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@baddestvector
Some say "I can not live without you", I say "You can not live without me" || @Kravector || Flashback
Eles sempre tiveram uma conexão diferente e era algo visto de longe. Desde cedo algumas pessoas chegavam a deduzir que eram um casal por andarem juntos o tempo todo, por completarem as frases um do outro e por se acertarem de uma forma raramente vista. Ouvira até mesmo comentários divertidos sobre os dois se completarem, quase como se tivessem nascido um para o outro mesmo que não estivessem “juntos”. A verdade era que Jake poderia passar o resto da sua vida ao lado de Septima, cuidando dela e apenas sorrindo por causa de suas brincadeiras ou seu cabelo bagunçado pela manhã, sem se importar com mais nada. Sempre faria exatamente tudo o que fosse possível para vê-la bem e feliz, não importando o que as pessoas teriam a dizer a respeito disso. Desde o momento em que conhecera a garota entendeu que não havia mais jeito, que estavam ligados de uma forma que ninguém seria capaz de destruir. E gostava de como tudo parecia correr para que permanecessem assim. — Ninguém está a sua altura. E ninguém me aturaria da forma como você o faz. Tire essa ideia maluca da sua cabeça. Só existe você.
Era estranha a maneira como Jacob estava se sentindo em relação a Septima nos últimos tempos. Certo que sempre tivera algum ciúme da amiga, uma proteção extrema, um sentimento incondicional por ela, mas de uns dias para cá ele vinha percebendo como algumas coisas pareciam mudadas. Ficar longe dela era como se fosse difícil respirar. As coisas eram mais simples e divertidas quando Septima estava por perto e, se houvesse a opção, Jacob jamais escolheria estar afastado dela. Amber costumava rir da expressão perdida no rosto do irmão sempre que tinha de passar um tempo longe da melhor amiga, fazendo piadas em relação a como o mundo dele parecia estar desmoronando. Nunca tivera muito conhecimento de relacionamentos amorosos, pois as informações sobre o assunto eram extremamente restritas no vilarejo onde morava, por isso talvez estivesse tão relutante em imaginar que algo assim pudesse estar acontecendo entre ele e Septima. Quer dizer, sua amiga era linda e não havia um garoto em Hogwarts que não virasse a cabeça para vê-la passar, então por que motivo ela iria sentir algo diferente por ele — algo relacionado a amor além daquele de irmão, de amizade —, justamente ele? Não fazia muito sentido em sua cabeça. Não fizera o menor sentido quando se envolvera com Emmeline, permanecendo muitos dias achando que tudo aquilo era uma ilusão, então com certeza não fazia com Septima. Jacob sempre fora o seu ombro amigo, não havia nenhuma mera menção de que pudesse haver algo a mais.
— O Três Vassouras está ótimo. Estava mesmo com vontade de beber cerveja amanteigada. Prometo não me embebedar desta vez, okay? — Jacob riu, entrelaçando seus dedos aos de Septima com uma intimidade até mesmo um pouco assustadora. Eles andavam como se fossem um casal, faziam coisas que normalmente casais fariam e se pareciam com um casal. Mas por que somente agora o garoto parara para pensar naquelas coisas? Nunca lhe parecera nada demais. Eram apenas bons amigos, ótimos amigos, que sentiam prazer em estar um com o outro. Que maldade havia naquilo?
Jacob não entendeu a princípio o que Septima queria dizer com aquela pergunta um pouco fora de hora, mas a expressão no rosto da garota fez com que sua ficha caísse. Com um sorriso tranquilo, puxou-a para mais perto de leve, ainda segurando sua mão, diminuindo o ritmo de seus passos e então depositando um beijo suave no topo de sua cabeça, como se dissesse que tudo estava bem, que eles estavam bem e que nada mais importava. Ele estaria ali por ela, afinal de contas. Não havia nada mais certo do que aquela promessa e queria que Septima tivesse consciência daquilo. Ela não precisava ter receio de nada, de ficar sozinha ou de ter que enfrentar qualquer problema, porque Jacob estaria ali, para sempre. Era o seu papel na vida dela. — De onde você tira essas coisas, baixinha? Você me conhece talvez melhor do que qualquer outra pessoa, sabe que eu jamais seria capaz de te deixar. Quer dizer, seria mais fácil você enjoar de mim do que eu largar do seu pé, lembre-se sempre disso. — Apertou um pouco seus dedos contra os dela, sem machuca-la, em um sinal de conforto. Odiava sequer pensar na possibilidade de perde-la, mas manteve-se sorridente e seguindo pelo corredor de pedra. Ainda havia um longo caminho até Hogsmeade e bastante tempo para ficarem juntos. Por ele, que aquele dia durasse para sempre.
Não sabia ao certo quando as coisas começaram a mudar em sua amizade com Jacob, eles continuavam mais próximos do que nunca e de longe esse era o problema, na verdade, era uma das coisas que Septima mais gostava. Quanto mais tempo que passava junto de seu amigo era melhor, e nem mesmo quando passavam horas juntos isso parecia ser o suficiente para ela e quando não estavam juntos ela se pegava pensando no amigo, como ele deveria estar, o que será que ele estava fazendo naquele momento... esse tipo de coisa, era um excesso de preocupação como costumava a dizer. O grande problema de tudo é que fazia um tempo que via notando o surgimento de alguns sentimentos completamente novos para ela, como o ciúme. Fazia algum tempo que notou aquilo, mas como sempre negou e convenceu a si mesma de que apenas ficava preocupada com as pessoas com quem o garoto se envolvia, Jake era incrível e merecia uma garota incrível que o tratasse bem e o papel de Septima era garantir que seu amigo não se machucasse com isso. Mas que grande verdade. A ravina sabia, bem lá no fundo, que isso era ciúmes e mesmo que tentasse fingir que aquele sentimento não existia ela ainda o sentia, e isso se tornou mais forte na época em que o moreno se envolver romanticamente com Emmeline Vance. Na mesma hora em que soube daquele relacionamento não gostou muito da ideia, arranjou bons motivos para implicar com Emmeline e passava horas desabafando sobre esse assunto com sua amiga Wendy. A Vector ficava incomodada com o pensamento de outra garota ser capaz de deixar Jake feliz, de se tornar o centro das atenções da vida dele. Sabia que era um pensamento bastante egoísta por sua parte, mas mesmo assim ela não conseguia evitar de sentir isso. Era uma droga. — Fico muito feliz de escutar isso — aquelas palavras do garoto soaram de modo bastante reconfortante, muito mais do que ela poderia imaginar, mas tentou não pensar muito no assunto. O futuro era uma verdadeira incógnita, eles nunca sabiam o que estava por vir, mas era muito provável de que no futuro Jake iria conhecer uma garota realmente incrível e acabar se apaixonando por ela e quando esse dia chegasse Septima iria ser deixada de lado na vida dele, afinal de contas qual mulher que iria gostar de seu namorado ou marido tendo uma relação bastante próxima com outra mulher? Nenhuma. Durante o namoro de Jake com Emme, que nem foi algo tão sério, foi o bastante para afastar um pouco os dois, então quando ele tivesse uma relação bastante séria o afastamento realmente iria acontecer, era um fato. E seria muito egoísta de sua parte se ela exigisse que ele continuasse preso a ela para sempre, em um momento Jake teria de partir e só de pensar nisso sentia um leva aperto em seu coração. Mas, enquanto esse dia não chegava Septima iria fazer questão de aproveitar ao máximo ao lado de seu melhor amigo.
