jantar e, de certa forma, sentia-se desconfiada de que algo estivesse acontecendo com o mais novo. Queria conversar com ele sobre Violet, afinal descobriu que os dois estavam juntos quando ela chegou em sua casa, horas mais cedo. Nunca o tinha sequer ouvido mencioná-la e tinha medo de que o estivesse perdendo. Os mais novos eram a referência de família de Clementine, então não podia nem imaginar que um dia pudessem se vir a se afastar. Assim, quando o viu sozinho em um canto do salão, decidiu ir atrás dele. Tinha algo em sua postura que era suspeito, porém não conseguiu identificar o que estava acontecendo. Franziu o cenho quando percebeu que ele tinha a barra da blusa levantada e aproximou-se um pouco mais, inclinando seu corpo em uma tentativa de ver o que ele parecia dar atenção. Foi nesse momento que o mais novo se virou, fazendo com que Clementine também se assustasse. Apesar disso, percebeu um vislumbre do que parecia ser um machucado grande em seu abdômen. “O que é isso?” apontou para a região, ignorando o comentário de que sempre o assustava — o que não deixava de ser verdade, aliás. “Eu tenho um radar pra saber quando você tá fazendo merda e ele tá apitando bastante agora.” cruzou os braços sobre o peito. “Você tá machucado?” aquela era uma pergunta retórica, porque tinha quase certeza do que acabara de ver.
Era aquele o momento em que mentiria para a pessoa que mais se importava na vida. Nada superava magoar Clementine, isso Kendall evitava a todo custo e odiava que as próximas palavras que iriam sair de sua boca fossem mentiras, mas era preciso. Ela não o entenderia, não agora, e mais do que isso: arrumaria um jeito de evitar que ele se sujeitasse àquilo. Não era o que ele queria. Ele precisava passar por aquele processo para se compreender melhor, e não podia fazer isso se fosse impedido. Além do mais, como explicar para a irmã que socar outra pessoa era algo aliviador? O que, realmente, não era para Kendall, mas ajudava em outros pontos psicológicos. Só esperava que não fosse algo ruim mais na frente... “Deve ser... o meu novo piercing!” De onde. Tinha. Tirado. Isso? “É por isso que seu radar apitou. É meu piercing. Sim, foi isso. Eu fiz um piercing... no umbigo.” Quê? Seu corpo todo enviesou com a própria justificativa, pressionando os lábios um contra o outro e um fechar de olhos breve de acordo com sua mentira absurda de cabeluda. Ele odiava como esse tipo de coisa saía de sua boca assim, sem mais nem menos. “Eu fiz um piercing no umbigo porque queria ser descolado que nem meus colegas de faculdade. Certo, eu sei, eu sei que você vai falar que eu não tenho mais idade pra ir com os outros, mas foi uma coisa de momento. Além do mais eu posso tirar... daqui uns meses. Mas não posso mostrar agora. Tá coçando e se eu irritar demais a pele fica pior. Mas tudo bem porque depois que chegar em casa eu passo pomada.” Depois de enfiar a blusa na calça na intenção de evitar que Clementine puxasse, muito embora ela pudesse fazer mesmo assim, o moreno umedeceu os lábios devido a secura de seus falsos dizeres e só suspirou, olhando-a. Era muito triste vê-la tão preocupada, sempre tão ocupada em certificar de que ele não estava fazendo nada de errado, quando poderia simplesmente sossegar para a irmã. Kendall sabia que estava errado, quase sempre estava, mas partia seu coração ter que mentir para quem amava tanto. E pior, fazê-la sentir-se fora de sua vida. “Vai sarar, Clemmie, não precisa se preocupar com isso... I mean it.”
