Nothing but Exceptional @Evangeline Austen
O loiro estranhou o que a garota dissera, afinal não era muito comum que outros perguntassem como deveriam chama-lo. Ele não se importava se fossem utilizar o nome ou sobrenome, ou até mesmo apelido. Nem mesmo os mais maldosos faziam o ravino ficar chateado, ele pensava que existiam causas muito mais nobres para se preocupar, do que a imagem que faziam dele, e se não aceitavam ele como realmente era estava um pouco distante de tentar mudar a forma de pensar. Os humanos eram teimosos, ele sabia disso por mais que lhe fossem ensinados exatamente algo diferente, de que animais — por exemplo — por serem menos dotados de uma situação menos lógica, deveriam ser teimosos ou algo parecido. O que ninguém parecia ter notado ainda, é que os bruxos e grande parte ainda se comportavam como tais e teriam que mudar a atitude para realmente esboçarem uma mudança na sociedade. Mas… um momento? Onde mesmo ele estava? Ah sim, o nome. “Foco, Lovegood. Divagou demais.”
Franziu o cenho e passou uma das mãos pela nuca antes de falar com um tom calmo. — Xenophilius, Lovegood ou apenas Xeno. Como preferir. — Ergueu ambas as sobrancelhas em sinal de que ainda prestava atenção na ruiva, por mais que pudesse não parecer. Ela falava e não era pouco, mas isso não incomodava-o. Muito pelo contrário, o ravino gostava daquele entusiasmo que não era nem um pouco forçado. Aquilo não o irritava e sabia que talvez ela também não fosse se incomodar quando Xenophilius começasse a tagarelar e trazer informações que nem mesmo se tratavam do assunto. Claramente ele não gostava de conversas superficiais e por isso tinha uma maior atenção quando o estimulavam. — Mas, não é arriscado? Ou até mesmo perigoso? — Aquilo poderia parecer um tanto absurdo, mas quando se tratava de tratamentos mais psíquicos, Lovegood mostrava-se um pouco alarmado com o que alguém poderia fazer com a mente de outra pessoa. Por outro lado, não era um grande problema considerando que todos os dias todos arriscavam o maior bem que tinham. A vida.
— Mas… me falo no que eu posso ajudar. Confesso que adoro pesquisas e todo o tipo de experimento, não me oponho em lhe fazer parte disso. — O ravino pareceu ficar um pouco sensibilizado com a declaração da outra, e apenas suspirou profundamente antes de voltar a falar. — E porque eu faria isso? Não faria sentido algum, não se pode julgar pessoas pelo o modo como pensam ou do que fazem. É injusto e um pouco hipócrita na verdade. — “Ao menos na maioria dos casos.” Pensou, quando voltou a lembrar de quantas outras ideologias marcavam alguns indivíduos, assim como outros apontavam o dedo o chamando de lunático. — Bem, você pode me perguntar ou tentar algum dos seus métodos, confesso que estou um pouco curioso e não nego que apreensivo, mas acho que estou seguro em suas mãos. — Confidenciou deixando um belo sorriso transparecer. Sem dúvidas, ele estava intrigado pois a cada palavra da ruiva ela parecia entende-lo e “ler” exatamente como era o comportamento dele. Talvez ela não soubesse nada afinal, ou apenas não desse ouvidos as opiniões gerais, mas ele queria ouvir mais. — Para quem diz que não me conhece, você parece saber mais do que mesmo os seus olhos podem enxergar. Já está os utilizando? — Questionou com um brilho curioso no olhar, querendo saber se os testes ou algo do gênero já teriam começado.