— Em outro dia eu iria concordar com essa sua ideia de não beber, afinal preciso de alguém para cuidar de mim mais tarde. Só que hoje não. Hoje eu quero que você beba — sempre que saiam juntos para algum lugar, na maioria das vezes, Jake era a pessoa responsável entre os dois que tentava manter tudo em ordem e sempre fazia questão de cuidar dela quando não estava se sentindo bem, mas dessa vez ela não queria que o amigo curtisse sóbrio a diversão. Septima queria que ele bebesse junto dela. Não se importava com o fato de ele ficar bêbado, apenas queria se divertir junto do amigo e se ambos estivessem com álcool nas veias aquela tarefa seria muito mais fácil. — Considere hoje o seu dia de sorte, pois hoje Septima Allegra Vector vai te embebedar. Chegou a sua vez de ficar bêbado perto de mim, pagar alguns micos e fazer coisas constrangedoras e idiotas. Já fiz muito disso, então agora é a sua vez. O jogo se inverteu dessa vez, Kravitz — com bebida ou sem bebida Jacob conseguia ser divertido, pelo menos era o que ela achava, mas de qualquer maneira seria engraçado ver o amigo bêbado ou perdendo a linha pelo menos uma vez na vida.
— Apenas estou me sentindo bastante reflexiva no dia de hoje. Acordei pensando em algumas coisas no futuro, certas possibilidades que podem vir acontecer, então só queria garantir que independente do que aconteça você não vai se esquecer de mim e que nunca vai me deixar — novamente sabia que estava sendo levemente egoísta, mas se tratando de Jake era algo que ela não conseguia evitar. Quando foi que seu melhor amigo passou a se tornar um cara bastante atraente que mexia com Septima nesse sentido, e que estava fazendo ela descobrir novas sentimentos como o ciúmes? Tudo parecia ser tão mais fácil há alguns anos quando eles eram mais jovens, quando Septima não sentia uma enorme atração por ele e que não se importava de ver ele se relacionando com outras garotas.
Quando chegaram ao Três Vassouras foram logo para o bar. Mesmo levando uma vida inteiramente bruxa morando junto de seu pai e de seu avô, estudando em Hogwarts e já planejando em arrumar um emprego Ministério da Magia, havia algumas questões em que Septima acreditava que os trouxas superavam os bruxos. Os trouxas não tinham magia, mas mesmo assim conseguiam construir coisas tão incríveis e impressionantes que nem mesmo a magia mais poderosa de todas podia explicar, além é claro de terem inventado ótimas bebidas. E entre essas bebidas podia citar a Tequila como uma de suas proferidas, era um verdadeiro presente dos deuses e Septima agradecia a pessoa que tivera a brilhante ideia de fazer aquela bebida, simplesmente era algo divino. — Você me acompanha em um shot? — Perguntou para Jake, mas antes mesmo de escutar a resposta do garoto foi logo fazendo os pedidos para o barmen do estabelecimento, que não demorou para voltar com os seus pedidos. — Quando eu contar até 3 nós viramos juntos. Vamos lá 1...2...3 — quando chegou ao três, Septima bebeu em um só gole o conteúdo do pequeno copo, chegando a sentir a bebida queimando em sua garganta. Não chegou a conferir de Jacob havia bebido o dele junto dela, mas conhecendo o garoto e a incrível sincronia que tinham para a maioria das coisas ela apostava que ele tinha a acompanhado.
I had to overcome many things, many people telling me no. If you want it, and you believe in it, you have to do it. And I know it’s silly, and I know I’m kind of irrationally optimistic, but you have to be and you can’t really have another plan, because you’re going to fall back on it.
Nice to meet you | Greta & Septima {Flashback}
Greta poderia ter ficado irritada com a situação, geralmente ela ficava quando acontecia coisas do tipo, odiava estar desatenta e naquele dia parecia que a desatenção havia tomado conta dela. Não tinha prestado atenção na aula de alquimia, tinha esquecido um dos livros de estudos de runas antigas e agora havia esbarrado na ravina. Não conseguia pensar em um motivo pra estar acontecendo aquilo, mas acreditava que era a chegada das provas, geralmente acabava bagunçando sua rotina de estudos e fazendo com que as coisas começassem a dar errado, mesmo que nas provas dessem certo.
Agradeceu mentalmente pela garota ao seu lado não ter se incomodado com a situação, já estava envergonhada o suficiente pela momento de distração. A figura familiar da garota, fez com que a loira se lembrasse de ver a menina por vez na biblioteca e pessoas que frequentavam muito uma das casas de Greta com toda certeza mereciam a simpatia que poucas vezes era oferecidas a estranhos. — Odeio ficar desatenta, sabe? Geralmente não sou assim, mas é só as provas se aproximarem para que eu fique completamente distraída. — Disse revirando os olhos mostrando descontentamento com os acontecimentos recentes. Ser amigável não era uma coisa que a garota estava acostumada a ser, principalmente porque quase todo mundo de Hogwarts a conhecia como a sabichona e aquilo sempre fora motivo de piadas e chacotas.
