PADFOOT — diretamente de hogwarts, quem se aproxima é ele Sirius Orion Black. Formado na grifinória e graduado na rebeldia, dizem que o charme é seu ponto forte, mesmo que as vezes se mostre irresponsável demais . Seu status sanguíneo é puro, por mais traidor que seja. Ele se parece com Damiano David, mas provavelmente é só uma polissuco.
3 de novembro • Escorpião • Asc: Leão • Lua: Áries • Bissexual • Inglês • pobre • desempregado • ordem da fênix • freela de inominável (não legalizado)
— Personalidade:
"Sirius era um homem corajoso, inteligente e dinâmico, e homens assim em geral não se contentam em ficar escondidos em casa, sabendo que outros estão em perigo."
— Dados Mágicos:
Patrono: Sinistro • Animago (Cão) • Amortentia: wolfsbane, whisky de fogo e gasolina • Clube de Duelos • DCAT • Quidditch Commentator • Artilheiro
— História
Família: Pertence aos Black, puristas com envolvimento nas artes das trevas e comensais da morte. Sua infância foi até feliz apesar de odiar suas primas, mas na adolescência o ímpeto de se desprender dos abusos e amarras para lutar pelos ideais que acreditava foi mais forte. Afinal, tudo já tinha ficado mais difícil por se unir à sangues ruins e pertencer à grifinória. Renegou o purismo ferrenho fugindo aos dezesseis de casa, tendo apoio apenas de seu tio Alphard que misteriosamente foi assassinado anos depois de lhe emprestar dinheiro.
Casa do James: sem opção, foi acolhido pelos Potter aos dezesseis anos durante as férias.
Feitos Escolares e Formatura: detenções aos montes e um boletim chocante, afinal, não tinha as piores notas. Sua aptidão para feitiços, transfiguração e DCAT eram notáveis. Já as teóricas agradecia por ter amigos nerds. Seus NOMS indicavam que seria um bom auror, mas não conseguiu passar no treinamento do ministério, agindo contra os bruxos das trevas por conta própria. Por vezes era contratado por famílias desesperadas e tirava seu dinheiro disso e de James.
Prisão em Azkaban: após Pedro Pettigrew quebrar o fidelius que protegia os Potter e entregá-lo ao ministério como assassino foi preso por alguns anos, sendo solto somente com a ajuda dos amigos que provaram que Peter estava vivo. Porém os anos em cárcere o deixara deteriorado, mais fraco, com sequelas além da magrela e marcas de expressão criadas pelos beijos da morte. Seu psicológico também estava abalado e passou a ter crises.
Fatos Curiosos:
primeira vez que ele chorou foi quando sua boca mãe o trancafiou gritando sobre a imundície de trouxas e nascidos-trouxas.
Seu primeiro sinal de magia surgiu quando ele tinha apenas seis meses de idade. Monstro tentava fazer ele comer a papinha e revoltado fez a comida voar para todos lados.
Antes de ir para Hogwarts, o irmão de Sirius era seu melhor amigo. Quem lhe protegia dos abusos dos pais até se separarem ideologicamente.
Sirius teve sua moto após terminar o sétimo ano. usava para ajudar a ordem e tardem para fugir de policiais trouxas (com James geralmente)
Sirius foi classificado para a Grifinória após cerca de 3 segundos com o Chapéu Seletor em sua cabeça.
Em sua primeira noite no dormitório, ele manteve todos acordados a fim de se tornarem melhores amigos.
Sirius sempre foi magro porque ele odiava Monstro e ter que comer alimentos feitos por ele. Ele sempre teve, secretamente, medo de que o elfo tentaria envenená-lo por causa do ódio mútuo um pelo outro.
Suas comidas favoritas eram: carne assada com batatas, pão francês, muffins de abóbora e queijos. Doces: sapos de chocolate e Penas de Açucar (especialmente porque a forma como ele chupava as Penas em sala de aula, olhando para as garotas e garotos).
Bebidas: Suco de abóbora (naturalmente), o café e, claro, o indispensável whisky de fogo.
James e Sirius assediaram tanto Remo para largar de timidez que ele cansado aceitou ficar no grupo.
Sua professora favorita é Mcgonagall ou Minnie, sua figura materna.
Sirius deu seu primeiro beijo no primeiro ano, ou melhor, foi beijado por uma garota da corvinal.
Deu seu primeiro pt aos no fim do terceiro e perdeu virgindade com uma garota no quarto, recebendo sermões de Remus que não foi ouvido.
Possui o maior score de pegações em Hogwarts e conhece os lugares como sua mão, por isso o mapa do maroto.
No quinto ano se tornou animago para ajudar Lupin em seus ciclos lunares. Considera o maior feito de paciência ter ficado com a mandragora na boca.
Seu cabelo é sua beleza irresistível, nunca o vera cortá-lo demais. Aliás, ele tem um gênero não conformista na fase adulta.
Padrinho de Harry.
É apaixonado por Remus desde o quarto ano, mas nos anos escolares era difícil se entregar ao amor e esquecer a vida de piranha.
Possui uma harley davinson.
Quote: "Não sei como foi que fugi. Acho que a única razão por que nunca perdi o juízo é porque sabia que era inocente. Isto não era um pesamento feliz, então os dementadores não podiam sugá-lo de mim... mas serviu para me manter lúcido e consciente de quem eu era... me ajudou a conservar meus poderes... e quando tudo se tornava.... excessivo... eu conseguia me transformar na cela... virar cachorro."
“Caso tenha esquecido idosos vivem nessa casa.” pontuou um James que mantinha a varinha segura na mão esquerda enquanto descia as escadas. Pelas últimas horas estivera se dedicando a hobbies que não se permitia apreciar em seus meses em Hogwarts: literatura, poemas e poesias. O gosto por tais tópicos vinha da convivência com Euphemia que de longe era a pessoa mais culta que conhecia. Assim enquanto tentava escrever seus próprios poemas recebera o patrono de Sirius, e se não fosse pelo mesmo, tão entretido quanto se encontrava, não teria percebido que finalmente a maldita tempestade surgira no horizonte. “Oi, Sirius, como vai? É um prazer revê-lo.” cumprimentou com uma ligeiro sarcasmo, acompanhado de uma piscadela, enquanto desciam em direção a adega. “Pra falar a verdade não teria reparado na tempestade se não tivesse me avisado.” e nem era apenas porque se encontrava total e completamente imerso em seus hobbies, mas pelo isolamento acústico, que esquecia-se que existia, de seu quarto impedir que ouvisse qualquer coisa de fora daquelas paredes. Uma vez na adega, com a varinha em punho para iluminar o ambiente, James pegou a própria garrafa enquanto mentalmente repetia a frase a ser dita para que não esquecesse de uma só palavra. Acompanhou Sirius, que conhecia cada milímetro do ambiente, em direção ao jardins e espelhou os movimentos dele. Uma breve careta pontuou suas feições por conta do amargor da bebida que levava consigo a insuportável folha de mandrágora. “Você precisa repetir com firmeza, sem titubear, e dará tudo certo.” foi sua vez de repetir as palavras que conhecia de cor e salteado a plenos pulmões enquanto a chuva torrencial encharcava seu corpo. Conforme repetia um segundo batimento cardíaco fazia-se presente, em um compasso diferente do seu habitual, e uma dor fina espalhou-se por seu corpo a partir de sua coluna. Um ligeiro receio apoderou-se de sua mente por não saber o que o esperava, o que o fez olhar para Sirius. “Você está bem?” foi o questionamento que escapou por seus lábios antes de curvar-se para frente apoiando as mãos na grama ensopada.