“Sim?” Maneou a cabeça em concordância, deixando claro que aquela era uma informação óbvia e que ela tinha conhecimento. Se fosse qualquer outro, Violet já teria entendido que se tratava de um convite para dançarem, no entanto, Kendall era um pouco mais difícil de ler e a jornalista não queria deixá-lo ainda mais acuado fazendo suposições erradas sobre suas intenções, principalmente após o período estranho que passara na casa alheia. “Oh.” Soltou um riso de canto de boca. Então ele estava mesmo convidando-a para uma dança. Tão típico que ele não conseguisse dizer diretamente. “Sabe que podemos perder algo importante nesse tempo, right? Não sei o quão responsáveis estaríamos sendo se nos ausentarmos da mesa.” Era difícil para Violet tirar sua mente da investigação, principalmente quando sentia que estava perdendo algo que estava debaixo do seu nariz. Era frustrante tamanho fracasso para alguém que nunca fracassava. “Justo, mas também não me lembro de receber um convite.” Retrucou com a sobrancelha arqueada, para em seguida rolar os olhos com a brincadeira alheia. “All right, vamos de uma vez! Você é insuportável, espero que saiba.” Grunhiu, enquanto aceitava colocar sua mão sobre a de Kendall. Sentiu um espasmo esquisito que a obrigara a levantar-se rápido da cadeira para apressá-lo. Não era a primeira vez que trocavam um contato parecido, mas normalmente tratava-se dela o arrastando até um canto onde pudessem trocar informações com sua impaciência característica e não para um momento de lazer. Não estava acostumada com aquilo. Chegando ao centro da pista, voltou-se para o mais alto para posicionar sua mão sobre o ombro alheio com delicadeza. “Pense bem antes de tentar esses passos legais que aprendeu, Kendall. Não estamos em uma cena de Grease.”
A reação dela sempre o deixava confuso diante da imprecisão para entendê-lo. Claro, não era uma atitude normal de Kendall e ele tinha consciência disso, até porque os recentes acontecimentos e pensamentos nunca foram imaginados, sequer cogitados, e ia além de sua própria origem. Mas também não era de todo ruim. Na verdade, era uma coisa boa. Ele se sentia muito mais leve depois de falar com ela, mas ainda entendia como se existisse um empecilho entre eles -- este que Kendall sabia bem o que era. “Esse é o convite agora. Não perdemos nada antes, da outra vez, e agora também não. Por isso... agora.” Fez uma careta ao arregalar os olhos. Nunca soube se explicar direito, muito menos para Violet que sempre tinha uma resposta na ponta da língua, o deixando envergonhado por não ter convidado ela antes. Teria errado em não fazê-lo ou era porque tinha a pego de surpresa? Com o elogio embutido no xingamento, o moreno sorriu de canto, soltando um riso nasalado no processo, e no instante em que a tomou pelas mãos, quando a mesma aceitou, Kendall foi puxando lentamente para o centro da dança. Acompanhava não só a outra como também os adereços na festa, apenas para dispersar um pouco a cabeça que ficava à mil em poucos segundos, sem saber exatamente o porquê. “Hmmm, Grease é mais complicado, sabe?! Eu não tenho esse molejo todo.” Fez uma careta e soltou um riso baixo, direcionando o olhar desta vez para as próprias mãos que foram na cintura de Violet. Não hesitou, mas pensou que deveria ter posicionado em outra região... Só parou de pensar onde, pois pensar demais geraria perguntas e perguntas advindas da boca de Violet Mancini não era nada bom. “E também não acho que tenho braço pra te levantar. Nem pra te girar até você ficar tonta e cair... Bom, na verdade eu não tenho braço pra nada, né.” Olhou para cima fazendo uma careta. Não entendia muito bem até onde queria chegar com aquilo tudo, por isso suspirou e a olhou, agora um pouco mais sério. Com os poucos segundos de silêncio, decidiu que ele mesmo quebraria o gelo. Depender sempre dela para falar algo era frustrante. Talvez fosse momento para fazê-lo sozinho. “Você parece incomodada com algo. Não só com... a nossa mesa que me refiro, mas... No geral. Alguma coisa do geral.”