— Prazer, sou Greta Catchlove. Já te vi algumas vezes por aqui, mas acho que nunca me apresentei. — Sorriu estendendo a mão para a morena. Atualmente a sonserina não tinha muitas amigas mulheres, na verdade não tinha muitos amigos de gênero algum. Era sempre ela, Jaime e Benjamin. Suas amigas, Lia e Glenda, não costumavam ser o tipo estudiosas igual a loira. Glenda fazia o papel de tirar Greta da biblioteca e Lia era sua companheira no clube de feitiços. Seria interessante fazer mais uma amizade, dessa vez com alguém que entendesse o seu gosto pelos estudos e pela leitura, alguém que se dedicasse igual ela.
Normalmente, se tratando se seus estudos a Vector tinha a tendência de ficar nervosa quando alguém a atrapalhava com seus afazeres, ainda mais quando precisava estudar uma matéria do qual não gostava tanto como, por exemplo, História da Magia. Mas naquele dia, em especial, o seu humor estava estranhamente agradável e por isso não se zangou com o imprevisto que havia acontecido entre ela e a sonserina. Era observadora o bastante para notar que a loira, assim como ela também possuía o hábito de frequentar a biblioteca frequentemente, sem contar que durante o período de provas todos os alunos pareciam ficar estressados. Até mesmo Septima Vector, que era inteligente e que possuía extrema confiança em relação aos assuntos acadêmicos precisava da ajuda de seus amigos para que ela não se estreasse de tanto estudar, e Jake, Wendy e Bertram faziam um bom trabalho a distraindo ao menos um pouco. — Você não é a única que fica assim durante o período das provas. Normalmente eu acabo ficando estressada e se não fosse pelos meus amigos normalmente eu teria algum ataque nervoso — era bom conhecer outra pessoa que assim como ela também possuía um grande habito de estudo, além de gostar de livros.
— Sou Vector. Septima Vector — apresentou-se para a Catchlove — Se não me engano temos aulas de Poções juntas — a ravina não podia ser considerada como uma pessoa extremamente sociável, alguém que fazia amizade facilmente com qualquer pessoa, ainda mais alguém de outra casa. O seu pequeno círculo social de amigos era composto basicamente por outros alunos da Ravenclaw, sendo assim podia considerar sua conversa com Greta como um tipo de avanço, ainda mais se levasse em conta que a garota era da sonserina, uma casa da qual Septima não dava muito bem com os membros, ainda mais que ela podia ser considerada como o motivo pela família Vector ficar conhecida por ser “traidora do sangue”. De uma forma geral os bruxos de família sangue puro não viam com bons olhos o envolvimento de um bruxo com uma trouxa, e a morena era o fruto de um envolvimento que tantos não aprovavam.
Be proud of who you are and what you’ve gone through. Have faith in yourself and trust you have the strength to keep going. And know that at the end of the day, only you have the power and ability to tell your own story. So tell it as openly, honestly, and authentically as you can.
(Flashback) I’ll have nightmares about this | Bertram & Septima
Tudo que Bertram queria fazer era sair correndo e fingir que nada daquilo tinha acontecido e que ele havia sonhado todas aquelas coisas, mas não era assim tão fácil. Septima ainda estava ali na sua frente tão envergonhada quanto ele, e os dois estavam tentando arranjar alguma forma de fazer tudo parecer não tão estranho. Eles já eram adultos o suficiente para saber o que acontecia àquela hora da noite com pessoas que namoravam, mas Bertram ainda achava estranho por serem dois amigos deles. Ele não queria imaginar o tipo de coisas que Septima e Jake faziam quando ele não estava por perto. Pelo menos, ele esperava que não fizessem nada demais quando ele estava por perto. O menino agora respirava fundo, e abria espaço para que ambos pudessem caminhar. Fora apenas um incidente, e eles deveriam continuar seguindo como se nada tivesse acontecido. Era óbvio que Bertram iria caçoar e tirar satisfações de uma forma de brincadeira com Jake depois, mas também dar um puxão de orelha no amigo, pois eles tinham sorte que havia sido dele que os pegara àquela hora fora de suas camas. Se fosse algum monitor ou o diretor de suas casas eles estariam em lençóis muito mais sujos. Sem contar todos os tipos de sermão que eles levariam.
Ele não sabia que estava sendo tão julgador assim, até a menina falar que estava na mesma situação que ele. Bertram na hora ficou bravo consigo mesmo e tentou entender o lado da sua amiga, também. “Desculpe, está bem? Essa vai ser uma noite difícil para nós dois. Pensa que algum dia vamos rir disso. Sem contar que se alguém deveria estar se sentindo culpado é o Jacob que não está aqui. Não se preocupe, eu nunca contaria para ninguém sobre isso.” Tentou começar para ver se conseguia deixar Septima um pouco relaxada. Os dois estavam bastante nervosos, mas pelo menos agora ao menos conseguiam tentar se encarar sem corar ou qualquer coisa do tipo. “Fico extremamente contente por isso. Somos todos muito novos para isso, Septima. Não precisa ficar tão brava.” O tom da garota sem dúvidas o aterrorizava. Ela não era nem um pouco doce ou delicada como Wendy, e isso fazia Bertram se lembrava de sua ex namorada quando ficava brava e cruzava os braços com a situação.
O garoto tinha quase a certeza que Septima e Jake tinham se juntado para fazer um complô contra ele. Se não era Jake falando sobre Wendy era a outra amiga. Ele nem mesmo àquela hora da noite conseguia escapar de perguntas como aquela. O menino cruzou os braços e tentou não se irritar tanto. “Fomos como sempre. Alias, o Jake te colocou nessa de ficar me plhando por conta da Wendy? Eu não vou falar nada para ela caso você esteja tentando que eu faça algo.” Quando ele falara de falar alguma assunto ele certamente não queria esse. Pelo menos agora eles estavam se falando, e Bertram poderia deixar de se sentir menos pior por conta de toda a situação. “Ela não fica preocupada por você ficar fora até essa hora?” Perguntou curioso sobre a garota, ele não conseguia deixar de se impressionar por ela. Ainda mais Wendy que era tão curiosa.
