Women’s toilette, 1961, Pablo Picasso
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https://www.wikiart.org/en/pablo-picasso/women-s-toilette-1961
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@killjoymood
Women’s toilette, 1961, Pablo Picasso
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A Leveza do Improvável
Já faz um bom tempo que não sentamos para conversar sobre os acasos de nós dois. Me lembro das vezes em que ríamos de coisas aleatórias por puro medo da rotina. Aquele seu sorriso e os detalhes da sua mão [...] como era bom mergulhar nas nossas mesmices, embora soubesse que o afago de te ter por perto me traria arrepios. Uma mistura de ego e medo do acaso.
Sempre que me vejo seguindo em frente, encontro algum detalhe seu em minhas malas. São memórias difíceis demais para serem postas como bibelô na estante vazia. Eu as carrego nuas no espelho da minha carteira. É sempre assim; nada mudou mesmo depois de todas as chuvas gélidas em que tive que atravessar sozinho.
Hoje vivemos os frutos a leveza do acaso: um dia, no lugar certo e a sentença ideal. Foi doce como um banho de chuva e ao mesmo tempo inocente como um filme sem roteiro. Será que merecíamos a versão de hoje dos nossos verões inesquecíveis? Foi a melhor época para experimentarmos a felicidade. As lembranças seguem os mesmos trilhos de semanas no azul.
Um dia - quem sabe - eu consiga me desvencilhar dessa cicatriz que foi te ter ao redor. E eu aviso que tenho sede! Há anos padeço de sede.
Rômulo Mendes
(via Delhi, Mausoleum of the Emperor Humayoon Art Print by Max Capacity | Society6)
Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia!
Lulu Santos
Its in ashtray decorated with Max Capacity stickers ..
Portrait of Edward James 1937 by Rene Magritte.
Perto Demais Para Clamar o Acaso
É legal quando se tem uma perspectiva e esta é bem aceita e correspondida. É legal quando há uma visão que acolhe os demais sem a necessidade de se promover. É hilário como o meios nunca justificarão os fins, pois os fins têm muito mais alternativas do que uma simples conclusão precipitada. Há dentro de cada um uma espécie de prólogo e epílogo. Quisera eu poder ler o meu prólogo todos os dias e enfrentar aquilo que me faz gemer. Penso na possibilidade de rabiscar o meu epílogo, pois, que prazer teria eu em reviver os fatos que me massacraram a vida?! Certamente eu pensaria nas possibilidades de diferentes atitudes e escolhas e isso geraria uma culpa que eu carregaria sabe Deus pra onde. Finalmente venho tendo êxito naquilo que chamo de truculência cotidiana. Há décadas venho estudando essa possibilidade e confesso que até hoje não parei para prestar atenção no que eu realmente tenho feito. Analisar o improvável é uma virtude dos tolos. Rômulo Mendes
I am very happy to announce the release of “Scenes from Saturday Afternoon” the gig poster for Edward Sharpe & The Magnetic Zeros’ show in Buffalo, NY at Erie Canal Harbor. I was so excited when I was asked to illustrate this poster for such a monumental band that I had to make something grand and magical - it is loosely inspired by Seurat’s “Sunday Afternoon” and I’m extremely satisfied with how it turned out. “Scenes from Saturday Afternoon” is a three color screenprinted poster on speckletone starch mint with a limited edition of 155. 40 are available online at www.jamesreadsmerch.com - be sure to grab yours now!
