Better not be dragon pox @Laura&Keith
rowekeith:
Os efeitos da bebida translúcida repercutiam ora em sua temperatura corporal, ora em seu discernimento. Afinal de contas, só em um estado alterado de consciência para considerar aquele belo par de pernas mais atraente do que problemático. Quase tentador. Quase. Keith ainda conseguia contar os dedos das mãos e essa sobriedade o mantinha afastado do perigo. “No Império Russo isso pode ser água, mas não aqui, Laura”, passou a mão pelo rosto sentindo a quentura em suas bochechas avermelhadas. Não bastasse ter tomado um gole volumoso, havia engolido de uma só vez e mais rápido do que o esperado. Inerte ele ficou em seguida, mais pela surpresa do que por qualquer outra coisa, ao ver as mãos ágeis da mulher desabotoando o restante de seu blusão. Não que fosse fazer oposição, estava de fato com calor, mas havia se esquecido de que Cavendish podia surpreendê-lo. “Um brinde à minha filha”, em um impulso tomou a garrafa outra vez e tomou o segundo gole. Acreditava - inocentemente - que poderia manter o controle e que aquilo era apenas uma forma simples de diminuir a tensão. Porém, tão logo o líquido desceu abrasando sua garganta, Keith começou a esquecer o que o havia levado ali. Pôs a garrafa de lado e voltou-se para ela à sua frente. “Um brinde à você também”, sorriu, descarado. Seus olhos passearam do rosto de Laura para o pescoço, o colo e os seios dela, que estavam pouco visíveis sob um robe de seda. “Hmm”. Deteve-se, mas por pouco tempo. Com uma mão desfez o laço da vestimenta e o abriu. “Você usa roupa demais para uma mulher da vida”, disse com um muxoxo enquanto seus dedos buscavam desatar agora o laço de um corset. Até então, agia sem pensar, induzido pelo álcool que abaixava a guarda e o deixava receptivo aos encantos da mulher. Mirava atentamente a pele alva quando o corpete afrouxou e ameaçou cair.
Estaria mentindo se dissesse que a quantidade absurda de álcool que vinha ingerindo desde cedo não havia causado efeito algum, mas a boa verdade é que deixá-la bêbada era uma tarefa difícil. Afinal de contas nasceu na Irlanda, e cresceu no meio de copos de cerveja e taças de vinho. Talvez o calor anormal, o rubor do rosto, ou a forma em que seus olhos brilhavam ao ver o homem a sua frente indicassem que a sobriedade já não estava mais tão presente quanto gostaria de imaginar.
“Cheers!” Riu, com um sorriso mais saliente que inocente ao ouvir o segundo brinde. Não conseguia se lembrar da última vez que a presença de Keith tenha a deixado tão sorridente, mas sua atenção se distanciou dessa dúvida ao sentir o robe deslizando lentamente pela sua pele até finalmente chegar ao chão.
“Nós sabemos que qualquer roupa para mim é roupa demais.” Brincou. Concordava mentalmente que poderia usar menos roupas, porém via o ritual de se despir como um prazer por si só, como se o que está por baixo das várias camadas de vestimenta fosse um prêmio a ser obtido, e poucos conseguiam conquistá-lo como Keith. Muitos homens ficavam desconcertados ao tentar desfazer as amarrações das peças femininas e acabavam desistindo no primeiro minuto. Não tentou impedir que o corset se soltasse, deixou que a lei da gravidade atuasse, revelando para o outro curvas tão conhecidas.
Seus dedos macios passearam pela barba do bruxo antes de finalmente tirar o completamente o blusão dele. Sempre gostou muito de roupas masculinas – camisas, coletes, gravatas… – mas gostava mais ainda de despi-lo. Aproximou-se sem cautela, o calor dos dois corpos se juntaram, e com os lábios quase encostados no pescoço dele, sussurrou “Nada mal”.