Para Septima Vector, uma pessoa que levava sua vida de forma organizada e sem muitos tipos de problemas ou confusões, ela não estava acostumada a lidar com algumas situações imprevisíveis como aquela em que encontrava naquele momento. Tudo bem que às vezes dava algumas escapadas, como na vez em que se encontrou com William Branwell na biblioteca, e ela sempre tomava extremo cuidado para não ser pega, mas até mesmo os maios cuidadosos tinham o seu dia de azar e esse dia havia chegado. Sentia-se completamente fora do controle da situação, não sabia o que dizer para seu amigo Bertram esquecer-se daquele momento inconveniente de minutos atrás, e muito menos podia obrigá-lo a esquecer — se bem que aquilo era algo provável de acontecer, pois conhecendo seu amigo ela sabia dizer que aquele encontro estava sendo mais constrangedor para ele do que para ela, então esquecer aquilo não seria nada complicado. E da próxima vez, isso é que houvesse uma próxima, Septima iria tomar muito mais cuidado. Já tinha aprendido a sua lição e não precisava de um segundo encontro com Bertram, pois aquela noite estava sendo uma das mais constrangedoras de toda sua vida até então.
— Espero conseguir rir disso um dia, pois no momento a única coisa que estou tentando fazer é não deixar transparecer a minha de choque, mas acho que não está funcionando muito bem, não é? Parece um pouco injusto culpar o Jake por ele não estar aqui, mas se bem que parece uma alternativa mais fácil colocar a culpa em outra pessoa — já tinha visto algumas situações em que algumas pessoas culpavam terceiros apenas para escaparem de algum tipo de problema, era uma atitude que Septima considerava imoral e que jamais conseguiria praticar com ninguém, principalmente, com Jacob. Seria mais fácil de lidar com a situação se não fosse somente sua culpa, mas aquele não era o caso e por isso teria de lidar sozinha, talvez contando apenas com Jake para escutá-lo dando boas risadas sobre o ocorrido. — Obrigada, Bert — uma das melhores características de Aubrey era a lealdade do garoto, e por isso a Vector apreciava tanto aquela amizade de seu colega, pois sabia muito bem que ele era uma das poucas pessoas em que ela podia contar para tudo, uma das poucas pessoas que estavam ao seu lado para quando fosse preciso. Bertram Aubrey junto de Wendy Slinkhard e Jacob Kraavitz eram os melhores amigos de Septima Vector, eles eram seu porto seguro. — Se algum dia eu resolver ter filhos você vai ficar sabendo, e pode apostar que esse dia vai custar a chegar. Já vou estar mais velha — era um fato que a ravina não se imaginava sendo mãe, mas se esse dia algum dia chegasse ela esperara ter mais de 20 anos e, de preferência, formada e já trabalhando.
— O Jake não me colocou em nada, eu decidi fazer isso por mim mesma. Eu não sou estupida Bertram, meu nome é Septima Vector e eu estou percebendo que você tem um tipo de interesse na Wendy, e como ela é a minha melhor amiga eu gostaria que um cara legal como você ficasse com ela — por mais que tivesse demorado para perceber seus reais sentimentos por Jake, estava na cara de Aubrey que ele sentia algo por Wendy e como uma boa amiga ela estava tentando ajudar ambas as partes, o que ruim tinha naquilo? Valia a pena insistir naquilo, apesar de todas as reclamações de Bert. — Ela provavelmente deve saber que eu estava com o Jacob, e ela sabe que ele não é capaz de fazer nada de ruim comigo.
When your soul finds the soul it was waiting for || @Kravector
Jacob e Septima se completavam. Isso qualquer um poderia ver, a qualquer distância, mesmo que não fossem conhecidos dos dois. Desde o primeiro dia do primeiro ano deles em Hogwarts, era como se as Parcas (Jacob havia lido sobre ela em velhos livros de mitologia grega que encontrara escondidos pela biblioteca de Hogwarts) tivessem traçado suas linhas do destino juntas, como se eles não pudessem se separar sem que aquela fina linha se rompesse. Eles estavam tão internamente ligados, que incomodava ficarem distantes. Compartilhavam muitos desejos e muitos gostos, tinham ambições parecidas e se divertiam com praticamente as mesmas coisas. Os gostos delas estavam tão fixados na memória de Jacob quanto os seus próprios, como se Septima e sua personalidade o completassem. Ele não sabia muito bem como explicar aqueles sentimentos para alguém de fora, mas o bom era que ela o entendia bem, mesmo que não conseguisse colocar aquilo em palavras. Os dois pareciam estar em uma sintonia diferente do resto do mundo, como se não precisassem conversar para se entender, e aquilo era um fato.
Por aquele motivo, quando Jake e Septima anunciaram para seus amigos que haviam se resolvido e firmado um namoro, não fora realmente para uma surpresa para ninguém — exceto para sua irmã mais nova, Amber, que simplesmente detestara a ideia e continuava deixando aquela sua opinião bem clara sempre que surgia uma oportunidade. Bertram chegara a dizer, certa vez, que era só uma questão de tempo, que os únicos que não haviam reparado ainda que Jacob e Septima se amavam, eram justamente Jacob e Septima. Mas tudo havia acontecido da forma mais repentina possível, sem que nenhum dos dois ou qualquer outra pessoa pudesse prever, no meio do caos que Hogwarts havia se tornado após os ataques a Hogsmeade e ao Acampamento, enquanto conversavam em sofás na Sala Comunal como já haviam feitos outras tantas centenas de vezes antes, eles se beijaram e tudo pareceu vir a tona, como se aquele simples tocar de lábios tivesse o efeito de lhes mostrar verdades, verdades que sempre estiveram estampadas diante de seus olhos, mas que nenhum dos dois havia tido a coragem de realmente perceber, com medo de perder a amizade incrível que haviam nutrido ao longo de todos aqueles anos.
Agora, então, que eram oficialmente namorados, o mundo de Jacob parecia finalmente completo. Os dedos de Septima entrelaçados nos seus enquanto andavam por Hogwarts eram como uma peça encaixando-se em sua vida, lhe ajudavam a respirar, lhe ajudavam a seguir em frente. Ele seria capaz de dizer que estava enxergando o mundo diferente, mais brilhante, agora que não precisava mais reprimir seus sentimentos como viera fazendo há tanto tempo.
“Ow, seu pedido é uma ordem, senhorita.” Seu tom de voz fora brincalhão, um sorriso enorme estampando-se em seu rosto sem que Jacob sequer precisasse fazer esforço para aquilo acontecer. Os sorrisos, quando estava com Septima, eram totalmente involuntários. Roçou seus lábios contra os dela, lhe dando um leve beijo de cumprimento, seus narizes se tocando enquanto mantinham seus corpos o mais próximo possível. A sensação era reconfortante, como respirar ar puro depois de passar muito tempo fechado em um mesmo ambiente empoeirado. “Ele já fez esse discurso ontem a noite, depois que nos viu juntos na Sala Comunal mais cedo. Eu disse a ele que não será tio tão cedo, que nós estamos nos cuidando direitinho.” Novamente, ele brincou, dando uma risada no final. Era engraçado ver como os assuntos entre eles haviam evoluído, se modificado. Agora poderiam falar livremente sobre temas que antes os deixavam igualmente constrangidos. “Bem, já que não precisamos esperar, tem razão, devemos ir logo aproveitar esses momentos livres que temos sem nada para nos impedir.” Emendou, entrelaçando seus dedos aos de sua namorada e a acompanhando para fora da Sala Comunal.