Sirius escutou a advertência e como todos os avisos por ordem que recebia simplesmente o descartou. Não era adepto a seguir o que diziam, isto é, a não ser que se tratasse de diversão ou coisas deliberadamente rebeldes. Seu instinto natural era de oposição e liberdade, assim como o cão que em breve se transformaria. Mas havia mais uma coisa que o fazia se assemelhar aos caninos: a lealdade. Era ela que indiscutivelmente o levava na casa de James de forma tão abrupta, o desejo moral de apoiar aqueles que amava, como seus amigos. “James eu sei que sou uma figura indispensável na sua vida, mas não temos tempo para que proclame sua saudade!” Apesar de soar como uma piada, Sirius de fato tinha o ego fortalecido a este ponto quando se tratava de seu quarteto. Claro que seu signo contribui muito para seu egocentrismo, mas também havia a segurança de que não importava a distancia, tempo ou adversidades, sempre estariam ali uns para os outros. Diante disso, exibiu um curto sorriso, se aproximando do amigo e enlaçando seu braço na cintura dele, deixando que sua cabeça recostasse no ombro alheio por poucos segundos. “Deixe esses poemas caretas pra depois, Evans não vai te dar uma chance por eles.” o provocou enquanto seguiam para a adega. Assentiu positivamente quanto a chuva, talvez também não tivesse notado se não fosse a barraca de pano encharcada. (...)
Nos jardins a tempestade parecia aumentar. As gotículas batiam furiosamente contra sua pele, mas não era incomodo. Os cabelos logo colaram ao rosto e as roupas pesaram por estarem demasiadamente molhadas, mas a adrenalina que bombeava nas veias era responsável por aquecer o corpo. Ajoelhou-se na grama quando suas células passaram a responder a poção, causando uma dor excruciante como se seus ossos estivessem se transmutando. “Porra, Remus!” xingou o amigo mesmo ciente que ele não ouviria. Apesar da sensação da pele estar se esticando como uma goma de mascar, estava feliz por finalmente conseguir concluir a animagia. “Seria mais fácil sem esse gosto, caralho” reclamou para o Potter e decidido a firmar mais as palavras fez sinal para que ele também se ajoelhasse. Levou sua mão livre a dele, entrelaçando as palmas e os dedos em um sinal de conexão. Tinham decidido fazer aquilo junto e assim ofereciam força uns aos outros. “De novo” repetiu mais convicto sentindo aos poucos espasmos de seus músculos que se contraíram enquanto repetia o feitiço. “Não vamos parar” anunciou enquanto suas íris escuras focavam no rosto dele, puxando o ar para inflar os pulmões. A coragem grifana voltou a habitar o corpo do Black que fechou os olhos antes de repetir mais algumas vezes em coro com o melhor amigo. ““Amato Animo Animato Animagus”
Uma rajada de luz saiu de dentro de sua varinha, em um azul vibrando que rodopiava como os espirais de DNA. Penetraram seu peito onde o segundo coração passou a bater mais rápido. Sua mão falhou na tarefa de segurar a varinha, deixando que a mesma caísse com um baque surdo na grama. As unhas curtas aos poucos começaram a crescer fincando na terra molhada e sujando as pontas dos dedos. A outra permanecia entrelaçada à James até que lançasse seu último olhar humano ao melhor amigo, ao mesmo tempo que uma lágrima escorria pelo rosto alvo. Era um misto de júbilo por concluir a tarefa e também uma dor por sentir sua morfologia se transformar pela primeira vez. Aos poucos o contato foi se perdendo enquanto suas mãos se tornavam patas dianteiras, ao mesmo tempo que os chifres cresciam sobre a cabeça alheia. Rolando para o lado, a atitude consciente visava ter espaço para que finalizasse o processo pelo qual lutaram com afinco. Agora eram animagos.
Crack. O barulho da aparatação pode ser ouvido na mansão dos Potter, junto ao ranger as botas de couro ensopadas sobre o assoalho. “JAMES SEU PREGUIÇOSO, DESCE AGORA!” ordenou aos berros no andar debaixo, andando agitado pela sala de estar. Seu coração parecia que iria sair pela boca com aquela notícia. Se Merlim existia com certeza ele estava lhe mandando um sinal, tinha que ser naquele dia. “Você viu? A TEMPESTADE” anunciou indo até a janela e puxando a cortina. “FINALMENTE” comemorou animadamente, pois era isso que precisava para livar mais uma noite turbulenta. Lupin ficaria bem e ele poderia se sentir mais capaz de cuidar de alguém que tanto estava lhe fazendo bem naquelas férias. Seu peito se aquecia com aquela noticía, tanto que não esperou muito para puxar o melhor amigo pela mão descendo as escadas que levavam a adega. “Aonde deixamos os vidros mesmo?” perguntou enquanto iluminava o local com a ponta da varinha, o Lumus o fazendo enxergar os vários vinhos dispostos ali, até que dois líquidos avermelhados chamassem a atenção. “Vamos logo, antes que pare” indicou para o lado de fora tirando o seu, cujo as iniciais S.O.B estava marcada na tampa. Usando o alcapão de acesso foi para os jardins, esperando o amigo para que juntos abrissem o pote da poção. Bastava colher algumas gotas de chuva, beber o líquido e recitar as palavras. “Você se lembra do feitiço?” perguntou ao se dar conta que precisaria de ajuda para clarear a mente em meio a euforia. “Vamos no três então...” anunciou antes de puxar o ar, tirar a tampa e deixar que as gotículas molhassem o líquido viscoso, tornando a mistura homogenea. Levou próximo dos lábios enquanto a varinha apontava para o peito. “Um...” esperou que ele falasse o próximo número e com um aceno da cabeça em coro falaram o último. “Três!” bebericando em um gole só a bebida que desceu rasgando a garganta pela folha de mandrágora. Com a varinha colada ao peito começou a recitar “Amato Ani-mo Animato Animagus” @prongspoter
Depois dos acontecimentos da última noite de transformação com Remus, Sirius sabia que não poderia continuar assim. Sua cabeça rodopiava no travesseiro, incapaz de pregar os olhos apesar do cansaço. Ouvia os roncos baixos do amigo ao lado e aquilo talvez era a única coisa que lhe acalmava, somado ao barulho da chuva que caía fraca ao longe. Estava encolhido na barraca olhando para o teto até que os pingos se tornaram mais fortes, o obrigando a reforçar o feitiço de proteção para que não se molhassem. Aquele ato de atenção, que lhe tirou dos devaneios, foi o suficiente para dar um estalo em sua mente. “PORRA, uma tempestade!” soltou as palavras mais alto que deveria, os olhos negros focando no garoto que dormia rapidamente para ver se não havia o despertado da recuperação. Ao notar que não saiu da barraca um tanto animado, não ligando para como o corpo se tornava gelado ao pegar chuva.