Depois da conversa no baile com Violet, ficou feliz que esta tinha aceitado se encontrarem na casa de Amélie. Eles precisavam de um sitio privado , que ouvidos alheios não pudessem utilizar aquela conversa para outros meios, como colocar Hope presa por causa de ter um objeto perdido e de extrema importancia para o presidente da cidade. Arranjou um horário, em que a mais velha estivesse trabalhando e assim não a perturbaria e ela não precisava de ter o peso da consciência de que Hope, tinha aquele livro. Ouviu o som da campainha e abriu a porta, se encontrando com Violet e outra pessoa “Quem é ele?” Perguntou logo, nem controlando seus modos ou medo se tinha sido rude. Afinal, apenas pensava que quem iria aparecer seria Violet e mais ninguém.
Se Violet iria dar uma olhada naquele livro pessoalmente, ela precisaria ter @kennymydarling ao lado, então era claro que ela fizera questão de arrastá-lo até a casa de Amelie naquele dia para encontrarem com Hope. Haviam algumas coisas que Violet não conseguia fazer na presença do amigo por falta de tempo, mas preferia quando podia, pois conseguia ter as opiniões alheias ao vivo e não teria que perder o tempo de atualizá-lo com as novas informação. “My friend.” Respondeu simplesmente, esperando que Kendall se apresentasse sozinho se desejasse. “Ele precisa ver o livro comigo.”
Acompanhar Violet em suas aventuras era algo natural para Kendall, tal como ela também era a companhia dele para quando pensava em coisas suspeitas de situações inusitadas. Por isso mesmo foi que quando ela comentou sobre @hopesswan com ele, imaginou que seria algo promissor. Ao chegarem no local, no entanto, tentou ser o mais discreto possível afinal Kendall tinha uma propensão maior que a de qualquer outra pessoa para fazer merdas acontecerem com mínimas ações. Portanto, de mãos enfiadas nos bolsos do casaco e pouco atrás de Violet, inclinou o corpo para o lado para que a outra o visse melhor, dando um sorrisinho, mas logo em seguida esvaindo pela pergunta dela e reação que a mesma teve. “Kendall.” Completou pela amiga, ainda um pouco sem jeito. “Foi o Noah que te entregou, né? Violet me contou.” Apontou igualmente sem jeito para Violet, mas logo guardou a mão de volta no casaco. Claro que ele tinha que clarificar o óbvio. Se não fosse Violet quem o tinha contado, ele não estaria ali.
❛ @cantlerigo oferecendo para fazer algum curativo nele.
Há alguns dias suas saídas planejadas estavam sendo cada vez mais difíceis de esconder. Primeiro porque não tinha assim tanta atividade na faculdade para estudar ou dividir para fazer com outros colegas, o que o deixava sempre com menos possibilidades e, claro, menos lógica se fossem saídas à noite. Pensava que em algum momento todos pensariam que ele estava se vendendo nas esquinas para conseguir dinheiro para sair de casa o quanto antes, afinal ele nunca escondeu anseios de mudar-se -- sempre com a justificativa de necessitar de mais privacidade. E segundo porque... ele não tinha nada a esconder da família. Era o que imaginavam. Por isso, quando pensou que aquele machucado da noite poderia ser um atraso se vissem em casa, avisou que estaria passando a noite na casa das Sveen, única e exclusivamente porque não sabia mais para onde recorrer. Astrid precisaria lhe ajudar e precisaria saber do segredo dele, muito embora se negasse a contá-la. Talvez por isso foi que, quando sorrateiramente quis entrar no quarto da amiga, o susto que tomou ao ver @cantlerigo ao invés da irmã mais nova dela foi maior, que o fez titubear e encolher-se com o susto no canto da parede, batendo a cabeça no parapeito da janela que havia acabado de subir. “Ouch!” Não sabia o que dizer depois disso, apenas massagear a cabeça e olhar para Emily com uma carinha de pidão... Talvez ela se comovesse só com isso?!
