Hey!
Normalmente, eu sou a pessoa mais mal-humorada do mundo, mas não no meu primeiro dia de faculdade, porque eu também sou a pessoa mais ansiosa do mundo. Acordei muito cedo, me arrumei bem para causar uma boa primeira-impressão e notei que ainda faltava quase uma hora para a aula e eu não tinha mais nada para fazer. Resolvi, então, acordar Vicky só para sacaneá-la. Eu sabia que ela iria se aborrecer, mas como eu ainda estava um pouco zangada, o fiz do mesmo jeito.
“Acorda, bela adormecida!”, falei, rindo e a chacoalhando. “Porra Duda! Minha aula começa depois da sua! Não enche!”, ela resmungou como resposta enquanto eu ainda ria. Saí, então, do quarto, sabendo que não iria arranjar nada de melhor para fazer ali.
Fui andando a passos lentos o caminho até a sala de aula, absorta em pensamentos. Eu estava me sentindo um pouco sozinha naquele lugar, mas pelo menos já tinha duas amizades em meio caminho andado: com Vicky e com John, sem contar que havia ainda minha outra colega de quarto que, segundo um bilhete que deixaram na porta do quarto, teve um problema com a matrícula e só chegaria alguns dias depois do começo das aulas. Talvez, eu conseguisse fazer uma amizade com ela.
Finalmente, cheguei na minha sala, e com apenas 10 minutos de adiantamento. Sentei-me em uma carteira na fileira da parede, na frente de um garoto que aparentava ter minha idade. Ele usava uma franja de lado e jaqueta de couro, tentando parecer mais velho, o que na verdade o fazia parecer um pré-adolescente tentando se misturar com a turma do irmão mais velho.
“Pensei que eu seria a única louca a chegar cedo na aula”, falei, virando-me para trás. “Sou a Duda, prazer”.
Ele se apresentou e começamos a conversar, e a conversa continuou durante a aula, que era apenas um professor se apresentando e falando de suas experiências. Ele pareceu meio tímido no começo, mas depois de algum tempinho já estávamos conversando como se nos conhecêssemos há anos. Ele era o tipo de pessoa que fica o tempo todo te cutucando e enchendo o saco durante as aulas - o tipo de chato mais legal que tem, eu sempre digo.
Combinamos de almoçarmos juntos, pois ambos estávamos sem ninguém ali. Eu e ele fomos então para a cantina da faculdade, e lá estava Vicky. Eu a chamei para sentar com a gente, e ela foi um tanto relutante. Eu ri de sua cara de sono e falei, rindo: “Isso é por ter me abandonado com aquele louco do John ontem.”. Ela fez uma careta mas riu ao me responder, então eu nos considerei quites. “Aliás, George, essa é a Vicky, minha colega de quarto. Vicky, esse é o George, meu colega de aula.”
Não sou e nem era uma expert, tampouco conhecia nenhum dos dois há muito tempo, mas pude ter certeza, pelo que o jeito com que eles se olharam ao se cumprimentar, que aquilo ali iria dar em alguma coisa - só não soube dizer se era uma coisa boa ou ruim.
Quando cheguei na sala, a turma toda já estava lá, e o professor também. Descobri que essa primeira aula seria de História da Arte. Era uma turma pequena, algo extremante incomum para uma universidade tão grande. Fazia a sala tipo anfiteatro parecer extremamente vazia. Me sentei em uma fileira mais atrás. Afinal de contas, o professor só tagarelou durante o primeiro período, falando sobre suas experiências. Foi extremamente entediante, e passei uma boa parte da aula desenhando e pensando que meu relacionamento com Eric, que por mais que eu tentasse para que ocorresse o contrário, estava ficando chato. Mesmo comigo na faculdade isso não mudou a mesmice na qual as coisas haviam caído entre nós.
Quando a turma saiu para o almoço, alguns já conversando, fui correndo para o refeitório, pensando em almoçar rápido e ver Eric para conversar com ele sobre tudo aquilo. Seria praticamente impossível, já que eu estava morrendo de sono. Quando eu estava tentando achar uma mesa, ouvi uma voz me chamando. Era Duda, acompanhada de um garoto. Primeiro dia de aula e já tem um namoradinho? Pensei, debochada. Me dirigi a mesa com passos lentos e Duda riu da minha cara de sono. “Isso é por ter me abandonado com aquele louco do John ontem.” Fiz uma careta. Eu havia esquecido que havia deixado ela com aquele completo tarado do John, que já havia tentado dar em cima de mim e, segundo ele, levara um fora inesquecível. Olhei para o garoto, que estava me encarando. Quando o surpreendi, ele rapidamente baixou os olhos e corou. “Aliás, George, essa é a Vicky, minha colega de quarto. Vicky, esse é o George, meu colega de aula.” George ergueu lentamente os olhos e nos encaramos com certa intensidade. Ali, naquele momento, senti um pressentimento. Um pressentimento de que ia rolar algo entre nós. Mas eu não sabia dizer se seriam brigas ou beijos.