Com a varinha ainda em mãos concentrou-se em pensar em uma memória feliz, lembrando-se da festa da grifinória em que James conseguiu a capitania do time, algumas semanas depois de começar as aulas após uma difícil temporada no Grimmauld Place. Foi naquele dia, com os amigos reunidos na frente da lareira bebendo, que ele soube que agora tinha uma nova família para toda vida e aquela tinha se tornado a fonte de seu Expecto Patronum. Um sinistro saiu da ponta da varinha reluzindo enquanto capturava suas palavras de aviso para o Potter. Logo o cão saltou no ar desaparecendo no horizonte.
Isso não está acontecendo. Deviam ter batido com a moto e ambos estavam entrando em alguma espécie de coma, isso explicaria muita coisa. Não fazia sentido Sirius aceitar sua aproximação tão suavemente, sem resistência alguma ou reflexos de brincadeira. Esperava que o amigo risse contra seus lábios e se afastasse, que soltasse palavras zombeteiras para que ambos caíssem na risada e Remus pudesse abafar o constrangimento. Mas não era isso que estava acontecendo. Sentiu a mão dele escorregando para segurar sua nuca e aqueles lábios se encaixando melhor nos seus. A carícia do nariz, a fumaça finalmente compartilhada mas a posição sendo retomada… nada fazia sentido. Mas quem era ele para reclamar? Estava provando mesmo que superficialmente os lábios de Sirius, sentindo o calor da proximidade que tinham, o peito dele contra o seu e os dígitos tocando a pele da parte de trás de seu pescoço. Ao afastar tão tranquilo, o sussurro não foi o suficiente para que abrisse os olhos. Muito pelo contrário. Lupin apenas soltou a fumaça, abrindo um pouquinho a boca e para deixar escapar enquanto suspirava levemente. A língua não tardou em umedecer o inferior, tentando capturar qualquer resquício que fosse do gosto alheio; mas aquele contato foi tão casto que não deu para nada. Aproveitando do fato de que Sirius não tinha afastado as mãos de si e que ele próprio ainda tocava-lhe a bochecha, Remus deixou que as pálpebras se levantassem para que fitasse o rosto bonito tão perto do seu. Não precisou de muito para esticar o pescoço e grudar de novo as bocas, dessa vez sem ter a desculpa da fumaça, apenas queria roubar um selinho demorado do garoto. Amigos podiam fazer isso sem ser estranho, não é? Mesmo que soubesse que não faria isso com Peter ou James, e ainda que tivesse certeza do que sentia pelo Black… podia facilmente culpar alguma brincadeira se o outro ficasse bravo. Não demorou-se em cessar o contato, o sorriso tímido sendo ofertado. “O lobo não vai deixar Padfoot fora de vista aqui nessa floresta estranha.” contou, além do fato de que a criatura certamente seria afetada pelos seus sentimentos aflorados.
Como Sirius amava beijar! Havia algo tão mágico naquela troca como o primeiro feitiço realizado por um bruxo e o Black sabia bem disso. O que ele desconhecia era o ato de se conectar a alguém para além das descargas hormonais e da eletricidade da adrenalina. Aquela estática que corria sua derme e lhe arrepiava os pelos do braço também ocorria na boca do estômago, dando-lhe um embrulho nada característico. Culpava o doce misturado a fumaça do cigarro inalada, mas não era apenas isso que desregulava os dois corações que pulsavam em seu peito, sendo um deles um longo processo criado em prol de Remus. A animagia era a primeira prova clara que tinha que se importava o suficiente com o outro, a segunda era a forma como tudo se encaixava melhor quando estavam juntos, até mesmo o beijo. O deslizar de sua língua não foi premeditado como em outras relações, era mais fluído e lento, como se não tivesse pressa alguma de experimentar aqueles lábios doces. O que era para ser um selinho por uma fração de segundos se tornou um enrolar das línguas e por que não dizer dos corpos? Pois não tardou para que Sirius aumentasse o domínio sobre o outro, envolvendo ambas mãos em seu pescoço e os antebraços acharam apoio nas costas alheias. Um muxoxo escapou quando as bocas se desgrudaram, mas replicou o ato de corresponder ao sorriso. “Veja só, estou diante de um lobo com coração! Pelo visto não é tão mau assim” debochou diante da brincadeira feita há minutos atrás.
[FLASH FOWARD: 1 WEEK LATER]
“Caralho, eu já disse que não vou fazer isso Remus, ponto final!” o garoto de cabelos negros cruzou os braços resignado. Se recusaria machucar ao outro, mesmo que soubesse que a lua cheia logo preencheria o céu. “Podemos achar outro lugar para se proteger, deve dar tempo. Tem que dar!” sua voz estava um décimo mais alta, indicando como estava descompensado de cogitar aquela ideia de prendê-lo. As mãos suavam enquanto vasculhava os bolsos a procura da varinha. Em meio a ansiedade e os últimos acontecimentos tinha se esquecido dela, porque a companhia alheia tinha sido boa o suficiente para que executar feitiços se tornasse um segundo plano. Isto é, exceto no fim daquela tarde. “Por que você tem que ser tão teimoso?” vociferou enquanto entrava na barraca, vasculhando as cobertas e bolsas puxando tudo para fora enquanto sentia o ar gélido do crepúsculo envolver seu corpo. “Mas que merda, me ajuda achar a porra da minha varinha. Vamos aparatar até acharmos uma cabana, é isso!” sugeriu como se aquele fosse o plano mais brilhante, mesmo que soubesse o quanto aquilo era arriscado. Poderia pisar em algum lugar ainda mais desprotegido e não sabia o quanto um protego conseguiria deter um lobisomem, sem mencionar que seria incapaz de lançar um feitiço ofensivo em Remus. Estava verdadeiramente fodido, mas o que mais o incomodava era ser incapaz de ajudar.