Assim que trouxe o notebook para a sala e se aprumou no sofá ao lado de @waittwhat, Kendall deixou a tela de modo que ficasse boa para visão de ambos, bem quando abriu no site do buzzfeed um dos testes que havia favoritado. “Vamos começar por esse aqui.” Cogitou no instante em que leu o título. “Este teste dirá quais amigões da ficção você e o seu best friend forever são.” Repetiu imitando uma vozinha de locutor muito ridícula. Enquanto pegava uma almofada para apoiar entre eles, ainda de pernas cruzadas, o Fitzgerald do meio começou o quiz e recitou para que ambos pudessem acompanhar igualmente. “Escolha o que vocês fariam numa sexta-feira... Aí tem as opções... que são meio merda, não combinam com a gente... ‘Beber no bar’... ew?” Olhou para ela com desgosto brevemente, pois sabiam que não era muito a cara deles. “Pode ser uma possibilidade no futuro, mas esse ano eu não faria isso, então... ‘Sair pra balada’ talvez, mas não tem nenhum lugar legal assim aqui na cidade... ‘Jantar’ e ‘Jogar videogame’, tô entre essas duas, mas acho que jantar, porque, vem pela minha lógica, pra quê ficar jogando videogame se tem a opção de comer primeiro? Se fosse ‘o que você e seu bff fariam numa sexta-feira’ e tivessem duas opções numa só alternativa, aí sim seriam essas duas, mas como é jantar ou jogar videogame, acho que jantar primeiro é sempre a melhor opção.”
Após começar a lutar no clube, Kendall sentia como se não tivesse dom algum para nada do tipo, mas Victor o tinha incentivado o bastante para que ele levasse aquilo como hobbie para desopilar, e era exatamente o que ele faria. Ganhando ou perdendo -- e perdendo mais que ganhando, o que importava, de fato, era liberar todo rancor e raiva de dentro de si, algo que ele vinha acumulado com certa angústia dentro de si por anos a fio. Kendall agora andava com algumas marcas no corpo, mas estava sempre tão bem vestido e coberto que era difícil verem. Somente quando sentiu uma pontada séria na barriga foi que se afastou do público e virou para a parede em um cantinho, puxando um pouco da barra da blusa para averiguar se estava machucado muito sério, e o roxo que habitava ali como hematoma era, sim, sério, e bem vívido também. “Bollocks!” Xingou mais para si mesmo que para alguém, até virar-se por instinto e tomar um susto com ninguém menos que ela, a própria, @dcrlingw. Desceu a blusa numa velocidade gigantesca, a ponto de quase rasgá-la ao tentar enfiar de novo dentro da calça. “Você sempre me assusta, que isso! Parece que tem um radar em mim e você fala assim ‘não, eu vou só quando ele tiver despreparado e pronto pra tomar um susto’.” Zombou da situação para dispersar o foco dela, como se fosse adiantar. E ele bem sabia que não.
Levando em conta a relação que estavam construindo, era natural que Violet fosse acompanhada de Kendall para o baile. Aquele era um evento significativo para as investigações e precisavam estar próximos para que pudessem trocar informações. Além disso, por mais que não tivesse admitido em voz alta, ela preferia a companhia alheia à qualquer outra, pois diferente de todos naquela cidade, @kennymydarling fora o único a nunca questionar sua personalidade e parecia gostar de estar ao seu lado, independente desta. Precisava admitir, no entanto, que naquele dia havia algo lhe intrigando. Durante todo o tempo que passada na casa dos Fitzgerald, Kendall lhe parecera acuado e tímido, mais do que o normal, como se não quisesse sua presença ali. Não pensava estar mal vestida ao ponto de se envergonhar por sua companhia. Pelo contrário, Violet sabia estar belíssima naquela noite. Ainda assim, durante toda a cerimônia não o questionou acerca do assunto e permaneceu focada no que interessava de fato: a investigação. Apenas mudou sua mente quando o observou virar-se na sua direção no momento que q música se iniciara e os casais levantavam-se para dançar. “What?” Perguntou, arqueando a sobrancelha. Seria ali que ele diria estar arrependido de tê-la acompanhado ou havia notado algo suspeito?
