10 de julho de 2026
O Papa recebe os escritores: «Não somos donos da verdade. É ela que nos conquista». E descobrir isso é uma libertação. Annalena Benini acompanha um encontro entre o Papa Leão XIV e um grupo de escritores para pensar o que significa escrever. Em um discurso dedicado à literatura, o pontífice fala da imaginação, da escuta e da verdade não como algo que possuímos, mas como aquilo que nos transforma.
Natureza-Morta com Livros e Vela, 1980. Obra de Henri Matisse.
O encontro está marcado para as sete da manhã, mas, ao longo do dia, descubro que todos tiveram, como eu, o medo de chegar atrasados e estão de pé desde pelo menos as quatro.
Carros, táxis, motos, trens, voos intercontinentais que chegaram no dia anterior: nesta manhã, o Papa Leão XIV recebe um grupo de escritoras e escritores em uma audiência privada por ocasião do centenário da LEV, a Livraria Editora Vaticana. Eu só preciso pegar uma bicicleta alugada. Estou convencida de que serei a primeira a chegar, mas mudo de ideia no último instante porque não posso aparecer despenteada diante do Papa (acabarei chegando despenteada de qualquer jeito) e procuro um táxi — afinal, ainda são apenas seis horas —, mas o aplicativo não reconhece o endereço de destino. Talvez porque a Cidade do Vaticano seja outro Estado, penso, em meio às minhas conjecturas neuróticas. Então digito um endereço falso (logo hoje, mentindo), reclamo com o taxista, chego mesmo assim quinze minutos antes à Porta del Perugino e finalmente me acalmo: a extrema pontualidade é o caminho para a beatitude.
Elizabeth Strout já está lá há sabe-se lá quanto tempo, nada despenteada, alta, loira; para mim, sempre acompanhada, em pensamento, por Olive Kitteridge ou Lucy Barton, lenço no pescoço aconteça o que acontecer. Conversa com o marido, também alto; os dois riem, ele a olha com adoração. Querem-se bem. Não parecem cansados. Tenho certeza, pelos rostos serenos e perfeitamente compostos, de que tomaram um café da manhã americano. Eu, não. Apenas encostei os lábios numa xícara de café fervendo, mas tive medo de que aqueles poucos segundos fossem fatais e saí correndo escada abaixo. Chega Jonathan Safran Foer. Trouxe para o Papa uma kipá dos Knicks e a mostra, orgulhoso, a todos: laranja e azul, dentro de uma caixa branca. Depois vêm Colum McCann, com um boné irlandês; o Nobel Jon Fosse; a extraordinária Marilynne Robinson; Mircea Cărtărescu, talvez o mais simpático de todos. «Sempre me surpreendo quando alguém me reconhece», diz ele, muito sério. São apenas os primeiros a chegar. Ainda não faz muito calor, mas estamos todos muito bem vestidos. Nada de roupa de praia. Pediram-nos, com extrema gentileza, que evitássemos qualquer constrangimento. Formal dress: de fato, os homens usam gravata. É uma daquelas ocasiões em que não importa se você é escritor: deveria ter se vestido melhor.
Lila Azam Zanganeh, escritora francesa de origem iraniana que vive em Roma há um ano, conhece todo mundo e adora apresentar as pessoas umas às outras. Graças a ela e a Igiaba Scego evitamos o constrangimento do grupo de italianos que só conversa entre si (embora, na hora do almoço, não resistamos à tentação de nos sentarmos todos à mesma mesa para falar de carboidratos, gorduras saturadas e fofocas. Também de livros).
Entramos. Revistam-nos, sempre com muita delicadeza, e seguimos até a sala onde acontecerá a audiência. Sentamo-nos. Estamos tão intimidados que ninguém diz uma palavra durante meia hora. Cinquenta pessoas absolutamente silenciosas. Ninguém comenta que está com sede. Ninguém pede para ir ao banheiro. Alguém cochila, mas com impecável compostura.
Quando nos avisam que ainda teremos de esperar mais um pouco, meu vizinho de cadeira, Assaf Gavron, escritor israelense de quem li A colina, embora não tenha coragem de lhe contar isso, tira o celular do bolso e começa uma partida de Wordle, em hebraico. Reconheço o jogo e, para quebrar o gelo, jogo uma partida também, em italiano. Ganho, isto é, descubro a palavra em menos tentativas do que Gavron, mas começo a sentir uma necessidade insistente de café que me parece inadequado confessar, não enquanto esperamos o Papa. Só a menciono a Vittorio Lingiardi, que, por profissão, não pode se escandalizar. E, de fato, não se escandaliza. Sou grata por isso.
Mas, quando o Papa entra, toda a solenidade permanece intacta, e também a emoção. Ele sorri, abençoa e fala sobre o que significa escrever. Lê, em inglês, seu belíssimo discurso.
«Escrever — do modo como vocês o fazem — é um ato de verdade, de desvelamento. Escrever diz quem somos, aquilo em que acreditamos e esperamos, o mundo para o qual tendemos, o futuro com que sonhamos. Nessa tensão em direção à verdade, percebemos como ela é discreta: oferece-se a nós no diálogo interior com Deus e no diálogo aberto e respeitoso com o próximo. ‘A verdade não é um território a defender, mas um bem a compartilhar.’ Nunca somos donos da verdade; é ela, antes, que nos conquista. Por isso desejo que vocês sejam capazes de despertar nos outros o fascínio pela verdade, justamente porque são os primeiros a se deixar fascinar por ela.»