“A surpresa faz parte do método.” afirmou com convicção. Esfava satisfeito com o fato de conseguir deixá-lo sem palavras pelo menos uma vez, geralmente era Remus quem acabava gaguejando ou se atrapalhando sem proferir palavras. E o fato de ter sido com uma proximidade tão grande? Podia sentir seu coração acelerar só de lembrar. Mas focou no doce que escorria entre seus dedos antes que o bruxo aceitasse o mesmo, sorrindo levemente ao sentir os dentes mordiscando suas falanges distais. “Eu nem sei como lembrou de trazer comida.” confessou, não lhe poupando a risada. Uma das suas coisas favoritas, além do próprio garoto com o cabelo solto caindo na frente do rosto, era quando este prendia as madeixas com aquele coque desleixado. Ficava extremamente sexy e Lupin tinha uma certa dificuldade em se atentar a tudo o que vinha depois enquanto os fios escuros não caíssem da amarra improvisada. Por isso, por estar tão distraído, só cantarolou em concordância para a ideia alheia mal se atentado a um fato deveras importante: para passar a fumaça, eles teriam que aproximar as faces. A percepção de que isso não seria algo que faria com James ou Peter passou rapidamente pela sua mente, apenas a ideia de partilhar algo assim com os outros dois já lhe deixava agoniado; mas com Sirius? Levou apenas alguns segundos para registrar o que o garoto estava tentando fazer para que espelhasse o movimento logo depois de passar a língua nos lábios para os umedecer. A mão pegajosa do doce derretido anterior foi parar no queixo do amigo, segurando-o levemente para que pudesse separar seus lábios e puxar a fumaça para si, os olhos ainda levemente abertos o fitando. Remus não seria aquele a admitir que estava bem mais próximo do que o necessário, com a boca praticamente sem espaço separando da de Padfoot, muito menos que demorou ali mais do que precisava.
“E deixa-lo com fome? Prezo pela minha vida!” brincou com o outro, usando da língua para limpar o doce quente que escorreu pelo canto dos lábios, mesmo que ainda tivesse ficado um resquício do marshmallow no local. Os olhos furtivos focaram nos atos de Remus, processando cada movimento e guardando em sua mente. De forma que quando sentiu a maciez da boca dele encostando na sua, seguido das palpebras do castanho que se fecharam e aquela mão que tão decidiamente segurava seu queixo, soube que a brincadeira tinha outro intuito não somente para si. Qualquer um esperaria que Sirius Black deturparia um simples tragar, transformando potencialmente em algo de cunho sexual, mas o que não esperava era que Lupin correspondesse com aquele anseio pela proximidade. Disposto a confirmar sua hipótese arrastou o nariz pela bochecha alheia, descolando um pouco seus lábios dos dele apenas para que pudesse deixar parte da fumaça escapar, inebriando os sentidos de ambos. Quando havia pouco dela armazenada em sua boca retomou o eixo de sua cabeça, sua canhota apoiando-se na nuca alheia para que pudesse encaixar o lábio inferior entre os carnudos de Moony, misturando os sabores da nicotina, do marsmallow e agora do estático beijo para troca do cigarro. O interim de tempo foi o suficiente para que seus batimentos acelerassem e seu quadril se projetasse milimetricamente naquela grama, fazendo com que seu peito ficasse mais proximo do dele. “Agora é só soltar” o sussurro escapou abafado, pela curta distância entre os rostos, e seu tom aveludado revelava um desafio que nem mesmo ele estava disposto a cumprir. Não queria soltar o amigo, pelo contrário, queria beijá-lo!
“Agradeço sua gentil oferta, mas já tenho uma casa para a qual retornar. Aliás, sinta-se a vontade para se juntar a mim quando Grimmauld Place se tornar insuportável.” a diversão anterior já não fazia parte do timbre de um James que conhecia o suficiente sobre a rotina do melhor amigo na casa de seus pais. “Ou arregue do convite como está fazendo da chance de me conquistar.” uma piscadela, junto ao tom zombeteiro, deixava claro que estava apenas aproveitando toda e qualquer chance para atormentar o juízo do melhor amigo. James era competitivo demais para se permitir perder mesmo em frases sem significado algum. Ao final da passagem estreita o Potter tirou a varinha do bolso para limpar as vestes empoeiradas e em seguida murmurou “lumus” para iluminar o que restava de caminho. “Faz total sentido.” disse ao voltar a concentrar-se no que Black dizia. “Durante as pesquisas para entender a animagia li algo a respeito de sua forma animal ser a mesma de seu patrono. Entretanto, em alguns casos isso não ocorre. Mas no seu faz sentido ser um cachorro, safado e sem vergonha.” disse com uma breve risada, embora estivesse encarando o assunto com a seriedade que precisava. “Seguindo essa lógica o meu deve ser um cervo. Grande porte, garboso, orgulhoso.” e com uma galhada que era quase como uma coroa. Entretanto o que lhe importava naquela forma era ser grande o suficiente para conter qualquer arroubo da versão lupina de Remus. James sentia-se bastante ansioso quanto a transformação especialmente por ter receio de machucar o amigo ao não ter uma total noção de sua força em versão animal. Norte de pensamento do qual desviou-se diante do comentário seguinte de Sirius. “Qual a lógica dessa suposição, Pad?” riu, baixinho, recordando-se que o amigo não era o maior entusiasta das aulas da professora Sinistra. “Para quem é a estrela mais brilhante do céu noturno você não se importa muito em conhecê-lo, ein? Nem julgo.” e realmente não fazia porque entendia tão pouco quanto. “Acho que seria mais fácil perguntar a Hagrid porque ao menos com ele não levantaríamos suspeitas.” murmurou antes de revirar os olhos exasperado por ser chamado de feio. “Já sei o que te darei em seu aniversário, pois aparentemente não tem passado perto de espelhos o suficiente.” brincou ao passar primeiro pelo bendito alçapão. “Certamente meu histórico escolar seria menos caótico. Mas tudo bem, Pad, não há nada no mundo que me faria abrir mão de você.” embora soasse brincalhão James estava sendo bastante honesto. “Gostou da massagem no ego? Aproveite que estou bondoso hoje.” riu enquanto usava a varinha para afastar algumas das teias de aranha que encontrava pelo caminho. “A chuva é um fator fora do nosso controle, esse aqui, entretanto, total domínio. Só não sei de Peter vai se sentir confortável para usar a passagem.”
