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lip-alex:
𝓭𝓪𝓷𝓼 𝓵𝓮 𝓷𝓸𝓲𝓻?
Um sorriso perdurava em sua expressão enquanto prestava ao máximo de atenção nas experiências que June tinha com o realities franceses e, diga-se de passagem, ainda melhor eram seus comentários sobre eles. Seus olhos, apesar de permanecerem cobertos por uma espécie de máscaras ou tapa olhos parecido com aqueles de dormir, ficavam fixos na altura de onde imaginava estar June. Mesmo que nenhum dos dois estivesse realmente vendo um ao outro, era quase um automático aquela ação. “Quem quer ser um milionário? Quem diria. Eu acho que só lembro do filme mesmo, quase não vi o reality. Mas falam muito bem” agora cabisbaixo e a testa franzida, Alex tentava se recordar tanto da abertura de In ze boîte como de Burguer Quiz, ficando mais uma vez curioso quanto a quantidade de realities show que a França produzia e ele mal sabia “Burguer Quiz é… literalmente perguntas sobre hambúrgueres?” questionou dando uma risada no fim. “Sua avó é uma lenda. Ela precisa ser estudada como a única pessoa que anota as receitas dos canais de culinária” não pode deixar de dar uma de suas risadas um tanto contida. Não era muito de rir, confessava. Achava que sua risada tinha um som muito estranho, feio ele diria. Geralmente ria de forma mais anasalada e sem mostrar muito seus dentes, não que os achasse tortos e nada apresentáveis, mas estava ligeiramente acostumado a rir daquela forma durante anos de sua vida.
“Eu tenho um ponto?” perguntou surpreso com aquilo, apesar de saber que fazia um certo sentido em sua fala com a peça que iriam tentar pregar em Marcus. Ficou alguns segundos em silêncio depois de June realizar um novo ajuste no plano, admitia que aquilo estava ficando bom e que apesar de saber que o amigo ficaria bravo com ele depois de descobrir a verdade, Alex acabaria concordando em pregá-lo uma peça. “Eu acho que tudo bem se você me xingar de filho da puta por ter desmarcado o encontro. Arrumo uma desculpa pra ter desmarcado. Fica tranquila, dou um jeito. O Marcus vai acreditar nessa desculpa que tô pensando, vai ficar bravo, mas entenderia.” disse para June. Seguiria a comentar algo que de fato passou inúmeras vezes por sua cabeça, será que tinha de fato superado Sarah? Não entraria no mérito mais uma vez, exigiria uma porção de lenços de papel e alguém, mais precisamente sua psicóloga, para desembaraçar seus pensamentos nada lineares e completamente confusos. A despeito disso, não tentaria acabar com o ótimo momento que estava tendo com June, de fato compensou e muito ter afrontado seus próprios pensamentos para aquela ocasião se tornasse seu presente. “Eu gosto do drama.” completou “Eu acho uma boa a primeira e mais hollywoodiana das opções. Não seria bem a que eu escolheria no dia a dia, mas olha pra mim agora, tô num restaurante sem ver o que tô comendo e com uma pessoa que nunca vi na vida. Mas as duas coisas tão sendo ótimas” expressou seu pensamento, sem nem ao menos filtrá-lo por um instante. Teria soado estranho demais? O que ela teria entendido daquilo? Será que a melhor opção era tossir, fingir um engasgo ou mentir dizendo que precisava ir urgentemente ao banheiro? A segunda opção por um instante parecia uma boa pedida. Tossiu poucos segundos depois de sua fala, absolutamente nada seria explicável para aquela cena que tinha criado. Ao perceber o quão idiota foi, tateou a parte da mesa perto de si, procurando o copo d’água para finalmente acabar com o teatro “É, desculpa. Enfim, você estuda?” de forma completamente aleatória, o único assunto que passou em sua mente a se perguntar tinha sido esse. Péssimo, Svansson, péssimo.
Respirou aliviado. Ele não tinha sido tão sem noção assim, June não se sentiu ofendida, pelo menos. “Ah ótimo” ainda um pouco sem graça, riu “40%? Sério?” perguntou surpreso. Era uma alta porcentagem. Não tinha a mínima noção de quanto era na França, muito menos na Suécia. Era algo a se pesquisar assim que chegasse em casa “Tem países com porcentagem maior que essa?” Alex mantinha-se ainda surpreso negativamente com aquela informação, ainda mais com a fala seguinte de June. Apesar de ter soado um pouco estranho, sabia que também não teve uma perfeita experiência vendo o casamento de seus pais, que assim como o dos pais de June, tinha acabado de forma desastrosa. Sentiu-se bem com Sarah, não imaginava que o que tiveram um dia acabasse em divórcio, todavia sabia também das dificuldades e desgastes que uma relação poderia sofrer. Sentia-se um pouco desmotivado com a realidade. Sabia que por mais que negasse, tinha um coração um pouco Ted Mosby, talvez um Ted mais disfarçado, mas ainda sim um Ted Mosby.
“Você já conhece muitos países europeus? Eu particularmente e infelizmente não conheço muitos. Consigo contar nas duas mãos, acho.” mentalizou rapidamente em sua cabeça, totalizando doze países europeus que conhecia, um pouco mais do que esperava. “É relativamente fácil andar de trem por essa parte da Europa, até o Reino Unido ainda vai, tem o EuroStar, mas pra Suécia tem toda a questão de avião. Aliás, quantas horas são pra sair do Canadá e chegar em Paris?” Aquele assunto o interessava e muito. Trabalhava com turismo e desde que se entendia por gente adorava pesquisar sobre viagens e pontos turísticos, não apenas de Paris, mas do mundo como um todo. Se pudesse ficaria papeando por horas sobre meios de se locomover na Europa, o que fazer na Suécia ou mesmo em Paris. Embora Estocolmo não o visse há anos, não negaria em hipótese alguma a beleza da cidade, isso soaria como negar o frio que fazia no país - inegável. “Qual seu top 3? Inglaterra tá no meio, né? Dois terços das pessoas que eu conheço de turistas vem pra Paris por causa de alguma escala e o destino principal na maioria das vezes é a Inglaterra. We hate them. E falei em inglês justamente pra ironizar isso.” toda a dívida histórica e batalhas estreladas por ambos países fazia com que não apenas os ingleses, mas os franceses também nutrisse certo preconceito um com os outros. Achava meio tosco tudo aquilo, mas sabia que no fundo tinha abraçado aquela causa e hoje não fazia muita questão de marcar presença na terra de Elizabeth.
“Voz de baixinha” reforçou com um sorriso. A brincadeira o deixou ainda mais curioso. Não que não tivesse pensado em como June seria, mas dizer para ela sobre aquilo seria um pouco estranho. A curiosidade aumentava ao querer saber se tinha de fato acertado e pontuado com seu chute ou se tinha errado. Nada a impedia de ser alta e sua voz não expressava nada sobre esse palpite de Alexander. A tensão da fala da mulher, fazia com que as batidas de seu coração ficaram um pouco mais intensas ao notar que logo falaria algo sobre ele. Com certa dificuldade graças a máscara, os olhos do rapaz arregalaram, se segurando para não dizer nada que fizesse com que o comprometesse. Ela tinha acertado, dammit, ele precisava ter acertado a anterior e acertar o próximo palpite. Por mais bobo que fosse, queria sair dali com mais pontos possíveis. “Agora vou pensar no estereótipo canadense também, não vale. Só consigo pensar que fisicamente vocês não tem um estereótipo, mas que assim que nascem já ganham equipamento de ski” riu “Seu cabelo é curto?” não tinha a mínima noção, queria poder pegar no cabelo de June ali para poder ver se pelo menos seria cacheado ou liso, consequentemente saberia o comprimento.
Agora a parte boa, pensou. Não podia negar que amava quase tudo que envolvia açúcar. Praticamente uma formiga, como sua mãe costuma dizer. Estava ansioso para a sobremesa, mas não apenas por isso. Assim que finalizassem aquele prato não teria muito mais motivo para ficarem ali, o garçom simplesmente retiraria os pratos e os acompanharia até a porta… e bem, ali tudo seria revelado. O rosto de June, se era tinha cabelos longos, curtos, ruivos, loiros, escuros ou até mesmo rosa, a coloração de sua pele, altura, olhos. Tudo. A chance de ter errado seus palpites e tê-la imaginado completamente diferente era alta. “Acho que pra sobremesa comeremos baratas salteadas no caramelo.” brincou.
