São raros os momentos em que me coloco a escrever, cada letra me pesa, me dói, então eu vou guardando no peito, escondendo lá no fundo, na esperança que desapareçam.
Me pergunto o como me tornei quem sou, lembro do meu eu adolescente, com um ódio crescente pelo mundo, repleta de palavras ácidas, de barreiras momumentais, sem um colo, sem muito carinho, sem muito espaço.
Meu eu adulto foi para tão distante do que eu era, não sei se me perdi no rumo, se me encontrei ou se sempre fui assim, só que com muitos disfarces.
A empatia hoje me move, gera meus laços e afetos mas também é o que me adoece, o que me parte em tantos fragmentos. Em que momento eu determinei que a dor do outro pesa mais do que a minha?
Fui aos poucos calando minha voz, calando minha escrita, como já exposto, invalidando cada sentimento, fazendo ecoar a sensação do “será que é tudo isso ou é coisa da minha cabeça?” Ficando com esse pensamento em looping por noites a fio, questionando o que vi, senti, falei e pensei mas sem nunca questionar o outro, me amparando em argumentos retirados de recortes das minhas terapias.
Aprendi a sempre arranjar desculpas para os outros, “ele só deu o que tinha”, “ele chegou nisso por tudo que viveu” e assim fui perdendo minhas certezas.
O mundo me assusta, a solidão me deixa estática, em pânico, vendo a vida ao meu redor passar, enquanto me escondo embaixo de uma coberta, rezando pro sono vir e todas as vozes em minha cabeça se silenciarem.
Escrever é tentar mais uma vez me anular, é centralizar toda a dor em frases clichês para tirar da minha mente, é agrupar os sentimentos onde eu possa escondê-los. Então cá estou,mais uma vez me ajeitando para dormir. Mais uma tentativa de fugir de mim.

