“Eu não faria esse convite se fosse você. O Grimmauld Place é quase sempre insuportável” excetuando as vezes em que ficava sozinho em casa, nestes momentos até conseguia fechar os olhos e sentir paz. Embora o sorriso costumeiro desenhasse seus lábios, não havia felicidade propriamente dita. Apenas conversava a respeito com alguém que sabia que era um porto seguro para tratar de assuntos profundos e embaraçosos como a “família”. “E o patrono quase sempre reflete a personalidade. Se for um cachorro, então pode adicionar amigo e divertido” deu-lhe uma piscadela em resposta, nada ofendido com os adjetivos anteriormente usados. “Não se esqueça de chifrudo” elevou as mãos diante da cabeça abrindo os dedos para simular os chifres, rindo com aquilo. Concordou com sua mesura sobre desconehcer Astronomia, sua aversão pela matéria talvez se dava ao fato dos Blacks serem intimamente ligado à aquele ramo da magia, algo que não havia mencionado ao outro embora não precisasse de tantas pistas para sua vida ou justificativas entre eles. “Sabia que não viveria sem mim, mas prefiro uma massagem mesmo. Ando meio tenso” abraçou-o lateralmente, usando do ato para buscar sua mão e levá-la ao seu ombro de maneira manhosa, como um canino, o levando a apertar seus músculos retraídos. Não mentia sobre estar levemente nervoso e o motivo era óbvio. O mundo bruxo tinha um clima diferente, mais obscuro, e logo seria a transformação de Remus. “Não podemos falhar! Seu pai tem alguma poção que ajude nisso? Talvez sorte líquida não seja má ideia” sugeriu para que reforçassem o plano, pegando o mapa do maroto e apontando para o mesmo com a ponta da varinha. Logo o novo caminho descoberto se desenhou. “Peter é o menor dos problemas. Consegue trazer Moony aqui antes da transformação? Marquei com a Lily de pegar o último ingrediente, nos encontramos no horário marcado.”
“Suas palavras me soam como promessas vazias.” provocou, amistosamente, mas ciente que a última coisa que queria era arruinar sua amizade com Sirius. “Quantas ofensas a quem só te oferece amor. Você me odeia? Diga agora enquanto ainda podemos romper relações.” disse, usando de sua veia teatral para bancar o ofendido quando na realidade sabia que entre os amigos era o único privilegiado. Sua vida era um mar de rosas que chegava a ser entediante. Norte de pensamento que o distraiu o suficiente para que só desse atenção novamente as palavras do amigo quando o mesmo o incitou a correr. Das coisas que James odiava sobre Hogwarts monitores que se achavam os guardiões da lei, moral e bons costume certamente ocupavam o top 3. Sua sorte era que os treinamentos físicos para o quadribol haviam lhe transformado em alguém veloz mesmo sem uma vassoura, parando apenas quando Black o puxou pelo braço. “Música para os meus ouvidos você assumindo o óbvio.” disse, resfolegando, com as mãos apoiadas na cintura, sentindo o sangue rimbombar em suas orelhas. “Falta a tempestade.” respondeu a respeito da transformação em animagus. “Mas ao fazer o ritual todas as manhãs sinto o segundo batimento cardíaco, diferente da minha forma humana, óbvio. Imagino que seja um animal de porte médio, o que vai ser ótimo para lidar com, bem, você sabe.” esperava, é claro, que não houvesse violência entre suas formas animais e Lupin, mas precisava estar pronto para tudo. “Às vezes me pergunto como você ainda não desistiu da escola.” riu, baixinho, enquanto espremia-se pela maldita passagem apertada. “Aliás, sua transformação já está completa? Espero terminar a minha antes da próxima lua cheia, assim ficaremos todos seguros.”
“Está me desafiando Potter? Eu não faria isso, a última pessoa que fez isso ganhou o apelido de murta-que-geme” tentou segurar um riso com a piada, mas foi impossível então deixou que o som saísse pelos lábios, em seguida dando um leve tapinha na bunda do amigo. “Vamos logo vai, deixa de balela!” indicou sobre andarem, não sobre o que falavam. “Você precisa entender melhor sobre ódio mimadinho, se quiser passar um dia no Grimmauld Place posso te fornecer esse experimento sentimental” embora soasse com grande deboche, o que dizia tinha um fundod e verdade e isso fazia parte do humor do Black. Ironizar a própria realidade caótica com a família era o que o deixava um pouco mais são. Refutou as palavras de convencimento alheio, simplesmente se focando na próxima frase por ser egóico o suficiente para saber que qualquer resposta apenas reforçaria o outrio. “Acho que descobri minha forma animal. Na aula de adivinhação as borras de café indicaram um sinistro e primeiro pensei que era um agouro de morte, mas depois de treinar com o bicho-papão em DCAT...” já que sua forma de patrono também adquiria a mesma forma daquele cão negro, somado a personalidade que facilmente poderia ser descrita como de um canino. “Faria sentido né? Espero que isso seja útil, ao menos se for de uma raça descendente de lobos a comunicação seria mais fácil” ou não, apenas queria se convencer que seria útil para tarefa e que evitaria que Lupin se machucasse ainda mais. A dor alheia rapidamente se tornava sua dor, o que o fazia se motivar mais a concluir as etapas. “Podemos falar com a Aurora Sinistra, se ela entende de astros deve entender de metereologia. É tipo a mesma coisa não é?” perguntou com incerteza, provavelmente não era. Mas qualquer indicativo da tal tempestade para concluírem era válida. Bastou se inclinar mais um pouco e chegar a uma parede de tijolos para tirar sua varinha. Tocou alguns que estavam soltos e logo a passagem se abriu, revelando um pequeno corredor que levou a um alçapão. “os mais feios primeiro” indicou em brincadeira e diante das palavras assentiu. “Me pergunto isso sempre que chegam os NOMS, mas a verdade é que eu não posso sair da escola. Mantenho um dever, que é entreter as garotas e garotos e claro, não deixar toda a diversão pra você! Mas pode assumir, o que seria de James Potter sem seu escudeiro?” deu uma batida em seu ombro enquanto subiam para o piso inferior da casa que rangia. Um arrepio percorreu seu corpo por estarem ali, principalmente ao ver arranhões no assoalho. “Podemos tentar completar amanhã, se a chuva colaborar. Mas pelo menos... a passagem deu certo!”