Se dissessem a June de um ano atrás que hoje ela estaria na França feliz e contente em um encontro, tagarelando animada sobre game shows, ela com certeza não acreditaria. Diria até que nem gosta desse tipo de programa. Mas lá estava ela. Verdadeiramente se divertindo sem enxergar um palmo na sua frente com um completo desconhecido. O mundo, pensou, realmente dá voltas. "O suspense de Quem Quer Ser um Milionário? é único. Recomendo bastante. Só cuidado pra não cair tanto no buraco que nem eu. Parece que não, mas é algo que te pega de uma hora para outra. Quando você se dá conta já está viciado. Outro dia, de madrugada, me vi pensando em procurar a versão britânica pra assistir na internet. Aí até eu admito que já é meio demais..." Riu quanto ao questionamento do rapaz sobre o Burger Quiz, era de fato um conceito curioso. "Não, mas seria legal se fosse. É quase tão zoado quanto, as perguntas são bem aleatórias e tudo no programa é temático. Os times se chamam 'Ketchup' e 'Maionese', as perguntas iniciais são os 'Nuggets' e por aí vai..." Enquanto falava pensou no quanto esse submundo parecia meio ridículo quando explicado, estranho, no mínimo. Se não tivesse sido cooptada a assisti-los, os associaria para sempre apenas com sua avó e olharia torto para qualquer outro que os levasse tão a sério assim. Estava em Paris há pouco tempo e achava interessante reparar nessas pequenas mudanças que a troca de ares já havia lhe causado, o que por si só já era uma certa questão para alguém que nunca foi maior fã delas. "Sem querer me gabar nem nada, mas sim, minha avó é o melhor ser humano que já pisou na face da Terra." Ao ouvir a resposta positiva de Alex sobre seu plano não pode deixar de, aliviada, abrir um grande sorriso. Talvez não fosse tão estranha quanto achava. "Eu preciso soar realista. Tudo pela arte, sabe? Também acho que a gente consegue, mas... posso saber, por acaso, qual é essa desculpa?" Quando, então, ouviu seu comentário sobre a noite estar sendo ótima, o sorriso ficou ainda maior. Pensou em dizer algo também, mas não sabia exatamente o que, em vez disso, por puro reflexo, só perguntou "Tudo bem?" em reação a sua tosse. Quando se deu por si, ele já havia mudado de assunto e ela tinha deixado o timing passar. Seu lado racional dava graças, pensando que assim talvez as expectativas fossem mais fáceis de controlar. Já a grande romântica que morava dentro de si, ainda com o mesmo sorriso bobo, queria ter falado sobre o quão nervosa estava antes de vir e o quanto aquela era uma surpresa agradável. Queria falar sobre quanto tempo fazia desde a última vez que havia se dado tão bem com alguém de primeira e que, sim, apesar de muito diferente do que estava acostumada, estava sendo ótimo. Mas nada disso fez, apenas seguiu o fluxo da conversa. "Sim e não. Quero dizer, não no momento. Estudo jornalismo, mas tranquei para vir..." 'passar o semestre aqui' era a resposta natural. Naquele momento, porém, não conseguiu completar a frase. Era idiota, eles mal se conheciam e June sabia que não deveria estar dando peso para aquilo agora, mas era mais forte que ela. Tomou um gole de água para disfarçar a pausa, o que logo percebeu como uma estratégia falha. Alex não podia vê-la e duvidava que ele conseguiria ouvi-la o suficiente para entender o que havia feito. "...para cá. E você?" por fim, continuou como se nada tivesse acontecido. Assentiu com a cabeça, de forma automática, mais uma vez se esquecendo da escuridão. Gostava de saber um pouco sobre as estatísticas do divórcio, a ajudava a manter os pés no chão. Apesar de ter várias anotadas em seu caderninho de bolso, não tinha muitos números decorados. No mínimo, se esforçava para sempre ter em mente o quão altos eram. "Tem, mas, sinceramente, eu não lembro direito. Faz um tempo já que pesquisei isso e lembro de achar os dados um pouco confusos. Se eu não me engano, nos Estados Unidos eles chegam a 50%, mas posso estar errada." Se recordava que os países europeus, na verdade, eram, via de regra, os com as taxas mais altas, mas como não tinha certeza achou melhor deixar essa informação de fora. "Pouquíssimos! Por isso mesmo queria conhecer mais. Acho que consigo contar em uma mão só..." Parou por um momento enumerando todos os lugares que já tinha visitado. "É, contando com a própria França e as belas horas que eu já passei fazendo escala em Amsterdã, foram exatamente cinco países. O que é meio absurdo porque venho para cá desde pequena, mas quase nunca saiamos da França. O voo direto até aqui dá umas 7 horas, mais ou menos. Com conexão, só Deus na causa." Achava fofo a especie de rivalidade que Alex sentia quanto aos ingleses e sorria toda vez que trazia isso a tona. "Pior que não. Isso vai soar muito estranho, mas minha mãe tem um certo medo de ilhas... Quer dizer, não é bem medo, mas ela definitivamente não gosta. Então, é, apesar de ter vontade, nunca fui a terra da rainha, a única outra vez que vim para cá sem ela só fui a Bélgica de diferente que, no caso, seria minha terceira colocada. Empatadas em primeiro e segundo ficam França e Espanha, já que o aeroporto da Holanda não é dos mais divertidos e eu era muito pequena quando fomos a Suíça para lembrar direito. Qual seu top 3? Pode falar, Inglaterra é o primeiro, né?" disse com um tom levemente provocador, mas riu logo depois. Mesmo sem esteriótipos físicos para se basear, ele mais uma vez acertava na descrição. Não que seu cabelo fosse dos mais curtos, mas longo com certeza não era. Seu coraçãozinho ficava feliz com o acerto, enquanto seu cérebro focava na vitória. Se acabassem em empate, provavelmente acabaria argumentando que, na verdade, o comprimento era médio, não curto, mas isso era problema para depois. Achou graça de seu comentário sobre o ski e disse com a voz mais séria que conseguia: "Hockey, por favor." Fez um certo suspense quanto sua próxima suposição, mas, dessa vez, não pensou muito antes de falar, foi com o que realmente achava. "Curto? Talvez... Hm... Eu acho que você não usa barba." Ainda ria com a piada de Alex quando o garçom voltou com as sobremesas o que só a fez achar tudo mais engraçado. Só conseguia imaginar na sua frente um prato cheio de baratas e no quanto provavelmente estariam muito gostosas e, por isso, classificadas como alta gastronomia. Tentava manter a compostura, mas não só não conseguia parar, como ria cada vez mais. Toda vez que chegava perto de se acalmar pensava no quanto a cena não deveria estar fazendo sentido nenhum e voltava as gargalhadas. "Desculpa" tentava dizer no meio de toda a crise, sem muito sucesso.
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𝓭𝓪𝓷𝓼 𝓵𝓮 𝓷𝓸𝓲𝓻?
“Nunca vi muito os game shows, mas tinha um bem famoso que acabou tem uns quatro ou cinco anos… Le Juste Prix? Acho que era isso. Todo mundo comentava sobre, mas eu nunca fui um bom entendedor de como ele realmente funcionava. Mas apesar de não assistir muito esse tipo de programa, eu admito que já vi uns episódios de Tout le monde veut prendre sa place. É esse game show que você vê? O que passa na France 2. Esses dias eu tava vendo um dos episódios passados na TV5Monde, achei que as perguntas seriam mais fáceis” mencionou sobre sua curta experiência com aquela categoria de programas da televisão francesa, apesar de tudo eles pareciam ser bem produzidos e levados a sério não apenas pelos participantes e produção, mas como pelo próprio público que se mantinha fiel ao longo de anos de exibição do programa “E quem nunca assistiu nada de culinária e aí disse que ia fazer e no fim não fez nada? Acho que deve ter algum estudo sobre o ser humano fazer isso ao menos uma vez na vida” afirmou sua ideia, apesar de não passar de uma mera brincadeira referente ao estudo, mesmo que diante daquilo ele era um belo exemplo de fazer anotações e listas de compras e acabar desistindo de uma hora para outra da execução das receitas. Riu brevemente com o comentário de June, seria engraçada a reação de Marcus e com certeza por ele toparia participar dessa brincadeira com o amigo. “Seria engraçado, se você for fazer isso deixa uma câmera escondida gravando pra eu conseguir ver a reação dele depois. Mas se bem que se eu conheço o Marcus ele deve estar enviando mensagem pra mim e pra você, confirmando que a gente não tá respondendo justamente por estarmos juntos aqui” pensou nessa possibilidade quase certeira vinda do outro, o que estragaria em partes o que Alex e June estavam planejando aprontar. “Wow… que merda. Ou ela é legal? Em qual lado da histórias estamos? Podemos falar mal do seu pai ou ele é legal mesmo tendo feito isso?” riu. mas um tanto sem graça pelo que acabara de dizer. Mal conhecia June e simplesmente estava julgando o pai dela em voz alta pela atitude dele? Esperava que ela concordasse com ele e não ficasse um clima tenso depois disso “Pais são complicados. Casamento não deve ser muito fácil mesmo. É super comum ver casais divorciados.” disse um pouco desanimado com aquela situação em que ambos se encontravam, podia dizer por si que sofreu com a separação dos pais e as consequências posteriores que isso tomou “Quando você for pra Suécia é uma obrigação passar no ABBA The Museum. Tem até a simulação de um estúdio e é perfeito. Fica perto de outros museus também, o Vasa Museum e o museu nórdico são meus favoritos, mas tem que levar em consideração que eu amo museu, então qualquer museu eu curto. Eu adoraria ser seu guia na Suécia um dia” não se recordava quanto tempo fazia que não se sentia bem conversando com alguém e nem se lembrava o quão tímido era. Não sabia se era uma condição que era favorecida pelo restaurante, visto que eles não estavam se vendo e o que poderiam fazer era definitivamente se conhecer por conversas, mesmo que sejam super aleatórias. Marcus havia acertado em cheio nessa ideia, devia uma ao amigo “Não, não vou falar. Nem lembro o que eu falei” brincou com June, pretendia rapidamente mudar de assunto para aquilo ficar esquecido. “MAPLE SYRUP! Isso que a gente tava falando, vamos esquecer de tudo e focar em maple syrup. Eu nunca provei, mas dou minha palavra que nessa semana eu vou até o mercado e compro” seria sincero quanto ao que achava da espécie de mel, afinal, tinha um pré julgamento que só o cheiro doce o enjoaria. Riu com o comentário da garota, imaginando o quão estranho seria se descobrissem que tinham acabado de comer um roedor “Ah não, o Remi caiu na sua comida” fez um comentário que seria tipicamente uma brincadeira com o desenho da Disney que se passava justamente na cidade de Paris, uma das animações mais bem feitas em sua opinião, diga-se de passagem. Mexia na comida com um garfo ao ouvir a proposta de June. Um jogo? repetiu a pergunta em sua cabeça. Eram regras interessantes, admitia. Ao mesmo tempo que a ideia parecia ser boa, tinha certo receio de alguma decepção, não por sua parte necessariamente, mas podia ser que ela tivesse criado alguma expectativa e isso o deixava um tanto desconfortável. Essa insegurança o perseguia mais uma vez. “Ah, pode ser. Quem começa?” perguntou. “Eu posso começar… hm” ficou alguns segundos em silêncio tentando associar a voz a imagem de June, dammit, aquilo era definitivamente difícil “Eu acho que você tem um metro e sessenta no máximo” riu com seu próprio comentário. Aquilo era baseado em absolutamente nenhuma evidência e esperava que June não ficasse ofendida de maneira alguma. “Mas é bom, não é?” se referia ao seu prato e sem muitas ressalvas, Alex aceitou o convite dela. Levantou com todo cuidado o garfo até onde imaginava estar a comida. Ao colocar o garfo na boca, não conseguia descrever a sensação diferente que estava vivenciando. Os sabores pareciam tão vivos, tão cheios de energia e a comida definitivamente entrava no seu top cinco. Considerava a pergunta de “se eu estivesse vendo a comida, ela pareceria tão boa assim?” “Sim! Eu nunca imaginei falar isso, mas se existe gosto de comida bonita, definitivamente é essa comida que se encaixa nisso”
