Quando parece que tudo vai dar errado.
O texto a seguir foi escrito por mim no dia 20/06/2019.
Hoje é quinta-feira, feriado, 10h30. Tinha estabelecido uma meta básica pro dia de hoje, mas acabo de passar quase duas horas discutindo com meu pai na cozinha. Ele achou que seria legal pegar minha empolgação pra conversar, e “jogar verdades na minha cara”. Verdades as quais eu já sei e já discuto. Verdades as quais estão deixando de existir, que já estou batalhando contra. É difícil conviver com gente. É difícil essa idéia de que a gente tem que sair agradando os outros (sejam esses: família, amigos, desconhecidos...). Eu sabia que esse mês ia ser difícil. Ainda estou sem faculdade, ainda estou sem emprego fixo. Só alguns planos que estão começando a sair do papel. Essa costuma ser a parte mais difícil, segundo os caras que “chegaram lá”, sabe? Nessa parte você começa a se sentir confiante nos seus planos, mas tudo em volta de diz que não é pra se sentir assim, que você está se iludindo. Calma, é só o começo da jornada. Ainda sou nova, eu sei. Mas já passei por algumas coisas aqui e ali. Graças a Deus tive uma ótima educação, senão não sei como eu estaria hoje em dia. Já tive grana, já presenciei o medo de passar fome, e o milagre da doação de comida (período do qual minha família está saindo agora). Nossa benção é a união da família, com certeza. Já tive três empregos, ou seja, vivi meu próprio inferno três vezes. Querendo ou não, a realidade atual, apesar de ser instável, me faz mais bem do que a realidade do “emprego garantido”. Pelo menos até agora não chorei no chão do quarto, e minhas esperanças ainda não foram arrancadas de mim. Esse é o lado que os de fora não enxergam. Por isso você não precisa agradá-los. Ninguém conhece sua batalha interna, ninguém vê suas lágrimas quando está sozinho, muito menos seu suor quando está trabalhando. Entrei no meu último emprego com a família já apostando que logo menos eu saía. Quando saí, todos ficaram bravos, porém não surpresos. Quer dizer, eles já sabiam que era um trabalho que eu fazia puramente por desespero e dinheiro (e que definitivamente não era meu rumo). Todos sabiam disso. Então por que insistem na idéia de que eu tenho que mudar minha conduta completamente pra encaixar no padrão do trabalho que me faz mal? Se me faz mal, não era nem para eu estar lá. De qualquer maneira, enquanto seus planos não te dão mais dinheiro do que o que eles ganham, eles não vão botar fé. Nem são obrigados. A única pessoa que realmente precisa botar fé no seu plano é você, e leve essa dica pra vida. Dizem que no final morremos sozinhos. A meu ver, passamos a vida toda sozinhos; apenas nos iludimos com algumas pessoas “próximas” por aí. Ninguém realmente está contigo. E não falo isso por revolta, não falo isso por pessimismo, falo isso por ser humanamente impossível estar com outra pessoa. Não acredita em mim? Pois tente você mesmo. Vá até a pessoa que você mais ama, e faça com que ela não esteja mais sozinha. Não tem como fazer isso, considerando que cada um tem suas próprias batalhas internas; as quais precisam ser encaradas somente por quem inventou isso tudo. Eu tinha planos para hoje. Meus planos desandaram um pouco por conta dessa discussão com meu pai que, querendo ou não, queria ajudar do próprio jeitinho (meio caótico) dele. Agora não está mais nas mãos dele, está nas minhas: se eu quiser, eu posso levar isso como um desincentivo, deitar e chorar até pegar num sono, ou posso reprogramar meu dia e seguir em frente com isso. Afinal de contas, o tempo que passou, já passou mesmo e não tem como voltar. O tempo daqui pra frente ainda tem destino indeterminado e a única pessoa que pode mudar o rumo do meu dia sou eu. Estou sozinha. E isso não é ruim. Muito pelo contrário, é maravilhoso estar sozinha. Vou exemplificar; não me leve a mal: amo os meus avôs, mas se eles realmente tivessem algum impacto na minha vida, eu deveria largar tudo, cursar Direito e ir trabalhar em um escritório, talvez morrer de depressão. Nesse caso, estar sozinha é maravilhoso. Escolhi amá-los e respeitá-los, e mesmo assim, não seguir o plano que eles fizeram pra minha vida. Sorry, not sorry. Quando eu era uma pequena ginasta, minha mãe costumava me dizer antes de todas as competições: entra na bolha. Desse jeito eu focava no meu treino, na minha música, e deixaria de lado todas as concorrentes que falavam todos os tipos de merda para me deixar nervosa e facilitar o caminho delas até a medalha. Essas competidoras não eram necessariamente as vilãs, as meninas de outras escolas que eram malvadas e me odiavam. Muitas vezes eram minhas melhores amigas que tinham acabado de passar o fim de semana na minha casa. A vida não é um filme clichê. Elas queriam aquela medalha tanto quanto eu e fariam o que fosse necessário pra chegar nela, e não vou culpá-las por isso. Sendo assim, sigo esse conselho na vida, como se ela fosse uma grande competição de ginástica rítmica; e todos nós fôssemos competidores. A diferença é que a vida não tem uma medalha. A gente só trata como se tivesse. As pessoas ficam derrubando umas as outras sem nem perceber, talvez com a intenção de chegar nessa medalha inexistente. Eu sei que eu tenho meu foco, e preciso concentrar no meu plano e na minha música; portanto, vou entrar na bolha. Obrigada, mãe.
