“Sim, acho que vou dizer que achei um jeito bem eficaz.” disse com diversão, mesmo que, na realidade, não fosse abrir a boca. Era egoísta, queria guardar essa informação para si mesmo. Além do mais, tinha que admitir que sentiria um pouco de ciúmes se visse Prongs assumindo uma posição como aquelas com Sirius. Não querendo deixar seus pensamentos seguirem para esse rumo, focou no garoto mais baixo, bufando um riso baixo. “Se eu falar mais sobre isso, você vai começar a desenvolver técnicas pra me invalidar. Eu preciso te manter no escuro pra te pegar de surpresa.” declarou, dando-lhe uma piscadela com o olho direito. Assim que foi chamado para ocupar o espaço perto do amigo, Remus dirigiu-se até lá e descansou o braço na perna do mesmo. “Hm, eu sabia que dava pra confiar em você com isso.” brincou. Tinha trazido alguns suprimentos também em sua própria mochila, mas não havia bebida. Claro que Black traria. Aceitar o doce foi automático, Lupin nem hesitou em abrir a boca e comer o marshmallow dos dígitos alheios, inclinando-se na direção dele para que não acabasse deixando nada cair no chão. Se fosse avaliar o que fazia, tinha que admitir que era um tanto quanto extravagante a proximidade, mas gostava, estava confortável, não se importava nem um pouco. “Merda, você trouxe até cigarros?” soltou uma risada realmente divertida. “Eu não trouxe, então vamos ter que fazer isso durar, podemos dividir por agora.” quando estivessem mais perto de chegar a algum lugar mais civilizado, podiam deixar de economizar, mas por agora o mais lógico era compartilhar aquele que Sirius acendia. Remus pegou outro doce com os dedos, mas ao invés de levar tudo à boca, apenas mordeu metade e ofereceu a outra metade para o moreno, imitando o gesto que ele tinha feito consigo de levar até a altura de seus lábios.
“Bom saber que seu objetivo é me manter no escuro e me pegar de surpresa” repetiu as palavras alheias, mas o tom soava mais torpe assim como o sorriso ladino que destinava ao Lupin. Estreitou o olhar com a frase a seguir, levando a mão ao peito de forma teatral. “Com isso? Meu caro Remus, eu sou uma pessoa totalmente confiável” bufou em resposta, meneando a cabeça quando ele aceitou o doce. Não tinha se dado conta, mas seus olhos acompanharam o percurso até os lábios alheios e a forma como Lupin se inclinou no ato.Mas que merda, seria uma longa férias! “Não me leve a mal, as árvores e o ar da montanha é ótimo. Mas precisamos de uma distração extra, não acha? O que melhor do que cigarros, bebida e eu?” praticamente cantarolou ao dizer aquilo, o ego ressaltado mesmo que em brincadeira. Concordou com o pensamento rápido dele, um mês era um tempo considerável e precisavam de controle. Como ele não era exatamente bom naquele quesito, não iria discutir os apontamentos alheios. Porém, um sorriso sapeca surgiu no canto dos lábios do moreno ao ter uma ideia. "Tenho uma ideia de como podemos dividir, vamos fazer um jogo. Sopra e puxa” indicou entregando a segunda tragada à Moony, usando do tempo para prender melhor os fios negros que escorregavam do coque. Inclinou-se para comer o marshmallow e aproveitou do ato para mordiscar a ponta do dedo dele antes de revelar o plano mal arquitetado. “Vou tragar e devo passar a fumaça a você sem que ela se perca no ar” pegou o cigarro encaixando entre o indicador e o dedo médio para levar aos lábios. Puxou o gosto de nicotina enchendo a boca com ela. Dobrou as pernas para dar sustentação ao corpo e com uma mão repousada no peito do castanho sua cabeça se projetou para frente, para que ele encostasse os lábios nos seus para sugar o vapor.
Ainda que estivesse receoso de deixar os amigos se aproximarem de si quando estivesse transformado, a ideia de que seu lobo teria companhia para gastar a adrenalina da noite de lua cheia era… encantadora. Remus nunca achou que era possível, não sem ter que se juntar a alguma Alcateia, algo que definitivamente não tinha vontade de fazer. Mas agora talvez pudesse criar a própria, com criaturas tão diferentes mas que, certamente, seu lobo reconheceria como família. Só esperava não machucar nenhum deles pois não conseguiria se perdoar se isso acontecesse. Por isso não teimou com Sirius, sabia que se demonstrasse insegurança, o amigo iria batalhar para lhe mostrar que não havia o que temer. Mas tinha que admitir que o ver tão quieto e calado foi também um dos fatores que lhe impediram de falar algo. Geralmente era o provocado, não o que provocava, talvez por isso o outro bruxo tenha se surpreendido; mas o motivo não importava, o que Remus gostava era de o ver assim todo desorientado. Como desejava deixá-lo assim atordoado mas por causa de beijos, não por respostas atrevidas. “Pena que não posso me vangloriar com isso pra Lily porque ela ia perguntar como eu fiz. Prongs ficaria com ciúmes se ela tentasse minha tática em você depois.” zombou mesmo que a ideia de Lily tão próxima de Sirius com aquelas intenções que Remus tinha tido antes, não lhe agradasse em nada. Rindo baixinho ao vê-lo ajustando a bermuda, se afastou com a expressão envergonhada querendo focar em algo que não fosse o outro agitado com suas brincadeiras. “Como se pegar galhos fosse preciso força.” bufou baixinho mas se afastou, começando a procurar galhos e troncos caídos nas redondezas de onde iriam acampar. Após alguns minutos, retornou para onde deixara o amigo, seus braços cheios carregando a madeira, jogando-as no chão onde poderiam fazer a fogueira. “Eu espero que tenha feito algo porque eu estou morrendo de fome.”
