A face de Elizabeth começava a acumular o rubor pela vergonha e pelo medo de ter seu desrespeito com um comprador relatado e punido, porém a garota virou ainda mais uma bagunça quando notou a rosa ofertada pelo homem, que acompanhada das palavras deste, faziam sentido de forma a somente aumentar a confusão de Lizzie. Ele a estava… Cortejando? Se já não tivesse errado em sua conduta com o homem anteriormente, provavelmente essa seria a hora em que ela o tiraria de sua porta à chutes e bradaria a quem quisesse ouvir que não estava à venda, porém… Estranhamente, o interesse do homem em si parecia genuíno, sincero, de forma que dava um nó na mente acostumada a ver segundas intenções em tudo, vez que sempre que tentava encontrar uma justificativa, via-se num beco sem saída. Passou alguns segundos com o cenho franzido e as bochechas avermelhadas pela situação até retomar, finalmente, a capacidade de reagir, mesmo que não tivesse a mínima ideia de como o fazer. Elizabeth sempre estivera tão decidida a recusar cortejos, que nem mesmo toda a educação da garota Diamante a preparara para tal situação, sem que se encontrasse em defensiva. “Não! Não, não será incômodo nenhum! Por favor, entre…” pronunciou-se, soltando um riso um tanto desconcertado, tímido, ao que aceitava a rosa “Muito obrigada, é linda… Saniel que me perdoe, mas sequer tenho onde colocá-la propriamente…” comentou ao que já virava-se de volta para seu atelier, dando passagem ao homem e derramando os botões diversos que tinha em um potinho sobre a mesa, para então enchê-lo de água do jarro que tinha para saciar a sede, e colocá-la. “Prometo que encontrarei um lugar mais apropriado para ela.” riu fraco, colocando uma mexa solta da franja para trás da orelha, sem jeito. “Então… A que devo o prazer de sua visita?” foi só quando pensou em chamá-lo pelo nome que notou não saber este, mas antes que se permitisse perguntá-lo, dando brecha para criar uma intimidade, resolveu mais uma vez esclarecer-se ao homem, dando um passo hesitante à frente. “Perdão, acho que posso não ter sido muito clara anteriormente… Mas… Eu não sou uma das Garotas de Luz. Não mais. Não… Não estou à venda.” falou em tom baixo, seguidamente com as mãos unidas diante do corpo em um claro sinal de nervosismo, tal qual o pressionar dos lábios um contra o outro ao que olhava o homem em escusa. “Aprecio o seu interesse, porém sei que veio à procura de uma jóia para desposar, e não é minha intenção iludi-lo, senhor.”
Entrou no local, não deixando de analisar o ambiente que se encontravam. Era agradável, de certa forma, mas não propício para uma jovem de tanto charme quanto Elizabeth. Como que os Thorn não notaram a preciosidade que encontrava-se sob o nariz deles o tempo todo? Eram tolos em ignorá-la, o que fazia com que questionasse como tinha parado naquele ofício em primeiro lugar. Acreditava que o assunto apareceria mais cedo ou mais tarde, a medida que houvesse uma aproximação; isso se houvesse, mas mantinha as esperanças positivas. “Obrigado por permitir que eu ficasse, nem que seja por breves minutos, afinal sei que tem seus deveres, mas eu tinha que vê-la. Sabe quanto tempo passei procurando alguém que soubesse quem a senhorita era?” Honestidade nunca foi um ponto muito forte no Baradir, mas a sinceridade vinha em certo peso. Os criados provavelmente já estavam espalhando os rumores que um comprador estava interessado em muito mais do que uma joia, mas tinha que confessar que havia algo especialmente único na mulher que encontrava-se em sua frente. Tinha uma personalidade polida, o que fazia questionar-se a origem alheia, completamente instigado. O rubor que tinha notado anteriormente fazia com que o coração de Lancelot batesse pelo anseio, sendo uma sensação muito familiar para ele. “Tudo bem, o suficiente para mim é que você tenha a aceitado.” Um sorriso apareceu em seus lábios, observando a flor em um vaso. Talvez devesse ter se preparado um pouco melhor, enviado uma carta que anunciasse a sua presença antes de irromper pelo ambiente sem nenhum aviso prévio. Foi um ato de grosseria, tinha certeza, mas como um homem que não teve nenhuma educação saberia de algo assim? “Eu não me importo que não seja uma das Garotas de Luz, para ser bem sincero. Não vim para comprar a dama de mais alto valor, apenas por ela cumprir uma série de requisitos que muitos sequer valham alguma coisa para mim. Minha vinda aqui foi para conhecê-las melhor, porque talvez uma delas consiga fazer o meu coração bater mais rápido. Talvez nenhuma consiga. Talvez outra mulher consiga. E, até lá, estarei procurando-a constantemente.” Confessou em voz alta, sabendo que parecia um tolo romântico e na verdade era. Só que depositava seu coração sempre em uma jovem diferente, pois quando percebia que o que sentia era apenas passageiro, enviava um bilhete dizendo que sentia muito, esperando que nunca mais tivessem algum contato. Alguns pais já tinham ficado furiosos com Lancelot, mas não tinham nenhuma chance contra o Rei dos Mercenários. “Por que a senhorita pensa que estou aqui?”