Eu havia criado muita expectativa para a faculdade desde que decidi estudar música. Pensava que iria passar as aulas todas ouvindo rock’n’roll o tempo todo, ou que passaria o dia tocando violão e fumando maconha. Não preciso dizer que a primeira aula foi uma bela bofetada na cara. Cheguei cedo na sala, bastante ansioso. Não tinha praticamente ninguém lá, então sentei em uma carteira qualquer e fiquei rabiscando coisas na última folha do caderno, até que uma menina loira parecendo tão animada quanto eu sentou-se na carteira da frente e puxou assunto comigo.
A princípio, fiquei com vergonha de continuar a conversa, pois sou a pessoa mais tímida do mundo e péssimo puxando assunto. Entretanto, a garota - que se apresentou como Duda - tinha várias coisas em comum comigo, então foi fácil manter a conversa. A aula se mostrou extremamente entediante, com o professor tagarelando sobre a vida dele durante um tempão, então eu e Duda ficamos rindo e conversando. Na altura do almoço, já poderia dizer que tinha uma amiga ali. Justamente por isso, não senti vergonha para dizer: “Ei, vamos logo almoçar, tô morto de fome”. Ela riu, mas concordou e lá fomos nós.
Eu estava prestes a me dirigir a cantina, o estômago revirando de fome (nunca pensei que um blábláblá me deixaria tão faminto), quando Duda me puxou e me apresentou a uma amiga dela, Vicky. Algo nessa garota deixou perplexo. Sorri para ela, sem nem ao menos saber o porquê do sorriso. Alguma coisa no sorriso que ela me devolveu… Ela sabe, assim como eu, que alguma coisa ainda irá acontecer entre nós dois.
Depois do almoço, Duda e eu voltamos para a sala de aula. Ela estava dando sorrisinhos bobos e rindo para mim. “Que foi menina, tá com pulga?”, perguntei, fazendo cara de desentendido. A verdade é que eu sabia por que ela estava assim, mas não iria dar esse gostinho a ela. “Duda, vamos no pub hoje mais tarde? Chama aquela sua amiga Vicky, vai ser legal”, falei, tentando parecer o mais desinteressado o possível. “Pode ser. Até ia falar em chamar o namorado dela…”, ela falou, erguendo as sobrancelhas e sendo irônica. “Mas ele trabalha lá”. “Namorado?”, respondi, incrédulo, esquecendo de esconder a porra toda.
Quando a aula finalmente acabou, aula na qual eu fiquei tentando entender o que eu sentia com relação à George. Ele era meio brega, com aquela jaqueta de couro, mas era muito bonito. Seu sorriso tímido parecia estar gravado na minha retina, já que todas as vezes que eu fechava os olhos eu o via. Voltei para o quarto, onde vi Duda toda arrumada, com um vestido curto demais, e ainda por cima vermelho. “Quer ir ao pub?” Ela me perguntou, sorrindo. “Ah, claro. Deixa eu só me arrumar.” Respondi, tentando lembrar de Eric e me sentindo meio culpada. “O George vai, está bem?” Instantaneamente senti meu rosto esquentar e Duda riu.
Depois de um banho demorado e de colocar um vestido azul que Eric tinha me dado , saímos. Parecia que todos estavam aproveitando o anoitecer para sair, já que muitas pessoas estavam arrumadinhas. Eu e Duda encontramos George perto do portão, onde ele nos aguardava com um cigarro aceso em uma das mãos. Sério isso? Crianças podem fumar? Andamos até o pub, tentando manter uma conversa no mínimo normal. Quando chegamos ao pub, Eric logo veio até mim. Ele tinha terminado seu turno naquela hora, e poderia me dar mais atenção. Fomos até uma mesa, levando Duda e George. Ele tentava conversar com Eric normalmente, mas seu tom soava hostil e ele lançava olhares fulminantes à minha mão, que estava entrelaçada com a de Eric.