Escutou as palavras de Remus e só pode rir. Uma risada contagiante e sincera que ecoou na clareira escolhida por eles. Não havia a mínima chance de qualquer um conseguir despertar o que o Lupin causava em si. Não sabia explicar e por vezes se negava em pensar demais naquilo, mas a proximidade com aquele amigo era a única capaz de causar faíscas em seu corpo. “Acho muito mais fácil James tentar essa tática do que a Evans” soltou como mera brincadeira, pois o laço que tinha com o Potter era mais como uma irmandade do que qualquer cunho sexual. Era aquele que sempre lhe salvava dos abusos dos Black e por isso eram tão próximos. “E agora que assumiu que tem uma tática para me desarmar” ou armar, foi o que pensou e evitou de dizer por simples decoro. “Me conte mais sobre ela, justo não acha?” deu uma batidinha no ombro dele enquanto passava com a mochila, usando um accio para localizar dentro do feitiço extensor as batatas e claro, a cerveja amanteigada. Estendeu os sacos de dormir do lado de fora da barraca para que pudessem aproveitar da floresta antes de se recolherem. Sentou-se diante da fogueira feita por Remus, batendo no chão ao seu lado para convidá-lo. “Trouxe o principal, meu caro” pegou a garrafa de cerveja colocando ao lado deles. Com um movimento da varinha levitou os marshmallows até a fogueira tostando-os. Quando estavam no ponto fez com que voltassem ao pote, espetando um na ponta da varinha e aproximando aos lábios para poder soprar. Virou-se de lado para entregar o doce a boca alheia. Fez o mesmo para si, levando o marshmallow aos lábios limpando o cantinho da boca onde ele derreteu. “Só falta uma coisa agora...” indicou antes de tirar cigarros de dentro do bolso, acendendo um com a ponta da varinha.
Como Remus não poderia ruborizar diante da brincadeira alheia? Soltou um grunhido baixo de discordância mas não insistiu, Sirius tinha muita facilidade em lhe deixar perturbado, não precisa que ele recordasse disso. “Duvido que consiga me derrubar quando eu estiver transformado.” teimou. O sorriso tomando conta dos seus lábios pois a risada alheia era sempre contagiante, ainda mais quando ambos se encontravam tão relaxados daquela forma. Rolar no chão era uma brincadeira que certamente seu lobo iria apreciar com Padfoot, disso tinha certeza. Ficava um tanto quanto desorientado com a proximidade, isso porque não esperava ser preso no chão quando tudo o que tinha pensado era não deixá-lo se machucar enquanto rolavam no terreno. Remus de maneira nenhuma esperava as pernas de Sirius prendendo seu quadril, o peso confortável em cima de si… e muito menos as mãos lhe imobilizando. Algo dentro de si parecia estalar, os olhos claros ganharam uma seriedade enquanto o observava tranquilamente. O murmurar sugestivo em seu ouvido lhe fez se arrepiar; geralmente estava sempre quente, talvez por causa da licantropia, seu corpo não lidava com o frio da mesma forma como os amigos, mas naquele momento realmente se arrepiou apenas pelo efeito que a respiração alheia tão perto de sua orelha tinha sobre si. Demorou alguns meros segundos antes de provar que sim, mesmo sem estar transformado, era mais forte. Com um impulso rápido, virou-os no chão, deixando-o sob si agora. O sorriso que lhe ofereceu foi travesso. “Embora eu não me importasse de servir de colchão pra você, provavelmente não ficaria tão macio por muito tempo.” retrucou. E dessa vez foi ele quem disparou a insinuação próxima à orelha do amigo, soltando um suspiro baixinho para que o hálito quente tocasse-lhe a pele, mas afastou-se, levantando-se e lhe oferecendo a mão. “Sim, vamos lá antes que fique muito escuro, temos que fazer logo a fogueira também, vai esfriar já já.”
“Pode ficar com sua dúvida, não me impedirá de tentar” as palavras soaram presunçosas sim, mas também sinceras. Embora tivesse a ligeira impressão que não seria capaz de deter um lobisomem sozinho, esperava ao menos retardá-lo caso estivesse prestes a ferir a si mesmo ou a outros, pois sabia que se Remus algum dia encostasse em outro bruxo se sentiria arruinado. Era para isso que amigos serviam afinal, para estar ao lado um do outro mesmo quando o mundo parecia desesperançoso, ou ao menos era isso que seu grupo representava para si. Tal pensamento e a proximidade anuviou qualquer pensamento consciente que tinha, restando a si apenas os impulsos de um escorpiano, uma grande desvantagem se comparado à Remus que era inteligente por natureza. Bastou segundos de distração para que seu corpo se chocasse contra o chão, o ato fazendo com que os corpos se colassem por um instante. Suas pernas falharam a ponto de se esticarem inertes. Sirius que era tão falante naquele momento emudeceu, simplesmente porque faltaram palavras para responder a provocação que causou uma agitação em sua pelve. O suspiro, no entanto, foi correspondido em igual medida pelo Black que mordiscou o próprio lábio para suprimir um som mais longo. “Parabéns Lupin, conseguiu um feito que Evans vem tentando há meses” comentou sobre ter se calado, aceitando a mão alheia e se erguendo, mas permaneceu imóvel por um tempo, tempo o suficiente para ajeitar a bermuda jeans que tinha subido consideravelmente, o marcando. Não era a primeira vez que o amigo lhe via em situações que poderiam ser constrangedoras, mas não para eles que tinham certa intimidade que preferia pensar que era um fruto da sólida amizade de anos. “Vamos lá, pode usar sua super força para carregar a lenha enquanto eu fico pronto para soltar o Incendio” brincou com um riso, tirando a varinha do bolso e começando a conjurar a barraca extensora que lhes serviria de abrigo pela noite. Alguns feitiços de levitação, outros de proteção e conjurações deixaram tudo preparado. “E o mais importante... marshamallows” murmurou fazendo levitar um saco do doce.
Seu medo se mostrou infundado. Mesmo que a cada volta Remus se agarrasse mais ao bruxo, Sirius realmente não lhe parecia estar cometendo infrações de trânsito. Não que entendesse disso, as leis trouxas eram confusas demais para si. Com a moto parando, teve que se preparar para descer, tendo uma clara dificuldade em fazer isso e quase se desestabilizando ao pôr os pés no chão; na próxima vez tinha certeza que iria pedir ajuda ao amigo, o susto de quase cair sendo o suficiente para que o bruxo não quisesse tentar uma segunda vez sair sozinho. “Estou vivo.” porque bem, talvez não fosse a palavra que pudesse colocar ali. “Por Merlin, essa foi uma ideia tão estúpida, você não conseguia fazer esse negócio voar?” lamentou. Vassouras eram melhores e talvez ficasse mais confortável se a moto voasse. Com a menção ao lobo mau, Remus ergueu a face e estreitou os olhos para o menor, grunhindo baixinho quando este lhe empurrou. “Você estava com algo pior que o lobo mau agarrado nas suas costas, idiota!” gritou, começando a correr atrás dele assim que tirou o capacete. Mesmo em desvantagem inicial, conseguiu correr o suficiente para alcançá-lo, mantendo-o em sua vista antes de apressar sua corrida e esticar os braços para agarrar a cintura alheia, o puxando consigo para o chão após decidir que tinham se enfiado já o suficiente nas árvores fechadas. Tratou de protegê-lo na queda, fazendo-o com que este não caísse direto no chão, mas sim em si. Mesmo ofegante e com o coração batendo apressado no peito, Remus não conseguia segurar a gargalhada contente. Livre. “Se estivesse como Padfoot, talvez conseguisse ter escapado!”