"Esse é aquele das maletas, né? Acho que lembro da minha avó assistindo quando eu vinha passar as férias aqui. Nunca liguei muito pra esse tipo de programa, mas desde que vim morar com ela, fui totalmente levada pro lado negro da força. Tout le Monde Veut Prende sa place! Sim! Muito bom! A gente geralmente vê as reprises também, os novos passam de manhã aí cada uma 'tá sempre fazendo alguma outra coisa. Assistimos vários, na verdade. Por exemplo, tem o Le Grand Concours, o Questions pour un champion, o In ze boîte, que, aliás, tem umas crianças muito fofas e o símbolo deles parece a abertura da Drake e Josh é hilário, também tem o Slam e o Le Grand Slam... Enfim, muitos. E, correndo o risco de soar muito sem graça, acho que meu favorito ainda assim é Quem Quer Ser um Milionário?. Tem um motivo para terem feito um filme todo sobre, sabe? Ah! Tem um outro ótimo também, super engraçado, o Burguer Quiz." June, que já era tagarela por natureza, ficava ainda pior quando animada. Falava rápido, sem muito pensar, quase se enrolando nas próprias ideias. Desde que se mudara para Paris, suas interações sociais se resumiam a sua família, vizinhos, conversas breves com estranhos na rua e alguns poucos conhecidos, fazia tempo desde a última vez que se encontrava em uma situação em que o principal único intuito era simplesmente conversar. Se pensasse, porém, em todas as possíveis repercussões que um encontro de sucesso poderia causar, se desesperaria e provavelmente daria um jeito de cortar logo todo mal pela raiz. Para sua sorte, naquele instante, estava distraída demais aproveitando o momento. "Você tem um ponto, mas a minha avó é outro nível. Ela anota todas as receitas. Todas! Se não tem papel e caneta perto ela troca de canal. Diria até que ela merece o próprio estudo." disse bem-humorada "Quebrei a estatística uma vez e tentei fazer um suflê que vi em um programa desses. Quando morava no Canadá ainda. Até que deu certo, mas admito que não tanto quanto eu esperava..." De início tinha proposto enganar Marcus quase que da boca para fora, mas a resposta positiva de Alex foi o suficiente para fazê-la investida na ideia. Todavia, ele tinha razão e seu cupido particular provavelmente estava fazendo o possível para se certificar de que os dois estavam juntos. Parou e pensou um pouco até chegar a uma alternativa que talvez funcionasse. No momento em que começou a falar, seu plano ainda era embrionário, formulando-o pela primeira vez já em voz alta. "Mais uma vez, você tem um ponto. Mas se quisermos realmente levar isso para frente eu acho que tem como. É só nenhum de nós dois responder nada para ele quando sairmos daqui. Sem notícia nenhuma ele vai acordar desesperado amanhã e vai ser obrigado a bater na minha porta. Ou, talvez, na sua, mas a minha casa é mais perto. E aí, se esse for o caso, eu digo com a minha voz mais triste e desolada que você me deu um bolo e eu 'tava ocupada demais chorando abandonada, vagando sozinha por Paris, para responder qualquer mensagem. E que você deveria estar evitando ele porque é um grande filho da puta sem consideração nenhuma pelos outros. Se ele acabar indo até você, afinal, vocês são bem mais amigos, é só dizer que quando você chegou aqui tinha um recado meu dizendo que tive algum tipo de emergência e por isso não poderia vir. Pessoas em emergência não atendem o telefone, muito menos se elas furam com o encontro que você arranjou. Nesse cenário, você é o que chora sozinho por Paris, ou só não falou nada porque não queria decepcionar ele ou algo assim." Logo que acabou de falar, deu uma respirada e percebeu o quão maluca provavelmente acabara de soar. June se orgulhava em ser alguém racional e uma de suas atividades favoritas era pensar em possíveis cenários junto com todas as possíveis repercussões e em como solucionar e lidar com cada uma delas. Ela não gostava, porém, de quando se perdia dentro ·disso na frente de quem pouco conhecia. Morria de medo de causar uma má impressão, parecer estranha, ou parecido. "Ou não também, só uma ideia. A gente pode sempre só falar que ficou sem bateria..." disse tentando amenizar sua última fala e, mais uma vez naquela noite, amaldiçoou sua boca grande. "Estamos do lado da história que cansou de se estressar com a maluquice daquela família. Ela é legal, meu pai é legal, minha mãe é legal, mas ainda assim todos continuam sendo meio merdas. Tudo bem falar mal deles, eles merecem o suficiente." Achou genuinamente fofo a reação quase preocupada de Alex quanto a história de seus pais. Com o tempo, June havia aprendido a abstrair todo o caos que eles causavam e apegar apenas as partes boas de sua relação, ou pelo menos era isso que costumava dizer para si mesma. Na maior parte do tempo tratava tudo como piada, como eventos distantes, fazendo seu melhor para não demonstrar o quanto realmente se importava com o assunto. "Sim... No Canadá, por exemplo, 40% dos casamentos acabam em divórcio... Isso sem contar os que ficam viúvos e os que se odeiam debaixo do mesmo teto. Casamento é um jogo de gente que gosta de perder." Provavelmente esse era o tipo de coisa que qualquer um te aconselharia a nunca falar em um encontro, muito menos no primeiro. No entanto era algo que June se forçava tanto a acreditar que nem percebeu, era como se falasse mais para si mesma do que para ele. No mais, tomou uma nota mental para pesquisar as estatísticas francesas quando chegasse em casa. "Nada me deixaria mais feliz do que ir no museu do Abba, sério. Uma das minhas principais metas desse ano, tendo vindo morar aqui, é conhecer outros países da Europa e, agora mais do que nunca, a Suécia 'tá no topo da minha lista." disse ainda com o sorriso bobo no rosto que abriu quando ele se ofereceu para ser seu guia. Mais do que jamais admitiria, estava feliz com o encontro dando certo. Alex parecia um cara legal e ver que ele também estava gostando de sua companhia a reconfortava. Podia não conseguir se livrar totalmente das vozes em sua cabeça que temiam pelo eventual fracasso do que estavam construindo, independente do que fosse, mas fazia o máximo para silenciá-las por ora. "Você pode não poder ver, mas nesse momento eu 'tô fazendo a cara mais brava possível. Sua sorte é que você acabou de prometer que vai experimentar maple syrup. Se não eu nunca te perdoaria." disse com bom humor, cada vez mais curiosa sobre o que o rapaz havia dito anteriormente. O comentário sobre o Remi a pegou de surpresa e por pouco não engasgou ao começar a rir. Quando se recompôs, alegrou-se por Alex ter topado seu jogo, mesmo que não parecesse muito animado. "Eu tenho voz de baixinha então? Interessante..." provocou. Ponto para ele. June de fato tinha meros 1,56 e mesmo que deduzisse que havia sido um palpite aleatório, não pode deixar de escapar um sorrisinho pela resposta correta.·"Okay, minha vez. Hum..." Pensou um pouco no que ia dizer. Se fosse sincera, diria que o imaginava com cabelos castanhos, porém, como ele já tinha um acerto, e ela nunca jogava para perder, escolheu tomar um caminho mais estratégico. "Já peço desculpas porque eu vou ter que começar apelando para o esteriótipo. Como você é sueco, vou chutar que é loiro.” Por um momento se sentiu mal, como se tivesse roubando no próprio jogo. Apesar de ter realmente, com o tempo, formado uma imagem de Alex em sua cabeça, ela era instável e variava conforme conversavam. Não seria um absurdo imaginá-lo da mesma maneira só que com cabelos claros, mesmo assim era estranho contradizer o que havia passado maior parte do tempo pensando. Quase mudou sua suposição, afinal, ficaria bastante frustrada se, no final, sua primeira intuição tivesse certa.·Contentou-se, por fim, com o meio termo.·“Mas, vou arriscar aqui e dizer que é um tom de loiro mais escuro." "Depois de algumas garfadas acho que finalmente posso confirmar: sim é, com certeza bom. Mas! Não deixa de ser muito estranho. É um estranho bom. Bem bom." June tinha o hábito de comer rápido, principalmente quando gostava da comida. A cada porção que colocava na boca, porém, desacelerava cada vez mais. Não queria terminar. Testou, na medida em que a escuridão lhe permitia, todas as combinações de elementos possíveis, inclusive sozinhos, e independente do que fizesse, os sabores eram sempre espetaculares. Precisava sair para comer mais vezes, pensou. Em dias normais, se virava o suficiente na cozinha ou pedia algum tipo de delivery, sua avó era também uma boa cozinheira, mas nada perto disso. Quando o garçom apareceu para checar se podia recolher os pratos, ela havia acabado de engolir o último pedaço do que imaginava ser algum tipo de carne. Bastante satisfeita, fez questão de soltar um elogio ao garçom que, muito simpático, agradeceu e disse que logo voltaria com as sobremesas. "Admito que depois desse jantar, tenho altas expectativas. Claro que não vai ser nenhum grand-pères nem nada, mas aí já seria pedir demais." brincou assim que ficaram só os dois novamente.