Lá pras 20:30, apareceu uma garota loira, fazendo umas perguntas estranhas para Eric. “E aí, quem é essa? Você tinha um encontro comigo!” Eric congelou e eu separei minha mão da dele. “Com licença.” Falei, tentando ser educada. “Mas quem é você? O Eric é meu namorado… Faz uns dois anos.” A garota olhou para Eric com certo rancor. “Sou Maggie. O Eric aqui é meu namorado faz uns cinco meses.” Foi minha vez de congelar. Esperei que Eric negasse, mas ele não o fez. Simplesmente corou até a raiz dos cabelos e tentou se afastar, quando Maggie pulou em cima dele, dando tapas em cada parte do corpo dele. Eric chamou meu nome, pedindo ajuda, e eu ignorei. Antes que as primeiras lágrimas pudessem cair, eu já estava do lado de fora, na pracinha que havia ali perto.
Sentei em um banco e deixei as lágrimas escorrem livremente. Com o rosto escondido nas mãos, ouvi passos. “Eric… Eu não quero papo com você.” Sussurrei, reprimindo um soluço. “Mas quem disse que é o Eric?” Reconheci a voz. Era George. Levantei o rosto e ele sentou ao meu lado. “Então. Que babaca, viu? Eu sabia que tinha algo de errado com ele.” George comentou, me fazendo rir um pouco. Encostei minha cabeça em seu ombro e ele me abraçou. Soltei mais um soluço. “Ei… Não chora por ele. Não vale a pena. Sério. Não chora…” Abracei-o com força. “Eu gosto de você. Só te conheci hoje, mas gosto de você pra valer, George.” Ele corou e falou alguma coisa, que saiu como um murmúrio rouco. Dei uma risadinha e ele acariciou meu rosto. Estávamos muito próximos. Eu podia sentir sua respiração. Quando fechei os olhos e senti de leve seus lábios roçarem nos meus, ouvimos um estrondo e nos separamos rapidamente. Olhamos para a porta do bar e vimos uma briga. Eric estava ali no meio, e Maggie também. Descobri que eu não ligava a mínima. Só continuei abraçada à George até voltarmos para a universidade.
Eu, Paul e Rafa estávamos no pub, conversando enquanto tentava manter o olhar longe do decote da minha prima. Tá, era de terceiro grau, mas continuava sendo minha prima. Ouvi a porta do pub abrir com um rangido e me virei. Quando vi aquelas três pessoas entrando, sabia que estava a salvo. Vicky, Duda e George. Graças à Deus alguém para me distrair da visão daqueles peitos. Em poucos segundos Eric, que parecia farejar Vicky, estava beijando-a calorosamente enquanto Duda e George se encaminhavam para nossa mesa. Um pouquinho depois e o casalzinho estava se sentando também. Reparei que George não parava de lançar olhares para as mãos que Vicky e Eric haviam entrelaçado e estavam em cima da mesa.
A chegada deles não ajudou em nada. Rafa prendia minha atenção mais do que devia, me deixando confuso. Uma simples troca de olhares com Duda confirmou que eu devia estar parecendo um tarado. Rafa era simplesmente maravilhosa, maravilhosa demais para se ignorar. O cheiro dela era delicado, o jeito que seus lábios se mexiam, os gestos que ela fazia com as mãos. Tudo isso me deixava louquinho. Eu sentia como se minhas calças fossem estourar. Mas eu não me importava com isso. Seria até melhor, Rafa iria ver o que estava perdendo enquanto estava vestida e fora do meu colo.
Um tempo depois, uma garota chegou e disse que namorava Eric. Vicky saiu correndo e George não se demorou muito. Mas, do jeito que ele tinha sucesso com as garotas, não seria hoje que ele ia perder a virgindade. Em seguida, Paul e Duda saíram. Uma briga começou entre a garota e Eric, e logo mais gente se juntou à ela. A briga se transferiu lá para fora. Voltei minha atenção para a mesa e eu finalmente reparei que só havia Rafa ali. Os outros haviam sumido. Malditos sejam.
“Então... Que loucura, não é?” Tentei continuar a conversa, lançando olhares rápidos ao seu decote. “John, pare de fingir. Já reparei faz tempo.” Rafa comentou, erguendo as sobrancelhas. Tentei parecer envergonhado, mas não rolava. Eu ainda estava completamente excitado e a bebida não ajudou a me deixar incoerente e desatento. Não respondi e Rafa se levantou, me puxando até os fundos do bar. Lá, coisas maravilhosas aconteceram. Coisas muito maravilhosas. Minha prima era muito boa mesmo naquilo. Como eu havia desperdiçado aquilo tudo durante tanto tempo?












