Não é mundo triste, você só precisa compaixão. Se o mundo é lindo como insistem em te dizer, por que você sente tão triste, tão só?
Tentamos a qualquer custo ser únicos. A sociedade em que estamos prestigia nossos títulos, certificados. Você é aquilo que um papel te diz ser. Suas qualidades são expressas a cada carga horária investida em um novo curso realizado. O que a gente não se dá conta é que, em essência, somos todos iguais. E conto um segredo: essa é a coisa mais linda.
Deixe cair suas máscaras. Deixe de ser formado em alguma área, estudioso ou curioso de outra. Deixe de lado todos os seus certificados e currículos. Quem é você?
Você é um Ser que passou por experiências. Você tem receios, inseguranças, fragilidades e vulnerabilidades. Você sente medo de não conseguir alcançar… algo que nem consegue definir bem o que é. Você tem desejo de abraços longos, de diálogos profundos, de carinhos. De uma boa companhia pra compartilhar momentos ou angústias da vida.
Mas te parece que ninguém mais é assim, receoso, inseguro, frágil. As pessoas estão felizes por todos os lados e você se sente solitariamente triste, como se fosse a única pessoa do mundo a não conseguir ser feliz. Você se sente ainda mais frágil.
Eu sei isso de você, eu também sou assim. Esse é o Eu que compartilhamos.
Por que será que somos seres adoradores da música? Por qual motivo adoramos as salas escuras do cinema, onde podemos rir ou chorar sem receio? Qual será a razão de buscar por filmes ou músicas quando estamos passando por sentimentos intensos?
Identificação é a resposta. Quando encontramos, através de letras de músicas ou encenações de personagens, nossos sentimentos, nos conectamos de maneira intensa. Quando vemos alguem chorando e nos permitimos olhar bem nos olhos dessa pessoa -através de uma tela de cinema ou na vida real- nos permitimos conectar à essência. Entendemos que aquele Ser possui dores, angústias e aflições assim como nós. Geramos compaixão.
E nesse encontro de EUs permitimos acessar o universal.
(De EUs
dEUs
Deus?)
Não, isso não quer dizer que está tudo bem você se sentir mal. Também não significa que você deve aceitar essa condição de sentimento como proposta de vida. A ideia é deixar de guardar nossas vulnerabilidades no quartinho dos fundos, à sete chaves, e compreender que esse quartinho de inseguranças também existe em cada outro que compartilha existencia conosco.
Atingindo essa compreensão nos identificamos, e dessa maneira somos capazes de ter compaixão. Trataremos com mais carinho, cuidado e atenção, construindo uma realidade de carinho, cuidado e atenção. Pros outros, pra nós. Pro universo.













