há pessoas inesquecíveis e não há cura
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@literaturaboemia
há pessoas inesquecíveis e não há cura
Bukowiski
Para deixar bem claro!
Não cobre nada,
E nunca aceite menos do que julga merecer.
Entenda, você é infinitamente mais,
Você escolhe o espaço que ocupa
Sabendo que o pouco não te cabe.
Tem dias que a gente se sente pequeno. E mesmo nesses dias, lá no fundo, a gente sabe que precisa se curar sozinho.
TKO.
às vezes nem é coração partido é só ego ferido de ter acreditado errado
a vó.
a terceira corda do varal sempre ficava vazia. não importava o vento que a sacudisse ou a lama que os uniformes da gurizada traziam. ela engenhou arquiteturas para que as roupas coubessem no que sobrava de corda e ela também arquitetou engenhos para que a lavagem da roupa creditasse tempo à promessa. seis meses e o vô traria o eldorado do sul para casa. e nos intervalos entre o fogão de barro e o tanque aleijado sobre tijolos, ela esperava. e ela ansiava pela hora depois do almoço em que vindo da lavoura seca, ele se transformava em pares de mãos e jogos de lábios. assim, ela sempre esperava que nesse momento do dia alguma sombra se manifestaria exilada pela diferença e pela riqueza. por isso, a panela morna com o barreado feito e o varal vazio se mantinham. mantinham-se a cama arrumada e o vestido de domingo ao alcance do dia que fosse para ela. mas, os anos passaram e o varal não exigia mais arquiteturas e engenharias. e, ainda que nenhuma sombra pudesse mais desarticular a linha do horizonte e a filha tivesse outro nome como sinônimo da mãe, não havia um dia em que ela não arrumasse o travesseiro da cama logo depois de almoçar. a vó me ensinou que há certos espaços que nunca podemos superar ou deixar de percorrer.
que saudade absurda desses ensinamentos. hoje seria aniversário dela.
. ah, mano estou tão exausto de perder todo mundo.
eu tenho sido justa comigo? eu tenho sido coerente com minhas vontades e escolhas? eu tenho me cuidado? passei a me perguntar. se tenho feito por mim o que eu faria por qualquer pessoa, se eu tenho feito por mim o que mereço, se tenho entendido que tenho todo o direito de exigir o mesmo, porque meu coração metafórico precisa de cuidados e, se eu os concedo, por que quem eu amo não pode fazer o mesmo? eu tenho revisitado meus dias e amores e partidas pra não deixar escapar nem um momento que eu pudia ter sido mais gentil com o que sinto, com o que não sei e com o que tenho medo, porque eu tenho muitos medos, entende? e eles são humanos porque eu também sou. e eles não carecem de culpa porque viver é sempre a primeira vez pra tudo. e eu não preciso saber. eu não preciso fingir. eu não tenho que me acomodar na ideia de provar algo pra você. cruzar oceanos de desconforto pra ficar no tamanho de quem? eu tenho entendido meus limites? eu os respeito? eu ajo se os ultrapassei? me vigiar, não porque não acredito, mas porque acreditar é contínuo. e amar também, mas amar é muitas coisas. e se eu não for capaz de explica-las, sentir é mais do que suficiente. sentir é mais do que suficiente. anota aí.
eu achei que nunca conseguiria te deixar ir. por um momento, longo, estiquei sua presença pelos meus dias, pra atravessar as noites sozinho e os dias em quem não tinha ninguém pra me segurar. eu te mantive por perto, na ilusão de que se te deixasse aqui, então tudo doeria menos. o problema é que a gente sempre acha que não vai superar. que o lugar da superação é estático, fatídico, sufocante. e por medo de entrar nesse território, acabamos por agarrar a dor, a memória, o fim, como quem diz: quero continuar pensando e existindo como se tudo não tivesse passado de um sonho. mas términos acontecem, todos os dias, enquanto comemos pão pela manhã, enquanto a polícia do país segue destruindo nossos sonhos, enquanto a vida lá fora continua exercendo seu direito de ser visceral. eu sei que, às vezes, você também se apega à memória do que foi bom pra continuar suportando viver. porque te disseram, uma vez, que o amor do outro poderia te salvar ou te livrar do susto, da queda, de si. te disseram que o amor tinha essa capacidade, quase que divina, de te tirar do eixo. e você acreditou nisso, abraçou como se fosse a mais profunda das verdades. você está atada à ideia de que, em algum momento, ele voltará e a dor será suprimida. que, de repente, a superação, de que tanto se fala, não precisará chegar até você, afinal, vocês estarão juntos novamente. será? será que é mais fácil acreditar na volta do que compreender que o caminho da superação é necessário? que você, eventualmente, passará por ele e perceberá que precisava abandonar o passado pra seguir em frente? eu não achei que pudesse te superar até entender que superar não tem a ver com esquecer, mas sim, como diz uma amiga, “se preparar bem pra não cometer os mesmos erros”. e eu estou aqui, pronto, de novo, pra amar, pro amar e principalmente: pra fazer certo dessa vez.
cê não acreditava em nada. e eu tinha fé em tudo que ouvia falar.
a gente se aperta demais esperando que algo escorra. sugando um do outro aquilo que falta na gente.
“Tem coisa que dá vontade de viver de novo. E de novo. E de novo.”
— Clarice Lispector.
a gente acaba amando a viagem, não o porto e é por isso que eu não amo mais você.
“Perder uma pessoa quando ela ainda está com você é duro, eu sei.”
— Marca de Guerra.
A cada vez que você me magoa, menos eu choro. A cada vez que você me deixa, mais rápido essas lágrimas secam. E a cada vez que você sai andando, menos eu te amo. Amor, não temos a menor chance, é triste, mas é verdade. Sam Smith.
“Mas cara, é como diz aquele blues “você não pode perder o que nunca teve.”
— Soulstripper.
Botticelli