“mas daí trazer as kardashian pra jogo é injusto, quando algum de nós vai conseguir ser rico daquele jeito?” argumentou em indignação; o que era verdade, a riqueza alheia era quase fantasiosa no patamar de lincoln. “melhor do que ficar aí na friendzone e ser chamado de chato.” abriu um sorrisinho para acentuar suas palavras quando o olhou por cima do ombro. “quem é a garota, aliás?” por fim, ao terminar de trocar a válvula, ergueu-se de onde estava e foi alongar os braços que já estavam doloridos. “eu tenho vinte e três.” encolheu os ombros na defensiva; era uma ótima idade para sair com amelia. “foi na casa dela que eu tirei a camisa, cara, não sou nem doido.” dizia e, prontamente começou a recolher suas ferramentas para guardar na caixa, fazendo uma careta com o comentário. “claro que não, ela que perde, mas acho que deve ter outro em jogo, é o único jeito de alguém recusar me pegar.” estava brincando, na verdade; claro que tinha o ego grande, mas não tanto naquele ponto, apesar de esperar mesmo que amelia estivesse a fim de outra pessoa para que seu ego não saísse tão ferido. “nossa, deve ganhar mó grana ser coach, será que não?” enquanto falava, já testava a torneira para ver se ela estava em perfeitas condições, estreitando os olhos em descrença. “você não acredita de verdade nisso, né? diz que não.” o deboche estava evidente, e lincoln se aproximou para se jogar folgadamente na cadeira próxima quando tudo estava consertado. “mas, tudo ok agora, tô cansado, bem que podia pegar algo pra eu beber, né?”
“Que mentalidade é essa, mano? Tem de pensar que a luta é grande e a derrota quase certa, mas tem umas vitórias no meio. Não vai ser bilionário, mas pelo menos fazer o pé de meia, né não?” Só um iate já estava de bom tamanho para si. Nem queria tanto assim, não é? “Pelo menos a friendzone tem um lado bom, ninguém pode te talaricar, mas tu pode ser o talarico dos outros.” Depois de algumas vezes sendo talaricado — duas, na verdade — Lewis acabara sustentando a filosofia de que aquilo era apenas o ciclo da vida: todo mundo foi feito para, eventualmente, ficar com todo mundo e tudo bem, sabe? Perder a amizade é que ele não iria. “Foi a Sarah. É uma colega da faculdade, mas desencanei também.” Era só virar a chavinha. “Pera... Tu foi na casa dela tirar a camisa pra ela?!” A voz ficara mais estridente ao findar da fala. “Mano que fita braba é essa? Do nada, pa pum, tira a roupa. Maluco, já vi de tudo, mas essa é a primeira.” Acabara por emitir uma risada ao findar da própria fala. “De roxa, né, cara?” A professora de dança do estudante certamente não estaria solteira àquela altura sendo quem era. Baixou os olhos pares ao celular, momentaneamente entretido com as notificações que chegavam. “Coach da dinheiro pra carai, na real. Se tu fizer, arranca uma boa grana.” Observou o teste da torneiro com os olhos semicerrados. “Lógico, pô. Casamento é bênção do capeta, se tu acreditar nele.” Diversos problemas com relações amorosas depois e o ser humano chegava àquela conclusão. “E sou teu empregado, é? A geladeira ali, mano. A casa nem é minha pra tu pedir. Pode pegar, pô.”