06/01/2020
2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020. Oito anos. Evolução constante. Entrei em relacionamentos que pensei que me salvariam mas que, na verdade, me destruíram. Um em especial me aproximou de pessoas, me distanciou de pessoas, me quebrou por inteira - ainda mais do que eu já era quebrada - mas me deu perspectiva ao chegar ao fim. Poucas coisas desse relacionamento me trazem boas lembranças, mas existe uma que não saiu nunca da minha mente: "eu espero que você não pare de escrever, que você invista nisso. Você tem futuro escrevendo". Acho que foi essa pessoa que me estimulou a fazer o curso de letras, acho que foi ela que, mesmo me deixando em pedaços, me fez enxergar um pouco de quem eu sou. Eu lembro que eu juntei pessoas que hoje em dia são amigos inseparáveis. Lembro que dei nome aos grupos que até hoje se chamam assim. Lembro que ao sair deles, sabia que não teria importância nenhuma porque eles nunca me tiveram como alguém essencial, alguém que faria falta (mesmo sendo quem os juntou). Eu estava certa. Não os culpo pelo afastamento. De forma alguma os culparia. Eu reconheço que não era alguém interessante à época. Eu só os culpo por ouvirem mais o que os outros falavam de mim do que o que eu explanava da minha realidade (mesmo quando sofri os abusos, aqueles que as pessoas preferiam e ainda preferem acreditar no abusador).
Esses oito anos me fizeram mudar muito. Eu estou conseguindo, finalmente, chegar perto de me tornar a Bruna que creio ser a melhor versão de mim. Ainda tenho tanto a mudar, a crescer, a melhorar. Nesses anos consegui parar com a automutilação. Consegui sair do ciclo de anorexia - culpa - excesso - recaída. Nesses oito anos estudei, cresci como militante, me filiei a um partido, participei ativamente das decisões da universidade, consegui um cargo no DCE, saí de um ambiente abusivo e me dediquei a mim mesma. Iniciei e terminei diversos relacionamentos: amorosos, amistosos, profissionais. Comecei a me amar.
Oito anos parecem ter sido muitos anos, assim falando, mas, ao olhar pra trás, percebo que se passaram feito dias ou até mesmo horas. Espero continuar existindo e mudando por mais anos. Espero que esses anos, ao olhar pra trás, me mostrem que eu sobrevivi, que eu melhorei, que eu existi e fiz existir; mesmo que seja pra unir e me afastar, pra ligar peças, pra ensinar e aprender.