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Aquilo era realmente o que tipicamente Marcus falaria para alguém sobre Alex, ele tinha plena consciência de como era importante na vida de Marcus e era grato ao rapaz por tantos fiéis anos de amizade. O loiro ouvia atentamente os elogios feitos pelo amigo e deixava escapar um pequeno sorriso com aquilo, o agradecendo por não ter contado sobre o ocorrido com Sarah. “Vocês vem programas de culinária ou aquelas competições de talento na TV?” direcionou a pergunta com certa curiosidade, afinal aquele era sempre o programa que levava com sua avó quando a visitava no interior do país “Ah, acho que nos conhecemos logo depois que cheguei pra ficar na cidade de vez. Dá pra dizer que somos amigos. Marcus é um cara legal. Meio exagerado, as vezes, mas legal. É uma boa pessoa. E sim, provavelmente ele te ignoraria por umas semanas, mas depois voltaria ao normal” riu brevemente “Europeu é tudo igual? Wow, essa doeu” riu colocando a mão esquerda no coração “Me recuso a ser comparado com ingleses. Tudo menos isso.” disse ao relembrar das eternas rixas entre os franceses e ingleses por tantas história enfrentada que os dois se encontravam em lados opostos. Mesmo não sendo francês de certidão de nascimento, Alex já tinha comprado a briga para si “Meus pais não se dão muito bem também, acho que rolou traição ou algo assim. Eles não curtem muito se falar” lembrou das brigas que era até a maioridade do filho e como os pais tratavam qualquer decisão que precisavam tomar a respeito de Alexander. “ABBA!” disse num tom de êxtase graças a June lembrar que Abba era uma banda sueca, o que muitos imaginavam ser inglesa ou americana “Abba é minha banda favorita e eu sempre sou alvo de piada por isso, vê se dá pra aturar francês rindo disso. Voulez-Vous é muito mais francês que certas músicas francesas por aí.” sorriu ao ouvir que June já teve interesse pelo seu primeiro idioma e sem pensar muito disse a ela uma curta frase em sua língua nativa “Tyckte om dig” desmiuçou um sorriso “Não vou traduzir, porque não era para você ter parado com o Duolingo” brincou. Naquele momento só esperava que ela realmente não se recordasse de nada de sueco, não queria que ela achasse ele freaky ou rápido demais em achar aquela noite boa e sem manter arrependimentos até aquela hora. “É, pra mim o divórcio foi bem ruim porque não entendia muita coisa, só que aí cresci e vi que foi melhor daquele jeito.” se ajeitou mais uma vez no estofado macio “Nunca comi maple syrup, só sei que é bem famoso na América, principalmente no Canadá. Tem bastante gente de Quebéc aqui na França, por isso tem umas lojas e mercados que vendem, mas eu nunca tive muito interesse em experimentar. Me falaram que é meio doce e americano demais” riu “Vou ver se mudo de opinião com relação a comprar esse syrup”.O Dans Le Noir? não era bem uma novidade ao rapaz. Ele nunca foi de fato até o restaurante, apenas conhecia por reportagens, amigos que frequentaram ou até mesmo por sua mãe que esteve uma noite no local, exatamente como ele estava, ela já tinha ido em um encontro ali. Por um momento imaginou que nem avisara a mulher que tinha um encontro. Não contou primeiramente por imaginar que ela ficasse eufórica demais e seria difícil depois avisá-la caso não tivesse ido conforme o imaginado e, segundo, é que ela estava atolada de trabalho, o que talvez até o momento em que Alex chegasse em casa ela ainda estaria entretida com as dezenas de livros históricos. Ao retomar seu pensamento ao conceito do restaurante, Alex lembrou dos pertences que foram deixados em um armário, incluindo sua bolsa com carteira e celular, exatamente como fora mencionado por Marcus mais cedo. Alex então se lembrou do momento em que o maitrê perguntou se ele possuía alguma restrição alimentar antes de entregar a ele uma venda. A venda servia mais como um reforço para o salão escuro que entraria e ficaria, pelo menos, por uma hora e meia na companhia de June. No salão escuro, o loiro entrou acompanhado de um dos garçons que posicionou Alex na mesa seis. Imaginou que em toda essa história, esqueceram de perguntar a June sobre as restrições alimentares. Tateou a lateral da mesa em busca de um botão para acionar algum garçom e informar sobre o que ela mencionara. Ao apertar o botão, Alex voltou a tatear em busca do garço e faca, a fim de colocar na boca a outra parte de sua entrada. “Acho que logo eles vem.” comentou com a boca um pouco cheia, pedindo desculpas por isso em seguida “Eles servem tipo umas coisas exóticas, provavelmente minha entrada era… sei lá, barata com molho pesto” riu com sua própria fala “Enfim, é tudo pra você aprender a enxergar de outras formas” deu levemente de ombros. Ouviu uma voz próxima de si, que pelo contexto entendeu que se tratava do garçom, com isso, como se pudesse observar o rosto do rapaz ali, Alex virou o rosto para o sentido em que a voz soava “Boa noite, senhor. É que a gente tem uma restrição extra no cardápio, seria a de camarões. É isso, June?” voltou seu rosto a onde imaginava que estivesse a companheira. Não estava com seu celular ali, contudo, sua percepção de tempo podia imaginar que apenas alguns poucos minutos se passaram para a chegada do prato principal. A louça quente deixou sua mão morna por um instante, o que o fazia lembrar que desde pequeno aprendeu que para servir um prato quente corretamente, não só a comida deveria ser aquecida, mas também a louça que serviria de base para o alimento. Aquele definitivamente se tratava de um restaurante francês. Era incrível como sua percepção fora aguçada na última hora. O cheiro de perfume deu espaço para um perfume diferente. Aquele prato tinha um cheiro peculiar do que imaginava ser açafrão da terra com um muito bem feito bouquet garni. Não entendia muito de culinária, pelo menos não de fazer, todavia, não podia negar que adorava comer e degustar novas comidas mesmo sem ter noção alguma do preparo. “Pelo menos o cheiro tá bom, só não sei se nossos pratos são iguais agora” disse a June, antes de levar a primeira garfada a boca. O gosto, de primeira impressão amarga, se formou agradável ao paladar depois de poucos segundos. Era um gosto nunca provado antes, nenhum chute poderia ser dado por Alex. Mastigou algumas vezes a fim de tentar descobrir pela textura, mas sem sucesso algum “É, eu não faço ideia do que seja, mas meu Deus, isso é ótimo” comentou animado. “Você sabe o que tem ai no seu prato?” perguntou enquanto ajeitava a venda no olho que teimava em descer um pouco “No meu não tem nada de camarão, tenho certeza. Você quer experimentar? Ver se é o mesmo que o seu” deu um curto empurrão no prato, fazendo com que o barulho de uma taça que estava logo em frente alertasse que quase caíra.
