Às vezes, seguir pelo caminho certo dói.
Tenho só 20 anos, mas me descubro todos os dias.
Passei por duas graduações e descobri recentemente a profissão da minha vida. Vivi seis anos acreditando que era lésbica e enfrentando as consequências de viver uma vida sáfica, até que, no banco de um carro, em uma noite estrelada, ouvindo BK, descobri que talvez eu tivesse sido, esse tempo todo, uma mulher bissexual com medo de gostar de homens. (O que eu não posso negar que mexe um pouco com o meu ego por admitir que todas as pessoas que me relacionei estavam certas sobre o que eu realmente gostava).
Mas esse texto não é sobre a minha sexualidade. É sobre como tudo na vida muda.
Aos 15 anos, eu tinha certeza de que tinha encontrado o amor da minha vida. E, para falar a verdade, achei isso até pouco tempo atrás. (Mas não é sobre isso o texto)
Tudo muda. E, para falar a real, isso me assusta um pouco.
Existe algo estranho na complexidade de viver sendo uma pessoa que, daqui a alguns meses, talvez já não exista mais. Não porque morremos, mas porque mudamos. Porque uma nova versão de nós ocupa o lugar da anterior.
Mas seguir esse caminho dói só porque ele é o certo? Ou dói porque acreditamos que ele é o certo? E, afinal, por que crescer precisa doer?
São perguntas que me faço quase todos os dias. E, às vezes, o que mais me decepciona são as respostas que eu mesma encontro.
Criamos expectativas sobre pessoas, sobre o futuro e, muitas vezes, sobre nós mesmos. Construímos versões imaginárias da vida e sofremos quando a realidade decide seguir outro caminho.
Talvez seja por isso que sentir demais, às vezes, pareça um peso.
Mas viver deixa de ser pesado quando aceitamos que nunca seremos os mesmos de ontem. Quando entendemos que evoluir também significa perder versões de nós que um dia juramos que seriam permanentes.
No fim, talvez a dor não esteja na mudança. Talvez esteja na resistência em aceitar que mudar sempre fez parte de viver.