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@leocunningham
May I help you, child? | Delilah + Leo
Leo terminou a última aula da semana 10 minutos antes do horário normal. Não tinha muito mais o que falar e duvidava que as crianças fossem aprender mais do que já tinha aprendido para o momento. Além disso, o bruxo precisava escrever algumas cartas com urgência naquele dia, queria enviá-las antes do final-de-semana se iniciar, então todo tempo seria precioso e bem utilizado.
O professor até preparou uma pequena lista mental. A ordem seria aleatória, conforme sua inspiração fosse lhe trazendo as letras, mas Cunningham sabia que precisava escrever algo para: 1) sua mãe adotiva, que encrenca muito com o homem quando não recebe notícias regularmente; 2) para Margot, uma antiga namorada com quem mantém contato; 3) para um amigo bruxo dos tempos em que foi aluno em Hogwarts, com o qual compartilha conhecimentos toda vez que está escrevendo sobre feitiços e; por fim, 4) para alguns "fãs" que sempre enviam corujas para o escritor, pedindo orientações, ensinamentos, dentre outras coisas. Leo não se agrada muito do termo "fã" - imaturo demais para seu gosto -, mas se até mesmo eles se denominam assim, então que seja.
Ele havia iniciado a carta para Reinhard, seu amigo, quando checou o relógio à sua frente. Ao lado do aparelho antigo e barulhento, tic-tac, tic-tac, havia uma fotografia de sua família trouxa: Lysa sorria com olhos amorosos, como de costume, do lado do pai e do irmão adotivos de Leo. Cunnigham evitava olhar para aquela foto por muito tempo, porque não gostava de ficar muito sentimental e neste início de noite não foi diferente. Ele desviou o olhar do porta-retrato para o relógio e semicerrou os olhos quando se recordou de súbito de um apontamento que marcou para aquele dia e horário.
Delilah Leatherby era a pessoa que Cunningham esperava, uma setimanista de olhos grandes que vinha tendo dificuldades em sua matéria. Leo atendeu a recomendações ao chamá-la em sua sala para uma conversa. Ele tinha ouvido falar na sala dos professores, em uma reunião informal na qual falaram sobre a moça Delilah - uma espécie de cobrança velada, foi o que o homem supôs -, que era isso que Filius faria. E, bom, foi isso que o substituto fez. Era novato e obedeceria as regras. Ao menos no início.
Ele esperou a aula com a classe de Delilah terminar e chamou a aluna até sua mesa. Sem muitas explicações, pediu que ela comparecesse em sua sala após o término de todas as aulas daquela semana e nada mais. Só isso. Será que viria? Cunningham não conhecia a moça muito bem, mas tinha a impressão de que sim, ela viria.
Enquanto esperava, era melhor voltar para suas cartas, por isso abaixou novamente os olhos para o papel e retomou a escrita.
Hey! Teacher! Leave us kids alone! || Astrid + Leo
Estar atrasada não era exatamente uma situação rara na vida de Astrid Villeneuve. A moça era uma daquelas pessoas que odiavam acordar cedo e faziam de tudo para que não o fizessem. Assim sendo, era comum a francesa acordar dois minutos antes da primeira aula começar e ter que sair correndo enquanto dava o nó da gravata e empurrava um pouco de café para dentro. Aliás, algumas vezes, aquela situação ocorria para que ela conseguisse chegar a tempo para a segunda aula. Mas isso é outra história.
Naquela manhã de quarta-feira, a coisa não foi muito diferente. Astrid até que acordara cedo, - ou pelo menos o que ela considerava ser cedo - mas acabara voltando a dormir, a saia, uma meia e a camisa do uniforme já vestidas. Quando acordou, se deu conta do quão atrasada estava e teve de se apressar para terminar de se vestir a tempo. Infelizmente ela não sabia onde seus benditos sapatos estavam. Quando finalmente os achou, enfiou a gravata pré-amarrada no pescoço e saiu correndo do quarto enquanto enfiava as vestes e tentava segurar os livros ao mesmo tempo.
Infelizmente, o novo professor de feitiços não parecia gostar tanto dela quanto Flitwick. O antigo sempre fazia vista grossa para os atrasos da moça. No máximo, tirava alguns poucos pontos da casa de Astrid. O Sr. Cunningham não era tão amável, entretanto. Só tivera uma vez antes daquela manhã que ela chegara atrasada na aula de feitiços. E Cunningham quase a fizera chorar. Astrid Villeneuve detestava parecer vulnerável então definitivamente não queria passar por aquilo de novo.
Ofegante, Astrid entrou na sala de aula incoscientemente murmurando pedidos de desculpa em francês. Quando estava nervosa, ela costumava esquecer que ali não era seu país natal e que as pessoas costumavam falar outra língua ali. Deixou os livros sobre a bancada tentando não fazer barulho e tomou seu lugar. Talvez Leo Cunningham não percebesse que ela estava mais de sete minutos atrasada.