"Sim! Quer dizer, competição de talento nem tanto, mas programas de culinária vemos vários. Minha avó anota todas as receitas para testar depois. Na prática ela sempre cozinha as mesmas coisas, duvido já tenha feita alguma delas, mas fofo ainda assim. O que eu mais gosto de ver com ela, na verdade, são os game shows, principalmente aqueles de perguntas e respostas, sabe?" a animação era perceptível em sua voz. Apesar das recentes reclamações, June realmente gostava de passar tempo com a avó, quase tanto quanto gostava de reclamar da boca pra fora. Ficava feliz só de lembrar das duas sentadas no sofá xingando a televisão e os concorrentes que erravam as perguntas mais simples em 'Quem Quer Ser um Milionário?' e derivados. "'Meio exagerado, mas legal', parece a definição perfeita. Dá quase vontade de inventar alguma desculpa e dizer para ele que o encontro acabou não rolando só para ver a reação. Tadinho." soltou uma breve risada ao pensar no possível drama de Marcus. Não o conhecia direito e, se parasse para pensar, talvez estranhasse o tamanho investimento do rapaz. Contudo, esse não era o caso e ela apenas o via como alguém muito empolgado. Seu tom era de brincadeira como se tivesse proposto uma ideia absurda, mas, apesar de não admitir de primeira, era uma que acharia divertido colocar em prática. Riu novamente ao ouvir Alex se recusando a ser comparado aos ingleses. Ergueu as mãos como se dissesse 'não é minha culpa', esquecendo por um momento que ele não podia vê-la. "Meu pai tinha um caso com a vizinha e hoje eles são casados. Ele adora dizer que tudo, na verdade, começou como vingança porque minha mãe já traia ele frequentemente com vários outros caras, mas, sempre que pergunto sobre, ela foge do assunto. Até hoje não tenho certeza se é real ou só maluquice da cabeça dele. Os dois são um caos." Mais uma vez, falava como se não levasse a sério a situação dos pais, como se para ela aquilo não passasse de uma engraçadinha história cotidiana. A reação animada vinda do outro lado da mesa quanto a banda sueca a pegou de surpresa e ela não pôde deixar de abrir um grande sorriso. "Piada?! Que absurdo! Piada é não gostar de Abba! Se tem algo que merece o status de patrimônio cultural mundial é Abba, nada mais importa." disse de forma mais entusiasmada até então. Falar sobre Marcus, sua família e batatas frustas era legal, mas nada se comparava a Abba. "Putz... Se eu não me engano 'dig' é 'você'... né? Não tenho certeza. Agora o resto eu realmente não faço a menor ideia. Soa minimamente familiar, mas não sei mesmo. Me conta aí, vai." Odiava não saber das coisas e, naquele momento, não ter entendido o que ele tinha falado a deixava maluca, ainda mais por deduzir que era sobre ela. Se seu objetivo era fazê-la querer baixar o aplicativo de volta, havia sido um baita sucesso. Não deveria se importar tanto com isso, mas aquele era o típico pequeno detalhe que June adorava se fixar. Repetiu o que achou que tinha ouvido várias vezes em sua cabeça para tentar pesquisar no Google assim que pegasse o celular de volta, em vão pois a cada repetição se afastava mais da pronuncia certa, se confundindo completamente depois de certo tempo. "Como não?! Agora me doeu. Você precisa provar! Sei o quão cliché soa ouvir a canadense idolatrando maple syrup, mas é um símbolo nacional por um motivo! Doce e americano demais? Talvez. Mesmo assim, juro que é muito bom." Sendo filha de dois estrangeiros, além dela própria na verdade ter nascido em outro país, June não costumava se considerar muito patriota. A não ser quando o assunto era maple syrup. Quase tão apetitoso quanto, estava a entrada em sua frente. Após se acostumar com a textura, digamos assim, particular, genuinamente achou a comida bem gostosa. Com certeza diferente do que estava acostumada. "Hum... esse ratinho ao molho branco 'tá uma delícia" disse entrando na brincadeira. A ideia de 'enxergar de outras formas' a fez pensar. Já estava há um tempo ali, conversando com um completo estranho, que nem mesmo o rosto sabia. Havia demorado um pouco, mas se acostumara com a escuridão, chegou até mesmo a um ponto em que ela parecia quase natural. Foi quando que percebeu que, inconscientemente, tinha associado um rosto a voz que tanto ouvia. Em nenhum momento tinha de fato de concentrado em formar uma aparência para Alex, foi acontecendo aos poucos. Indagou-se sobre o que se passava na cabeça dele. Provavelmente, de uma forma ou de outra, tinha também uma possível imagem de June na cabeça. Mas qual? Estava ainda absorta nesses pensamentos quando o garçom chegou, assim, concordou com o dito pelo rapaz sem prestar muita atenção. Quando ele foi embora, ela não resistiu em falar "Isso de uma outra maneira de ver as coisas me fez ter uma ideia... E se a gente jogasse um jogo?" Talvez aquilo quebrasse um pouco a ilusão pela qual estavam imersos, mas sua curiosidade falava mais alto. "Cada um diz como acha que o outro se parece. A única regra é que nada pode ser confirmado ou negado até a gente se ver. Quem chutar mais longe, sei lá, paga a volta pra casa do outro." Logo chegaram os pratos principais e com eles um cheiro delicioso. Agora, já se achando acostumada com o que constituía uma ‘experiência gastronômica’, June achou que tiraria a estranheza de letra. Oh, como estava errada. Sem medo, deu uma garfada generosa na comida. Foi, então, surpreendida por algo não só muito diferente do que estava acostumada, mas muito diferente da entrada também. Havia uma mistura de texturas que nunca antes tinha experienciado. Em uma só garfada havia elementos macios, crocantes, esponjosos e, até mesmo, ásperos. Até então, nem sabia que uma comida poderia ser áspera. Era como se ao mastigar fosse sentindo novas camadas, terminando com a inédita presença de um toque apimentado. "Ok, isso é muito estranho, mas ao mesmo tempo acho que muito bom. Não tenho certeza ainda. Também não faço ideia do que é." disse realmente impressionada com o que tinha acabado de comer. Aceitou a oferta de Alex com um misto de animação e ressalva, mesmo com a possibilidade de terem o mesmo prato, ela já não sabia mais o que esperar. "Sim, eles são definitivamente diferentes. Quer experimentar o meu? Ainda estou tentando processar tudo, mas essa é, com certeza, uma experiência gastronômica. Agora ferrou, como é que eu vou sair daqui e voltar a comer coisas com um sabor só?" com cuidado empurrou os dois pratos para frente, um para seu lugar original e o outro para mais perto dele. Cometeu o mesmo erro de cálculo ao bater na taça, sem grandes acidentes. "É engraçado porque com a falta de luzes eles poderiam ignorar completamente a apresentação, mas isso aqui tem gosto de comida bonita."
lip-artie:
Artie não pode negar que a garota era engraçada, em cinco minutos já havia feito um bom resumo de seus pensamentos, e isso era no mínimo divertido, queria ele se comunicar tão bem assim. “Ah… Não, eu não sou de Detrid, Chicago, na verdade.” Se apressou em tranquilizar a garota, e diante de tantas informações estava tentando assimilar todas elas. “Realmente, eu não devia estar reclamando de me perder em Paris, qualquer lugar que eu ache, vai ser bonito de qualquer jeito…” Encolheu levemente os ombros, colocando as mãos no bolso. “Em minha defesa o GPS me diz que é exatamente aqui… Devia ser legal vir visitar sua família em Paris… Uma bela viagem de ferias. De onde você é?”
“Chicago é legal... Chicago é legal... Quer dizer, nunca fui, mas parece legal.” disse aliviada por não ter dado uma bola fora. “Turista? Reclamar faz bem para a alma, mas, realmente, você pode não ter achado a confeitaria ainda, por outro lado viu várias ruas parecidas e conheceu uma semi-local tão perdida quanto. Não são doces bonitos, mas é uma bela história para contar.” Com bom humor e um certo sarcasmo, tagarelava mais uma vez sem pensar muito no que dizia. “GPSs são meio doidos, outro dia fiquei um tempão esperando um ônibus só para descobrir depois que ele não passava por aquele ponto. Sim, era realmente bem divertido. Choque-se, mas sou cidadã americana, assim como você. Saí de lá ainda bebê e tal, me considero mais canadense do que qualquer coisa.” Por um momento, ao terminar de falar se perguntou se não havia acabado de contar muito para alguém que literalmente acabara de conhecer e não sabia nem mesmo o nome. Por fim, julgou as informações como inofensivas, mas perguntou para se sentir melhor: “Me chamo June, aliás. E você?”
lip-alex:
Dans le noir @lip-alex with @lip-june
O loiro tentava puxar em sua memória algum comentário de Marcus sobre June, mas não encontrara nada de imediato. Aos poucos, conforme ela comentava dos momentos em que conversara com o amigo em comum dos dois, Alex se recordava de alguma vizinha que só vinha nas férias, algo relacionado a isso. As histórias se completavam, sabia mais ou menos quem era June. Pensou até que conhecia bem superficialmente a avó da mulher, nada demais, apenas algumas vezes que cumprimentava enquanto entrava e saía da casa de seu amigo de longa data. Não sabia se realmente a senhora era a avó de June, mas tinha seu palpite. “Acredita que ele só chegou pra mim e jogou um jornal quase na minha cara? Ele só me falou seu nome e o horário. aí eu tô aqui.” riu sem muito humor lembrando da afobação de Marcus com a reserva feita no Dans le Noir?. “Ele falou alguma coisa de mim?” perguntou com certo grau de curiosidade, curiosidade esta que o acompanhava desde o momento em que saiu de casa. Se perguntava se Marcus tinha comentado sobre Sarah ou sobre ele estar ainda no processo de recuperação da perda. “Eu?” perguntou confuso “Ah ele já tentou várias vezes comigo, mas sempre dei desculpa, daí foi isso, hoje ele simplesmente jogou a revista com o nome do restaurante na minha frente e voilá, tô aqui. Acho que ele aprendeu que eu não viria se ele já não tivesse reservado tudo” comentou sobre sua vinda e pensou que talvez se chegasse em um momento que precisasse falar sobre Sarah. Ressentiria caso não estivesse cem por cento recuperado. Sabia que cem por cento não estaria, era um processo constante, mas como conversava com sua psicóloga há mais de um ano seria sobre ele conseguir falar sobre a ida de sua noiva. Na sua próxima consulta sabia que Esther, sua psicóloga, ficaria feliz com ela estar reorganizando sua vida e levando o nível de aceitação mais adiante e isso o confortava, ele estava progredindo mais uma vez. E se entrassem no assunto, estava tudo bem, Sarah fazia parte de sua história e ele estava num processo. Era isso. “Por que no seu país chamam de french fries? A batata frita foi criada na Bélgica, até os franceses admitem isso” sua pergunta vinha de uma curiosidade que o perseguia já tinha bastante tempo e June sendo americana, talvez pudesse responder isso por ele. “Eu nasci em Estocolmo, só que meus pais se divorciaram quando eu tinha uns seis anos e minha mãe pegou minha guarda. Vejo meu pai quase nunca, sou quase um turista quando vou pra Suécia.” lembrou-se das vezes que até se perdia no transporte público do país nativo. “Só não sei muito como eles se conheceram, minha mãe não gosta muito de falar sobre” sabia que sua mãe tinha muito ressentimento do relacionamento passado, fazia questão de dizer a Alex que ele era a única coisa boa que aconteceu nos dez anos de união do ex casal. “Sabia que você era canadense. Na verdade eu pensei, mas não tinha cem por cento de certeza” Sua brincadeira com escargots não deu lá muito certo, “merde, Alex, suas brincadeiras não estão funcionando” pensou. “Minha mãe também é francesa!” a interrompeu com certo entusiasmo, sussurrando um pardon ao perceber que a interrompeu. “Não costumamos muito comer escargot, mas morteau, parmenentier de canard e crepe a gente come sempre” foi interrompido com o primeiro prato trazido a mesa e com as indicações sobre o prato, nada muito aprofundado, imaginava que a fim do conceito ser preservado como quase tudo uma surpresa “Boa sorte pra gente então. Você come carne? Se não comer, acho que ainda dá pra pedir o menu vegetariano” comentou ao mexer com o garfo no que imaginava ser a comida no prato, criando coragem para degustar a entrada “Acho que acreditar na alergia ao cachorro é bem confortável” riu com a história de June “Como é a culinária canadense?” perguntou curioso, não sabia muito assim sobre o Canadá. Engoliu a primeira parte da entrada e deu uma tosse devido ao tamanho do finger food, talvez ele precisasse morder antes e não engolir tudo de uma vez. Sua tosse calhou ao mesmo momento em que June deu a entender que eles sairiam mais vezes, talvez ela não estivesse o achando tão chato e entendiante assim, uh? Apesar desse comentário, o nervosismo voltou a calhar e suas mãos suando era um bom indício disso. “É, é bem comum os franceses ficarem na margem do Sena. Todo mundo faz isso” disse, mas percebeu que talvez estivesse cortando o possível bom clima que pairava na conversa dos dois “Eu acho que se as entradas forem iguais, não tem camarões. Seria bom avisar que você não come camarão pra cozinha. É bem comum aqui comer camarão” falou em certo tom de preocupação “Quer que eu chame um garçom?”