O conceito de sorte variava dependendo de pessoa para pessoa. Algumas consideravam isso como ganhar um bilhete sorteado em uma loteria e assim ganhar uma boa grana, ou quando ganhavam um sorteio de uma maneira mais geral. Porém, para Septima sua sorte não estava ligada a nenhum objeto de valor e muito menos uma grande quantia de dinheiro, ela reconhecia que aquelas duas coisas eram muito boas só que em sua vida existiam coisas melhores do que as coisas simplesmente materiais. Também de longe era uma pessoa que acreditava em coisas míticas acreditando em coisas como Karma, nesse sentido ela conseguia ser uma pessoa bastante cética ao ver a sorte como apenas um bom acontecimento na vida de uma pessoa, e não algo que acontecia por conta das ações de alguém uma vez que existiam muitas pessoas bondosas cuja vida parecia ser uma verdadeira onda de azar, já outras pessoas tomavam lá algumas ações bastante questionáveis e que às vezes iam contra a lei e mesmo assim ainda parecia que suas vidas estavam sendo levadas por uma maré de sorte.
Para a ravina sorte era algo totalmente diferente, para ela sorte era estar junto de seu melhor amigo. De amar alguém e ser amada de volta. Para ela aquilo que era uma grande sorte, pois nem todas as pessoas tinham o privilegio de se apaixonarem por seus melhores amigos, e algumas pessoas simplesmente não tinham sorte alguma no amor levando a alguns casos de divórcio. E toda vez que pegava pensando em sua trajetória com Jacob Kravitz, desde os primeiros anos de amizade até agora a Vector apenas conseguia pensar em como ela tinha tirado a sorte grande no final das contas, pois sabia reconhecer que Jake era um cara simplesmente incrível em todos os sentidos — ele era bastante atraente, inteligente e bastante esforçado de modo que era fácil de prever que ele iria chegar longe no futuro. Sem contar que ele era bastante atencioso também —, alguém que alguma mulher iria gostar de ter por perto e entre todas as garotas do colégio ela, Septima Allegra Vector tinha sido a escolhida o que, às vezes, parecia ser algo surreal. Muitas vezes antes de dormir ela se pegava pensando em toda a trajetória dos dois até ali, passando pelo namoro de Jacob com Emmeline Vance e pela fase em que Septima dizia que não queria nenhum tipo de relacionamento sério, que queria apenas aproveitar a sua vida sem se envolver em um relacionamento sério. Houve uma época em que ela acreditava que era uma jovem mulher forte e independente, que não precisava de ninguém ao seu lado. De fato talvez ela não precisasse de ninguém, mas isso não significava que não podia ter alguém. E depois que começou a namorar com o Kravitz percebeu o quão tola estava sendo, uma vez que o garoto parecia a complementar.
Quem conhecia a Septima do passado que dizia que se apaixonar era algo irrelevante, podia estranhar a Septima de agora. A morena não fazia questão de esconder a sua felicidade que estava tendo ao lado de Jake, e sempre que podia fazia questão de reforçar a ideia para o ravino sobre o quanto ele era importante para ela, e o tanto que ela o amava. A garota que antes dizia ter um coração de gelo não estava surpreendendo somente a todos, e sim a si mesma também. Há alguns meses atrás ela nunca se imaginava em um tipo de situação como aquela, mas agora apenas demonstrava para todos o quanto estava feliz com o rumo que sua vida estava tornando.
— Então quer dizer que sou eu que dito as ordens desse relacionamento? Cada vez mais estou gostando disso — comentou brincando, uma vez que pensava de modo completamente diferente. Não achava justo que uma pessoa ditasse um relacionamento enquanto a outra deveria apenas aceitar calada, não mesmo. Estando em um relacionamento ela achava que as duas pessoas deveriam tomar a decisão em conjunto, e caso houvesse uma discordância bastava apenas uma conversa para encontrar um meio termo que ambos aprovassem. Aquilo sim que deveria ser um relacionamento, afinal de contas se tratava de uma questão de companheirismo. — Esse foi um dos momentos mais constrangedores da minha vida, Jake. Minha mãe apenas teve essa conversa comigo aos 12 anos e não era preciso que o Bert reforçasse essa ideia, não é como se eu estivesse planejando ter um filho agora — aquele era um momento de sua vida que a ravina não gostava de relembrar, e torcia para que não passasse novamente por isso. Entrelaçou os seus dedos com o de Jake e saíram juntos do Salão Comunal, finalmente teriam um tempo a sós sem precisar se preocupar com os estudos, com os amigos ou com mais um discurso constrangedores de Bertram Aubrey.
pov fb | the fault is of the stars
Provavelmente seria um gato em sua forma animaga, mas não havia formulado tal pensamento apenas por seu patrono assumir a forma de um gato, aquele era apenas um dos fatores que acabou lhe levando àquela linha de raciocínio. Havia um lado seu que poucas pessoas conheciam, diferente do que muitos imaginavam Septima Vector já havia quebrado uma quantidade muito pequena de regras indo a lugares andando pelos corredores fora do horário permitido, mas nunca havia sido pega por nenhum dos monitores ou professores, isso o que algumas pessoas chamavam de sorte, Septima, mas gostava de pensar que aquilo era algum tipo de talento. E por isso dentro de sua cabeça se associava com os gatos, assim como os felinos domésticos conseguia andar de uma forma silenciosa fazendo que se passasse despercebida em seus passeios noturnos pelo castelo, nesses momentos era como se misturasse com as sombras da noite. Mas de qualquer forma guardava aquilo apenas para ela, se comentasse isso com alguém, provavelmente seria taxada com algum apelido irritante com o intuito de ofender.
