dcrkprincxss:
❝ ☾ ✩ ❝ — Apenas as segundas feiras mesmo ❞, rebateu com ironia após fingir ponderar por breves segundos, os ombros sacudindo com pouco caso, sem realmente não se importar se aquilo soava infantil. O pouco tempo em que estava ali apenas confirmou o que Narcisa sabia desde o início: ela não gostava do Seifreid. Poderia facilmente redigir uma lista com tudo nele que a incomodava — de sua aura confusa ao som da sua voz e até mesmo o jeito que ele caminhava —, mas, naquele momento, o que ocupava o primeiro lugar era a forma com a qual aquelas grandes orbes azuladas a observavam, como se o herdeiro da Invernal tentasse enxergar através de suas palavras e ações, através dela. E se a Gladhor já sentia indignação por conta da situação em que fora colocada, a observação seguinte do moreno fez com que esta evoluísse para uma raiva amarga e que parecia subir queimando por suas veias, ainda que a única alteração em seu semblante entediado tenha sido um sutil erguer de sobrancelhas. Praticamente aceitou ser infeliz — Cissa se sentiu tentada a falar o quão errado aquele pensamento era, porém, preferiu ficar calada, sabendo que ele não entenderia. Também, como poderia? Os dois eram os filhos mais novos dos Grão Senhores de suas respectivas cortes, enfiados em um acordo organizado por outras pessoas, mas o simples fato de ter nascido macho dava a Lincoln mais voz e liberdade do que Narcisa poderia sonhar em ter. Ela não havia aceitado ser infeliz porque jamais teve uma opção em primeiro lugar. Poderia gozar de luxos e mimos, contudo, a verdade era apenas uma: a Gladhor era uma fêmea numa sociedade machista e autoritária. E, por mais que detestasse aquela situação, não havia nada que pudesse fazer alem de acatar todas as decisões de seu pai, tal qual uma boneca sem vontades. Foi difícil manter a pose altiva quando o protegido de Loki começou a falar sobre sua proposta e até mesmo a raiva que borbulhava dentro de si se extinguiu para dar lugar a mais pura surpresa. Narcisa o fitou, tentando buscar por qualquer sinal em sua postura ou aura que pudessem contradizer a honestidade em sua voz. No entanto, mesmo que não tivesse achado nenhum, as palavras do Seifreid contrastavam com a realidade em que a morena conhecia, soando utópicas demais para pudesse acreditar. O silêncio feminino foi apenas quebrado após ele a provocar no final, com algo que, aos olhos da princesa, era tão absurdo, que acabou por lhe arrancar uma risada tão forte e sincera que fez seu corpo todo chacoalhar e a cabeça tombar para os lados. ❝ — Me desculpe… é que, wow! Você será um grande Grão Senhor se chegar a assumir o trono algum dia ❞, a frase poderia até parecer um elogio, contudo, a maneira com a qual fora dita deixava claro que sua intenção não era bem aquela. ❝ — Não, é sério! Eu quase cheguei a acreditar que você estava mesmo preocupado comigo. Por Hela, os professores de teatro daqui devem ser extremamente competentes ❞, a cabeça foi maneada para os lados conforme a risada enfim morria em seus lábios, o sorriso felino já retornando a sua face. ❝ — Agora diga-me, querido, o que você pretende ganhar com isso? Ou realmente espera que eu caia nessa pose de noivo bonzinho? Porque sinto dizer que isso soa tão improvável quanto a possibilidade de eu me apaixonar por você ❞
Narcisa Gladhor era uma garota quase impossível de se ler. Mas Link não se incomodou taaanto com o desafio. Ele apenas se permitiu continuar com o sorrisinho, principalmente ao captar que a havia surpreendido, sabendo que estava em um caminho árduo, mas que talvez fosse interessante. Comum suspiro, enfiou as mãos nos bolsos da calça — me ofendeu com sucesso, devo confessar — disse, inclinando a cabeça pro lado, espelhando o movimento que ela havia feito ao gargalhar. Um grão senhor..? Ele? Isso sim seria castigo dos deuses. Mas os deuses estariam castigando ele ou os súditos? Link não era capaz de exercer tal cargo; os sacrifícios e demandas eram demais para o jovem, que não se imaginava fazendo as coisas absurdas que o pai fazia. Simplesmente porque o jovem príncipe não concordava com muitas ideologias e tradições da sociedade que governaria — garanto que tenho todas as qualificações para ser retirado do trono antes mesmo de sentar nele; por mais que muitos acreditem o contrário — disse, sendo então sua vez de soltar um riso. Mas o seu foi baixo, desgostoso com a ideia de considerarem que ele seria capaz de fazer as coisas que o pai fazia. Sinceramente, Link não odiava essas pessoas. Ele entendia que elas estavam inseridas em uma sociedade e que, assim sendo, estavam condicionadas a seguir as vontades da grande massa. Mesmo compreendendo isso sobre a vida, nada o impedia de classificar seu próprio pai como uma pessoa que desprezava. Em silêncio.
— Se quer saber, teatro é questão de sobrevivência. Mas aqui e agora, não estou atuando. Não posso dizer o mesmo do nosso noivado, claro. — disse, tirando uma das mãos do bolso para passar pelos cabelos. Poderia facilmente ser entendido como um sinal que estava nervoso.. e realmente estava ao dizer aquilo. Claro que havia um ou dois amigos mais próximos que sabiam que seu comportamento em eventos reais era uma fachada; mas nunca havia expressado o fato em voz alta, e era estranho que estivesse plenamente disposto a fazer isso com uma desconhecida — se eu fosse bonzinho, não estaria bêbado dia sim, dia não, e no outro dia bancando o filho querido de um Grão Senhor — deu de ombros — não estou prometendo ser bonzinho, e muito menos quero que você seja. Quero que tentemos nos dar bem, eu realmente não quero ficar ao lado de alguém que está infeliz — arqueou as sobrancelhas e, após pensar por um breve momento, sorriu de novo. — Vou te mostrar o que eu posso ganhar se virmos a dar certo. Vem comigo? — maleou a cabeça, gesticulando pra voltarem ao castelo.










