Luca se ajeitou na poltrona de forma desconfortável. O olhar lançado por Mina lhe indicava que não deveria estar ali e aquilo de certo machucava. Porque lhe mostrava que talvez jamais tivesse a oportunidade de concertar o erro, não deveria ter colocado a amizade em risco por ímpeto em beija-la, por mais que seu corpo clamasse por aquilo. Assentiu positivamente a pergunta. “Ela quem me convidou! Enviei uma carta depois da notícia do Jornal…” tratou de explicar rapidamente, não queria passar uma má impressão de que estaria se aproveitando da amabilidade da mais velha para tentar uma proximidade. Queria realmente descobrir mais sobre sua mãe ou o pergaminho. “Mas se te incomodar… eu não sabia que estaria aqui!” admitiu enquanto fazia sinal para a porta indicando que poderia ir embora. Queria que Isabel tivesse contado por cartas, mas segundo ela era uma conversa para ser feita pessoalmente. Suas mãos suaram e somente quando a viu se reaproximar esforçou-se por disfarçar o embaraço. “Ah obrigada!” agradeceu pelo chá pegando a xícara fumegante e assoprando “Eu prometi que ainda passaria no meu pai, não posso ficar muito…” aquela era uma grande mentira, mas dado as circunstâncias serviria. levou o líquido aos lábios bebendo em longos goles. “Eu não sabia que você e minha mãe eram amigas. Mas também, eu nem sabia que Iris era minha mãe!” seus olhos se arregalaram um pouco em ênfase e retraiu os ombros. Veja bem, Luca não era uma pessoa tímida nem de longe, mas aquela situação toda era confusa demais. “Eu achei um pergaminho atrás da foto na sala de troféus, de vocês duas… A Mina me ajudou a descobrir que era aritmancia…” quando se deu conta que poderia estar falando demais concertou em prontidão. “Na aula, nos escrevemos na eletiva mas sou péssimo! Não é Mina?” tentou pedir ajuda, mas se arrependendo em instantes. @liemina
Talvez estivesse sendo radical demais, porém a verdade é que lhe inquietava ver Luca tão cedo depois do beijo e das coisas que lhe foi dita na enfermaria enquanto fingia estar dormindo. Não daria indicações de que a verdade é que tinha estado acordada, não sabia ao certo como agir diante de tal situação. Estava nervosa, sentia-se culpada por não ter sido forte o suficiente para ocultar e abafar seus sentimentos naqueles poucos dias após o momento na sala dos quadros. Incomodava? Sim. Porém não tinha intenção de espantar-lhe. Se sua mãe convidou-lhe, não seria ela a ser mal educada e fazer algo para que Luca fosse embora. Isso não a impedia de continuar sentada de maneira rígida no sofá, forçando um sorriso quando sua mãe se aproximou. “Mas você não ia ficar para o jantar, amor? Tenho certeza que seu pai pode esperar um pouquinho mais, faz tempo que não vem aqui. Faz tempo que os dois não vem aqui.” Isabel reclamou, olhando para a filha. Mina tinha evitado ir para casa nos últimos tempos pois por estar vasculhando o passado, era complicado ficar na presença dos pais sem dizer a verdade. Para crédito da espanhola, ela ainda pareceu um pouco sem graça de ter aquele segredo e sequer mencionar um momento enquanto os dois namoravam. Mina recordava das perguntas da mãe e da forma como ela sempre parecia querer saber mais de Luca, como a mulher ficou triste com o término deles e como, ainda hoje, buscava sempre perguntar ainda sobre a amizade dos dois. Agora fazia sentido. “Sim, você é.” concordou prontamente antes que Gianluca abrisse a boca para despejar sobre os pertences de Abraham ou porquê estavam os dois procurando aqueles assuntos. “Mina!” sua mãe repreendeu. A loirinha apenas ofereceu um sorriso para o italiano antes de tomar um pouco de seu chá. “Eu não estou mentindo. Mas apesar de ser péssimo agora, eu tenho certeza que no fim da eletiva vai ser um dos melhores.” declarou para corrigir a provocação anterior. Tudo no que Luca se esforçava, afinal, ele acabava conseguindo desenrolar bem. Não seria diferente com aritmancia, Mina tinha certeza. “Você sabia que sua amiga era mãe de Luca.” acusou sem hesitar, mas a voz não tinha julgamento algum, apenas curiosidade. “Não era interesse apenas por ele ser meu namorado ou meu amigo quando fazia todas as perguntas, não é? Você sabia, de alguma forma. Por que nunca disse nada, mama?” indagou confusa.