«Escrever, além disso, é um gesto de humanidade. ‘Sou um ser humano e nada do que é humano me é estranho’, dizia Terêncio.»
Escrever é um gesto de humanidade, uma expressão de humanidade, um ato humano. Escrever, diz o Papa, «é uma escola de humanidade» que escritoras e escritores fazem seus leitores experimentar, porque quem lê vive muitas vidas além da própria. E é preciso ativar — quem escreve, mas também quem lê — o poder empático da imaginação, que é «o veículo fundamental daquela capacidade de identificação com o ponto de vista, a condição e o sentir do outro, sem a qual não existem solidariedade, partilha, compaixão nem misericórdia».
Olho para Elizabeth Strout, sentada na primeira fila. Penso que essas palavras dizem respeito a todos os seus livros, a todos os seus personagens. Dizem respeito a todos esses escritores e escritoras, dizem respeito a Apeirogon, de Colum McCann, a A garota no sofá, de Jon Fosse, a Gilead, de Marilynne Robinson, a Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer. Que privilégio estar aqui, nesta sala, enquanto o Papa diz que todos esses livros, essa imaginação, essa solidão necessária para escrever nos ajudam a descobrir «a diversidade dos pontos de vista, a não absolutizar o próprio e a compor, como num mosaico, o perfil daquela verdade que sempre nos ultrapassa». A verdade sempre nos ultrapassa. Todas as pessoas nesta sala sabem disso, perseguem essa verdade, atormentam-se por ela, entusiasmam-se com ela, dedicam a vida a desvelá-la. É uma libertação ouvir que, no máximo, é a verdade que nos conquista — nunca o contrário.
«Por fim, escrever tem a ver com Deus. Pode parecer ousado dizer isso, mas diversos teólogos refletiram e escreveram sobre a consonância entre a forma da escrita e a revelação do Deus bíblico. É a própria estrutura da Revelação que nos autoriza a isso: ‘Para os cristãos’, escreveu o cardeal Radcliffe, ‘nada do que é humano é estranho a Cristo’. Toda tentativa de enfrentar as perguntas fundamentais da nossa vida — como amar, como ser justo, como ser livre, como enfrentar o sofrimento e a morte — ajuda-nos a compreender Cristo, aquele que é o mais humano de todos.»
Cristo, o mais humano de todos. Quando vamos ao fundo da nossa humanidade — e um escritor vive obcecado por isso —, nem sempre encontramos algo compartilhável, nem sempre algo compreensível e, sobretudo, nem sempre algo edificante. Porque o fundo da humanidade também é feito de tudo aquilo que jamais será edificante. É justamente nesse ponto, tão baixo e tão alto ao mesmo tempo, tão preciso e tão assustador, «que Deus se revela». Mesmo que nunca se tenha acreditado. Mesmo que se viva na dúvida. Mesmo que se sinta estar em outro lugar. O ato de escrever e reescrever, de aprofundar, de permanecer em silêncio, de não conseguir fazer outra coisa senão pensar naquela frase: tudo isso, então, diz respeito a Deus. Não por causa do resultado, mas da busca, da tentativa. Olho para essas pessoas na sala: sua tentativa foi bem-sucedida, mas nenhuma delas sente que chegou ao fim. Continuam procurando. Continuam escutando.
«Por isso repito a vocês, escritoras e escritores, aquilo que São Paulo VI disse a todos os artistas: precisamos de vocês, da imaginação de vocês, da fantasia narrativa de vocês, da vivacidade do seu pensamento. Precisamos de tudo isso para criar espaços de liberdade e autenticidade, dentro dos quais a graça divina possa fazer ressoar uma promessa de consolação e de paz. Agradeço a vocês por todas as vezes em que espalharam sementes de reconciliação, de encontro e de amizade.»
O Papa Leão XIV agradece e abençoa todas as escritoras e todos os escritores. Depois nos recebe um a um, aperta nossa mão, sorri diante da kipá dos Knicks trazida por Safran Foer e nos deixa dizer-lhe algumas palavras. Palavras que todos nós manteremos em segredo uns dos outros.
É o momento de sair. O Papa tem a audiência geral, e a nós é permitido visitar a Basílica de São Pedro enquanto permanece fechada ao público, enquanto a Pietà, de Michelangelo, nos observa e parece mover-se.
Agora voltamos a nos permitir sentir esse desejo de café, de água, de conversar e de chegar atrasados a todos os outros compromissos — um desejo que nos acompanhará até o fim do dia. Mas, ao sairmos por uma pequena porta interna, ninguém, seja de que nacionalidade for, consegue resistir: fotografamos o Papamóvel, branco e vermelho, estacionado à espera.
O Papa tem paixão por dirigir. Gostava muito de dirigir. Tinha um carro em Villanova, perto da Filadélfia, onde se formou em Matemática na universidade agostiniana, nos anos 1970. De Villanova dirigia até Chicago: mil quatrocentos e setenta quilômetros. Os amigos contam que, durante essas horas ao volante, ele pensava, refletia e, quando havia alguém no carro com ele, conversava. Conversava muito. Conversava longamente. Conversava com alegria.
Vai sentir falta de dirigir. Pergunto-me se algum dia lhe permitirão, talvez à noite, conduzir ao menos o Papamóvel.
Espero que sim. E espero nessa verdade que nos conquista.