Podia não conhecer muito Marcus, mesmo assim conseguia claramente vê-lo nas situações que Alex contava, de forma que chegava até a ser engraçado. Típico Marcus. Aquelas histórias, porém, a faziam pensar mais sobre o rapaz sentado em sua frente. Assim como ela, blind dates não pareciam fazer parte de seu cotidiano, mas por quê? Talvez pensassem igual, assustados com a qualquer possibilidade de romance. Quando não se conhece a pessoa com quem vai se encontrar, há sempre a chance, por menor que seja, de uma real compatibilidade. De saírem de lá animados para se encontrar novamente. De trocarem mensagens por horas a fio e sentirem saudades ao parar. Chance de desenvolver um relacionamento de verdade. Uma ideia que só de imaginar, June já ficava inquieta. No fundo, bem no fundo mesmo, tudo que queria era algo saído de um conto de fadas, contudo seu medo da tragédia era tanto que bloqueava qualquer brecha para tal. Por isso, só saia com quem sabia que não teria futuro. Nunca com um desconhecido. Mas talvez os motivos de Alex fossem diferentes. Poderia ser apenas um grande antissocial, inseguro ou preguiçoso, estar superando um término, ter medo de mulher ou, até mesmo, só não compartilhar do mesmo gosto do amigo. June rodou alguns cenários na cabeça, sem ter certeza de qual preferia que fosse a realidade. "Hum... Não muito, na verdade. Só disse que tinha o amigo perfeito para me apresentar, 'uma das melhores pessoas que ele já conheceu', ou algo assim, junto com vários outros elogios que, admito, não prestei muita atenção. Eu amo minha avó, mas acho que você pode imaginar que ver tv com ela toda noite, com o tempo, vai perdendo um pouco a graça. Além de que fiquei com medo do Marcus nunca mais olhar na minha cara se eu dissesse não. Imagino que vocês sejam bastante amigos." Ao ouvir seu suposto histórico, ela não pode deixar de ficar um tanto aliviada por não ter levado um bolo. Pensou em como seria patético ficar horas no escuro esperando em vão. Por pouco não fez uma piada a respeito, mas desistiu temendo deixá-lo desconfortável. "Essa é uma boa pergunta e sinto que vou ficar te devendo a resposta. Perguntei para o meu pai uma vez, um verdadeiro americano, e tudo que ele me disse foi 'europeu é tudo igual'. Ele já odiava minha mãe nessa época, então talvez isso diga mais sobre isso do que sobre as batatas em si." Apesar da veracidade da informação, seu tom era jocoso, quase provocativo no que se referia a relação de seus pais. Tom de quem já se acostumou tanto com a ideia que nem leva mais a sério. "Suécia? Irado. Nunca fui, mas parece um lugar legal. Nos deu o Abba, então não tem como ser muito menos que isso. Eu fiquei tão pilhada quando anunciaram que ia ter um segundo Mamma Mia que fiz metade do curso do DuoLingo de sueco. Hoje já não lembro mais de nada." Animada demais ao pensar na banda sueca, demorou um pouco para processar a informação de que ele também era uma criança do divórcio. "Uau, seis anos, deve ter sido difícil... Os meus se separam quando eu tinha onze, mas foi quase uma coisa boa. No mínimo a gritaria deu uma diminuída. E eles são o contrário, adoram falar um do outro, só para reclamar, claro, mas se começarem não param mais. Chega a ser impressionante." disse com consideravelmente menos humor que suas falas anteriores, guardando apenas uma pitada de sarcasmo para o final. Não ficou surpresa quando descobriu que havia sido reconhecida como canadense, já imaginara que seu sotaque, apesar de não tão forte quanto seus conterrâneos, acabaria a entregando. No mais, gostou de saber que sua companhia também vinha de ventre francês, relaxava um pouco ao pensar que pelo menos tinham similaridades que rendiam algum assunto. Se sentiria péssima se tivesse trocado uma noite confortável, mesmo que monótona, com a avó para ficar em silêncio, no escuro com um um estranho. Ao ouvir as comidas francesas listadas por Alex, se lembrou de uma das suas memórias favoritas da infância e achou uma boa ideia compartilhar. "Quando eu era bem novinha, e meus pais estavam juntos ainda, vira e mexe eles faziam 'A Guerra das Panquecas'. De um lado, meu pai com as típicas americanas, ensopadas de maple cyrup e manteiga, do outro minha mãe com os clássicos crepes franceses. E, vou ter que admitir, sempre preferi as dele." disse saudosa enquanto, com o garfo, explorava cuidadosamente o prato posto em sua frente. "A cozinha canadense, do Quebec pelo menos, é como se fosse uma mistura da francesa com a irlandesa... só que diferente. Um dos clássicos, e particularmente um dos meus favoritos, é o poutine que é basicamente batata frita com queijo coalho e molho de carne. Parece um pouco estranho, mas eu juro que é ótimo. Tem todas as coisas com maple cyrup também e a melhor de todas, sem dúvida, é o grand-pères, que é tipo um bolinho frito." Falar das comidas de casa deu-lhe a dose de coragem que precisava para dar a primeira garfada de sua 'experiência gastronômica'. Partiu um pedaço bem pequeno de algo que não fazia ideia do que era. Tinha uma textura estranha, mas até que era gostoso. "Será que eles contam no final o que raios acabamos de comer? Ou deixam para sempre a dúvida martelando nas nossas cabeças? Não sei se conseguiria dormir assim." brincou em reação imediata a tosse do outro, torcendo para que fosse somente um engasgo inocente, não relacionado a seu infame comentário. A fala a seguir, sobre o Sena, abalou sua esperança, mas escolheu ignorá-lo em busca de não tornar ainda mais estranho o clima que ela mesma havia causado. "Hum... talvez seja uma boa ideia mesmo. Se você souber como, confesso que ainda não entendi direito o esquema do restaurante. Creio que as entradas estejam tranquilas sim, o cheiro geralmente já me deixa enjoada. Carne eu como, camarão é o único problema mesmo."
lip-nat:
Riu com a analogia da garota, que apesar de estranha, não deixava de ser verdadeira. ❝ Bizarro foi essa comparação, mas verdadeira. A gente sabe que provavelmente vai ver algo que prefere não, mas a gente olha mesmo assim. ❞ Respondeu sem muito julgamento, se tinha algo que não poderia negar, era sua curiosidade. ❝ É, deu. ❞ Abriu um riso maior, gostava de pessoas que falavam as coisas com sinceridade e nada mais sincero do que uma pessoa que se enrolava nos próprios pensamentos. ❝ Algumas fotos realmente saíram parecendo um acidente. ❞ Deu uma breve pausa, acrescentando em seguida. ❝ Um acidente fotogênico. I mean, já viu as posições que ela para às vezes? ❞ Perguntou divertida.
“Exatamente!” disse aliviada pela outra ter levado sua péssima comparação com bom humor. “E ela faz parecer tão fácil! Pode parecer um acidente, mas é um muito tranquilo. Devem dar belas fotos mesmo. Com uma boa câmera, pelo menos, o coitado do meu celular aqui só sonha.” Com um leve sorriso levantou o telefone do colo para mostrá-lo, rapidamente colocando-o de volta no lugar. O modelo já devia estar com June há uns quatro anos e sua tela toda rachada estampava suas marcas de guerra. Voltou, então, a observar a contorcionista que agora apoiada com as duas mãos em um tablado de madeira, comia uma maçã com o auxílio dos pés. “Não sei o quão higiênico isso é, mas queria eu ter a opção de ser nojenta assim.”