Como fazia em noites anteriores Septima já estava perambulando pelos corredores à um certo tempo, e naquela altura o restante dos alunos já estavam dormindo, com a exceção dos monitores. Aquilo era simplesmente perfeito, algo que odiava encontrar em suas caminhadas noturnas eram companhias indesejadas. Seus olhos já estavam acostumados com o escuro por ficar lendo no escuro durante várias vezes ou até mesmo usando uma fonte de luz muito fraca, desse jeito não era obrigada a utilizar o Lumos Maxima seria como um pedido para ser achada pro qualquer pessoa que estivesse nos corredores, o feitiço Lumos já estava mais do que o suficiente, talvez um mais fraco não iria fazer grande diferença.
Normalmente sempre ficava circulando entre a área perto da cozinha, biblioteca e da sala de transfigurações, mas naquela noite em especial se dirigiu a Torre de Astronomia. Estava completando um ano desde a morte mal explicada de seu avô materno, ainda ficava sem entender o motivo para assassinarem um velho bondoso que durante toda vida sempre fez bem à comunidade onde vivia , e o que mais lhe deixava triste era saber que a policia ainda não tinha avançado em nada com as investigações e a logo o caso iria acabar fechando. Seria pedir muito para que seu avô tivesse uma morte solucionada? Em sua cabeça aquilo era um direito, porém um direito que nem todas pessoas possuíam. Ao chegar na Torre de Astronomia sentou-se em um banco que havia pelo local e fitou as estrelas e começou a rezar baixinho pedindo para que conseguissem encontrar o assassino de seu avô. Por mais que não aparentasse, Septima, acreditava em Deus, tinha uma ligação pessoal com ele que crescia constantemente. Algo um tanto pessoal ao seus olhos para sair compartilhando com as outras pessoas.
Por um bom tempo ficou sozinha rezando enquanto fitava as estrelas, mas algo imprevisível acabou aparecendo, o que atrapalhou o seu momento pessoal com Deus, pelo visto ela não tinha sido a única com a ideia de visitar a Torre de Astronomia naquela noite. Olhou para a garota que sentou-se ao seu lado, demorou um tempo para ver quem era, mas por fim conseguiu identifica-la como Marlene McKinnon. Nunca tinha parado para ter uma conversa com a grifana, mas pelas coisas que escutava nos corredores sabia que a garota possuía uma extrema coragem , e isso era algo que a corvina admirava nas pessoas. —Se tivesse jeito eu seria capaz de passar a noite inteira observando essas estrelas. — comentou baixo, não via nenhum motivo de usar um tom de voz mais alta, o lugar estava completamente silencioso a loira não teria problemas para escutar o que dissera.
(Flashback) I’ll have nightmares about this | Bertram & Septima
Se antes Bertram estava tentando lutar para ter sono agora estava o mais acordado possível. Por que ele tivera a ideia de sair da cama? Ele estaria tão melhor se simplesmente tivesse ficado no seu dormitório quieto relaxando. O que ele foi fazer? Sair, tomar um ar, até ir a cozinha buscar um leite ele havia cogitado. Seria tão mais fácil se ele pudesse simplesmente esquecer tudo isso e voltar para seu dormitório, mas ai ele teria que depois encarar Jake e seria pior ainda. Então tudo que poderia fazer era conversar com Septima. Ele havia procurado a Vector para conversar, mas como ela sempre estava ocupada estudando ou com Jake que ela nem tivera tempo algum para falarem sobre a situação de Bertram. Seria estranho perguntar agora depois de toda a cena que estavam fazendo? De todo modo, Bertram iria fazer de tudo para que Septima ficasse tranquila. Se um dos dois iria ter sequelas daquela noite seria Bertram que não iria conseguir encarar o colega de dormitório por um bom tempo. Era esse o medo que ele tinha caso tivesse coragem de falar o que sentia para Wendy. Se em alguma hora tudo começasse a ficar estranho afinal eles eram todos bons amigos. Jake e Septima eram ótimos juntos, mas algumas vezes Bertram não gostava de pensar no que os amigos faziam quando tinham tempo livre. E não era por ter inveja deles era simplesmente porque os dois eram seus amigos, e se algo acontecesse ele não saberia como reagir aquilo.
Era por isso que ele esperava que eles ficassem juntos para sempre, mas do jeito que algumas vezes eles discutiam ou que Jake chegava irritado ou como Wendy falava que Septima parecia cansada ele ficava preocupada. Pelo menos eles ainda estavam na fase onde tudo era bom e lindo. Lembrava-se dessa fase com Delilah, pois mesmo ele sendo um preguiçoso ele se esforçava um pouco mais para sair do dormitório e vê-la um pouco mais. Ou simplesmente se divertir como ela tanto gostava. Era bem mais fácil com Delilah, pois ela parecia conhecer eles, mas eles não era amigos antes. Eles se tornaram amigos, e até hoje eles mantinham essa boa relação. Agora Wendy…era diferente. Wendy já era sua amiga, e a cada dia ficava cada vez mais próxima e isso assustava tanto Bertram.
Deixou Septima levá-lo até o salão comunal, e depois um pouco envergonhado quebrou o silêncio. “Por favor, pelo menos, me confirme que vocês estão se protegendo. Eu sou novo demais para ser tio.” Era uma brincadeira com um fundo de verdade e medo que passava por Bertram naquele momento. Apesar de saber que tanto Septima quanto Jake eram racionais o suficientes para não cometerem erros tão bobos. Pelo menos era o que ele esperava. Conhecia eles bem o suficiente, mas nunca sabia o que poderia acontecer no calor do momento e ele não queria ser a pessoa para ter a conversa com Jake sobre segurança. Pois como eles estavam sem seus pais em Hogwarts eles deveriam se ajudar, apesar de que era muito mais fácil avisar o irmão de Jake de coisas assim. “Fale alguma coisa Septima, não é justo só eu morrer de vergonha aqui.” Levantou os olhos para amiga ambos estavam tão vermelhos quanto seus cabelos, mas lutando contra os impulsos. Foi quando Bertram decidiu descontrair e rir de toda cena. Era uma risada de nervosa, mas que ainda assim era para tentar acalmar um pouco sobre toda a cena. Esperando que funcionasse.
