𝑠𝑡𝑜𝑟𝑚 𝑜𝑓 𝑓𝑒𝑒𝑙𝑖𝑛𝑔𝑠; 𝐈𝐍𝐕𝐀𝐒𝐈𝐎𝐍 𝐏𝐎𝐕.
Há pouco tempo, seu maior foco era em uma questão da tarefa que fazia na sala de aula, mas em poucos minutos se tornou a preocupação com as irmãs, que estavam presas na sede da KRSA. Podia sentir a si mesmo tremer dentro do carro, tão absorto nos próprios pensamentos e inseguranças que as vozes e a certa agitação dentro do carro quase não era identificada por seus sentidos. Respirava fundo e continuamente, na falha tentativa de acalmar-se e não perder completamente a cabeça bem ali — precisaria bastante dela naquele dia. E tinha medo. Algo que não sentira em tanta intensidade há anos voltava á si como que numa avalanche de sensações, pesadelos e sentimentos. E voltava á alguns acontecimentos, a morte de Circe, a morte de Flynn, sua mãe, seu passado, as cicatrizes, e tudo parecia distante e doloroso de repente. Porque lembrava, da perda, da dor, física e emocional, e tudo lhe atingia em conjunto, e logo mal percebia que as unhas já estavam cravadas á seus braços, num ato impulsado pelo nervosismo, e feridas ali nasciam.
Foi acordado quando o carro parou com tudo, quando já haviam chegado á sede reserva. Toda a dor mantinha-se ali, agora habitando, também, seu físico, e podia reparar em como era mais real e vívida do que nunca. Mais respirações profundas. Repetia uma música, mentalmente, para si mesmo, uma canção de ninar suave que ouvira quando pequeno, e que lhe ajudava a permanecer calmo quando temia a mãe. Mas assim que se viu entrando na sede ao lados dos companheiros de equipe, sentiu-se tremer mais uma vez. Porque a vida deles também estava em risco; não havia segurança garantida á ninguém, porque, talvez, os criminosos poderiam saber exatamente onde estavam — afinal, e se na verdade eles os mandaram para lá? Sua mente se nublava em mais pensamentos desconexos e que o deixavam coberto de medo dos pés á cabeça. Era muito para si. Queria focar-se em permanecer calmo, mas como, quando suas irmãs, colegas, amigos, sua verdadeira família estava toda em perigo?
Mas precisava de controle. Podia estar a beira de um colapso, assim como andando cegamente á um precipício; mas precisava ficar firme, ou nada daria certo — talvez, mesmo estando calmo, tudo daria errado, mas preferia fingir que não. Mais uma vez, olhos fechados e respiração profunda. Embora ainda inseguro e com uma vontade de arranhar os braços de novo que crescia junto á dor nas cicatrizes físicas e emocionais, apenas entrou na sede reserva com o desejo de que tudo estivesse bem quando saísse. Bem para si, e bem para sua família.