A ida...
Lembrar daquilo tudo, lembrar daquele dia - raiva, tristeza, vergonha, medo - são os sentimentos que essa lembrança me trás.
Você já foi capaz de me ensinar tanto na vida, eu fui tão grata por ter tido você como minha mãe, pq até meus 15 anos, você foi tudo o que eu tinha. E eu também eu era tudo o que você tinha. Nós tínhamos uma a outra.
Namorados, diversão, conversas, éramos amigas. Tudo quebrou.
Primeira vez: 14 para 15 anos, você mexe no meu celular. Lê um SMS, de uma pessoa -amiga- virtual. Entende como quer, acha que eu tinha um caso com ela. Mãe, aquela você errou!
Primeiro alicerce nosso se quebra - sinto que eu nunca seria aceita.
Passaram-se os anos. Vieram os danos.
Namorados, diversão, ele me traiu - paciência. Vocês mantém a amizade - parece normal.
Começa uma desconfiança maior. Paciência - não demonstro nada dentro de casa - pelo menos acho que não.
Passaram-se mais uns anos, outro namorado. Tudo ia bem, até que eu venho pra Campinas.
Nosso alicerce aqui - que alicerce? - você quer invadir tudo, quer ter controle de tudo (como sempre). Há lacunas em muitas coisas aqui.
Eu me mudo, mas não posso fazer nada aqui em Campinas sem sua permissão.
Você mexe na minha mochila, várias cartas de uma menina - com tudo explicito - você surta, não fala comigo por um tempo.
Me assumo - como se eu precisasse de um atestado de legalização sobre ser quem eu sou.
Namoradas, silêncio, limitações, barreiras. - aqui muito do que já construímos, começa a cair.
Nunca conversamos sobre elas, nas pequenas tentativas, nunca foi leve - então melhor que não seja.
Casamento, não se fala sobre isso - destruição do SEU sonho.
Divergência - briga - confusão - soco.
Caralho! Que dor tremenda você me causou, mãe!
Não supri nenhuma expectativa - mais uma vez.
Não correspondi com o esperado - mais uma vez.
Decido viver minha vida - silêncio, ausência, alicerce no chão.
Há coisas que não serão reconstruídas. Esse era o momento de eu mostrar que eu cresci, que eu venci. Passei a porra de um mês dentro da sua casa, te mostrei que dou conta. Que sei ser adulta - mas não pra você!
Fui para escrever uma nova história. Escrevi um livro de terror que toda hora as linhas voltam na minha cabeça, ficam dando voltas, você não tem ideia do inferno que tá morar aqui dentro da minha cabeça. Você não tem ideia do duplex de insatisfação que você me deixa sentir quando fala: de todas as minhas decepções você é a maior.
VAI SE FUDER, CARALHO!
Eu não sou algo que você pode controlar - me liberta! Me deixa ser livre!
Qual seu problema? Porque precisa ser COMO VOCÊ QUER SEMPRE?
Eu não aguento mais lidar com você dentro da minha cabeça. Se você só sabe ser minha mãe quando eu supro suas expectativas - lute!
Porque continuarei sendo sua filha suprindo as minhas expectativas - que são altas, são fodas e são SÓ MINHAS!
Eu preciso ser livre disso. Não dá mais pra mim. Cansei. Estou exausta! Você passou de todos os limites porque não tem controle de quem você é!
Pra mim chega!
E quanto ao meu pai, quando chegar a hora dele saber, que ele saiba lidar com isso - e sei que saberá. Porque ao menos ele, ainda consigo ver que é meu amigo!
Hoje, você é minha mãe. E limite-se a isso! Não aguento mais tentar te colocar na minha vida na posição que já é sua, mas que nunca é suficiente pra você.
Então chega, pra mim chega! Eu tentei, fui além do meu limite, e sei que você também. Obrigada por isso, mas por hora é o que temos!
Cansei!