Oh my God... Aquilo era um verdadeiro pesadelo que Septima estava tendo de aturar, e provavelmente um dos momentos mais constrangedores de sua vida inteira! Ok, talvez ela estivesse exagerando um pouco considerando a situação em que estava envolvida, mas o fato de ser Bertram que estava ali tornava tudo muito mais complicado do que o normal. Se fosse algum estranho, ela poderia ignorar e seguir em frente com a sua vida e fingir que aquele episódio nunca tinha acontecido em sua vida, mas se tratando de um de seus melhore amigos a situação era um pouco mais delicada. A Vector não podia simplesmente passar a evitá-lo, e todas as vezes que precisasse o olhar nos olhos seria algo vergonhoso ter de relembrar tal momento. Na atual situação do campeonato a morena não sabia exatamente o que fazer, ou o que falar para o loiro, a única coisa que sabia era que deveria ao menos tentar manter a calma para pensar nas palavras mais adequadas para dizer, caso contrário poderia acabar tornando aquilo ainda mais constrangedor do que estava sendo. Inicialmente, quando havia começado a se envolver com Jacob, ela imaginava que iria confidenciar alguns detalhes daquele relacionamento com ninguém e com ninguém menos do que sua melhor amiga e confidente Wendy. Contudo, ali estava ela prestes a comentar de seu namoro para seu amigo Bertram, alguém para que ela nunca houvesse pensado em confidenciar nada do tipo.
Ficou por um tempo somente fitando o jovem, pensando exatamente no que dizer. Talvez devesse apenas apelar para o bom senso dele e pedir que ele se esquecesse daquela cena, para fingir que aquele encontro no meio da noite nunca tivesse acontecido, uma atitude nem um pouco madura, mas a melhor opção em seu ponto de vista. — Argh, por que você está me fazendo passar por isso? — Reclamou com o garoto, cruzando os braços indicando que ela não estava nem um pouco satisfeita visto que não tinha muito que fazer. — Eu e o Jake estamos nos protegendo, ou seja, você não vai se tornar titio tão cedo — Falar aquelas palavras não tinha sido tão complicado como ela imaginava, mas mesmo assim não tinha sido a experiência mais agradável de sua vida. Ainda não conseguia acreditar que estava confidenciando aqueles detalhes para Bertram, e não para sua amiga Wendy.
Era visível que ambos estavam bem desconfortáveis sem saber ao certo o que falar, nem mesmo estavam mais conseguindo olhar um para o outro, e a risada do ravino era um sinal indicativo do quanto ele parecia estar nervoso. — Eu não sei ao certo o que falar. Sabe Bertram, essa situação não está sendo constrangedora somente para você — Admitiu para o Aubrey, eles sempre foram muito próximos e agora até poderia afirmar que praticamente já não existia mais nenhum segredo entre eles. — Bem, já que você quer que eu fale sobre qualquer outra coisa, como foi que você saiu no trabalho em dupla de História da Magia? Você e a Wendy possuem uma ótima dinâmica quando trabalham juntos — Tentou parecer o mais natural possível enquanto fala aquilo, tentando imaginar que era apenas mais uma conversa casual após o jantar e depois de um dia cheio de afazeres. Em sua opinião, qualquer assunto que fosse colocado em pauta era melhor do que aquele silêncio extremamente desconfortável.
Once upon a time two children destined to be friends forever. —— Jacob Kravitz & Septima Vector [Flashback 1971]
Seria uma grande mentira dizer que não se sentia no mínimo nervoso quando embarcara naquele trem. Timothy parecia receoso, pois Jake conhecia as expressões do irmão bem demais para não saber como ele se sentia. Mas sobre ele próprio não saberia dizer do que mais sentia medo. Não queria de fato deixar sua irmã e sua mãe sozinhas naquele lugar horrível, e também não sabia o que esperava quando chegasse a tão incrível Hogwarts. As pessoas gostariam dele? Ele gostaria das pessoas? Como era a magia? Era ainda muito complicado falar ou pensar naquela palavra, afinal, desde pequeno ouvia histórias sobre bruxaria e os males que ela trazia, sobre mulheres sendo queimadas em fogueiras, e aquilo tudo sempre o repugnara. Como poderiam simplesmente atear fogo em alguém por julgarem que este fazia mal ao mundo sendo que o ato de assassinar era o maior mal ali? Era hipocrisia, não fazia sentido para a mente jovem de Jake. Por isso temia o que lhe aguardava, mas, por outro lado, somente a ideia de ter mais conhecimento, de aprender em algum lugar que não era a pequena escola comandada pela igreja em seu vilarejo, já lhe dava uma alegria imensa. Ele estava, finalmente, livre de toda aquela maluquice. Havia um lugar para onde fugir, um lugar em que poderia esquecer os seus problemas e fingir que não era o garoto que havia sido criado por uma mulher que deixara o marido ir embora, como era frequentemente dito por seus vizinhos.
Era uma sorte que pudesse ter a companhia de seu irmão, mesmo que tivesse se perdido do garoto no tumulto que ocorrera quando o trem começara a se locomover. Eles eram muito diferentes em personalidade, mas na maioria das vezes se davam muito bem e tinham algo em comum: eram extremamente protetores com a irmã caçula. Jake perdera as contas de quantas vezes tivera de separar Timothy em suas brigas com os garotos vizinhos por implicarem com Amber. Nunca fora muito fã de violência, mas devia confessar que algumas vezes até mesmo ele sentia vontade de bater nos meninos quando via Amber sofrer com as brincadeiras de mal gosto. Certo que a irmã mais nova sempre fora mais forte do que as outras garotas, mas ainda assim não era algo pelo que ela merecia passar. Pensar nela o deixava preocupado sobre como Amber ficaria sem os dois irmãos. Eles estavam sempre juntos, seria estranho a partir daquele dia.
Por nunca ter tido muito contato com outras pessoas, Jake ruboresceu ao ver a garota na cabine lhe dando permissão para se sentar com ela. Hesitante e dando um sorriso amigável, ele passou pela porta e então a fechou, da maneira como estava antes. A garota se apresentou com uma rapidez impressionante que fez Jacob querer rir, mas conseguiu se controlar. Quando sentou-se no banco de frente para ela, apertou a mão que a mesma lhe estendia, cumprimentando-a. Ela tinha um nome um tanto incomum, mas assim que os dois se olharam de verdade, o garoto imaginou que ela fosse uma pessoa legal. Talvez até mesmo pudessem ser amigos, quem sabe?
— Meu nome é Jacob, Jacob Kravitz. Se soletra J-A-C-O-B, mesmo. — Ele sorriu, soltando a mão da garota e então enfiando suas mãos dentro do bolso da calça jeans surrada que era a melhor peça de roupa que ele tinha. — Sim. Mas eu não sei muita coisa sobre Hogwarts. Quer dizer, faz apenas algumas semanas que eu fiquei sabendo que era um bruxo e… E provavelmente você não quer saber sobre isso porque não é nem um pouco interessante, tudo bem. Mas, de qualquer forma, é a sua primeira vez também..? Digo, em Hogwarts?