Leo Cunningham é um homem de hábitos noturnos. Gosta de escrever de madrugada, ler de madrugada e, agora que está lecionando na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, corrigir suas provas e trabalhos de madrugada. A quantidade de café que o homem ingere é absurda (hábito este que aprendeu com seu pai adotivo), por isso, quando o sol finalmente desponta no leste colocando fim à noite, Leo está alerta e pronto para trabalhar. Suas aulas costumam ser densas e objetivas e, rigoroso como é com os alunos de raciocínio limitado, não é raro que deixe escapar uma grosseria ou outra. Talvez seja o sono represado, em decorrência do café, que faça o homem ter uma dose clássica de mau-humor pela manhã, não se sabe, mas eu não esperaria por muita compreensão e paciência da parte dele se fosse um de seus alunos em Feitiços. Não mesmo. Pobrezinhos.
Aquela manhã de quarta-feira nasceu depois de uma madrugada na qual Leo passara lendo um livro que a Sra. Turner enviou para ele por correio. Era de um escritor escocês e, enquanto prosseguia na leitura, Cunningham tentou entender por que raios Lysa achou que ele gostaria daquilo; o conteúdo era simplório demais e um pouco inocente, Leo diria, no que se diz dos temas políticos que aborda. Talvez seja a idade que está chegando para ela, pobre Lysa, cada vez mais velha e de raciocínio lento. Mas, bom, ao menos os presentes de Lysa são melhores do que os de William. Melhor nem comentar sobre isso agora.
Ele saiu para a aula com os olhos ligeiramente avermelhados. Estava com sono, porém bastante desperto, então conseguiria ensinar os alunos sem muitos prejuízos. Dormir não é algo que Leo faça muito, sua mente não precisa do sono como as mentes ordinárias das outras pessoas.
O conteúdo da aula era uma leitura de dois capítulos de Achievements in Charming com os comentários de Leo, que eram sempre muito pontuais. Ele procurava deixar a matéria um pouco mais prática e menos teórica, achava que aprofundar-se na teoria é um privilégio de poucos. Nem todo mundo tem a paciência e capacidade para isso.
Enquanto falava sobre o Aguamenti, contando um caso qualquer de sua época de escola, uma aluna surgiu na porta parecendo um tanto quanto embolada. Se ela estava nervosa ou não, Leo não se importava, especialmente porque não era uma novidade que ela, Astrid Villeneuve ("a francesinha do 7th Year" é como se refere a ela em seus pensamentos) chegasse atrasada em sua classe.
-- Mademoiselle Villeneuve! O professor interrompeu o que falava e, com os olhos claros erguidos para ela, foi seguindo a figura da moça enquanto ela caminhava até sua carteira. -- Fico contente por ter conseguido comparecer à aula... Peço sinceras desculpas por ter começado sem a senhorita. Ele ergueu o queixo no fim, estava obviamente sendo irônico.
Já pegou uma aluna?
"Pegou"... Precisei me esforçar para entender o que isso significa.
Não. Eu sou um profissional. Não estou aqui para me divertir com os alunos. E, supondo que você seja um deles, já aviso que deve melhorar esse seu vocabulário antes de dirigir a palavra a um mestre.
Leo Benedict Cunningham | Former Slytherin | Pureblood
"Was a long and dark december when the banks became cathedrals and the Fox became God."
Nacionalidade: Inglesa.
Varinha: Pêlo de mantícora, purple heart, trinta e oito centímetros, inflexível.
Patrono: Raposa prateada.
Ocupação: Professor de Feitiços.
History
O casamento de Acrux Cunningham e Alcyone Martin não fora nada menos do que esperado. Combinado desde que ambos eram apenas jovens, o matrimônio foi oficializado poucos meses depois que deixaram Hogwarts. A cerimônia fora espetacular e tentava, ao máximo, esconder o fato que os noivos mal se conheciam. Mas isso não queria dizer que Alcyone não queria toda a atenção do marido para si, fato que ficou completamente claro tempos depois do casamento.
A Sra. Cunningham era uma daquelas mulheres que necessitavam, mais do que tudo, de olhares masculinos confirmando a beleza que sabia possuir. O único problema era o fato de Acrux não ser muito afetivo; ele era um gênio e passava grande parte do seu tempo debruçado sobre livros e se dedicando ao trabalho. Reservava um curto tempo para a esposa, mas nunca parecia ser suficiente.