lip-alex:
Dans le noir @lip-alex with @lip-june
Aquela noite tinha sido organizada por Marcus e ele não havia se dado ao trabalho de comentar muito sobre June, apenas mencionado seu nome e se muito, de onde se conheciam. Contudo, confessava que esse último não se recordava, talvez estivesse preocupado demais com a situação que o amigo tinha o metido para assimilar algo além disso. A grande questão é que eles já estavam ali e Alexander precisaria contornar sua timidez, querendo ou não, para conseguir permanecer até o final do encontro não seria uma tarefa fácil para si. Sempre há uma chance do assunto ficar monótono ou até quem sabe, na pior das hipóteses, ela desistir de conversar, levantar e ir embora. Ao ouvir June comentar sobre não ser da França, logo sua primeira teoria se confirmou: ela era canadense. O francês dela não era incorreto pra ser sua segunda língua, apenas era diferente. Pelo sotaque apostava em canadense e como segunda opção, belga. “Você é amiga do Marcus tem muito tempo? Ele já aprontou coisas desse tipo com você outras vezes?” perguntou curioso com a resposta que viria dela a seguir “Eu acho que quando ele me contou sobre esse restaurante, eu nem tive tempo de perguntar sobre nada, foi tipo… hoje? é, foi hoje cedo. Só sei que seu nome é June e agora sei que você não é francesa. É de onde? Ou é francesa e só não é parisiense” esperou aí a possível confirmação do local de origem da amiga de Marcus “Eu não sou francês também, mas cresci aqui. Nada que te interesse, mas é isso, só tô falando. Acabei de descobrir que falo muito quando fico nervoso então se ficar chato só me avisa” de fato, ele não mentira, realmente estava descobrindo que fica nervoso em primeiros encontros e, finalmente, no auge de seus vinte e dois anos descobriria mais um fato sobre si. As falas relativamente rápida e com a voz um pouco trêmula fora tomando certa forma de tranquilidade. June parecia estar na mesma sintonia que ele, talvez ela estivesse nervosa assim como ele, o que naquele momento ajudava a relaxar. As mãos, já com um suador mais fraco e não tão trêmulas acompanhando o ritmo da voz, davam lugar apenas a falas rápidas. Aos poucos acreditava que nem mesmo as falas estariam numa velocidade assim, ao menos esperava. Alex ria com o comentário feito por June, se recordando e comentando com ela de que um dos garçons preferiu o acompanhar até a mesa, provável que a fim de evitar uma nova queda do rapaz. Sua risada ainda foi emendada com o barulho e que pela distância do som e mover da mesa imaginou ser de June. “Ainda bem que não serviram os escargot ainda, se não teriam caracóis voadores pelo restaurante. Você gosta de escargot?” não sabia se teriam escargots no cardápio, provavelmente não, só brincava por imaginar que havia uma grande possibilidade de June não gostar dos gastrópodes assim como ele. “Bom, eu acho que não vão servir isso, só brinquei. Eu preferiria ter ido ao McDonald’s ou comer uma baquete na beira do Sena. Eu conheço o melhor lugar pra isso, inclusive” comentou ao se recordar de uma tenda do amigo de sua mãe, que em sua opinião servia os melhores recheios para baguete possível “Li que aqui eles fazem umas comidas meio estranhas pra ter uma experiência sensorial também”
"'Amiga' talvez seja uma palavra forte demais. Eu conheci o Marcus faz uns cinco anos, mais ou menos, quando a família dele se mudou para a porta do lado dos meus avós e eu vim para Paris nas férias. A gente passou boa parte do verão juntos, já que, tirando meus primos, ele era o único outro adolescente que eu conhecia aqui. Depois disso perdemos o contato, até que hoje de manhã fui tirar o lixo e quem eu encontro? O próprio. Conversamos por algumas horas e eu comentei que tinha vindo morar com a minha avó, mas continuava sem conhecer muita gente na cidade. Ele me olhou com uma cara de quem acabou de descobrir a penicilina e, bem... Cá estou eu." Quanto mais falava, mais se divertia percebendo o absurdo da situação. Tudo havia sido organizado tão em cima da hora, parecia até irreal o fato de estar mesmo acontecendo. Quando acordou naquela manhã seu maior plano consistia em ir ao mercado. A questão é que June gostava de planos. Gostava, principalmente, de ter certeza das coisas. Não tinha tido muito tempo para se preparar emocionalmente e isso ainda a inquietava. "Então, é, essa é a primeira vez que ele banca o cupido comigo. E você? Qual seu lado da história? Como veio parar no escuro com uma desconhecida?" Tentava ao máximo transparecer tranquilidade em sua voz, sem muito sucesso. Inconscientemente chacoalhava as pernas e de tempos em tempos soltava e prendia o cabelo. "Sou canadense, mas da parte estranha que fala francês. Não? De onde é? Quer dizer, tecnicamente eu nasci nos Estados Unidos, mas fui para Montreal com menos de dois anos de idade, então americana só no passaporte mesmo." Se confortou ao ouvir que ele compartilhava de seu nervosismo. Sorriu, com um peso a menos nos ombros. "Sinto que eu sempre falo muito, nervosa ou não. Pode me parar quando quiser."
Riu ainda mais com a imagem das lesmas voando pelo lugar, aliviada por seu acidente ter sido apenas sonoro. "Pior que eu gosto. Minha mãe é francesa e quando estava particularmente inspirada, com saudade de casa ou irritada com meu pai ela cozinhava escargot. Uma vez levei uma amiga da escola para jantar sem avisar em um desses dias e, acredita, que ela nunca mais quis voltar depois disso? Acho que ela tinha alergia ao cachorro do vizinho..." Foi só naquele momento que percebeu o movimento constante que suas pernas faziam e o quanto seu cabelo deveria estar um caos. Pela primeira vez, a escuridão pareceu um fator positivo. Ao mesmo tempo, as alternativas de Alex soavam ótimas, mais sua cara do que um restaurante chique. A romântica incurável que vivia escondida dentro de si havia se interessado principalmente pela beira do Sena, como um verdadeiro cliché francês. "Parecem ótimas ideias. Vamos combinar de não deixar o Marcus decidir na próxima vez." Se arrependeu no exato segundo que as palavras saíram de sua boca. Havia acabado de conhecer o rapaz. Nenhum dos dois parecia especialmente confortável. Não sabiam nem como era o rosto um do outro. Aquele com certeza não era o momento para insinuar um segundo encontro. "Ou se der tudo errado, você só anota o nome do lugar das baguetes para mim." emendou em uma piada para tentar disfarçar e continuou falando como se nada tivesse acontecido "Eu sou uma mulher simples, como qualquer coisa. Menos camarão, no caso, mas aí é porque eu morro e eu gostaria de evitar isso por enquanto. E, convenhamos, talvez a comida seja uma das coisas menos estranhas de hoje."
lip-han:
as pernas atrás da cabeça. “ meu deus, ela deve ter treinado muito para isso. ” ou era um extraterrestre, de certo, jaejoon pensou. ele nunca conseguiria, suas pernas eram grandes demais até para pular corda direito, ele se atrapalhava todo, imagine contorcê-las daquela maneira. fica grato que a garota tenha o avisado e corre em passos pequenos para se esconder atrás de um grupo de turistas, um gritinho sendo ouvido pela praça. “ ela já saiu? já deu a volta? ” ele pergunta depois de alguns segundos, como se esperasse uma resposta do universo de que é seguro voltar ao seu posto. respirando fundo, ele vai aos poucos, se aproximando da garota novamente. “ obrigado. eu teria gritado muito mais… é bom pra ela que consiga fazer isso mas eu temo demais os limites do corpo humano para ficar assistindo. ”
“Acho que ela só era uma daquelas crianças super flexíveis. Eu treinei para caramba e tudo que eu consegui foi colocar uma muito porcamente e com muito esforço. Claro que, depois disso, eu não tentei mais, era o mínimo, mas era o suficiente para eu poder falar que consegui. Ver essa moça me faz pensar que eu deveria ter continuado. Imagina? Poderia ganhar uma grana nas ruas de Paris.” Pela primeira vez em muito tempo divergiu sua atenção para acompanhar a movimentação do rapaz fugindo da contorcionista. Queria respeitar, mas não pode deixar de rir com a situação, principalmente com o gritinho. Quando estava perto o suficiente colocou algumas moedas na cesta que a mulher equilibrava desafiando todos as leis da gravidade. Ao vê-la se afastar deu o sinal para que ele pudesse voltar ao seu lugar. “Disponha. Acho que é uma reação normal. Faria o mesmo se fosse, sei lá, um palestrante motivacional vindo na minha direção.”
lip-alex:
lip-alex:
Dans le noir @lip-alex with @lip-june
O celular precisou ser desligado, o que foi orientado a ele logo na entrada. Essa condição aplicada pelo restaurante tinha lá sua importância graças a temática do local, completamente compreensível, contudo o que não era muito bom nisso era sua ansiedade para aquilo acontecer. Achava que o evento do encontro já era algo que normalmente colocava nas pessoas certo nível de ansiedade em saber como tudo vai acontecer, além do mais Alex possuía um ponto a mais: ele não fazia ideia quem dividiria o jantar com ele essa noite. O convite proposto por Marcus foi tão repentino que não pode nem negar e nem ter tempo de ao menos pesquisar June no Facebook do colega. A sensação era estranha de conversar durante horas com alguém - ou ao menos tentar - por não conseguir ver o rosto da companhia e nem suas reações com o andar dos diálogos. Passava as mãos na lateral da calça para tentar de alguma forma limpar o suor devido ao nervosismo, até ter sua atenção desviada ao ouvir seu nome. Automaticamente uma figura tentava ser formada em sua cabeça de acordo com a voz com acabara de ouvir, mas nada muito concreto. “Ahn, tá tudo bem” ajeitou-se na cadeira e ajeitou os fios de cabelo, mesmo que não fosse mudar muita coisa de sua aparência para June “Paris tem um metrô até que bem confuso mesmo, acho que é normal.” riu sem muito humor, não tinha muita ideia até então sobre o que conversariam durante a noite “Você também tropeçou na entrada? Aconteceu isso comigo e foi desastroso. Pelo menos ninguém viu, só ouviram” riu ao se lembrar da situação
O clima parecia estranho. June não sabia se era ela, ele, os dois ou a falta de luzes do restaurante. Não tinha muitas outras experiências para comparar. Esperava que fosse tudo fruto de sua imaginação, que seu nervosismo estivesse a impedindo de realizar uma análise clara. Tentou se convencer de que aquilo era normal. Estava sentada para jantar com um desconhecido na completa penumbra, não tinha como não ser estranho. "Em minha defesa, não sei se Marcus comentou, mas não sou daqui. Fiquei tão focada em acertar a linha que acabei esquecendo desse outro detalhe." O absurdo da situação comparada as suas últimas sexta-feiras era tamanho e, pensando nisso, deu uma relaxada. Chegou até a esboçar um sorriso, imaginando como contaria essa história depois. Seus amigos viviam dizendo que deveria se abrir mais para o mundo e se apenas o ato de aceitar aquele encontro já não se configurava como tal, ela não sabia o que mais poderia fazer. "Não tropecei, mas dei uns bons esbarrões por aí. A pior parte é que não faço ideia no que! Estou desconfiada que uma hora pedi desculpas para uma pilastra." disse achando ainda mais graça na situação toda. Dentro de sua cabeça, estava tão preocupada em não surtar que nem teve tempo de tentar esboçar como deveria ser a aparência do rapaz. Levou os cotovelos a mesa com o objetivo de apoiar o rosto nas mãos, porém, acabou acertando o prato vazio que já estava posto e ela não sabia, resultando em um alto barulho. No meio de uma risada nervosa, mas sincera, tudo que conseguiu falar em resposta foi: “Ops?!”