Era inevitável não se lembrar dos pais e de todos os fundamentos criados por eles, porém, aquilo de certa forma também assustava Evangeline, afinal, ela não queria decepcionar os pais e a pressão exercida por essa vontade sem dúvidas a deixava um pouco ansiosa demais, e, talvez por esse motivo ela não conseguisse calar-se. Por sorte, Xenophilius também deu um tempo antes de respondê-la e quando ele o fez, Evangeline não conseguiu deixar de rir baixo e discretamente. — Ótimo, Xeno então. Eu gosto de apelidos e o seu combina com você. — Na maioria das vezes Evangeline optava pelos apelidos, nomes completos a assustavam, ela sempre pensava neles como uma forma de sermão ou qualquer briga do gênero, e antes mesmo de permitir que os pensamentos se afastassem do foco, ela sorriu e balançou a cabeça em negação. — Antes que interprete o riso de forma errada, eu ri por ter me perdido em pensamentos, e ah, eu faço isso com uma facilidade sem explicação. — Se justificar poderia parecer um pouco estranho, mas, Evangeline não queria causar nenhuma primeira má impressão, mas, ao pensar, talvez abordar um garoto nos corredores e falar de todos os seus planos e seus estudos também poderiam não causar. Apesar de tudo, Lovegood realmente não parecia ter se importado nem um pouco com o jeito aberto de Evangeline expor as coisas, ela então relaxou. — Antes de mais nada, por tratar de acontecimentos incertos, eu ainda não descobri riscos muito grandes. Não é como se eu fosse entrar na mente de alguém e destruí-la, eu acho. — Evangeline respirou fundo e então riu baixo. — Ao menos eu não quero destruir a mente de ninguém, no caso. Tudo o que eu quero é pesquisar diversas formas de advinhação, não necessariamente usando poções, varinhas, ou algo do gênero, mas, não sei... Eu acredito que quando os planetas se alinham, certas coisas acontecem, e se eu puder de alguma forma alinhar as minhas pesquisas aos alinhamentos, acho que tornaria o meu poder maior, o que você acha? Eu estou parecendo uma louca? — O rosto demonstrou de fato um pouco da preocupação, não sabia se estava sendo clara na explicação. — Eu tenho muitos e muitos textos sobre as minhas teorias, alguns textos dos meus pais, mais especificamente o meu pai que dedicou acho que três ou quatro anos em adivinhações também. Quando eu nasci, eles disseram que eu seria o futuro deles, pois, de alguma forma eu possuía a combinação perfeita entre ele e a minha mãe. —
Evangeline olhou para Xenophilius com um sorriso tímido. — Confesso que essa combinação é um tanto imperfeita, mas, eu estou fazendo o meu melhor para conseguir no mínimo entender o que ele espera que eu encontre. — Respirou, e sabia que os dois precisavam de uma pausa daquele assunto, ao menos Evangeline achou que havia coisa demais para ser interpretada, entendida. Agradeceu intimamente o rapaz não ser um julgador, ao contrário, ele sabia escutar, respeitava tudo o que Evangeline falava e a levava em consideração, ela por sua vez ficou entusiasmada com a conversa. — Bom, digamos que não é exatamente comum alguém aceitar que alguma vez eu possa estar certa, ou possa finalmente estar próxima de algo real, sabe? Eu sempre fiquei com medo de contar para as pessoas sobre os meus planos, sobre o que eu faço, pois elas costumam julgar por muito menos, e claro, é hipocrisia julgar as pessoas, ainda mais sem conhecê-las e sem dúvidas seria bem mais fácil se as pessoas seguissem essa linha de pensamento, mas, infelizmente as coisas não são assim, ao menos não comigo. Mas sabe? Eu aprendi a transformar as criticas em motivação na verdade eu só me tornei um pouco mais cuidadosa com as minhas crenças. Obrigada por respeitá-las e por ouvi-las, de verdade. — Xenophilius teria de se acostumar com os agradecimentos de Evangeline, pois, todas as vezes que ela se lembra-se de como ele estava sendo bom para ela, ela o faria. Permaneceu em silêncio por um tempo, e deixou que ele falasse também, e sorriu assim que ele terminou de falar, balançando a cabeça em negação. — Eu juro que eu não estou usando nenhum dos meus talentos para tentar conhecê-lo, Xeno. Na verdade, eu só estou interpretando o que eu percebo. Eu não usarei nada do meu conhecimento sem o seu consentimento, então, nada de adivinhações por agora, e não, eu não quero usá-lo como cobaia. — Evangeline riu baixo. — Você gosta de Astronomia, não gosta? É exatamente aí que eu acho que podemos nos ajudar, na verdade. Juntar o seu conhecimento com o meu. — Evangeline sorriu e então prosseguiu. — Uma pergunta. Qual é o seu lugar favorito em todo o castelo? — E, finalmente ficou em silêncio.
