E as coisas só pioraram depois do nascimento do filho do casal, Leo. Com os olhos azuis da mãe e o cabelo escuro do pai, o bebê logo passou a ser a prioridade de Acrux, para o desespero de Alcyone. A mãe de Leo passou a ver toda a pouca atenção que seu marido direcionava a ela ser destinada ao filho. E esse fato certamente não fora visto com bons olhos pela mulher, tanto que descontou sua frustração no bebê recém-nascido.
Com o passar do tempo, o rancor que guardava do filho só piorou. A medida que o menino crescia as agressões verbais de Alcyone pioravam, chegando até ao lado físico da coisa. Em alguns momentos, a mãe não se fazia de rogada e batia no próprio filho sem um pingo de culpa. O menino estava sempre com hematomas e feridas, fato que o pai não percebia já que estava sempre com a cabeça no trabalho.
Mas, quase na véspera do terceiro natal de Leo, ele finalmente percebeu. Ou melhor, presenciou a esposa ferindo o filho com pontas de cigarro. Aquilo mexeu com Acrux. Apesar da ausência, tanto como pai e marido, ele amava Leo mais do que tudo e ver o menino ser torturado dessa forma fez com que ele percebesse que não estava protegendo o filho da forma que devia. Naquele dia, Acrux salvou Leo das garras de Alcyone, mesmo sabendo que aquilo não acabaria naquele momento.
Em cada minuto que passava longe de casa, a situação de Leo ficava martelando em sua cabeça. Acrux não conseguia mais se concentrar em nada, não conseguia realizar seu trabalho ou seus estudos. E a pior parte era que também não conseguia ajudar o seu filho. A situação toda acabou mexendo com a saúde mental do bruxo. Acrux Cunningham, em um certo ponto, literalmente surtou.
Ao chegar de noite dentro de casa, foi em direção a Alcyone e, sem pensar duas vezes, utilizou o Avada Kedavra para matar a esposa. A morte de Alcyone Cunningham chocou parte da comunidade bruxa. Quando ficou provado de qual varinha o feitiço viera, a situação só piorou. Acrux fora mandado para Azkaban e Leo ficou sob cuidado do ministério.
Marienne, uma funcionária, acabou se apegando ao menino. Ela tinha uma irmã, Lysa, que era um aborto e sempre sonhara em ter um filho bruxo. Mas acabara se casando com um trouxa e o único filho do casal, Alex, não possuía uma gota de magia no seu sangue. Marienne acabou recebendo autorização para criar o menino e ele fora entregado a Lysa Turner sem que os Cunningham soubessem.
E, assim, Leo foi parar em uma família praticamente trouxa. Lysa nunca escondeu do menino de onde ele viera e a importância que seu verdadeiro sobrenome possuía no mundo mágico. E o menino cresceu sabendo que ele era alguém dentro da comunidade bruxo, ao contrário do irmão, William. Irmão esse, aliás, que o rapazinho fazia questão de humilhar mostrando ter mágica correndo no sangue.
Quando completou onze anos, sua carta de Hogwarts chegou. Lysa ficou toda orgulhosa ao ver seu filhinho ser mandado para a escola que ela, ao contrário da irmã, nunca teve a chance de frequentar. Ser colocado na Slytherin também não fora nenhuma surpresa já que, como a mãe adotiva sempre falara, todos os Cunningham iam para aquela casa.
Durante seus sete anos no castelo, Leo mostrou ser um bruxo tão brilhante quanto Acrux. Era fantástico em todas as matérias, e se identificava especialmente com Defense Against the Dark Arts. Todavia, receoso devido ao histórico de seu pai, Leo não queria se manter perto de nada que pudesse remeter às trevas. Apaixonado pelos livros assim como Acrux, o homem acabou se especializando em Feitiços e não demorou muito tempo para se tornar um dos principais escritores do assunto. Por necessidade, veio a se tornar professor da matéria em Hogwarts a pedido de Dumbledore, que precisou substituir o então professor Filius Flitwick.
Personality
Leo até poderia ter se tornado um cara legal e amável. Se não fosse pelo sua história de vida e influência dos seus pais. De Alcyone, herdou um humor sarcástico e a necessidade - apesar de jurar não ser assim - de atenção. De Acrux, por outro lado, herdou, obviamente, a inteligência impressionante e a paciência curta. Leo é uma daquelas pessoas que não têm paciência para pessoas que não acompanham o seu raciocínio. Por esse motivo, não é raro ver o professor sendo rude com seus alunos.
Apesar de tentar se manter longe, Leo tem uma fixação pela magia negra. Coisa que, por Lysa, tenta manter longe de sua mente. Ao contrário da grande maioria do Cunningham, cresceu em uma família trouxa. E, apesar de fingir desprezar tudo aquilo, Leo ama Lysa e os Turner. Ele não pode imaginar um mundo em que teria que matar a sua mãe. Afinal, já perdera uma e definitivamente não iria perder outra.
Player: Lay.