A mão de Septima estava soando frio e tremendo levemente de tão nervosa e ansiosa que se encontrava, desde o momento em que seus poderes começaram a se manifestas quando tinha por volta de seus oito anos ela soube que sua vida a partir daquele momento já não seria a mesma de antes, e que era uma questão de tempo para entrar na tão renomada Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Como até então ela morava em Liverpool junto de sua mãe, a Vector tinha apenas um breve conhecimento sobre o mundo bruxo devido algumas histórias que seu pai contava, e esse conhecimento aumentou quando ela se mudou para a casa onde seu pai e seu avô moravam em um vilarejo bruxo. A partir dessa mudança a morena passou a ter um maior conhecimento sobre aquele novo mundo uma vez que estava tento um contato direto com ele, tinha a sua disposição livros de variados assuntos e a cada dia em que passava suas tardes na biblioteca pessoal de seu avô um novo conhecimento era adquirido, contudo o livro que a mais marcou naquela época foi "Hogwarts, uma História", que acabou ganhando de seu pai algumas semanas após sua mudança. Quando era mais nova Septima ganhou de seu pai “The Tales of Beedle the Bard”, e na época ela ficou tão em êxtase com o presente que durante meses ela fazia com que seus pais lessem para ela os contos daquele livro, e agora o mesmo estava acontecendo novamente. O fato de seu pai ler o seu livro favorito durante à noite era algo reconfortante e que ajudava a Vector a pegar no sono muito mais rápido do que de costume, era como se ela estivesse em sua antiga casa.
Para uma pessoa que nunca havia estado em Hogwarts ela sabia de muitas coisas que havia aprendido nos livros, e também através de alguns relatos pessoais que seu pai havia lhe contado, mas mesmo assim a jovem sentia-se completamente despreparada. O futuro podia ser considerado como uma pagina em branco e, definitivamente, Septima Vector estava com medo do que estava por vir. E se ela fosse selecionada para uma casa em que acabasse odiando ou que seu avô não aprovasse? E se ela se metesse em grandes problemas? E se ela não conseguisse fazer nenhum amigo? Eram tantas possibilidades que estavam se passando por sua cabeça que ela estava começando a ficar com uma carga negativa. Se tivesse como ela gostaria de poder desaparecer naquele exato momento, mas o melhor que podia fazer naquele momento era seguir o exemplo do garoto a sua frente que estava conseguindo manter a calma, o oposto do que ela estava fazendo.
— Essa também é a minha primeira vez em Hogwarts — admitiu, sentindo-se bastante aliviada por dentro. Era bom poder encontrar outra pessoa em uma situação semelhante à dela. Agora, parecia que não havia mais motivos para se sentir apavorada ou nervosa com a ideia do desconhecido que a aguardava. E era no mínimo um pouco estranho o fato de um completo estranho como Jacob Kravitz estar a deixando tranquila sem precisar se esforçar muito para isso, mas como aquele era um sentimento tão bom era preferível não questionar nada. — Você aceita um pouco de feijõezinhos de todos os sabores? — Ofereceu para o garoto enquanto pegava o pacote de doces que estava levando consigo. Septima não era a pessoa mais sociável do mundo, e muito menos conseguia fazer amizades com muita facilidade, mas o melhor que podia fazer era se esforçar e tentar começar de alguma maneira, ainda mais que o garoto aparentava ser uma ótima companhia.
When you’re just being yourself that’s when you attract someone with the qualities that are most suitable for you, the second you write someone off because the’re ‘not your tipe’ you shut yourself off from a person or an experience that might be perfect for you. Sometimes you just need to say yes.
Bert é envergonhado por natureza. Tudo bem que eu não sou a pessoa mais sociável por aqui, mas me preocupo com essa reclusão toda dele, apesar de saber que não há muito o que fazer a respeito. Sabia que ele escreveu as cartas para a Wendy?
Esse trabalho de História da Magia nós fazemos em três horas. Duas horas comigo não vão te prejudicar, na verdade, só vejo benefícios. Podemos fazer um piquenique nos jardins de novo e depois… Bem, depois a gente vê.
Só por você se preocupar com ele e tentar ajudar é um sinal de que você é um ótimo amigo, mas Bertram pode ser uma pessoa um pouco complicada dependendo da situação. Então ele é o suposto admirador secreto que a Wendy vive falando?
Qualquer coisa consegue ser melhor do que um trabalho de História da Magia, ainda mais quando se trata em ficar junto de você sem a companhia de nossos amigos e sem precisarmos lidar com assuntos acadêmicos.
Não sei mais o que esperar dos dois depois do constrangimento em que os colocamos. Tudo bem que foi por uma boa causa, mas você sabe como são envergonhados. Não, não se preocupe com isso. Bertram já ficou sem falar comigo por vários dias, estou acostumado, logo passa.
Agora, me diga, o que vamos fazer nesse final de semana? Sinto falta de estar sozinho com você e acho que poderíamos nos livrar um pouco dos estudos no sábado, não concorda?
Você acha que aquele encontro duplo no Três Vassouras foi constrangedor para os dois? Apenas uma pequena correção nessa frase: o que fizemos foi por uma causa muito nobre, mas entre os dois eu diria que o Bert é o mais envergonhado.
Eu tinha que começar a fazer o meu resumo para o trabalho de História da Magia, mas acho que posso acabar deixando isso para mais tarde. A ideia de passar o dia com você é muito mais tentadora do que passar o dia com a cara nos livros.
Nós temos duas opções: ou o nosso pequeno plano para juntar nossos melhores amigos deu muito certo e agora eles estão se beijando pelos corredores e ocupados demais para nós dois, ou estão nos evitando. Ou evitando a mim, particularmente. Parece que não vejo Bertram há dias.
Espere um minuto, você achar que a Wendy seria capaz de esconder de mim caso ela estivesse junto do Bertram? Tudo bem que eu demorei algumas horas para contar sobre nós dois para ela, e as coisas não se saíram como eu tinha planejado já que ela nos flagrou, mas o importante é que eu tinha as minhas intenções de contar. Olha, se você quiser eu posso tentar dar uma sondada neles para tentar descobrir de algo.