[PT, Part One] Sometimes it is necessary to waive certain obligations to feel the pleasure of fun. —— Jacob & Emmeline
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Jacob nunca tivera a facilidade de lidar com o sexo feminino como seu irmão gêmeo, Timothy, tinha, apesar de tentar ser o mais educado e gentil possível e de por isso acabar conquistando algumas amizades ao longo dos anos. Sempre admitira que não fazia ideia de como, por causa dessa sua falta de habilidade, entrara em um relacionamento amoroso com Emmeline Vance. Tinha uma admiração secreta — ou talvez não tão secreta assim — pela garota, e não poderia dizer que não passara bastante tempo a observando durante os jantares no Salão Principal ou nas aulas que tinham juntos, afinal, ela era bonita, e parecia ter uma aura tão incrível a sua volta que tornava impossível não notá-la sempre que passava. Sabia que parecia um bobo, e com certeza Bertram já deixara aquele fato bem claro, mas não poderia evitar. Emmeline fora o seu primeiro e único relacionamento sério até aquele momento, apesar de definitivamente não terem levado a história muito adiante, e ele gostava de saber que haviam conseguido a façanha (pois muitas pessoas diziam ser impossível algo assim) de manter uma boa amizade depois de tudo.
Apesar de estranhar estar sem a presença de Septima por ali, visto que os dois faziam praticamente tudo juntos, sabia que deveria deixar a melhor amiga aproveitar o Festival junto com Wendy. Fazia um tempo que as duas não conversavam sozinhas e mesmo que nos últimos dias tivesse se sentindo bastante incomodado com o fato de não ter tanto contato com a amiga, seria bom também passar um tempo com Emmeline. Gostava da garota e das conversas que tinham quando conseguiam encontrar algum tempo juntos, e não lhe faria mal nenhum fazer algo diferente naquele final de semana. Timothy lhe apoiara totalmente quando contara ao irmão quem havia lhe convidado para o acampamento, desmarcando com ele a ideia de passarem um tempo entre irmãos no Festival. É claro, recebera olhares sugestivos e algumas frases estranhas por parte de Timmy, mas resolveu ignorar porque já estava acostumado com as provocações do irmão, principalmente em relação a Septima. Não importava o quanto deixasse claro que eram apenas amigos, ou, naquele caso, que ele e Emmeline não tinham mais nada no campo amoroso, o irmão sempre faria piadas daquele tipo e era melhor não retrucá-lo para não tornar a relação dos dois ainda mais desconfortável do que era muitas vezes.
Quando viu Emmeline naquele dia, não conseguiu evitar um sorriso animado para a garota. A companhia dela era realmente incrível e Jacob queria aproveitar aquele final de semana. Retribuiu o abraço um pouco desajeitado, por ter sido pego de surpresa com o gesto da garota. Por mais que tivessem se relacionado, ele ainda continuava sendo o mesmo Jake tímido e sem jeito diante de garotas bonitas. “Você sabe que é feio mentir, Emme.”Respondeu, rindo e balançando sua cabeça enquanto ela fazia uma reverência em sua direção. Sempre gostara do bom humor de Emmeline e sabia que seria bom passar um tempo com ela por ali. Sentiu seu rosto corando de leve pela vergonha ao ouvir o comentário dela a respeito das camas separadas, mas não quis deixar claro que aquela era uma de suas preocupações, além de, é claro, terem de dividir a mesma barraca. Não queria que aquilo acabasse sendo constrangedor para a garota. “Eu juro que não trouxe mais do que três livros. E os trouxe só porque me sinto mais confortável com eles por perto, mas duvido que vá conseguir lê-los. Aposto que temos muitas coisas para fazer por aqui que me deixarão entretido. Seria impossível te trocar por qualquer coisa, não se preocupe quanto a isso.” Assegurou, sorrindo para a amiga. “Mas então, por onde começamos?”
Em sua cama, mais cedo, Emmeline abriu os olhos e encarou o teto. E ela se perguntou: como, diabos, isso tudo aconteceu?
Recapitulou sua vida inteira em tópicos, uma necessidade matinal, o desejo em organizar os seus sentimentos, jogá-los em determinadas caixas, devidamente etiquetadas e guardadas no fundo do armário. Era assustador se debruçar sobre si mesma e compreender que havia certezas das quais não podia escapar, por mais que tentasse, e às vezes, na calada da noite, simplesmente percebia que nem mesmo queria escapar — ainda que tudo que envolvesse seus sentimentos, de forma positiva ou negativa, lhe soasse como um demônio a rir no pé da cama. Se assim pudesse, colocaria sua personalidade em marcadores, tags específicas que se relacionam, marcadores e palavras-chaves.
Pensar em Colin a deixava confusa.
Lembrou-se, um tanto embaraçada, da primeira vez que o beijou na noite de Ano Novo, o terno toque de lábios, todo o constrangimento. E daí visualizou a si mesma descendo pelo corpo do Deverill, algumas noites depois, na qual tivera tanto de Colin para si, em seus lábios e mãos, o seu corpo pressionado tão dolorosamente contra o próprio que a morte parecia até mais desejável do que a perspectiva de simplesmente não ter tudo de Deverill. E dos dias seguintes, cada um deles recapitulado e analisado — e Emmeline, ainda confusa, não conseguira encontrar onde tudo dera errado.
(Talvez não devesse nem ter começado, Emmeline?)
Por mais que tentasse esquecer-se do slytherin, como ele aparentemente a havia esquecido, não era tão fácil assim. De qualquer forma, tinha uma boa companhia em sua barraca.
(Mas não era Colin.)
Jacob é divertido. Jacob é seu ex-namorado, o primeiro que pudera verdadeiramente ser classificado como paixão. Jacob conhecia Emmeline. Sabia de coisas de sua vida que poucos tinham conhecimento. Jacob era uma boa pessoa. Jacob estava ali, com ela, Colin não. Talvez Kravitz pudesse... Não. É errado usar uma pessoa para esquecer outra. Mas seria errado mesmo?
(Sim, Emmeline, seria.)
Vance respira fundo, reprimindo a si mesma em seu subconsciente e voltando toda sua atenção para o ravenclaw. Ele, sim, merecia sua atenção não dividida. “E trouxe quantos? Dois?” Afilnetou-o, dando um leve soco em seu braço esquerdo como forma de provocação amigável. “Acho bom mesmo que não me troque por nada. Esse Festival é pra espairecer, esquecer de estudos, aproveitar a natureza, recarregar as energias.” Entonou o mesmo discurso que Lily Evans havia feito para ela mais cedo naquele mesmo dia, para convencer Emmeline a dar uma volta no acampamento. A gryffindor esperava que, assim, pudesse convencer Jake a sair um pouco do próprio casulo, tinha certeza que aqueles dias seriam bons e desejava de verdade que pudessem ser proveitosos para Kravitz também, afinal, ainda se sentia um pouco culpada por tê-lo convidado na esperança de esquecer um certo slytherin.
“Bem, agora que você mencionou, eu ouvi dizer que tem uma cachoeira por aqui... Talvez, não sei, pudéssemos dar uma passada por lá?” Convidou-o esperançosa, utilizando-se de sua expressão excessivamente gentil enquanto olhava para Jake pelo canto do olhar. Queria, de verdade, conhecer a cachoeira que Evans havia comentado anteriormente, e talvez... Não, Emmeline, é errado.











