prongspoter:
James comprimiu os lábios contendo um ligeiro sorriso zombeteiro. Embora não tivesse conseguido convencê-la a dar-lhe a mão, ao menos não recebera um fora completo como de costume. Assim, embora tivesse se movido em direção a saída, ao invés de ir esperá-la no corredor resolvera botar em prática o que, à princípio, era seu principal objetivo ao participar daquelas reuniões. Lilian mantinha a atenção de Slughorn ao mesmo tempo que atraía o olhar desolado de Snape, o que dava ao Potter liberdade para esgueirar-se em direção ao estoque do professor. Sua intenção não era adentra-lo naquele instante, mas averiguar que proteções o mantinham seguro. Com a varinha em punho murmurou uma série de feitiços que vinha estudando mais a fundo na tentativa de identificar o que protegeria a porta, estendeu-se em tal função por alguns minutos antes de finalmente dar-se por satisfeito. Podia, é claro, encomendar as ervas que precisava, entretanto, por motivos que lhe fugiam a compreensão, o uso de parte delas precisava ser justificado e a última coisa que o grifano pretendia fazer era dar explicações que expusessem Remus, assim restava-lhe abusar da boa fé de Horácio Slughorn.
Ao voltar a esgueirar-se entre os demais percebeu que Snape o encarava e lançou a ele uma piscadela pois sabia que o tiraria do sério. Uma risada breve escapou aos lábios do Potter no instante em que alcançara o corredor então vazio. Ele apalpava os bolsos do casaco, para garantir que tinha consigo todos os seus pertences, quando Lilian finalmente apareceu. “Já estava começando a ficar desolado pensando que você partiria meu pobre coração me dando bolo.” disse em tom jocoso corroborado por um sorriso largo que suavizava suas feições. Ao ouvir o questionamento alheio suas feições se tornaram mais sérias, solenes. “Bom, Lilian Evans, estou a um instante de compartilhar com você o meu maior segredo e espero que possa contar com sua discrição.” sabia, obviamente, que se colocava em risco ao mostrar a ela o que lhe auxiliava a andar pelos corredores do castelo, entretanto, covardia não era sua vibe. James aproximou-se, fitando-a nos olhos, e com gentileza envolveu seu pulso com sua mão direita para que pudesse guiá-la até a parte mais escura do corredor onde não seriam vistos. Com alguns movimentos ágeis retirou a capa de dentro o bolso do casaco e a envolveu por cima de ambos. “Nós precisamos andar perto, bastante, você pode segurar na parte de trás do meu casaco quando eu virar, se quiser.” murmurou, naquele instante em que estavam tão próximos que se tornava impossível não inebriar-se com o cheiro floral de seus cabelos. Com algum esforço James virou-se para a frente, para que pudesse guiar o caminho. “Nós não seremos vistos, mas ainda podemos ser ouvidos.” completou antes de colocar-se em movimento. Por mais longínquo que fosse o caminho entre as masmorras e a torre de astronomia conhecia boa parte dos atalhos do castelo sem sequer precisar do mapa do maroto para auxiliá-lo, embora, o mapa fizesse falta para que checasse quem poderiam encontrar pelo caminho. Naquele instante, caminhando pelo castelo quase completamente deserto, sentia suas veias serem tomadas pela adrenalina de estar fazendo algo que não deveria, o receio de ser descoberto fazia constantemente que se sentisse mais vivo e foi com essa emoção no peito que finalmente chegara ao destino de ambos. Logo retirou a capa trazendo a luz uma Lilian ligeiramente descabela e absurdamente bonita. “De zero a dez o quanto odiou o passeio?” questionou, fitando-a enquanto guardava a capa dentro do bolso do casaco. James caminhou pelo espaço vazio da torre indo sentar-se próximo as ameias de onde teriam uma melhor visão das estrelas. De dentro do bolso do casaco retirou o cantil abastecido com uísque de fogo e duas taças que furtara do evento de Slughorn. “Uma taça pelos seus pensamentos.” disse enquanto as enchia e empurrava em direção a ruiva.
Esgueirou-se para fora da sala com muito sacrifício para se esconder dos olhares alheios, ainda mais das lamentações de Slughorn diante de sua partida repentina. Encontrou James parado do lado de fora com sua típica pose de garoto rebelde, distinguindo-se do semblante da ruiva que entregava a adrenalina que percorria por seu corpo ao acordar para o absurdo que estava prestes a cometer. A feição corada e a forma como respirava alto e profundamente, pausando suas falas para buscar fôlego, tornava fácil demais de decifrar seus sentimentos. “Ainda é uma possibilidade, não se empolgue tanto.” provocou ao cruzar os braços, encenando um falso desinteresse em suas palavras, ato cortado sob o brilho de seus olhos que faltavam soltar faíscas quando mencionou o que deveria ser o seu maior segredo, e James não brincava quando tratou daquilo com tamanha seriedade, o cair da capa sob ambos a fez perceber a grandiosidade daquilo que os cobria naquele instante, os olhos arregalados e a boca aberta formando um perfeito ‘O’ quase a fez gritar todos os questionamentos que percorria a sua mente naquele minuto, contudo, a rapidez das palavras de James foi capaz de contê-la. Ainda podemos ser ouvidos, seguiu ecoando em sua mente em uma repetição que não a permitia esquecer que sua boca deveria se manter fechada. O perfume de James e seus corpos próximo o suficiente para fazer com que cada passo em falso os fizesse cair daquelas escadas fora o suficiente para desfocar seus pensamentos das inúmeras perguntas que fazia para si mesma mentalmente, especialmente a maneira que sentia seu corpo arrepiar diante do choque que o percorria perante do toque alheio.
Ainda absorta em seus questionamentos, Lilian precisou balançar a cabeça em sinal negativo para voltar a órbita, um largo sorriso se formando em seus lábios ao que finalmente pode enxergar com clareza e sem mais preocupações onde haviam parado. Ela riu brevemente, recolhendo a taça entre os dedos. “Como conseguiu? Digo, é a capa da invisibilidade. Isso é... é incrível, James. Realmente é!” foi a primeira coisa que conseguiu dizer caminhando em direção a uma das janelas para que pudesse sentar-se em sua borda. Naquele instante um pensamento lhe ocorreu quase como um despertar, ela cerrou os olhos, franzindo os lábios para expelir o sorriso que insistia em liberar. “O quanto eu já fui despistada por seu segredinho, uh? Não é justo que tenha me deixado a um passo atrás com sua arma secreta.” brincou, finalmente elevando o copo até os lábios, a primeira golada a obrigando a fazer uma careta, fechando os olhos e colocando a língua para fora enquanto balançava a cabeça negativamente. “Já posso me arrepender?” questionou em meio a um riso arteiro, levando o corpo mais para o lado em um convite silencioso para que o garoto também se sentasse ali.


















