Hello, little girls!
-É, somos só nós duas. Meu nome é Victoria, mas pode me chamar de Vicky. Faço o curso de artes e sou fotógrafa… Das amadoras. E você? Qual curso você faz?
-Jornalismo.- Ela respondeu com os olhos brilhando. Devia estar amando aquilo tudo.
Até ali, eu só tinha formado um pensamento sobre Duda. Amigável demais. Eu pude ver que ela ficou reparando enquanto eu arrumava minhas coisas. Muito estranho. Depois de alguns minutos arrastados nos quais ela ficou me encarando de forma meio sinistra, eu terminei de arrumar tudo. “Essa garota deve ficar muito melhor bêbada”, pensei comigo mesma. “Mas ela bebe?”
-Então. Tá mais que óbvio que você não conhece nada por aqui. Quer fazer um reconhecimento no bar?
-Bar? São quatro da tarde!- Ela exclamou. Dei uma risadinha.
-E daí? Vamos!
Eu não estava muito confortável com aquela história de ficar se olhando no quarto vazio. Era muito melhor conversar em um bar lotado. Vai que ela era uma psicopata?
Caminhamos pelo campus, observando tudo ao nosso redor. O lugar era realmente muito lindo. Ao longe, avistamos o prédio (que mais parecia um palácio) onde eram dadas a maioria das aulas. Duda era muito falante e isso me irritava um pouco. Depois do que me pareceu uma eternidade, chegamos ao bar. Mesmo sendo ainda de tarde, já estava lotado. Duda apertou meu braço quando o sininho da porta tocou. Fala sério!
-Vicky! Ei! –Ouvi um grito vindo da minha direita. Reconheci a voz. Era Eric.
-Eric! –Corri até ele, que estava vestido de garçom. Ele largou a bandeja e me abraçou com força. Eric era meu namorado, que havia começado a trabalhar naquele bar faz mais ou menos um ano. Ouvi alguém reclamar enquanto eu o beijava. Mas quem se importava? Ele era meu namorado.
-Eric! –Uma voz grossa gritou. Descolei meus lábios dos dele. –É a segunda vez esse mês que você derruba algo em um cliente!
Era o chefe de Eric. Um homem corpulento, com uma cara que parecia ser simpática, mas que estava vermelha de fúria.
-Vai pra lá. Depois falo com você. –Eric sussurrou para mim. Voltei para o lado de Duda, que me olhou confusa.
Observamos Eric limpar a sujeira enquanto bebíamos um drink qualquer. O sininho da porta retiniu. Olhei para os recém-chegados. Achei que fossem um casal, até que os reconheci.
-Rafa! Eu não acredito! A quanto tempo!
Conversei com Vicky por um tempo no nosso dormitório, e ela sugeriu irmos a um pub que ela conhecia. Eu estava mais do que com vontade de beber alguma coisa e talvez fumar um cigarro, mas estranhei a ideia de ir tão cedo. De qualquer modo, concordei porque não tinha nada melhor para fazer e porque eu realmente queria conhecer gente nova.
Enquanto andávamos pelo campus, eu falei bastante sobre todos os tipos de coisa, enquanto Vicky concordava e fazia comentários curtos. Eu tive a impressão de estar irritando ela, então fiquei meio calada por um tempo, mas como o silencio prevalecia eu recomecei a falar. Vicky me pareceu o tipo de pessoa que sai com o novato mas não está realmente com vontade de fazer amizade com ele. Infelizmente para ela, eu decidi não desistir até conquistar a amizade a confiança dela.
Ao chegarmos no bar, porém, eu entendi a insistência em chegar ali tão cedo. Logo na entrada um garçom muito bonito a agarrou, e eu fiquei ali olhando com cara de pastel. O chefe do rapaz, que aparentemente chamava-se Eric, finalmente deu um sermão nos dois e Vicky voltou para perto de mim, sorrindo de orelha a orelha.
Aquilo me deixou meio chateada, mas eu tentei não ligar muito. “Quem era aquele?”, perguntei, fazendo o possível para parecer simpática depois dessa situação constrangedora. Pedimos um chopp cada uma e sentamos em uma mesa perto da janela, e eu fiquei virada para a porta para ver se por algum milagre algum conhecido aparecia para que eu pudesse conversar, o que de fato aconteceu - mas era conhecida de Vicky, não minha.
John e eu ainda nos recuperávamos das risadas quando entramos no tal pub, era um lugar aconchegante e tocava musicas ótimas.
Caminhamos alguns passos em direção ao balcão quando uma voz chama meu nome. Imediatamente me viro dando de cara com aquele rostinho sorridente com óculos absolutamente grandes e cabelos volumosos.
Eu sabia quem era, era nada mais nada menos que:
- Vicky! - puxei John pelo braço para irmos cumprimenta-la.
Ela levantou-se e nos abraçamos afetuosamente dando leves gritinhos de saudade.
- Você não mudou nada! - Ela observou olhando minhas vestimentas e analisando meus cabelos.
Depois de John cuprimenta-la, Vicky mostrou a moça loira que acompanhava-a, apresentou-a como Duda apenas.
Pude sentir John me beliscar de leve, sinal de que estava bobo pela loira falante me fazendo rir.
Deixamos-as ali garantindo que voltaríamos logo e fomos até o balcão a procura de um gerente para se informar sobre o emprego.
- Você viu aquela loirinha? - comentou logo que nos afastamos e sorriu daquela maneira Lennon me fazendo dar um tapa de leve em seu braço. Logo um homem simpático nos atendeu já mostrando certa amizade com John, já que sabia o nome do mesmo de cór.
Ambos conversaram enquanto John tentava fazer o homem me contratar, aquele papinho "camarada" de Lennon.
Depois da longa conversa o moço olhou para mim e com um belo sorriso disse que eu poderia começar amanhã o que trouxe absoluta euforia para mim e John.
Voltamos novamente para a mesa, vendo que Vicky e Duda pareciam um pouco quietas, puxei assunto e ficamos por um longo tempo relembrando os velhos tempos enquanto John lançava inúmeras piscadas a Duda que parecia meio que não gostar muito.