Abrir-se com alguém era algo difícil, ainda mais dadas circunstâncias que Kendall e seus irmãos sempre estavam inseridos. Seus pais não eram sinônimo de bondade e tampouco de compreensibilidade, mas ele já estava tão acostumado a ter uma vida fora de casa, onde não precisava ser quem seu pai queria que fosse, que era estranho demais e extremamente inconveniente que outras pessoas o visitassem. Tinha vergonha, sim, da família -- não de Wilbert e muito menos de Clementine, não esses familiares, mas de seus pais e do que eles poderiam fazer ou falar na frente de visitas. Era por essas e outras que o incômodo que cresceu dentro de si quando Violet apareceu nos Fitzgerald, lhe deixou inquieto pelo restante do caminho, da casa até o hotel, e estava até poucos minutos atrás assim mesmo -- inquieto -- quando estendeu uma mão para a amiga, não esperou que ela entendesse mesmo, afinal Violet sempre esteve muito focada na investigação e caía de cabeça afundo nos assuntos. E era justamente por isso que ele precisava de um break, já que estavam juntos nessa. “A música começou... Todo mundo vai dançar.” Por um bom tempo hesitou de falar aquilo, ser mais aberto com ela, mas depois da conversa mais recente e séria que tiveram, Kendall sentia como se Violet fosse, finalmente, um porto seguro para si... O que era estranho, pois não sabia como entender que misto sensações ele tinha quando agora via ela bem mais à vontade no vestido -- que, convenientemente, caía perfeitamente bem nela. “Aprendi uns passos beeeem legais de lá pra cá. E você não dançou comigo da última vez que teve um baile, lembra?” Apesar de questioná-la, era uma pergunta retórica. Só balançou mais umas vezes a mão na frente do rosto dela para que ela cedesse, importunando-a.
“me desculpa, kenny.” rowan já foi logo soltando ao que ria de nervoso enquanto tentava gesticular mesmo que não fizesse sentido nenhum. estava no quarto dele escondido e ainda tinha dado um susto enorme. “o wil me disse pra esconder aqui agora que seus pais chegaram e ele não achava que você fosse aparecer logo também. aí deu nisso e... desculpa mesmo.”
Começou a fazer perguntas aleatórias à balconista tentando distraí-la da movimentação de Kendall. Ela sabia que o parceiro não seria tão discreto como havia pedido, então precisava fazer o seu trabalho de distração com milhões de vezes mais eficiência, mesmo que naquele ponto, Violet já soubesse onde estava o livro. Ainda não havia visto, mas Hope não mentiria sobre estar com o exemplar em suas mãos. Seguiu com a conversa, anotando algumas coisas em sua agenda como costumava fazer até que fora surpreendida pelo barulho alto. Fechou os olhos com força e respirou fundo, tentando conter o xingamento que queria sair de sua boca naquele momento. Junto com Amy, virou-se na direção do outro e arqueou uma das sobrancelhas como se perguntasse o que estava acontecendo – passado tanto tempo junto de Kendall, a jornalista já acreditava conhecê-lo muito bem para que pudessem ter uma conversa mesmo que sem palavras – e ela soube que a resposta fora mais para si do que para a balconista. Semicerrou seus olhos na direção alheia, o repreendendo pela bagunça, mas estava mais tranquila de saber que estava tudo em ordem. O observou andando na sua direção e virou-se para a loira novamente. “Vejo que não temos nada de novo então, darling, é uma pena, mas obrigada pelo seu tempo novamente.” Sorriu de maneira polida para a loira e deu meia volta, fazendo um gesto discreto para que Kendall também se apressasse para encontrá-la do lado de fora do antiquário. “Esse conjunto de folhas roxa é um disparate ao mundo da moda.” Comentou ao caminhar até a porta, indicando um modelo que nunca havia notado antes, mas captara seus olhos no momento que o vira. Ouviu o comentário da loira concordando e também dizendo que era do tamanho de Violet caso ela quisesse provar. O que a fez contorcer o rosto em uma careta e deixar o As Old As Time de uma vez. O que esperar de um antiquário cheio de coisas velhas e esquisitas? Torcia para que ao menos Kendall tivesse tido alguma sorte.