Naquele estágio de amizade Sirius imaginava que Remus já tinha sua resposta sobre ter ideias estúpidas. Apreciava a adrenalina, a sensação gélida que arrepiava seus pelos e como se sentia vivo com aquilo. Por isso jamais optaria por escolhas simples. Isso também se adequada ao amigo, talvez o único que não teria acesso da forma que desejava, o que paradoxalmente só o fazia querê-lo mais. Mordiscou o lábio com a frase alheia, ciente que Moony dificilmente diria algo tão torpe quanto havia entendido. “Eu discordo. Diria que estava com algo muito melhor agarrado nas minhas costas” sibilou para o castanho, soltando um riso provocativo enquanto se apressava. Mas mesmo com todo seu esforço não era veloz o suficiente e por isso foi pego em cheio, rolando pela grama com Lupin agarrado ao seu corpo. Começou a gargalhar com o ato e apenas parou quando precisou puxar o ar. Prensando as mãos na terra ao mesmo tempo que os joelhos atingiram o chão, ficando acima do corpo do garoto. Era a forma abrupta de evitar que rolassem mais. “Não se vanglorie tanto lobinho, logo eu que estarei te levando pro chão” respondeu bem humorado, com sorte seria naquelas férias que testaria sua transformação junto a Remus. Bastava alguns dias para completar a etapa da folha de mandrágora. “Mas você pode ser mais rápido, mas fora de sua forma... será que é mais forte?” o desafiou rapidamente alcançando os pulsos dele e o prendendo em suas mãos, o que o desestabilizava. Outra péssima ideia. Pois logo tivera que se render soltando o peso de seu tronco sobre ele. “Acho que nem precisamos montar o saco de dormir, até que você é macio” mentiu é claro, Remus era bem magro. Mas gostava de estar naquela posição. Logo um sorriso vil surgiu nos lábios, o fazendo se aproximar do ouvido dele. “pronto para armar a barraca?”
“Uau!” as palavras sem som saíram dos lábios abertos em um perfeito O de James. O gesto no entanto fora logo substituído por uma risada. “Me senti desejado, Padfoot, mas como sou um homem muito difícil darei apenas uma nota 7 para sua pegada.” brincou lançando ao amigo uma piscadela cúmplice. James logo encostou-se na parede mais próxima, apoiando a perna na mesma enquanto voltava a observar os arredores. “Ouch!” exclamou assim que seu olhar voltou a recair no amigo. “Mas afinal qual é a graça de ter o que é fácil? Quase inexistente! A dificuldade é o que forma caráter, nobre amigo!” disse falsamente despreocupado, mas de fato ciente que Sirius tinha lá sua razão. Obviamente James tinha seus rolos, mas nada que pudesse considerar como sério. “Me parece que é sua nova especialidade, Pad! Talvez você deva armar uma barraquinha nos jardins e faturar um dinheiro extra!” brincou achando muita graça da ideia de Sirius aconselhando os demais naquele campo em que todos os marotos eram um fracasso. “Fico feliz em saber que Moony também está solteiro! Como quem observa a distância estava apenas esperando o momento em que Meadowes o azararia por falta de participação no relacionamento.” apesar da risada que acompanhava suas palavras James tinha a total certeza de que aquilo realmente aconteceria em algum momento do futuro próximo. “Deveria! Certamente tudo funcionária mais facilmente depois do meu aval de expert.” respondeu, sarcasticamente, com um sorriso largo nos lábios. “Deixe de ser sensível, Six! Apenas quero saber do que se trata porque, bem…” com o óculos na ponta do nariz James virou a cabeça de um lado para o outro supervisionando os arredores. “… quando se trata de algo que envolve Moony nós precisamos ser excessivamente cuidadosos.” ali havia uma rara seriedade em sua fala que era corroborada por sua postura. “Nós podemos explora-la ainda hoje? Apenas para confirmar que é segura e que ninguém pode parar nela por engano? Pois se for o caso estou à sua disposição!”
“Nem cheguei a te dar uma pegada digna de Sirius Black, caso contrário nossa amizade estaria arruinada” além da confiança de toda grifinória, já que somente um deles já tinha ego o suficiente. Deu uns tapinhas no ombro do moreno em tom de consolo, o seguiu também se apoiando na parede ao lado dele. “Por isso você não tem tanto cárater ainda, te faltam dificuldades burguês safado!” o que era equivalente a chamar o melhor amigo de mimado, mas sabia que seria interpretado em brincadeira. Não tantos anos atrás o próprio Black poderia ter a condição de privilégio, vindo de família nobre e com uma quantia ‘OK’ para ter uma vida confortável. Mas renegou tudo aquilo justamente pelo o que James dizia, por dignidade e valores pessoais. Refutou a preocupação com o silêncio e sua melhor cara de desdém, algo muito bem aprendido com sua família. Algumas coisas não se faziam necessárias palavras. Apoiou as mãos nos tijolos frios, dois dedos ainda pressionando o mapa do maroto enquanto discutiam possibilidades para aquele plano. “Também fico bem feliz, falei pra ele que ficar nessa relação crua não era bom nem pra ela e nem pra ele.” e nem pra Sirius, claro, que preferia ver o amigo solteiro por puro egoísmo. Desviou o olhar com o pensamento, bufando de forma audível com aquilo. “Mas chega desses assuntos melosos, temos coisas importantes a fazer. Vamos logo” indicou para a capa que imaginava estar na mão fechada em punho do Potter. Abriu novamente o pegaminho vendo as pegadas dos alunos se materializarem e em seguida dois monitores se aproximando. “Corre” indicou baixo antes de se abaixar, apoiar as mãos ao lado da bota e como um velocista dar a largada, deixando o amigo para trás. Correu apenas o suficiente para despistar-se dos monitores e quando estavam na altura de uma passagem puxou o amigo para um quadro. “Odeio dizer isso e se me perguntar novamente irei negar, mas... você está certo!” mencionava sobre serem cuidados com Moony. “Eu sinto que as transformações estão piores... Já conseguiu concluir transformação?” perguntou sobre a animagia enquanto se espremia pela curta passagem, afastando algumas teias de aranha com a ponta da varinha iluminada por Lumus. “Claro que vamoos explorar, qualquer desculpa pra fugir do castelo é uma boa e ajudar Moony também.” colocou o Lupin em segundo lugar, mas era óbvio de sua prioridade na noite.