lip-artie:
Artie percebeu que a garota parecia tão perdida quanto ele, o que era um problema, mas também um alívio por saber que não era o único que achava que todas aquelas ruas eram iguais, as construções eram magnificas, ainda sim eram iguais umas as outras e isso só o ajudava a ficar ainda mais confuso. Ele sorriu para a outra então. “Obrigado de qualquer forma… Essas ruas parecem todas iguais, não acha? Eu sempre tenho a impressão de que já passei por elas…” E pensar que ele só queria conhecer um lugar novo, e agora conhecia vários, só não fazia ideia de onde estava. “Você também não é daqui, não é?” Perguntou curioso, porque as pessoas daquela cidade pareciam não notar a semelhança entre aquelas ruas, só os turistas ficavam perdidos em Paris.
“Sim! Impressionante o quanto uma cidade planejada pode ser tão difícil de andar! Pelo menos é um lugar bonito, né, imagina se perder em, sei lá, Detroit.” O sotaque do rapaz indicava que talvez francês não fosse seu idioma nativo e sua próxima pergunta só aumentou a suspeita. Por um momento June amaldiçoou sua língua grande, com medo de ter ofendido um completo estranho por nada. “Não, não sou. Mas a família da minha mãe é toda da área, então é uma certa vergonha eu não saber andar por aqui. Já passei pela L’éclair Génie várias vezes com eles, por exemplo. Só não sei chegar lá... Você não é de Detroit, é?”
lip-han:
foram 5 segundos observando a contorcionista e jaejoon desviou o olhar, um pouco assustado. “ por isso, eu não curto muito essas acrobacias… ” tentou olhar de novo, mas se encolheu com desconforto. seus braços chegaram a doer. “ fico impressionado e assustado ao mesmo tempo… será que ela removeu as costelas??? ” se arrependeu do que disse no momento seguinte, sentindo-se ainda mais incomodado com tal ideia.
“Será? Ela faz parecer tão fácil. Não tem como ser fácil assim...” disse ainda absorta na apresentação. “Quando eu era criança tinha uma amiga que conseguia colocar as pernas atrás da cabeça e, na época, parecia a coisa mais legal do mundo. Então resolvi que queria fazer o mesmo. Foi horrível! Passei meses tentando, nada nunca doeu tanto quanto aqueles alongamentos.” A contorcionista foi descendo lentamente seu corpo até a posição da ponte e andava pelo parque como uma aranha. Percebendo o desconforto na voz do rapaz achou melhor avisar. “Eu não quero te assustar nem nada, mas acho que ela está vindo na nossa direção.”
lip-nat:
Depois de alguns anos morando na cidade, de alguma forma já estava acostumada com as performances que aconteciam no parque, entretanto, isso não significava menos impressionada com a beleza das situações, talvez fosse apenas sua visão diferente sobre aquilo, uma visão quase ingênua. Observou a apresentação, não demorando para encontrar um ponto bom que lhe daria um ângulo incrível, esse perto de um dos muitos bancos. Não pode deixar de ouvir o comentário alheio. ❝ Right? Às vezes eu tenho um pouco de agonia com esse tipo de apresentação, mas elas ficam incríveis nas fotos. ❞ Afirmou, ajeitando a câmera em mãos para capturar a cena mais uma vez.
Levou um certo susto ao ouvir a voz da mulher em seu lado. Falava mais para si mesma e não esperava que fossem ouvi-la, muito menos respondê-la. Ao mesmo tempo, estava gostando da experiência de conversar com estranhos na rua, coisa que parecia cada vez mais frequente. Consequências, pensou, de se andar muito sozinha por uma cidade nova. “É tipo um acidente de carro no meio da estrada. É bizarro, mas não dá pra não olhar.” Foi só quando terminou de falar que percebeu o quão mal isso poderia ter soado. “Quer dizer, não como se fotos de um acidente de carro fossem legais ou que a apresentação dela seja tão desagradável quanto um acidente... Sabe, possíveis mortes e tal, mas... É, acho que deu para entender.” disse pela primeira vez em muito tempo desviando os olhos da contorcionista, ao olhar para a fotógrafa tentando ao máximo não parecer uma grande psicopata.
ˋ⋆ “Você quer leite com o seu chá?” Perguntou ao colocar o bule sobre a mesa, sentando-se de frente para a mulher. Deixou que a outra se servisse, receosa de acabar errando o jeito que a mesma preferia a bebida. “No Canadá eles colocam maple syrup no chá?” Perguntou, séria como sempre. “Claro que não, certo? Isso seria blasfêmia.” Pegou a chaleira, servindo-se e colocando leite e açúcar na bebida em seguida. “Enfim, o que você precisava me contar, @lip-june? Prometo ser compreensiva, love.” Colocou uma mecha de cabelo ruivo atrás da orelha, concentrada em ouvir o que a outra tinha para dizer, os lábios esboçando um sorriso minúsculo. Movia a cabeça para cima e para baixo quando sentia necessário, mostrando que estava prestando atenção nela.
“Não, obrigada, só açúcar já ‘tá bom.” disse enquanto colocava provavelmente mais do que era recomendado do pó branco em sua xícara. “Alguns sim. Eu particularmente prefiro mel, mas até que fica gostoso. Você deveria tentar um dia.” Seu tom tinha um toque provocador. June, que com certeza não tomava chá de forma tão religiosa quanto Pandora, poderia não saber muito sobre suas regras e tradições, contudo sua mínima consciência sobre a situação era o suficiente para imaginar o quanto isso soaria absurdo para a amiga. Deu um gole na bebida que ainda assim não estava tão doce quanto gostaria. “Na verdade eu queria te pedir um favor...” falava enquanto mexia seu chá, agora com ainda mais açúcar “Quer dizer, não é bem um favor, favor, mas meio que é. É que o aniversário da minha avó está chegando e eu realmente queria dar algo legal para ela, sabe? Então se você pudesse fazer um precinho especial em um dos seus quadros realmente faria uma velha senhora muito feliz...” em seu rosto um sorriso meio forçado tentando demais expressar a melhor das intenções.
June estava hipnotizada. Sentada em um banco, não conseguia desviar os olhos da mulher que se apresentava no meio do parque. Alguns paravam para olhar e tirar fotos, outros passavam direto, como se aquela fosse só mais uma dentre as várias performances rua que ainda encontraria. Mas nem mesmo esses conseguiam esconder o espanto em seus rostos. A moça fazia acrobacias como quem levanta o braço, contorcia seu corpo em formas tão estranhas que parecia feita de borracha. Era ao mesmo tempo incrível e perturbador. “Como...? Isso não parece humanamente possível” murmurou ainda atônita com o que acontecia na sua frente.
Artie havia decidido sair para conhecer a tão famosa L’éclair de Génie naquele dia, havia ouvido muito bem sobre as vitrines do lugar e seria uma experiencia incrível, o único problema era que o rapaz ainda não havia se acostumado com as ruas de Paris, e mesmo sabendo que deveria estar na 32 rua Notre-Dam des Victories, não tinha tanta certeza de que estava no lugar certo, Arthur estava tão arrependido de não ter pego um uber, seria bem mais fácil. Enquanto seus olhos procuravam por alguma placa ou algum sinal de que estava próximo, ele pode ver uma garota se aproximando, ela parecia estar indo para algum lugar, mas talvez ela morasse por ali e pudesse ajudar, então decidiu abordar ela. “Com licença… Você sabe como eu posso chegar a L’éclair Génie? Eu estou um pouco perdido aqui…” Tentou não parecer tão envergonhado quando realmente estava.
@lip-june
Um dos principais motivos que fez June decidir passar o semestre na França era para poder fazer companhia a avó. A morte do avô não havia sido fácil para ninguém, muito menos para a senhora e depois de um ano e meio, a neta não suportava mais imaginá-la sozinha. Então, quando ela pediu para que pegasse suas roupas na costureira, June aceitou na hora, feliz em poder ajudar. O problema era chegar até lá. É fácil, disse a avó, pertinho da L’éclair Génie. Mas não era fácil. O que deveria ser uma caminhada de quinze minutos já beirava os quarenta e cinco e ela não fazia ideia o que tinha errado. “L’éclair Génie?” Não conseguiu conter o riso quando, de todas as pessoas possíveis, vieram justamente lhe pedir direções. “Bem que eu gostaria de saber, mas acho que estou ainda mais perdida. Se eu não me engano já é a segunda vez que passo por esse mesmo lugar.”