Distante do Além
Fingir pretensões quando se tem em mente o insano é o que fixa a nossa memória para a congruência das coisas que nos rodeia. Tudo o que tocamos e cantamos acaba que por entranhar na calçada de nossa rodovia. Por certas vezes há algo dentro de nós que grita. Sentimos estar sendo vigiados. Sentimos-nos afagados por medos e sensações indescritíveis. São elas pois que nos fazem chorar à noite. São elas que não nos deixam desistir de buscar o indigno. Claramente somos influenciados pela crucialidade do que vem aquém. Buscar por respostas sadias é o maior erro que podemos cometer. Até porque as coisas não foram feitas para serem encaixáveis. O que mais enfatizo é que sempre tivemos mais atração pela peça perdida do quebra-cabeças. É nela que pensamos, é nela que queremos nos basear. Pensamos nas possibilidades boas quando nos defrontamos com a falta de tal. Mexer em coisas insignificantes nos permite pensar mais alto. Embora estejamos sujeitos a ignorar o ignorável, vivemos de maneiras distantes do que podemos observar com exatidão. Rômulo Mendes
Too early for a show by Kunal DM
À Subornar Sensações
Wow, que ironia eu estar aqui te cozinhando um pedaço de caridade. Estava a vagar pela vizinhança e por mera coincidência encontrei a nossa casinha da árvore de antigamente. Confesso que me surpreendi com tamanha lealdade de sua pessoa em manter as nossas memórias vivas, mas confesso também que me frustrei ao ver a sua caixinha de inseguranças destacada na mesinha do canto. Por falta de sincronia, trocamos nossas roupas sem perceber e acabamos por deixar isso à mercê do tempo. Vejo uma luz vinda do seu quarto, e confesso que ela me mostra o quão infeliz você se encontra. Fingi esses dias apaziguar os seus medos através das sombras que lhe projetei, mas você já estava totalmente abstrato; numa espécie de transe em uma dimensão que poucos conseguirão te alcançar. Já completamos o nosso ciclo vicioso? Sim, me refiro àquele ciclo que nos prometemos há exatas 150 vidas atrás e que o tempo foi corroendo e corroendo. Olha, confesso que já não estava mais a fim de me importar para o seu acaso, mas é complicado se desgarrar de algo que se entranha no seu ser; no seu fazer e no seu estragar. A questão agora é me deparar com o seu íntimo e simplesmente revogá-lo totalmente, pois o premier l'amour está com sua sessão atrasada. Rômulo Mendes
I put my soul in what I do, and while I’m still here I’ll dance with you
because sometimes, dancing is all you gotta do.
Black Magic is a 20” x 20” illustration, more at www.jamesreads.com
Flowering Shrubs and Plants, James Kimrey Hindle (After Jan Van Eyck)
Anacronismos de uma beirada
Bom tarde ou talvez boa dia?! Não lhe sei responder; apenas sei que a importância da junção correta dessas palavras não faz mais sentido pois a quem as direciono nem sequer se importa mais com o significado. Ando tão perdido no tempo, tão anacrônico que as horas passam e eu nem sequer forço o meu metabolismo à vomitar minhas ideias toscas. Houve um tempo em que eu me peguei pensando em te admirar para sempre. Pensei em escovar os seus cabelos, cozinhar a nossa junção de comidas vegetarianas favoritas e cantar aquela canção folk que, certamente, nos traria lembranças à tona. Da última vez que estivemos conversando sobre algo comum, você me pareceu tão sublime. Foi aí que eu percebi que não eras mais aquele magnificente com a qual eu me derretera. Mas por que temos que deixar isso se prolongar? Estou cansado de tocar-te com os meus delírios ao piano. Meu acervo de notas não estão sendo suficientes e eu acabo me subestimando ao ponto de zerar as nossas expectativas quanto à realidade insana que vivemos. Todos os nossos dias estão marcados e está difícil para eu me libertar deles. Essa sensação de falta é a prova de que a repulsa nos afasta e o orgulho nos une. Memoráveis memórias que nos chegam como cartas velhas e nos pegam de surpresa como cartas velhas. A sensação de estar sendo obrigado a te deixar de lado é a única saída que vejo para, finalmente, acabar com todas as peripécias de algo que denomino como realidade. Os quadros do meu quarto estão espalhados pelos cômodos e há algo neles que os fazem parecer particularmente inertes. Rômulo Mendes
Vincent van Gogh’s, The Cafe Terrace. I absolutely adore him creations.
Acalmam-me as vozes ululantes que jaz se fazem vestir na noite. Fazem-me desabrochar as chuvas de meados de junho cantando em voz desafinada. As cartas que me escrevestes no último verão não chegaram a tempo de me fazer desmistificar a sua realidade insana. Agora estamos quase juntos; juntos nesse vento que há léguas nos sopra os ouvidos. Ouço rugir o seu estômago! Me questiono se já não o saciei o suficiente. Afaga-me com teus modernismos e faz-me sussurrar aquela velha canção de amor. Quero continuar a acreditar que o fim da linha está fora do seu alcance, e que as suas luzes estão mais apagadas do que elas parecem. Tenho notado há tempos que tu jaz esquecera dos seus devaneios assustadores e que jaz não me procuras para, se quer, me comunicar desse seu sumiço. Apesar de sermos versos e versos, a cada momento te faço acreditar que suas palavras são vãs e ineficazes. Rômulo Mendes