Stranger Things
YOU ARE THE REASON

pixel skylines

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Alisa U Zemlji Chuda
trying on a metaphor

@theartofmadeline

祝日 / Permanent Vacation
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AnasAbdin

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let's talk about Bridgerton tea, my ask is open

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Janaina Medeiros

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@leepontes
Se todos os teus dias fossem meus Eu te daria, Dionísio, a cada noite O meu tempo lunar, transfigurado e rubro E agudo se faria o gozo teu.
Hilda Hilst
Do amor
Stendhal diz que o amor é um processo de cristalização em que um sujeito se apaixona pelo outro pelo observar e outro se apaixona pelo fato de ser visto. Embora, na perspectiva do escritor francês, o amor construído é uma interação heterossexual, a definição pode ser aplicada aos casais de outras orientações e de identidades de gêneros diferentes.
Segundo Stendhal, o homem se apaixona pelo olhar, ou seja, o seu desejo pelo outro cresce por observar a figura amada. Diante disso, a mulher gosta de ser observada e ser buscada pelos olhos, daí a necessidade de embelezamento ou de uso de maquiagem na sociedade moderna. Se olharmos os bichos, essa interação é oposta, pois são os machos que apresentam características biológicas diferentes, desde coloração da pelagem e das penas a ações mais orquestradas para seduzir a fêmea.
Tá, mais por que estou dizendo isso? De modo geral, alguns sujeitos gostam de ser visto, notados, percebidos e outros gostam de perceber e ver o outro, sendo indiferente a identidade de gênero. Eu gosto desse argumento de Stendhal do amor como uma cristalização. Isso está ligado ao modo como eu construo ou construía o amor inconscientemente. Eu queria ser visto. Mas para ser visto, eu preciso me colocar a vista do outro.
Quando eu comecei as seções de psicanálise, eu acabei percebendo que eu não me colocava para ser visto pelo outro. Eu gosto de ser visto, mas não deixo que o outro me veja. Acabei me causando dor, pois todas as minhas relações acabaram cedo e causando dor para mim ou para eles. Mas, fundamentalmente, não me possibilitando aproveitar as experiências da relação, pois eu estava mais preocupado de manter um círculo de dor e de feridas.
O amor precisa de dose de revelações com variações diferentes. O outro precisa saber sobre você e você precisa saber sobre o outro. Essas pequenas descobertas ajudam a construir os laços afetivos e a manter a relação de modo a firmar a cristalização do amor. Daí que o amor é um processo mais longo e complexo que a paixão ou o desejo sexual. As pequenas descobertas que o outro vai fazendo ajudam a construir a relação.
Eu nunca possibilitei que eles descobrissem algo sobre mim. De modo geral, as minhas relações são marcadas pelo apagamento de mim. Eu nunca estou ao alcance dos olhos do outro. Também fruto do meu desejo de sumir, pois o modo como eu entendia os afetos era marcado pelo apagamento de mim, já que eu cresci ouvindo que não era digno de ser amado.
Quando Beatriz e Caiana te perguntarem, Dionísio,
Se me amas, podes dizer que não. Pouco me importa
Ser nada à tua volta, sombra, coisa esgarçada
No entendimento de tua mãe e irmã. A mim me importa,
Dionísio, o que dizes deitado, ao meu ouvido
E o que tu dizes nem pode ser cantado
Porque é palavra de luta e despudor.
E no meu verso se faria injúria
E no meu quarto se faz verbo de amor.
Hilda Hilst
Ubuntu - means “ I am because we are” 🙏✨
“Em ultima análise, precisamos amar para não adoecer.”
— Freud
Eu relembrando tudo que conversei com meu psicanalista...
Tenho meditado e sofrido Irmanada com esse corpo E seu aquático jazigo Pensando Que se a mim não me deram Esplêndida...
Salém... o meu coração peludo com garras.
No meu rosto garoa, o que no meu peito chove.
Eduardo.
Antes de ir ao divã
Toda história tem um antes ou um antes do começo do começo ao qual se quer estabelecer por ponto principal. Eu nunca tinha pensado claramente em fazer terapia. Primeiro, eu achava que me conhecia bem. Tinha claro o que eu gostava e não gostava (eu achava que me conhecia). Segundo, eu achava que fazer terapia era para pessoas com muitos problemas ou traumas (eu sou essa pessoa com problemas e traumas). Terceiro, eu achava que era um processo muito caro para o meu bolso (na verdade, eu ainda acho). Eis que chega o Covid-19.
A pandemia acabou por modificar a vida e os modos de relações sociais. Depois de 25 dias em casa com a minha gata Salém, eu estava me sentido estranho. O sono estava desregulado e fome grande demais (ainda estou com muita fome), mas o que me causava mais estranhamento era minha memória e das coisas que eu lembrava e como eu lembrava. Em muitos momentos, eu me sentia ruim depois de lembrar de coisas e me dizer em voz audível que eu não queria viver aquilo que eu vive no passado.
O passado é sempre algo que recriamos das escassas memórias e as memórias acabam sendo modificadas. Depois de ler algumas coisas sobre psicanálise e escritos de Freud, eu achava que me analisava bem, porém achar e saber são diferentes. Ficar muito tempo só me fez perceber que algo estava quebrado dentro de mim e, pela correria do dia a dia, o cansaço fazia parecer que tudo ia bem. Então eu tive um surto de pânico. Nada fazia sentido e eu não queria apenas viver por viver. Eu precisava entender o motivo de tudo me deixar em choque e sem animo de modificar o que estava me deixando cansado.
Chegou o momento de abrir a minha caixa de Pandora e deixar as aranhas, os ratos e os bichos trevosos saírem. Precisava conviver com o que me causava dias bons (lua cheia) e dias ruins (lua nova). Colar aquilo que tava quebrado para poder caminhar leve. Os ombros não aguentam tanta dor para sempre. Afinal, eu nem sou o Superman. Eu quero saber quem é Lee Pontes.