O aguardou do outro lado da rua do antiquário com os braços cruzados em sinal de impaciência, enquanto batia o pé no chão repetidas vezes. Não bastava Kendall ter quase atrapalhado toda a investigação, como agora também parecia não querer mais deixar o antiquário. Deu uma última olhada no relógio vendo que haviam se passado infinitos três minutos, quando ele finalmente chegou ao seu encontro, fazendo com que soltasse um grunhido. “Achei que não iria mais sair de lá, Kendall. Se apaixonou pela Amy e estava tentando conquistá-la ou o que?” Questionou, rolando os olhos em seguida para puxá-lo pela rua em direção à cafeteria mais próxima. Na verdade, três minutos era o mesmo que nada, mas paciência não era uma de suas poucas virtudes. “Conseguiu encontrar alguma coisa? Pois se tiver feito toda aquela bagunça por nada, eu ainda posso te decapitar.”
Ainda ficou por mais uns segundos caducando o que elas estariam conversando. Seria um papo profissional o qual ele não seria capaz de entender? Porque de administração ele entendia, só não sabia nada de antiguidades e muito menos se interessava por elas. O fato de estar ali agora não era por querer e sim por necessitar. A curiosidade era bem maior que qualquer coisa, por isso que contava com a ajuda de Violet -- ela era tão encucada quanto ele sobre isso tudo que estavam passando. Somente quando viu a amiga dando meia volta para sair do local, foi que Kendall tomou a liberdade para falar para Amy, quase que num sussurro, ainda que não fosse necessário fazê-lo. “Boa sorte lá no seu negócio.” Fez uma careta e mexeu com as mãos para fazer jus a que tipo de negócio se referia. Ela entenderia o que ele estava falando, possivelmente, pois tinham sido cotados para lutar no mesmo dia; o que não achava viável, no entanto, era que ela compreendesse a esquisitisse de Kendall com aquele tipo de atitude. Deu um suspiro quase audível quando acenou com a mão e empurrou a porta da frente, saindo e dando de cara com uma impaciente Violet.
Sua primeira reação foi ouvi-la, depois pressionar os lábios finos como numa repreensão silenciosa para si mesmo. Ele não deveria ter demorado nem mesmo dois segundos e no mínimo ter saído primeiro que ela, só assim evitaria aquela reação. Contudo, balançou a cabeça e enfiou as mãos nos bolsos do casaco, se permitindo, como sempre, ser puxado por ela. Só então quando já estavam afastados o suficiente foi que ele comentou, assim que se aproximou de alguma mesa, mostrando no processo a escama roubada rapidamente para que olhos curiosos ao redor não captassem um movimento sequer. “Sem cabeças rolando por hoje.” Parecia incerto sobre sua atitude, se era boa ou ruim, mas só saberia quando estudasse as feições dela. Ela, sim, que julgaria e ele era esperto o bastante para esperar isso da mesma. “Achei. Fiquei nervoso. Não sabia se guardava de volta ou levava...” Suspirou alto, dessa vez, para então continuar em um sorriso amarelo sem qualquer graça: “And here we are, mate.” Deu de ombros quando falou aquilo, fazendo questão de cruzar os braços sobre a madeira, inclinando um pouco o corpo para frente no ato. “Isso foi imprudente, eu sei, eu sei... Mas não dava tempo analisar tudo na hora. Só sei que parece como se isso fosse polido de alguma forma. Uma escama real de... crocodilo, talvez?! Ela é bem dura. Tão dura quanto minha cabeça por ter feito isso... geez.”
eleanor observou kendall por alguns segundos. sim, ele estava muito bonito, mas se era o ideal? ela não sabia. ─── okay é a palavra certa para descrever, mas não é o que estamos procurando, certo? ─── esperava que o mais novo já não estivesse entendiado, pedir a ajuda da duncan mais velha para escolher sua roupa do casamento poderia ter sido a melhor, mas também a pior escolha que ele havia feito. ─── quer experimentar aquele azul de novo? eu gosto desse, mas acho que ainda mais do outro. ─── sinalizou para o provador novamente, esperando que ele obedecesse suas ordens.